
Apoiador de Roberto Sánchez levanta cartaz de ‘Não à fraude’ em discurso do candidato após as eleições presidenciais peruanas
Stifs Paucca/Reuters
Os peruanos foram á urnas no último domingo (7) para o segundo turno de suas eleições presidenciais, mas ainda não sabem quem se sagrou vencedor: se a candidata da direita, Keiko Fujimori, ou se o deputado de esquerda Roberto Sánchez.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
O país não é conhecido pela velocidade da apuração, muito pelo contrário. O primeiro turno ocorreu no dia 12 de abril, mas o resultado final só foi declarado pelo órgão eleitoral máximo, o JNE (Jurado Nacional de Electores) mais de um mês depois, em 17 de maio.
Muitos fatores contribuem para a lentidão, sendo o principal deles a diferença mínima de votos que costumam separar os candidatos: nos dois últimos pleitos, Keiko Fujimori terminou em segundo lugar com 49,88% e 49,87% dos votos válidos, respectivamente.
Já no primeiro turno de 2026, Sánchez superou o terceiro colocado, Rafael López-Aliaga, por apenas 21.210 votos.
Sem resultado definido, candidato da esquerda vira disputa na eleição presidencial no Peru
Outras razões também fazem com que o Peru tenha se notabilizado pela demora do processo eleitoral, o que lhe rendeu o apelido de “o país da apuração interminável” pelo jornal espanhol “El País”. Veja quais são as principais:
Cédulas de papel
Ao contrário das eleições brasileiras, que utilizam urnas eletrônicas, a votação no Peru utiliza majoritariamente cédulas de papel, que são depositadas em urnas físicas, posteriormente contadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Algumas exceções são feitas, como a militares em postos remotos e pessoas com deficiência, para que elas possam votar de forma digital, pelo computador ou celular — mesmo assim, mediante uma série de comprovantes e requisitos.
Montagem mostra os candidatos à presidência do Peru Roberto Sánchez e Keiko Fujimori em 7 de junho de 2026, dia da votação do segundo turno
ERNESTO BENAVIDES / AFP
Zonas rurais e regiões remotas
O Peru tem uma geografia desafiadora que provoca uma demora no envio das urnas dos locais mais remotos para os locais de contagem.
Na tarde desta terça-feira (9), quando 96,0% das urnas haviam sido contabilizadas, a apuração estava “atrasada” em relação à média nacional nas regiões de Cusco (91%), nos Andes, e em Loreto (93%), na Amazônia peruana.
Votos no exterior
Apesar de as regras eleitorais permitirem o voto digital para peruanos residentes no exterior, na prática, os consulados não disponibilizaram esta modalidade para os eleitores, que tiveram que se deslocar a postos de votação.
As urnas são, então, enviadas ao território peruano para a contagem. Isso faz com que o voto dos expatriados seja o menos computado de todos até o momento: apenas 31% das urnas haviam sido contabilizadas até a tarde de terça.
Contestações
Mesmo com a apuração dos votos, o JNE não deve declarar um vencedor imediatamente. Isso porque os partidos devem apontar inconsistências nas atas e fazer contestações de resultados ao órgão, ou até mesmo denúncias de fraudes, que então vai julgá-las procedentes ou não — e, se necessário, realizar uma recontagem.
No primeiro turno, o partido de López-Aliaga pediu diversos questionamentos que atrasaram a divulgação do resultado oficial. No total, foram mais de 68 mil atas eleitorais contestadas, totalizando mais de 1 milhão de votos recontados.
Numa eleição que dev ser decidida por poucos milhares de votos, senão centenas, o JNE aguarda uma nova onda de pedidos de revisão.