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Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim ainda depende de aprovação de espaço e certificação de artefatos, diz MP-BA

Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim ainda depende de aprovação de espaço e certificação de artefatos, diz MP-BA
Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim ainda depende de aprovação de espaço e certificação de artefatos, diz MP-BA
Guerra de Espadas é considerada tradição em várias cidades da Bahia
Reprodução/TV Bahia
A realização da tradicional Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, ainda depende da aprovação do local escolhido para o evento e da certificação dos artefatos que serão utilizados. A informação foi confirmada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que acompanha os preparativos para a manifestação cultural prevista para ocorrer de forma regularizada neste ano.
Segundo o órgão, existe atualmente uma área em fase de vistoria e adequação para receber o evento. No entanto, a Guerra de Espadas só poderá acontecer caso sejam atendidos dois requisitos considerados essenciais: a aprovação do espaço pelos órgãos competentes e a certificação das espadas que serão utilizadas.
Ainda de acordo com o Ministério Público, a expectativa é que os festejos ocorram dentro das regras estabelecidas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em dezembro do ano passado, com uso de artefatos certificados e em local previamente autorizado.
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O MP-BA informou que acompanha a temática em conjunto com órgãos de segurança pública, a Prefeitura de Senhor do Bonfim, o Corpo de Bombeiros e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA). O objetivo, segundo o órgão, é conciliar a preservação da manifestação cultural com a segurança dos participantes e da população.
Única cidade da Bahia com acordo para a tradição
Senhor do Bonfim é atualmente o único dos 417 municípios baianos que possui um acordo formal com o Ministério Público para permitir a realização da Guerra de Espadas mediante o cumprimento de uma série de exigências de segurança.
O TAC foi assinado em dezembro de 2025 pelo MP-BA, pela Prefeitura de Senhor do Bonfim e pela Associação Cultural dos Espadeiros. O documento autorizou a retomada da tradição a partir de 2026, desde que fossem atendidos critérios técnicos previamente estabelecidos.
Senhor do Bonfim é atualmente o único dos 417 municípios baianos que possui um acordo formal com o Ministério Público
Reprodução/TV Bahia
Entre as medidas previstas está a realização da Guerra de Espadas em um espaço específico, chamado de “espadódromo”. O local deve ser isolado e manter distância segura de hospitais, escolas, residências e postos de combustíveis. Também precisa contar com iluminação de emergência, rotas de fuga sinalizadas, brigadistas, pontos de primeiros socorros e estrutura de atendimento médico.
O acordo determina ainda que apenas espadas produzidas de acordo com as normas técnicas do Exército Brasileiro poderão ser utilizadas. Para isso, a Associação Cultural dos Espadeiros deve apresentar o Certificado de Registro (CR) do fabricante e submeter os artefatos a uma vistoria prévia.
O descumprimento das cláusulas previstas no termo pode gerar multa diária de R$ 20 mil para a prefeitura e para a associação.
Acidentes com fogos preocupam autoridades
Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim ainda depende de aprovação de espaço e certificação de artefatos
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As exigências previstas no acordo têm como objetivo reduzir os riscos de acidentes durante os festejos juninos.
Dados da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) mostram que, entre 18 de junho e as 7h do dia 25 de junho de 2025, foram registradas 72 ocorrências relacionadas aos festejos juninos em unidades de saúde do estado.
Do total, 24 atendimentos ocorreram por queimaduras provocadas por fogos de artifício ou fogueiras, enquanto outros 48 tiveram relação com explosões de bombas.
O número representa aumento em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 66 ocorrências entre os dias 20 e 25 de junho.
Ainda segundo a Sesab, o maior volume de atendimentos foi registrado no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, que recebeu 53 pacientes. Outros 12 foram atendidos no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus. Os demais casos foram encaminhados para o Hospital Regional de Juazeiro, Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié, e Hospital do Oeste, em Barreiras.
Se queimou? Como cuidar?
👉 Procurar uma das unidades de saúde especializadas em queimados ou que tenham leitos para pessoas que se feriram com fogos: Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, no Hospital do Oeste, em Barreiras, e no Hospital Regional de Juazeiro.
👉 É indicado esfriar o local ferido com água corrente por vários minutos.
👉 Evitar tocar na queimadura, aplicar gelo, furar bolhas e descolar tecidos grudados.
👉 Não colocar substâncias como manteiga ou creme dental nos ferimentos.
Ação ilegal x tradição
A tradicional “Guerra de Espadas” durante as festas juninas divide opiniões na Bahia. Durante as noites de junho e início de julho, ruas se transformam em “campos de batalha” onde espadeiros acendem fogos de artifício e simulam combates.
A “Guerra” acontece tradicionalmente durante as festas juninas, com um artefato que é uma variação mais potente dos tradicionais buscapés, feitos de bambu, pólvora e limalha de ferro.
Desde 2017, fabricar, possuir e soltar as espadas é crime com pena que pode chegar até seis anos de prisão. No entanto, alguns adeptos da guerra e moradores são contra a suspensão da atividade.
O Corpo de Bombeiros também alerta para o perigo da produção das espadas, que é artesanal e feita muitas vezes em locais improvisados como barracões e depósitos.
A Associação Cultural de Espadeiros de Senhor do Bonfim estima que cerca de sete mil pessoas participem da guerra de espadas todos os anos na cidade.
Na década de 40, o festejo era familiar e doméstico, já nas de 60 e 70, passou a fascinar o público pela qualidade das espadas. Nos anos 80, a prática se tornou um “espetáculo” exibido para um público mais amplo.
A instituição luta para manter viva a tradição que começou ainda na década de 30. Veja abaixo as cidades que tem a Guerra de Espadas como cultura forte durante os festejos juninos:
Cruz das Almas;
Senhor do Bonfim;
Santo Antônio de Jesus;
Sapeaçu;
Muritiba;
Cachoeira;
Nazaré;
Muniz Ferreira;
São Felipe;
São Félix.
Castro Alves;
Campo Formoso.
Em Salvador, guerras de espadas são registradas tradicionalmente no subúrbio de Salvador, na véspera de São Pedro, no dia 28 de junho.
No bairro de Periperi, principalmente durante a noite, espadeiros de diversas partes da cidade se reúnem para a “brincadeira” e adeptos da guerra se agrupam em diversas ruas para assistir. Mas por causa da proibição, policiais militares atuam para dispersar as pessoas e prender os espadeiros.
Alguns participantes usam roupas jeans, capacetes, luvas e óculos, para se prevenir de queimaduras mais graves. Os moradores colocam papelões e tapumes nos portões para evitar que os artefatos entrem nos imóveis ou provoquem manchas nas paredes.
Cronologia da proibição
Moradores de Periperi se reúnem para guerra de espadas em Salvador
Reprodução/TV Bahia
👉 Em 2003, foi instituído o Estatuto do Desarmamento. Com isso, a proibição da guerra de espadas se baseou no Artigo 16, que trata da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Desde então, o Ministério Público acompanha a situação da guerra de espadas.
👉 A partir de 2015, o órgão estadual expediu recomendações com restrições sobre as espadas.
👉 A proibição da tradicional “guerra de espadas” foi determinada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em 2017.
👉 Já em 2018, o Ministério Público Estadual recomendou ao município de Senhor do Bonfim, que não promovesse ou cooperasse com a soltura da guerra de espadas, prática onde fogos de artifício, semelhantes a pequenos foguetes, são utilizados como espadas.
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