
Meteorologista explica fatores que influenciam baixas temperaturas em Piatã
O frio que faz em Piatã, cidade com cerca de 20 mil habitantes na Chapada Diamantina, na Bahia, impressiona, e a resposta para as temperaturas amenas está na geografia. O município fica a 1.200 metros de altitude, abrigando o ponto mais alto do Nordeste brasileiro, o Pico do Barbado.
Como explica o meteorologista Henrique Mendonça, que atua na Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (Cocep) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), é justamente essa altitude somada ao relevo e à influência dos ventos o que explica a manutenção das temperaturas baixas durante o dia inteiro.
Ao longo da história, a cidade já chegou a marcar 1,2°C. Isso ocorreu na década de 1980, conforme cita o secretário municipal de Turismo, Ricardo Xavier, mas ele não conseguiu detalhar o período.
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Nos últimos dias, a temperatura marcou medidas menos extremas — 12°C —, mas ainda assim um destaque em meio ao calor típico da maior parte do Nordeste.
Pico do Barbado, na Chapada Diamantina
Dimitri de Igatu
De acordo com Mendonça, esse tempo frio é reflexo da atuação de ventos vindos do sul do país. Ele pontua que foi o mesmo sistema que provocou chuvas volumosas em diversas regiões da Bahia na última semana.
O cenário é relativamente comum nesta época do ano. Embora o inverno só comece oficialmente em 21 de junho, as características climáticas da estação já começam a ser sentidas em algumas áreas do estado.
“É comum que ocorra essas quedas de temperatura, esses registros de temperaturas baixas principalmente agora dentro do nosso período chuvoso”, acrescenta o meteorologista. Em Piatã, o período mais frio se estende de junho até agosto.
Experiência para turistas
Imagem da cidade de Piatã, na Chapada Diamantina
Guia Chapada Diamantina
Para quem visita a cidade, a intensidade do frio costuma ser uma das primeiras surpresas. Segundo a guia de turismo Amanda Pedreira, muitos turistas chegam esperando temperaturas mais quentes.
“O que mais surpreende é a combinação entre altitude, paisagens e clima. Muitas pessoas não imaginam encontrar temperaturas tão baixas no Nordeste”.
Mas, segundo ela, o frio é justamente o que transforma a experiência dos visitantes, que encaram caminhadas pelas montanhas, contemplando as paisagens e observando fenômenos comuns da região, como a neblina que frequentemente cobre as serras nas primeiras horas da manhã.
Café, cachoeiras e montanhas
Termômetro registra 10°C em Piatã
Achei Sudoeste
De modo geral, as baixas temperaturas favorecem diversos setores da economia local, a exemplo dos produtores de café. Beneficiados pela altitude elevada e pelas características do solo, os grãos produzidos na região conquistaram reconhecimento dentro e fora do Brasil.
Moradores e profissionais do turismo ressaltam que as fazendas e propriedades rurais ligadas à cafeicultura recebem visitantes interessados em conhecer o processo de produção e degustar cafés premiados.
Além do café, o município reúne uma série de atrativos naturais. Entre eles estão cachoeiras, mirantes naturais, pinturas rupestres e importantes nascentes da Chapada Diamantina.
A guia de turismo Amanda destacou entre os principais atrativos a região dos Gerais, o Vale dos Três Morros e a Serra da Tromba, onde está localizada uma das nascentes do Rio de Contas.
Os visitantes também costumam incluir no roteiro o Pico do Barbado, ponto culminante do Nordeste brasileiro, cuja vista panorâmica é considerada uma das mais impressionantes da Chapada Diamantina.
Município da Chapada Diamantina abriga ponto mais alto da região nordestina.
Arte g1
Cidade de Piatã, na Chapada Diamantina
Guia Chapada Diamantina
Piatã, na Chapada Diamantina, oferece lindas paisagens entre serras e temperaturas baixas
Reprodução / Sabores do Nordeste
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