
Profissionais da área da saúde fazem treinamento para atender casos suspeitos de ebola em SP
Mais de mil profissionais da saúde do estado de São Paulo participaram de um treinamento para identificar possíveis casos de ebola e orientar o atendimento seguro. A capacitação ocorre em meio a um cenário de alerta global, com países da África enfrentando surtos da doença. Apesar disso, a Secretaria Estadual da Saúde afirma que o risco de casos no estado é considerado baixo.
Um caso suspeito foi descartado recentemente, e uma nova ocorrência está em investigação na capital paulista. O caso envolve uma mulher de 31 anos, internada em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional no tratamento de doenças infecciosas.
Segundo a Secretaria da Saúde, ela viajou a trabalho para a República Democrática do Congo, país que enfrenta surto de ebola. A paciente retornou ao Brasil no último sábado (6) e procurou atendimento médico após apresentar sintomas.
Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola está afixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga, entre Uganda e a República Democrática do Congo, em Bundibugyo, em 18 de maio de 2026
BADRU KATUMBA / AFP
Material coletado foi encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz, responsável por confirmar ou descartar a infecção. De acordo com a pasta, o quadro clínico é estável, a paciente passa bem e está consciente, conversando normalmente.
Ainda conforme a secretaria, já foram realizadas cinco reuniões com o Ministério da Saúde para alinhar protocolos e orientar profissionais.
Treinamento prepara rede de saúde para possíveis casos
O treinamento realizado reuniu mais de mil profissionais em formato online. As orientações foram conduzidas pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e incluem desde a identificação de casos suspeitos até o manejo seguro em unidades de saúde.
De acordo com Regiane de Paula, coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças do estado, toda a rede está preparada para agir em situações de risco.
Surto de ebola preocupa o mundo
“A gente paramenta, faz contato através da rede de urgência e emergência, trabalha em conjunto com bombeiros e ambulâncias caso precise fazer o transporte de um paciente suspeito. Toda a linha de vigilância em saúde e assistência fica preparada”, explicou.
A coordenadoria também atualizou uma nota técnica com orientações detalhadas para toda a rede estadual, reforçando protocolos de isolamento e medidas preventivas.
Risco é considerado baixo, mas vigilância foi intensificada
A Secretaria Estadual da Saúde classifica como “muito baixo” o risco de introdução do vírus no Brasil, destacando a ausência de voos diretos de países africanos onde foram registrados casos da doença, como a República Democrática do Congo e Uganda.
Mesmo assim, os cuidados foram reforçados. No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) implementou medidas preventivas, como a instalação de banners informativos nas áreas de desembarque internacional.
Nota técnica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo considera “muito baixo” o risco de introdução do vírus do Ebola no Brasil
Reprodução/TV Globo
No início de junho, o primeiro caso suspeito registrado no Brasil foi descartado. O paciente, de 37 anos, também havia viajado à República Democrática do Congo e apresentou sintomas compatíveis com ebola. Ele foi internado no Emílio Ribas, mas exames confirmaram diagnóstico de meningite.
O que é ebola e quais os sintomas
O ebola é uma febre hemorrágica grave que pode atingir diversos órgãos. A transmissão ocorre por contato com fluidos corporais – como sangue, urina e fezes – e não pelo ar, o que o torna menos contagioso do que doenças respiratórias como a covid-19.
Entre os principais sintomas estão:
Febre alta
Dor de cabeça
Náusea e vômito
Diarreia
Hemorragias (nos casos mais graves)
Na capital paulista, qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente à Vigilância Epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica do estado.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde informou que acompanha a situação em conjunto com órgãos estaduais e federais.
A pasta afirmou ainda que permanece atenta à identificação de casos suspeitos e segue os protocolos estabelecidos pelas autoridades sanitárias.