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Trio de irmãs que soma 316 anos de vida mora no RJ e é reconhecido como o mais longevo do mundo: ‘O segredo é saber viver’

Trio de irmãs que soma 316 anos de vida mora no RJ e é reconhecido como o mais longevo do mundo: ‘O segredo é saber viver’
Trio de irmãs que soma 316 anos de vida mora no RJ e é reconhecido como o mais longevo do mundo: ‘O segredo é saber viver’
O trio de irmãs mais longevo do mundo mora no Rio
Quando perguntam a Zoraide de Deus Mota qual é o segredo para chegar aos 104 anos, a resposta vem sem rodeios: “Não existe segredo. Tem que viver tranquilo, não fazer mal a ninguém e pensar no dia de amanhã.”
A irmã dela, Zulina de Deus Nunes, de 103 anos, costuma responder de forma ainda mais direta: “O segredo é saber viver.”
As explicações ajudam a resumir a trajetória de Zoraide, Zulina e Levita de Deus Nunes, que neste domingo (7) completa 109 anos. Juntas, elas somam 316 anos de vida e foram reconhecidas pela LongeviQuest, organização internacional especializada em validação de supercentenários, como o trio de irmãs vivas mais longevo do mundo.
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Zoraide, Zulina e Levita em 2021
Arquivo pessoal
As três nasceram em Cedro de São João, no interior de Sergipe — na época distrito de Propriá —, cresceram em uma família de 8 irmãos e atravessaram mais de um século de transformações no Brasil.
Viram o país passar pela chegada da televisão, pela popularização dos automóveis, da internet e dos celulares. Hoje, vivem em casas pela Zona Norte do Rio de Janeiro e continuam cercadas por filhos, netos, bisnetos e tataranetos.
Alimentação simples, trabalho e vida ativa
Apesar da idade impressionante, nenhuma delas acredita em fórmulas especiais para viver mais. Nas entrevistas, as respostas giram em torno de alguns temas em comum: alimentação simples, trabalho, independência financeira, convivência familiar e uma rotina sem excessos.
Zulina costuma lembrar da infância em Sergipe, quando boa parte dos alimentos era produzida pela própria família. O leite vinha das vacas e cabras criadas pelo pai, enquanto frutas, verduras e legumes eram cultivados no quintal. O milho era ralado manualmente para a produção de cuscuz.
“A gente sentia o gosto do cuscuz do milho, hoje não sente gosto de nada”, disse.
Filha de Zoraide, Ângela acredita que esse estilo de vida teve influência importante na saúde das irmãs.
“Meu avô tinha vaca no quintal, minha avó plantava tudo em casa. Elas cresceram com uma alimentação muito natural. Hoje a gente come muita coisa industrializada, muita coisa processada”, afirmou.
A genética também chama atenção na família. A mãe das três irmãs, Jovelina de Deus Nunes, viveu até os 100 anos e é frequentemente lembrada pelos descendentes quando o assunto é longevidade.
“Minha avó fez 100 anos dia 22 de dezembro, e no dia 6 de janeiro seguinte, ela faleceu. Então, elas estão com DNA da minha avó”, contou Ângela.
Manoel de Deus Nunes e Jovelina de Deus Nunes, seus pais
Arquivo pessoal
Os familiares, porém, acreditam que a herança genética não explica tudo. Para eles, a educação recebida, a alimentação da infância e os hábitos construídos ao longo da vida tiveram papel tão importante quanto os fatores hereditários.
Outro aspecto citado por filhos, netos e bisnetos é a manutenção de uma rotina ativa. Mesmo com mais de um século de vida, as três continuam interessadas no que acontece ao redor.
Zulina ainda gosta de cozinhar e acompanhar a rotina dos filhos, netos e bisnetos. Durante a entrevista, brincou que continua querendo saber para onde todos vão, o que fizeram durante o dia e se já se alimentaram.
“Quando chegam da rua, eu pergunto: ‘Já comeu? O que comeu? Onde vai amanhã?’”, contou.
Zulina e sua bisneta, em 2024
Arquivo pessoal
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Levita mantém o hábito da leitura, que a acompanha há décadas. Já Zoraide continua compartilhando histórias da juventude, da carreira e da criação dos filhos.
A convivência social também permanece presente. Jogos de buraco, visitas de familiares, encontros e conversas fazem parte da rotina das irmãs.
“Ela joga buraco, faz sudoku, aqueles outros caça-palavras que ela gosta. Até hoje ela se encontra, ela tem amizade. Ela tem um ciclo de amigas que se encontra para jogar buraco”, revelou Lucas Guerra, um dos bisnetos de Zoraide.
A fé aparece como outro ponto em comum. Quando perguntada sobre a própria longevidade, Levita respondeu de forma simples: “É graça de Deus.”
Zoraide (à esquerda) em 1988, e sua irmã mais nova, Zulina.
Arquivo pessoal
Como a idade das irmãs foi validada
A história das irmãs despertou o interesse da LongeviQuest, organização internacional especializada na validação de casos de longevidade extrema, após uma publicação nas redes sociais.
A família celebrava os 108 anos de Levita quando uma homenagem compartilhada na internet chamou a atenção dos pesquisadores, que entraram em contato para conhecer melhor a trajetória das irmãs e dar início ao processo de análise do caso.
Segundo a entidade, a comprovação foi feita por meio da análise de documentos de diferentes fases da vida das irmãs. Foram avaliadas certidões de nascimento, certidões de batismo, certidões de casamento, carteira de trabalho e documentos atuais de identificação. O g1 recebeu cópias de documentos que atestaram a idade das irmãs.
Iara Souza, pesquisadora da LongeviQuest, durante entrevista ao G1.
Jeph Rodrigues
A validação foi conduzida pelos pesquisadores da LongeviQuest responsáveis pelo Brasil, a brasileira Iara Souza e o americano Gabriel Ainsworth. De acordo com a organização, esse tipo de trabalho ajuda não apenas a registrar casos raros de longevidade, mas também a fornecer dados para pesquisas sobre envelhecimento humano.
No caso das sergipanas, a documentação permitiu confirmar que Levita, Zoraide e Zulina formam atualmente o trio de irmãos vivos mais longevo do mundo.
O que dizem filhos, netos e bisnetos
A longevidade das irmãs é assunto frequente entre as gerações mais novas da família. Muitos acreditam que a genética ajuda, mas destacam principalmente os hábitos que as acompanharam ao longo da vida.
Uma das netas de Zoraide afirma que as visitas à avó costumam render novas histórias.
“Toda vez que eu faço uma visita, ela conta um capítulo da vida dela.”
Segundo ela, cada nova conversa reforça o orgulho da família pela trajetória construída ao longo de mais de um século.
Os bisnetos também destacam a lucidez das centenárias e a naturalidade com que a família convive com essa realidade.
“Para a gente sempre foi uma coisa muito natural.”
Lucas Guerra e Jéssica Carrocino, bisnetos de dona Zoraide, durante entrevista ao G1.
Jeph Rodrigues
Eles apontam ainda que a união familiar ajuda a explicar a qualidade de vida das irmãs. Filhos, netos e bisnetos mantêm contato frequente, participam da rotina delas e se revezam nos cuidados quando necessário.
Questionados se acreditam que também chegarão aos 100 anos, os mais jovens demonstram esperança, mas fazem uma ressalva: o mais importante não é apenas viver mais, mas envelhecer com autonomia e saúde.