
Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista
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Fotos anexadas a um ofício enviado pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ao Ministério Público mostram como é o Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, onde a influenciadora e advogada Deolane Bezerra está presa preventivamente desde 22 de maio.
Na terça-feira (9), a Justiça de São Paulo negou o pedido da defesa para transferi-la para uma Sala de Estado-Maior ou substituir a prisão preventiva por domiciliar. Ao solicitar a medida, os advogados alegaram que a unidade tinha condições insalubres, citando falta de higiene, calor excessivo e até a presença de escorpiões na cela.
Contudo, as imagens, obtidas pela TV Globo, mostram um cenário diferente: celas organizadas, corredores limpos e uma área destinada ao banho de sol.
Também há fotos das habitações individuais com enxovais dobrados, televisão e objetos pessoais acomodados. Outras imagens registram vasos de plantas espalhados pelo corredor e um espaço preparado para visitas com crianças, equipado com brinquedos e mobiliário colorido.
O documento é assinado pela chefe do Departamento do Complexo Penal, Adriana Alkmin Pereira Domingues, e foi enviado ao promotor Lincoln Gakiya.
🔎 Deolane foi alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela é suspeita de lavagem de dinheiro, associação com o tráfico de drogas e de fazer parte da facção criminosa. (Leia mais abaixo.)
Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista
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Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista
Montagem/g1/Reprodução
Como funciona o Pavilhão Especial onde Deolane está presa
Segundo o ofício encaminhado, o Pavilhão Especial é composto por dez habitações individuais. Cada uma delas conta com cama, mesa e cadeira, banheiro com chuveiro elétrico, televisão, ventilador, interruptor de iluminação interna, além de acesso a bebedouro com água gelada e garrafa térmica para o período noturno.
O documento afirma que as detentas têm direito a banho de sol diário, realizado das 8h às 17h, totalizando nove horas por dia. O espaço externo dispõe de bancos, tanque para lavagem de roupas e brinquedos utilizados durante as visitas de crianças.
De acordo com o ofício da SAP, também são oferecidas atividades esportivas, como vôlei e futebol, além de opções recreativas, incluindo pintura em desenhos antiestresse, xadrez, dominó e resta 1. A unidade ainda disponibiliza atividades religiosas, com exibição de vídeos e louvores conduzidos por representantes de denominações católicas e evangélicas.
Em relação à alimentação, a secretaria informou que são servidas quatro refeições diárias — café da manhã, almoço, jantar e ceia — seguindo o cardápio padronizado adotado nas unidades prisionais do estado, elaborado com base em critérios nutricionais e sanitários.
Sobre a higiene, o ofício cita a Lei de Execução Penal e afirma que é dever da pessoa presa manter a higiene pessoal e o asseio da cela, habitação ou alojamento. Todas as mulheres custodiadas recebem mensalmente kits individuais de higiene pessoal, produtos de limpeza e uniformes.
A manutenção das habitações e do Pavilhão Especial também é realizada periodicamente ou sempre que solicitada pela presa provisória.
Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista
Montagem/g1/Reprodução
Pedido de liberdade
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou na terça-feira (9) um pedido de liberdade de Deolane Bezerra, influenciadora digital e advogada que cumpre prisão preventiva desde 21 de maio.
Os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Maria Marluce Caldas e Messod Azulay Neto entenderam que não cabe uma intervenção do STJ neste momento porque outros pedidos de liberdade para a influenciadora estão pendentes de análise em tribunais de instâncias inferiores.
Os advogados de Deolane argumentaram ao STJ que o caso não se enquadra nos requisitos legais para uma prisão preventiva. Eles alegaram que não haveria risco concreto à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal e que as provas reunidas já estão sob poder das autoridades.
Os ministros recomendaram que o Tribunal de Justiça de São Paulo dê celeridade à análise dos recursos da defesa da influenciadora.
A defesa também apontou que:
a prisão preventiva deveria ser substituída por uma domiciliar porque Deolane é mãe de criança de 9 anos de idade, sendo a única responsável pelos cuidados;
os fundamentos da prisão foram genéricos e não individualizaram a reiteração delitiva, destruição de provas ou fuga, sem indicação de fatos concretos atuais. Os fatos investigados são de 2018 a 2021;
outras medidas cautelares são adequadas e suficientes ao caso, como entrega do passaporte, proibição de deixar a cidade e vedação de contato com investigados.
STJ nega pedido de liberdade de Deolane Bezerra em Tupi Paulista
Relatório da polícia indica que Deolane movimentou R$ 13,6 milhões entre 2018 e 2022 em suas contas pessoais, enquanto outros R$ 14 milhões passaram por três de suas empresas.
Para os investigadores, a origem dos recursos é “espúria” e foram identificadas empresas fantasmas em nome da influenciadora, localizadas em cidades do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, dividindo o mesmo endereço com dezenas de outras firmas de fachada.
A defesa da influenciadora nega qualquer tipo de envolvimento com o crime organizado ou com dinheiro de origem ilícita, afirmando que todos os seus recebimentos são declarados e justificados.
O ministro Ribeiro Dantas, relator do caso, destacou a gravidade dos fatos e disse que, apesar dela ser mãe de menor de 12 anos, isso não garante automaticamente a liberdade ou prisão domiciliar.
Ribeiro Dantas afirmou que a decisão que autorizou a prisão está devidamente fundamentada e não há elementos que justifiquem uma revisão, neste momento pelo STJ, que deve aguardar a análise pelas instâncias responsáveis.
“As condições pessoais favoráveis, alegada ausência de risco de fuga e retorno espontâneo ao Brasil, não são suficientes para afastar os elementos suficientes para afastar a necessidade da custódia quando presentes elementos objetivos que recomendam a manutenção nem autorização substituição por medidas alternativas em contexto de atuação organizada e risco de reiteração”, afirmou.
Durante o julgamento, o advogado da influenciadora, Aury Lopes Jr, afirmou que os elementos não justificam a prisão e que houve uma prisão midiática e pediu que Deolane aguardasse em liberdade.
O advogado afirmou que ela foi investigada de forma exaustiva ao longo de quatro anos, mas entre 2022 e 2024 não houve nenhuma manifestação do Ministério Público no caso e nem um pedido para que ela prestasse esclarecimentos.
“Quatro anos investigando para ter prisão midiática. Não há risco para prova, que é contábil e fiscal, já está toda garantida. Não existe risco de fuga. [Deolane] Estava viajando a trabalho, com a filha, e volta para casa. […] Presa em casa com fuzil, prisão midiática, prisão excessiva e que com certeza traumatizou a filha. […] Foi uma prisão para humilhar a personagem, mas quem está presa é uma mulher, que tem um filha de 10 anos, que fez aniversário na semana passada. […] A menina precisa da mãe. Não tem pai presente”, disse o advogado.
A Procuradoria-Geral da República defendeu a manutenção da prisão diante da possibilidade de voltar a cometer crimes.
“Sempre as organizações criminosas usaram desde menores de idade, a pessoas com algum grau de desequilíbrio emocional, loucura, ou mesmo mais recentemente mães de família sabendo que a sociedade tem a família o mais alto maior patamar de respeito e credibilidade. E por conta dessas situações, que não podemos esquecer que uma coisa é a mãe praticar ato ilícito de uma vez, outra é de praticar de forma contínua e reiterada”, afirmou o subprocurador-geral da República, Augusto Aras.
Operação que prendeu Deolane Bezerra partiu de bilhetes achados em cela da Penitenciária de Presidente Venceslau (SP)
Jornal Nacional/ Reprodução
Indiciamento
Deolane Bezerra foi indiciada pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro pela Polícia Civil de Presidente Venceslau (SP). Além dela, outras seis pessoas também foram indiciadas após a corporação concluir o relatório do inquérito da Operação Vérnix.
O documento detalha o resultado das investigações após o cumprimento das medidas judiciais da fase que levou à prisão da influenciadora e de outros investigados.
De acordo com a polícia, o grupo alvo da operação continuava em atividade no momento das prisões e estaria promovendo a reestruturação de empresas supostamente utilizadas para ocultar e dissimular patrimônio e recursos financeiros.
Os investigadores também identificaram indícios do uso de novas pessoas jurídicas, movimentações patrimoniais recentes e mecanismos alternativos para circulação de valores, incluindo operações com ativos virtuais.
Com base nas novas provas, a Polícia Civil formalizou sete indiciamentos, incluindo o de Deolane por lavagem de dinheiro e organização criminosa, apresentou representações complementares ao Poder Judiciário.
Entre os pedidos estão o sequestro cautelar de veículos apreendidos durante a operação, a ampliação de bloqueios patrimoniais e a custódia judicial de joias e relógios localizados nas diligências.
Investigações contra Deolane
Este é apenas o capítulo mais recente de um extenso histórico de problemas da influenciadora com as autoridades. Abaixo, relembre as principais investigações, prisões e processos que envolvem o nome de Deolane Bezerra:
Julho de 2022
Busca e Apreensão por lavagem em empresa de apostas: A Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão na mansão de Deolane em Alphaville.
A ação investigava crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro relacionados a uma empresa de apostas esportivas patrocinadora da influenciadora. Na ocasião, dois carros de luxo (um Porsche e um Land Rover Discovery) foram apreendidos.
Fevereiro de 2024
Investigação por foto com colar de chefe do tráfico: Deolane virou alvo de um inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro após publicar fotos no Baile da Disney, no Complexo da Maré, usando o cordão de ouro do traficante Thiago da Silva Folly, o “TH”, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP). Na época, a influenciadora postou um vídeo em suas redes explicando a selfie:
“Fui no Complexo da Maré ontem, tava lá no baile da Disney. Fui bem recebida, não gastei um real. Tirei foto com geral, com cordão, sem cordão, botaram o cordão em mim, tiraram, e pocas, eu sou isso”, disse a influenciadora.
A polícia apurou uma possível associação ao tráfico de drogas.
Setembro de 2024
A primeira prisão na Operação Integration: O primeiro grande revés judicial de Deolane ocorreu em setembro de 2024, quando ela foi presa preventivamente em Recife (PE).
A Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, investigava um esquema de lavagem de dinheiro e jogos de azar ilegais que movimentou cerca de R$ 2 bilhões.
Na ocasião, bens de luxo da influenciadora foram sequestrados. “Sei que as coisas vão se esclarecer”, declarou ela em carta escrita à mão na prisão. Após idas e vindas jurídicas, ela obteve um habeas corpus.
No início de 2026, a Justiça Federal assumiu a competência do caso, anulando os atos estaduais anteriores e repassando o inquérito para a Polícia Federal.
Abril de 2026
Alvo da PF na Operação Narco Fluxo: Há cerca de um mês, Deolane entrou na mira de uma megaoperação da Polícia Federal batizada de Narco Fluxo.
A PF passou a investigá-la por suposta participação em uma rede que utilizava o meio artístico e plataformas digitais para lavar dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas, rifas clandestinas e apostas.
Relatórios de inteligência apontaram que a conta bancária da advogada funcionava como “conta de passagem” para ocultar recursos de uma organização criminosa suspeita de enviar mais de três toneladas de cocaína para o exterior.