
Juiz aposentado fazia live minutos antes de ponte desabar; ele e o irmão ficaram feridos
Após passar por uma cirurgia no quadril, o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, uma das vítimas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, interior do Acre, precisa de doação de sangue para continuar o tratamento. Ele fazia uma transmissão ao vivo em uma rede social mostrando a estrutura e criticando a obra quando houve o acidente.
Ao g1, a família de Edinaldo informou que, neste momento, prefere não falar por conta do abalo emocional, contudo, confirmou a campanha de doação de sangue.
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👉🏽 Contexto: A ponte desabou na noite de sexta-feira (5) com quatro pessoas em cima. A estrutura estava interditada desde quinta (4) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o desabamento e as pessoas, que ultrapassaram o bloqueio, passando. Veja quem são os feridos aqui.
Veja o que se sabe sobre o acidente
ANTES E DEPOIS: Imagens mostram como ficou ponte que desabou
Na campanha, é pedido a doação de sangue do tipo O+, mas outros tipos sanguíneos também podem ser doados. Quem puder ajudar, pode procurar o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Acre (Hemoacre), na capital acreana, para fazer a doação.
Conforme atualização do último boletim médico, divulgado pela Secretaria de Saúde (Sesacre) nesse sábado (6), dos quatro feridos Edinaldo é com o quadro de saúde mais delicado. Ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco com quadro gravíssimo.
Edinaldo Muniz criticava situação da obra que custou R$ 36 milhões
Reprodução/Instagram
Ele passou por cirurgia por conta de uma fratura no quadril, teve traumatismo cranioencefálico grave e segue sob ventilação mecânica e monitoramento contínuo da equipe da UTI.
Além de Edinaldo, o advogado Ednei Muniz dos Santos, de 51 anos, irmão dele, também foi uma das vítimas do desabamento e segue internado no Pronto-Socorro. Ainda de acordo com a Saúde, o quadro clínico dele é estável, em ar ambiente, com fratura de antebraço e com programação cirúrgica em andamento.
O novo boletim médico com a atualização do estado de saúde das vítimas do desabamento da ponte deve ser divulgado neste domingo (7), até às 11h.
Camapanha de doação de sangue para o juiz aposentado Edinaldo Muniz, uma das vítimas do desabamento da ponte de Sena Madureira
Arquivo pessoal
Inquérito
A Polícia Civil confirmou que instaurou um inquérito para apurar as causas do desabamento. A investigação deve ser concluída em 30 dias.
O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, confirmou ao g1 nesse sábado (6) que peritos do município já fizeram uma perícia preliminar no local do desmoronamento. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para conduzir a investigação.
O Ministério Público do Acre (MP-AC) também confirmou que a Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira instaurou um procedimento para apurar as causas do acidente. O órgão solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia na área do acidente para identificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou na utilização do material.
Ponte interditada desaba no Acre
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão, o que dá cerca de 139 metros.
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À época da abertura, a Prefeitura de Sena Madureira estimava que 2,5 mil pessoas seriam beneficiadas pela passagem, que ligava os dois distritos do município.
Em nota, o governo do Acre afirmou que as responsabilidades pelo desabamento recaem sobre a construtora. O g1 tentou contato com a construtora Cidade Ltda, mas não tinha conseguido até a última atualização desta reportagem.
Os escombros seguem no leito do Rio Iaco enquanto os bombeiros e Defesa Civil estudam maneiras de retirar o material. Além disso, o g1 também entrou em contato com o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) para saber quando deve iniciar a retirada dos escombros do manancial e aguarda retorno.
Relato de sobrevivente
Weverton Murieta, um dos sobreviventes do desabamento, relatou que ele e os outros três feridos estavam sobre a ponte no momento do desastre.
Ele trabalhava com Antônio Morais Filho descarregando um caminhão de mercadorias e voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, em cima da ponte.
Trabalhadores feridos em desabamento no AC estavam na ponte: ‘Encostei no fundo do rio’
Weverton recebeu alta na manhã deste sábado (6). Conforme o trabalhador, Edinaldo pediu a eles que mostrassem a rachadura na ponte e eles decidiram acompanhar o ex-magistrado.
“Eu disse: ‘Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor’. Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para ir com ele, aí quando eu passei na frente para mostrar para, eu cheguei pertinho para mostrar, a ponte desabou”, contou.
Weverton contou ainda o que se lembra do momento da queda. Ele chegou a cair no fundo do rio e se agarrou à própria estrutura que desabou para não voltar a afundar.
Feridos do acidente são Edinaldo Muniz, Edinei Muniz, Weverton Murieta e Antônio Morais Filho
Reprodução
“Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte. Subi em cima da ponte de novo, que estava arriada”, disse.
Antônio Morais foi um dos feridos em estado gravíssimo, com traumatismo. Ele foi transferido para a capital, assim como os irmãos, Edinaldo e Edinei Muniz. Ainda não há atualização do estado de saúde nesse sábado (6).
Weverton Murieta relatou ainda que viu Antônio ferido e conseguiu gritar por socorro. “Eu corri em cima da ponte procurando o meu amigo, vi ele deitado, tinham uns ferros nele. Vi que estava respirando e comecei a gritar ‘socorro, socorro’”, acrescentou.
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