Notícias

Governo impõe limites contra juros elevados do consignado privado

Governo impõe limites contra juros elevados do consignado privado
Governo impõe limites contra juros elevados do consignado privado
Gerenciamento das finanças: estudo mostra que idosos são plenamente capazes de cuidar do seu dinheiro
Dave Dugdale is licensed under CC BY-SA 2.0.
O governo federal passou a prever punições para bancos que cobrarem taxas de juros “muito acima” da média praticada pelo mercado no empréstimo consignado privado, informou o Ministério do Trabalho e Emprego nesta segunda-feira (27).
🔎 A modalidade prevê o desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento dos trabalhadores — o que funciona como uma garantia para o empréstimo. Por isso, o consignado costuma ter taxas de juros mais baixas do que outras linhas de crédito.
A decisão foi tomada no fim da última semana pelo Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado e não estabelece um teto específico de juros, mas uma taxa de referência para o cálculo das cobranças.
“As instituições financeiras não poderão praticar taxas de juros muito acima dessa referência. As que não cumprirem as determinações poderão ser notificadas e até suspensas do programa Crédito do Trabalhador”, disse o ministério em nota.
Veja o que muda com nova regra para quem tem desconto direto no salário ou na aposentadoria
Veja os vídeos em alta no g1
Vídeos em alta no g1
Atualmente, a taxa média de juros dessas operações é de 3,66% ao mês, segundo o ministério.
A medida também limita a 1 ponto percentual a diferença entre os juros nominais do contrato e o custo efetivo total, que inclui tributos e seguro.
“Entendemos que o teto atual de juros deve ficar próximo de 4,98% ao mês. Assim, o custo efetivo total máximo permitido seria de cerca de 5,98%”, avaliou o BTG Pactual em relatório, citando surpresa negativa com a decisão.
Segundo o banco, embora o governo não tenha imposto uma taxa máxima para a modalidade, como ocorre no consignado do INSS, a medida “cria um precedente” e gera incerteza sobre como a média dos juros pode evoluir ao longo do tempo.
Lançado em março de 2025, o programa Crédito do Trabalhador busca estimular a concessão de crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado e impulsionou a demanda por essa modalidade de financiamento.
De acordo com o ministério, o programa já movimentou R$ 121 bilhões em empréstimos consignados, alcançando 9 milhões de trabalhadores em operações realizadas por 97 instituições financeiras.
Também nesta segunda-feira, dados do Banco Central (BC) mostram que o indicador de endividamento das famílias alcançou 49,9% em fevereiro, no maior patamar da série histórica, iniciada em 2005.
A iniciativa voltada ao consignado será integrada a outra ação do governo, a ser anunciada nesta semana, voltada à renegociação de dívidas. A medida ocorre em meio ao aumento da inadimplência no país, o que pode afetar a percepção de bem-estar das famílias em um ano eleitoral, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tentar a reeleição.