Notícias

Autor: admin

  • Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue longe de países referência; compare

    Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue longe de países referência; compare

    Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue longe de países referência; compare
    Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue distante de países referência
    A ampliação da licença‑paternidade no Brasil, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (31), representa um avanço aguardado há décadas.
    Depois de mais de 10 anos de debate no Congresso, os pais brasileiros finalmente vão ganhar mais tempo para acompanhar os primeiros dias de vida dos filhos — ainda que esse tempo continue bem menor do que o oferecido em países considerados referência no tema.
    🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
    Até agora, a licença‑paternidade no Brasil era de apenas cinco dias corridos. Com a nova lei, esse período vai aumentar de forma gradual: passa para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e chega a 20 dias em 2029. O benefício vale para casos de nascimento, adoção ou guarda de crianças e adolescentes.
    Com isso, o Brasil deixa de ocupar o grupo dos países com regras mais restritivas e passa a figurar em uma posição intermediária no cenário internacional. Supera países como México e também fica à frente dos Estados Unidos, onde não existe uma licença parental remunerada garantida em nível nacional.
    Ainda assim, o país permanece distante de modelos mais avançados, adotados principalmente no norte da Europa.
    Os países que oferecem direito igualitário para pais e mães
    GloboNews
    Como funciona fora do Brasil
    Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que poucos países adotaram um modelo realmente igualitário de licença parental, garantindo o mesmo direito para pais e mães. É o caso de Suécia, Islândia, Austrália e Nova Zelândia.
    Na Suécia, por exemplo, o cuidado com os filhos é tratado como responsabilidade conjunta desde o primeiro dia. O país garante 480 dias de licença parental por família, que podem ser divididos entre os responsáveis. Cada um tem direito a 240 dias, sendo que uma parte desse período é obrigatoriamente individual e não pode ser transferido.
    📎 A remuneração não é integral durante todo o tempo, mas o volume de dias disponíveis é muito superior ao brasileiro.
    Na Nova Zelândia, a lógica é parecida, mas com menos tempo. A licença parental remunerada pode chegar a seis meses e é concedida ao cuidador principal, que pode ser o pai ou a mãe, conforme decisão da família. O benefício pode ser transferido entre os parceiros, mas só um pode usar por vez.
    Licença-paternidade na Europa
    GloboNews
    ➡️ Na União Europeia, existe uma regra mínima: todos os países devem garantir pelo menos duas semanas de licença‑paternidade. A partir daí, cada governo define seus próprios critérios.
    A França oferece quatro semanas. A Holanda, seis. Em Portugal, os pais têm cinco semanas de licença‑paternidade, sendo quatro obrigatórias e totalmente remuneradas, além de incentivos para que o pai use parte da licença compartilhada, aumentando o tempo total de afastamento da família.
    Um outro levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base em dados de 2025, mostra o número de dias de licença-paternidade em cerca de 193 países. A liderança é da Eslováquia, com 197 dias, seguida pela Islândia, com 183, e pela Espanha, com 133 dias.
    A maior parte dos países no topo do ranking é europeia. O Brasil, com cinco dias, ocupa a 80ª posição. Com os 20 dias previstos para 2029, o país passaria a figurar entre os 20 primeiros, igualando-se à Bélgica e superando o Uruguai, que conta com 17 dias.
    Abaixo, veja como a licença-paternidade ao redor do mundo:
    Licença-Paternidade no mundo (ano base 2025)
    Arte g1
    Quando o Brasil é comparado aos Estados Unidos, o avanço fica ainda mais evidente. Apesar de ser a maior economia do mundo, o país não tem uma licença parental remunerada garantida por lei federal.
    “Aqui nos Estados Unidos não existe licença, nem maternidade de direito. É tudo caso a caso, depende do contrato”, explicou o jornalista Guga Chacra, em comentário ao Estúdio I.
    Segundo ele, muitas empresas simplesmente não oferecem nenhum benefício.
    EUA e Canadá não garantem, por lei federal, licença-paternidade remunerada
    GloboNews
    “Muitos pais só vão ao hospital, veem o bebê e no dia seguinte já estão trabalhando. Às vezes, se não voltam no mesmo dia”, relatou.
    A legislação americana garante apenas até 12 semanas de afastamento sem salário, e isso só vale para trabalhadores de empresas maiores e com mais tempo de vínculo.
    Alguns estados criaram programas próprios de licença remunerada, mas eles não cobrem todo o país e pagam apenas uma parte do salário.
    Por que dar o mesmo direito a pais e mães?
    Segundo Guga Chacra, os países que decidiram equiparar a licença de homens e mulheres fizeram isso por um motivo prático, além da preocupação social.
    “Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar e ficar meses afastada.”
    Esse tipo de política ajuda a reduzir a discriminação contra mulheres no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, estimula uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa.
    Em alguns países, o direito à licença é do casal, independentemente de serem dois homens, duas mulheres ou um casal heterossexual. O tempo pode ser dividido ao longo dos anos, conforme a necessidade da família.
    Brasil amplia licença-paternidade
    Freepik
    ‘Ampliação tímida’
    No Brasil, a nova lei representa um passo concreto para reconhecer o papel do pai nos primeiros dias de vida da criança.
    A legislação também corrige distorções ao prever situações em que o pai terá direito a uma licença equivalente à maternidade, como nos casos de falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido.
    Mesmo assim, especialistas avaliam que o avanço ainda é limitado. “A ampliação para 20 dias é importante, mas continua sendo tímida”, afirma a advogada Ana Gabriela Burlamaqui.
    Segundo ela, o Brasil ainda mantém um modelo que concentra o cuidado com o recém‑nascido quase totalmente na mulher e não adota, de fato, uma política de licença parental compartilhada.
    Licença-paternidade ampliada
    O que muda na prática?
    Com a nova legislação, o Brasil finalmente atualiza as regras da licença‑paternidade e amplia o alcance do direito.
    O benefício passa a se chamar salário‑paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS.
    A lei também amplia quem pode ter acesso à licença: além dos trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS passam a ter direito ao benefício.
    Outro ponto importante é que o texto reconhece situações em que o pai pode precisar assumir integralmente o cuidado da criança. Nesses casos — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença‑paternidade pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias.
    A nova regra também cria estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, além de prever a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de fato das atividades profissionais.
  • STF analisa na quarta ações que discutem a eleição para o governo do Rio; entenda o que está em jogo

    STF analisa na quarta ações que discutem a eleição para o governo do Rio; entenda o que está em jogo

    STF analisa na quarta ações que discutem a eleição para o governo do Rio; entenda o que está em jogo
    O Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar, na próxima quarta-feira (8), duas ações que tratam da eleição para governador do Rio de Janeiro. Em discussão, entre outros temas, a possibilidade de votação direta ou indireta.
    A questão envolvendo a sucessão no estado chegou à Corte por ações do PSD.
    O comando do governo está nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Couto. Em 23 de março, o então governador Cláudio Castro renunciou ao mandato, um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que acabou resultando na cassação de seu mandato e na aplicação de inelegibilidade por oito anos.
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    O estado está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha saiu do cargo para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
    Quem é o governador do RJ neste momento? O g1 responde e tira as principais dúvidas
    Outra autoridade na linha sucessória, o então presidente a Assembleia do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, não pôde assumir: além de também ter sido cassado pelo TSE, ele foi preso no fim de março.
    Pela segunda vez, PF prende ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, do União Brasil
    Jornal Nacional/ Reprodução
    Os ministros vão analisar como será a eleição que vai escolher o governador para cumprir o mandato-tampão até a posse do sucessor, em 2027.
    “A deliberação do Plenário, orientada pelos princípios da legalidade constitucional, da segurança jurídica e da estabilidade institucional, terá por finalidade fixar a diretriz juridicamente adequada à condução do processo sucessório no Estado do Rio de Janeiro, em conformidade com a ordem constitucional e a legislação eleitoral vigente”, afirmou o presidente Edson Fachin, em nota, ao anunciar a data de julgamento.
    O g1 explica o cenário e o que será definido pela Corte.
    O que o Supremo vai analisar?
    A primeira questão sob avaliação dos ministros envolve o modelo de eleição para o governo do estado:
    se será de forma direta, ou seja, com a convocação da população para votar;
    se indireta, ou seja, tendo como eleitores os deputados estaduais.
    A outra envolve a validade de trechos da lei com as regras da eleição indireta. Em discussão, temas como o prazo de desincompatibilização para candidatos ao cargo e se a votação será secreta ou aberta.
    Cláudio Castro, ex-governador que renunciou para escapar da cassação, fica inelegível até 2030
    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Quais processos vão a julgamento?
    Na sessão presencial, o plenário da Corte vai julgar duas ações do PSD que tratam da eleição do estado.
    Uma delas pede que a votação para o novo governador seja direta, ou seja, com a participação da população na escolha do novo governador.
    A outra questiona a lei estadual que fixou as regras da eleição indireta. Em debate:
    o prazo para que os candidatos ao cargo deixem os postos atuais, a chamada desincompatibilização;
    o formato da votação – se aberta ou secreta.
    Qual a discussão jurídica nos casos?
    O debate sobre eleição direta ou indireta envolve a aplicação do Código Eleitoral ou da lei estadual sobre o tema.
    Tema será discutido no plenário do Supremo Tribunal Federal
    Luiz Silveira/STF
    O Código Eleitoral estabelece que a eleição é direta quando o cargo fica vago a mais de seis meses do fim do mandato, em razão de cassação.
    Quando as razões para o cargo vago envolvem causas não-eleitorais, aplicam-se as regras estaduais. A norma do Rio prevê eleição indireta, com o voto dos parlamentares da Assembleia Legislativa.
    O Supremo tem entendimentos de que, quando o motivo da vacância é eleitoral, deve ser usada a regra do Código Eleitoral. Quando a razão envolve situações não-eleitorais (renúncia ou morte, por exemplo), estados podem definir suas normas.
    Outro ponto está relacionado às regras da eleição indireta que constam na lei do Rio sobre o tema – prazos para autoridades que vão concorrer deixarem seus cargos atuais e forma da votação.
    Por que será preciso definir a norma aplicável à eleição do Rio?
    O debate sobre qual norma incide tem ligação com a saída do então governador Cláudio Castro.
    Em 23 de março, ele renunciou ao cargo, um dia antes de o TSE retomar o julgamento de um processo que pedia a cassação do mandato e a inelegibilidade por oito anos.
    No dia seguinte, o tribunal concluiu a análise do caso, determinando a cassação do mandato e a inelegibilidade do governador por oito anos, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
    Na documentação sobre o julgamento, a Corte Eleitoral informou que as eleições seriam indiretas.
    Em um dos processos, o PSD sustenta que o cargo ficou vago por um motivo eleitoral, já que Castro teve o mandato cassado no TSE. Por isso, deve ser aplicada a regra de eleição direta do Código Eleitoral.
    Para o partido, a renúncia no dia anterior foi uma “manobra”, “em evidente e flagrante fraude à lei e burla à autoridade do TSE”. Para a sigla, “consistiu em uma tentativa de escapar da punição de perda de mandato – e, bem assim, de fraudar a aplicação do Código Eleitoral, além do próprio regime democrático e a soberania popular”.
    Isso porque a renúncia – um motivo não-eleitoral – viabiliza a aplicação da lei estadual que prevê eleições pelos deputados estaduais, sem a participação popular.
    Qual a situação atual do estado?
    O estado está sendo governador pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, que assumiu o comando logo após a saída de Castro.
  • Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível no ES

    Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível no ES

    Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível no ES
    Projeto do Ifes ensina agricultores a reaproveitar cada parte das frutas
    Um projeto desenvolvido pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no campus de Venda Nova do Imigrante, no Sul do estado, está transformando frutas que antes seriam descartadas e iriam para o lixo em fonte de renda para agricultores familiares.
    A proposta ensina uma técnica de desidratação que converte frutas e legumes maduros em lâminas finas e flexíveis, semelhantes a um “couro vegetal” comestível.
    📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
    O material pode ser consumido normalmente, é isento de lactose, glúten e açúcar, e pode ser utilizado na produção de flores decorativas para bolos e eventos, além de outras aplicações gastronômicas.
    A técnica parte de frutas que já passaram do ponto ideal de venda in natura, e que não.teriam valor para venda. Elas são higienizadas, batidas até virar um purê e espalhadas em camada fina sobre uma superfície antes de irem para a desidratadora.
    Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo
    TV Gazeta
    LEIA TAMBÉM:
    PLANTADA HÁ 18 ANOS: Parreira gigante produz 500 quilos de uva por ano, até 25 vezes mais do que uma videira comum
    CASTELO: Chocolate de café ou com sabor de café? Produtores investem no doce feito com grãos especiais
    REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO: Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria
    Após cerca de 12 horas a um dia e meio, o resultado é uma lâmina maleável, pronta para corte e modelagem.
    “Sabe aquela fruta que geralmente o produtor fala que já não dá pra vender?! A gente pensa: ‘Faz alguma coisa com ela, bate um suco!’. Então, é essa fruta que iria ser desperdiçada, sem valor de venda, que volta a ser um produto através da desidratação”, explicou a coordenadora geral de Extensão e do Núcleo Incubador do Ifes, Zâmora Santos.
    Em seis meses, o grupo testou e analisou diferentes produtos, como pitaya, limão siciliano, goiaba, maracujá, tomate e café. As experiências resultaram na elaboração de uma cartilha com orientações técnicas para replicar o processo.
    Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo
    TV Gazeta
    Durante três meses, dez produtores da agricultura familiar participaram da formação prática no campus. Eles receberam conteúdo teórico, apostila com passo a passo e kits com desidratadores para aplicar a técnica nas propriedades.
    “O nosso curso foi totalmente prático mesmo, mão na massa. Eles receberam o conteúdo teórico, uma apostila com todo o passo a passo, em cada aula nós fornecemos pra eles um roteiro, como se fosse uma receita de bolo, para eles produzirem, e fomos para dentro do laboratório iniciar a produção”, afirmou a professora do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Michele Nogueira.
    O projeto integra o InovaTech, iniciativa da incubadora do Ifes, e conta com apoio do Incaper, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
    Redução de perdas no campo
    Na propriedade da produtora rural Vanuza Rosa Falqueto, em Venda Nova do Imigrante, o cultivo é diversificado, com produção de palmito, laranja, abacate, café e limão siciliano. Parte da itens, no entanto, se perdia por falta de escala para venda antes do começo da produção das lâminas.
    “A nossa produção aqui não é grande. Então, quando a gente ia vender para os atravessadores, eles necessitavam de uma quantidade maior. Muito produto acabava se perdendo aqui na propriedade”, disse Vanuza.
    Com a técnica e a adaptação de uma receita própria, ela passou a transformar principalmente limão siciliano e palmito juçara em lâminas comestíveis.
    A produtora rural Vanuza Rosa Falqueto transforma principalmente limão siciliano em couro vegetal comestível, em Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo
    TV Gazeta
    Também em Venda Nova, a produtora rural Maria Dalva Garcia Andrerão está se capacitando para começar a utilizar as jabuticabas cultivadas na propriedade para criar as lâminas.
    A família já produzia geleias, doces e compotas e vê na novidade uma oportunidade de ampliar a renda, diversificando os produtos.
    “Nós estamos pensando em começar primeiro pelos enroladinhos, depois pela florzinhas, que a gente ainda está aprendendo com os professores no curso. Então, eu acho que vai ser de grande valor para nós. É algo que provavelmente iria para o lixo e a gente aproveita tudo, como banana, abacaxi, hortelã, limão, tudo coisas que a gente já tem no sítio”, contou Maria Dalva.
    Para o extensionista do Incaper, Thiago Monteiro, o diferencial do projeto está na sustentabilidade.
    “O viés de sustentabilidade desse curso está justamente na possibilidade de você fazer o uso de um produto que já não está apto para o consumo in natura, uma fruta que já passou um pouquinho do ponto para banca, o legume que já passou um pouquinho, pra agregar valor a ele. Você pode fazer um uso mais nobre daquele produto, processar e vender como produto acabado”, avaliou.
    Produto no mercado
    Após o encerramento das aulas, os produtores passam a receber acompanhamento técnico e consultoria para definir preço, embalagem e estratégias de venda.
    Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo
    TV Gazeta
    “Quanto vai custar para o mercado? Quanto vai custar para mim? Eles ainda estão com dúvidas nessa parte e é nisso que a gente vai seguir, para eles conseguirem efetivamente colocar o produto no mercado”, reforçou Zâmora Santos.
    A expectativa é que as lâminas comestíveis, que já deram origem a medalhões de pêssego, lasanha com lâmina de berinjela e combinações como abóbora com coco, passem a integrar o comércio local, ampliando as possibilidades de renda no campo e reduzindo o desperdício de alimentos.
    Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
    Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
  • Os segredos sobre a saúde da mulher escondidos no sangue da menstruação

    Os segredos sobre a saúde da mulher escondidos no sangue da menstruação

    Os segredos sobre a saúde da mulher escondidos no sangue da menstruação
    Os segredos sobre a saúde da mulher escondidos no sangue da menstruação
    Serenity Strull/ BBC
    Como muitas mulheres que menstruam, Emma Backlund preferia não pensar muito sobre o sangue que perdia todos os meses.
    Mas, quando a startup de biotecnologia NextGen Jane pediu seu sangue menstrual em 2023, Backlund prontamente guardou oito absorventes internos de um ciclo e os enviou pelo correio para o laboratório da empresa em Oakland, na Califórnia.
    Claro, era um pedido incomum, mas relativamente simples — e ela ficou mais do que feliz em ajudar, especialmente se isso significasse que outras meninas no futuro poderiam evitar o sofrimento que ela enfrentou ao crescer.
    “Quando eu tinha 11 anos, tive minha primeira menstruação e achei que estava morrendo”, diz Backlund, uma estudante de pós-graduação de 27 anos, de Minnesota, nos Estados Unidos. “Lembro de dizer para minha mãe que eu precisava ir ao hospital. E praticamente todas as menstruações que tive desde então foram assim. Eu vomitava todo mês. Perdia atividades sociais e aulas. Era uma dor ardente, lancinante, dilacerante, que não passava.”
    Backlund levou 13 anos para descobrir que tinha endometriose, um distúrbio crônico e debilitante no qual o tecido que reveste o útero começa a crescer fora dele.
    A endometriose faz com que 190 milhões de pessoas no mundo — cerca de um décimo das mulheres em idade reprodutiva — sofram com menstruações intensas, dor pélvica agonizante, problemas urinários ou intestinais e até infertilidade.
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    O pior é que o diagnóstico costuma levar entre cinco e 12 anos, como aconteceu com Backlund. A confirmação exige uma laparoscopia, um procedimento médico no qual uma pequena câmera é inserida na cavidade pélvica, explica Ridhi Tariyal, cofundadora e diretora-executiva da NextGen Jane.
    É por isso que Tariyal e outros líderes de startups inovadoras estão trabalhando para desenvolver um teste diagnóstico melhor — que promete ser mais rápido, mais barato e menos invasivo do que a cirurgia, e que pode revelar muito mais do que apenas o diagnóstico de endometriose.
    O segredo, acreditam eles, está no sangue menstrual.
    Uma mina de ouro médica
    A análise de amostras de urina por médicos remonta aos tempos da Babilônia e da Suméria, há cerca de 6 mil anos. As fezes e o sangue venoso passaram a ser estudados um e dois séculos atrás, respectivamente.
    Mas o sangue menstrual nunca recebeu muita atenção clínica. Ainda assim, trata-se de um fluido complexo: metade dele é sangue comum, enquanto o restante é composto por proteínas, hormônios, bactérias, tecido endometrial e células eliminadas da cavidade vaginal, do colo do útero, das trompas de falópio, dos ovários, entre outras partes.
    “Você tem acesso a tipos de células e outras assinaturas moleculares que simplesmente não aparecem no sangue total, na saliva ou em outros tipos de amostras”, diz Tariyal. “É essencialmente uma biópsia natural, que oferece informações sobre os órgãos reprodutivos.”
    A empresa dela, a NextGen Jane, envia absorventes internos de algodão especialmente desenvolvidos para voluntárias como Backlund e já analisou mais de 2 mil amostras menstruais de mais de 330 mulheres desde sua fundação, em 2014.
    Pesquisas iniciais da NextGen Jane identificaram possíveis ligações entre a saúde do útero e o envelhecimento
    NextGen Jane
    “Você pode usar [o sangue menstrual] para investigar qualquer condição que afete o útero — e são muitas”, diz Christine Metz, bióloga reprodutiva dos Feinstein Institutes for Medical Research, da Northwell Health, nos Estados Unidos.
    Metz começou estudando o sangue menstrual para identificar biomarcadores de endometriose há mais de uma década, mas agora também quer entender se esse fluido pode oferecer pistas sobre outras condições, como câncer de endométrio, adenomiose — quando o revestimento do útero cresce para dentro da parede uterina — e endometrite, que é uma inflamação persistente do endométrio.
    “O fluxo menstrual tem muito valor para compreender a saúde do útero, algo que não conseguimos acessar por outros meios”, afirma Metz. “É um material biológico muito único.”
    Um estudo, por exemplo, identificou 385 proteínas encontradas exclusivamente no sangue menstrual.
    Além de estar disponível mensalmente, outra grande vantagem é que o sangue menstrual oferece uma visão mais completa da saúde do útero em comparação com a pequena fração de tecido retirada em uma biópsia endometrial.
    “O útero tem aproximadamente o tamanho de uma toranja, então uma biópsia endometrial não fornece uma avaliação global”, explica Metz, que pede às voluntárias de seus estudos que coletem amostras com um coletor menstrual. “Já o fluxo menstrual corresponde a todo o endométrio eliminado.”
    Uma busca por biomarcadores específicos
    Como o sangue menstrual foi por muito tempo negligenciado pela pesquisa científica, ainda não está claro se a endometriose possui biomarcadores exclusivos suficientemente confiáveis para um teste diagnóstico. Mas Metz e seu parceiro de pesquisa, o geneticista Peter Gregersen, já estudaram mais de 3.700 mulheres — com resultados promissores até agora.
    “Há muitas diferenças”, diz Metz. Para começar, mulheres com diagnóstico de endometriose têm uma quantidade muito menor de células “natural killer” uterinas — células do sistema imunológico que desempenham um papel importante no início da gravidez, ao facilitar a implantação do embrião, o desenvolvimento da placenta e a proteção contra infecções.
    “Elas estão ligadas à fertilidade, então ter poucas dessas células não é algo bom”, afirma Metz.
    A equipe dela também identificou uma diferença importante nas células fibroblásticas do estroma, que ajudam a reparar e regenerar o revestimento do útero após cada menstruação. Quando havia endometriose, essas células apresentavam mais marcadores inflamatórios e tinham menor capacidade de induzir as mudanças que preparam o útero para a gravidez.
    Esse último fator também tem sido associado a outras condições, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e abortos recorrentes.
    O estudo do sangue menstrual pode ser útil para prever o risco de desenvolvimento de doenças futuras, como o diabetes
    Serenity Strull/ BBC
    O laboratório de Metz também descobriu que a expressão de certos genes está alterada em pacientes com endometriose. Em conjunto, essas diferenças são o que os médicos poderiam buscar em um teste diagnóstico alternativo e não invasivo baseado na análise do sangue menstrual.
    Metz espera solicitar aprovação da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, para um kit de diagnóstico domiciliar em algum momento de 2027.
    Já os pesquisadores da NextGen Jane estão extraindo e sequenciando o RNA mensageiro (mRNA) do sangue menstrual para identificar biomarcadores específicos da endometriose.
    Até agora, eles identificaram alguns marcadores que acreditam conseguir diferenciar de forma confiável casos de endometriose de casos saudáveis em mulheres com infertilidade.
    Um estudo nos Estados Unidos, envolvendo centenas de mulheres com endometriose, está em andamento para confirmar esses achados, diz Tariyal. Em maio de 2025, a NextGen Jane recebeu um financiamento de US$ 2,2 milhões (£1,62 milhão) para validar clinicamente um teste menstrual para endometriose em pacientes com infertilidade.
    Não apenas saúde reprodutiva
    Mas o sangue menstrual pode ser útil para além da endometriose. O trabalho da NextGen Jane, por exemplo, já apontou possíveis ligações entre a saúde do útero e o envelhecimento.
    “São dados iniciais”, diz Tariyal, mas há “claramente uma tendência” entre a queda dos níveis de estrogênio no corpo — que define o envelhecimento — e a menstruação.
    As observações da equipe também sugerem que o sangue menstrual pode, no futuro, ajudar a identificar doenças do sistema imunológico, como hipo ou hipertireoidismo, em que a glândula tireoide libera quantidades insuficientes ou excessivas dos hormônios que regulam o metabolismo, a tiroxina e a triiodotironina.
    “Acontece que pessoas com endometriose frequentemente também têm alguma condição autoimune”, afirma Tariyal.
    Como o corpo passa de um estado de inflamação para um processo de cicatrização sem formação de cicatriz ao longo do ciclo menstrual, estudar o sangue menstrual pode oferecer um novo modelo para compreender doenças inflamatórias e mediadas pelo sistema imunológico, como artrite reumatoide, lúpus e esclerose múltipla, acrescenta Tariyal.
    Pesquisadores acreditam que o sangue menstrual pode ajudar no diagnóstico de uma série de problemas de saúde que afetam as mulheres, incluindo a endometriose
    Getty Images
    O sangue menstrual também tem se mostrado útil para detectar diabetes. Em estudos de 2021 e 2024, pesquisadores da startup Qvin, sediada na Califórnia, descobriram que a média de glicose medida no sangue menstrual refletia de forma confiável os níveis de açúcar no sangue no corpo como um todo.
    Esses resultados abriram caminho para o primeiro — e até agora único — teste de glicemia com sangue menstrual aprovado pela FDA, lançado em 2024: um absorvente higiênico chamado Q-Pad, que possui uma tira removível para coletar o sangue e que as usuárias enviam pelo correio para os laboratórios da Qvin para análise.
    A Qvin também demonstrou, em um estudo de 2022 realizado na Tailândia, que amostras coletadas com seu absorvente patenteado foram mais eficazes na detecção de cepas de alto risco do papilomavírus humano (HPV) — que podem aumentar o risco de câncer do colo do útero — em comparação com o exame de Papanicolau tradicional. Um estudo mais amplo para validar esses resultados está em andamento nos Estados Unidos.
    A partir deste ano, esse ensaio também vai investigar se o Q-Pad pode ser usado para rastrear infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia, diz Mads Lillelund, co-CEO da Qvin.
    Na sequência, Lillelund espera avançar para a análise de outros marcadores de saúde, como hormônios da tireoide e reprodutivos, marcadores inflamatórios e até anticorpos que indicam resposta imunológica ao SARS-CoV-2.
    De forma semelhante, a startup theblood, com sede em Berlim, está atualmente validando um kit de testes para ajudar a prever endometriose, menopausa precoce, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e problemas de fertilidade.
    A revolução menstrual
    Apesar desses avanços, muito sobre o sangue menstrual ainda permanece um mistério. O principal deles, segundo muitos pesquisadores, é que ainda não foram identificados todos os seus componentes — nem como eles podem mudar rapidamente ao longo da menstruação.
    A pesquisa ainda está em estágio inicial, em grande parte por causa dos estigmas culturais que cercam o tema.
    “Fomos todos ensinados a tratar isso como um tabu, algo sobre o qual nem se deve falar”, diz Metz.
    A situação é agravada pelo histórico viés em favor de homens na pesquisa médica e pela relativa falta de financiamento para estudos sobre saúde feminina. Globalmente, pesquisas nessa área representaram apenas 5% do financiamento mundial de pesquisa e desenvolvimento em 2020.
    “A maior parte da descoberta de medicamentos foi feita principalmente com homens, possivelmente homens brancos, com pouca diversidade étnica ou de gênero”, afirma Lillelund. “Gasta-se mais dinheiro com calvície masculina do que com endometriose.”
    Muitas mulheres, incluindo Backlund, que convivem com a realidade dolorosa da endometriose e de outras condições uterinas, dizem que esse tipo de pesquisa já deveria ter avançado há muito tempo.
    Crescer com menstruações dolorosas e sem entender o que estava acontecendo “foi muito solitário e isolador”, diz Backlund.
    Mas, se os pesquisadores conseguirem desenvolver um teste diagnóstico não invasivo com base no sangue menstrual, ela espera que a próxima geração de meninas receba tratamento mais rapidamente — e evite o sofrimento físico e emocional que ela enfrentou ao longo da vida.
  • Por que o movimento da ‘boa morte’ está em alta

    Por que o movimento da ‘boa morte’ está em alta

    Por que o movimento da ‘boa morte’ está em alta
    O Centro de Longevidade da Universidade Stanford mapeou um novo movimento: o da “boa morte”. No Brasil, o assunto ainda causa desconforto e há poucas vozes que provocam a reflexão, como a médica Ana Claudia Quintana Arantes, autora do best-seller A morte é um dia que vale a pena viver. No entanto, nos Estados Unidos, trata-se de um mercado em expansão, como esse blog já mostrou ao apresentar diversas iniciativas para debater a finitude.
    Fim de vida: mercado da “boa morte” está em expansão
    Sabine van Erp para Pixabay
    O Death café, por exemplo, é um projeto criado pelo antropólogo suíço Bernard Cretazz em 2004, que também cunhou a expressão “sigilo tirânico” para descrever o medo e a rejeição que as pessoas têm de falar sobre a morte. Por isso, o objetivo das reuniões é conversar sobre o fim e o luto, que faz parte da trajetória de todos nós. Elas são realizadas em dezenas de países; no Brasil, há encontros mensais em diversas cidades.
    As doulas de fim de vida têm algo em comum com suas equivalentes que acompanham gestantes: o trabalho de suporte emocional, físico e informativo. São profissionais que não substituem médicos, enfermeiros ou as equipes de cuidados paliativos – seu papel é ajudar o paciente e seus familiares a lidar com o medo, a dor e os preparativos para o desfecho final, buscando maior autonomia para o indivíduo que está morrendo. Nos EUA, o número de doulas de fim de vida cresceu significativamente: eram 260 em 2019 e, em 2024, 1.600.
    “A morte no jantar” (“Death over dinner”) é uma proposta do norte-americano Michael Hebb: como o nome diz, um jantar no qual o tema central é a forma como gostaríamos de viver nossos últimos momentos. Já existe em dezenas de países e estima-se que mais de 100 mil pessoas participaram dos eventos. Ações como essas vêm se multiplicando com o mesmo objetivo: mudar a maneira como a morte vem sendo tratada na civilização ocidental.
    “A medicina mantém uma visão iluminista de que a morte é um problema e que, se trabalharmos duro o suficiente, podemos resolvê-lo”, costuma dizer BJ Miller, médico de cuidados paliativos e coautor de A beginner’s guide to the end (Um guia para iniciantes sobre o fim). Ele defende a mudança da visão predominante entre profissionais de saúde, que sustenta que a morte é algo que tira a vida, e não que faz parte da vida.
    A atitude em relação à morte mudou muito ao longo do tempo. No final do século XIX e início do XX, as pessoas frequentemente morriam em casa e esse era um acontecimento que fazia parte da vida doméstica. Em 1980, quase três quartos dos óbitos nos EUA ocorriam em hospitais, instituições ou asilos. De acordo com Stanford, a marcha do século XX rumo à supremacia médica acelerou uma sensação de alienação entre pacientes terminais e cuidadores exaustos. Agora, o pêndulo parece estar voltando, com mais gente optando por morrer em casa.
    Curiosamente, os jovens vêm tomando a iniciativa das conversas sobre a morte. Eles pertencem a uma geração cuja desconfiança nas autoridades é alimentada pelo fracasso dos líderes políticos em responder às mudanças climáticas e à instabilidade social. Além disso, a pandemia de Covid-19 expôs essa geração precocemente ao espectro da extinção.
    A indústria do entretenimento também navega no filão. Há programas sobre organizar os pertences antes de morrer (The gentle art of swedish death cleaning), dramas hospitalares (The Pitt) e filmes sobre o luto. A End Well, uma organização sem fins lucrativos focada no assunto, encomendou um estudo que mostrou que os espectadores ficaram mais dispostos a discutir questões de fim de vida após assistirem a programas com esses temas.
    AVISO: a coluna estará de volta no dia 19. Até lá!
  • Suprema Corte dos EUA julga fim de cidadania por nascimento ordenado por Trump: como é a regra no mundo

    Suprema Corte dos EUA julga fim de cidadania por nascimento ordenado por Trump: como é a regra no mundo

    Suprema Corte dos EUA julga fim de cidadania por nascimento ordenado por Trump: como é a regra no mundo
    A história por trás do ‘direito de nascimento’, que Trump agora quer derrubar
    A ordem executiva do presidente Donald Trump para acabar com o direito à cidadania por nascimento nos Estados Unidos provocou contestações jurídicas generalizadas — e agora chegou à Suprema Corte do país, que começou a analisar o caso nesta semana, com a presença do próprio Trump na sessão.
    Por quase 160 anos, a 14ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos garante a cidadania automática a qualquer pessoa nascida no país.
    A ordem do presidente Trump buscava mudar a forma como ela é interpretada, e negar a cidadania aos filhos de imigrantes que estão no país ilegalmente ou com vistos temporários.
    Em fevereiro, um juiz federal dos EUA bloqueou a tentativa do republicano de encerrar este direito para crianças cujos pais estejam no país sem documentos ou temporariamente.
    Os EUA concedem cidadania automática a qualquer pessoa nascida no país, mas este princípio não é a norma no mundo todo
    Getty Images via BBC
    Em uma segunda decisão, o magistrado John Coughenour, de Seattle, suspendeu indefinidamente o decreto assinado pelo presidente.
    Em 20 de janeiro, ele já havia suspendido temporariamente a aplicação da ordem, que deveria começar 30 dias após a assinatura.
    O juiz afirmou que a decisão de Trump é inconstitucional e que o republicano tenta driblar a lei.
    “Tornou-se cada vez mais claro que, para o nosso presidente, o Estado de Direito não passa de um obstáculo para seus objetivos. Para ele, o Estado de Direito é algo a ser contornado ou simplesmente ignorado”, disse.
    O caso avançou para a Suprema Corte dos EUA, que iniciou a análise na quarta-feira (01/04). Durante mais de duas horas de argumentos, vários juízes demonstraram ceticismo em relação à tentativa do governo de restringir o direito à cidadania por nascimento — um princípio consolidado há mais de um século.
    Trump compareceu pessoalmente à sessão, um gesto raro para um presidente em exercício e que evidenciou o peso político do caso.
    Em meio à análise do caso pela Suprema Corte, a discussão também reacende um debate mais amplo: como isso se compara às leis para cidadania ao redor do mundo?
    Direito à cidadania por nascimento
    O direito à cidadania por nascimento, ou jus soli (direito por solo), não é a norma a nível global.
    Os Estados Unidos são um dos cerca de 30 países — a maioria na América — que concedem cidadania automática a qualquer pessoa nascida dentro de suas fronteiras.
    Em contrapartida, muitos países da Ásia, Europa e partes da África adotam o princípio de jus sanguinis (direito por sangue), em que as crianças herdam a nacionalidade dos pais, independentemente do local de nascimento.
    Leis para cidadania ao redor do mundo
    BBC
    Outros países têm uma combinação dos dois princípios, concedendo também a cidadania aos filhos de residentes permanentes.
    John Skrentny, professor de sociologia da Universidade da Califórnia, em San Diego, acredita que, embora o direito à cidadania por nascimento ou jus soli seja comum em todo o continente americano, “cada estado-nação trilhou seu próprio caminho para isso”.
    “Por exemplo, alguns envolveram escravizados e ex-escravizados, outros não. A história é complicada”, diz ele. Nos EUA, a 14ª Emenda foi adotada para resolver o status legal dos escravizados libertos.
    No entanto, Skrentny argumenta que o que quase todos tinham em comum era “construir um estado-nação a partir de uma ex-colônia”.
    “Eles tiveram que ser estratégicos em relação a quem incluir e a quem excluir, e como tornar o estado-nação governável”, explica. “Para muitos, o direito à cidadania por nascimento, baseado no fato de ter nascido no território, contribuiu para seus objetivos de construção do Estado.”
    “Para alguns, isso incentivou a migração da Europa; para outros, garantiu que as populações indígenas e os ex-escravizados, assim como seus filhos, fossem incluídos como membros plenos, e não ficassem apátridas. Foi uma estratégia específica para uma época específica, e essa época pode ter passado.”
    Mudanças nas políticas e aumento das restrições
    Nos últimos anos, vários países reformularam suas leis de cidadania, restringindo ou revogando o direito à cidadania por nascimento devido a preocupações com a imigração, a identidade nacional e o chamado “turismo de nascimento”, em que as pessoas visitam um país para dar à luz.
    A Índia, por exemplo, já concedeu cidadania automática a qualquer pessoa nascida em seu território. Mas, com o tempo, as preocupações com a imigração ilegal, principalmente de Bangladesh, levaram a restrições.
    Desde dezembro de 2004, uma criança nascida na Índia só é cidadã se ambos os pais forem indianos, ou se um dos pais for cidadão, e o outro não for considerado um imigrante ilegal.
    Muitas nações africanas, que historicamente seguiram o jus soli sob os sistemas jurídicos da era colonial, abandonaram a política depois de conquistar a independência. Atualmente, a maioria exige que pelo menos um dos pais seja cidadão ou residente permanente.
    Grupos de direitos humanos temiam que a República Dominicana tirasse a cidadania de dezenas de milhares de pessoas, a maioria de ascendência haitiana
    Reuters
    A cidadania é ainda mais restritiva na maioria dos países asiáticos, onde é determinada principalmente pela ascendência, como observado em nações como China, Malásia e Singapura.
    A Europa também passou por mudanças significativas. A Irlanda foi o último país da região a permitir o jus soli irrestrito. Ela aboliu a política após uma votação em junho de 2024, quando 79% dos eleitores aprovaram uma emenda constitucional que exigia que pelo menos um dos pais fosse cidadão, residente permanente ou residente temporário legal.
    O governo disse que a mudança era necessária porque mulheres estrangeiras estavam viajando para a Irlanda para dar à luz, a fim de obter um passaporte da União Europeia para os filhos.
    Uma das mudanças mais dramáticas ocorreu na República Dominicana, onde, em 2010, uma emenda constitucional redefiniu a cidadania para excluir os filhos de migrantes indocumentados.
    Uma decisão da Suprema Corte de 2013 tornou a medida retroativa a 1929, tirando a nacionalidade dominicana de dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria de ascendência haitiana. Grupos de direitos humanos alertaram que isso poderia deixar muitos apátridas, uma vez que eles também não tinham documentos haitianos.
    A medida foi amplamente condenada por organizações humanitárias internacionais e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
    Como resultado do clamor público, a República Dominicana aprovou uma lei em 2014 que estabeleceu um sistema para conceder cidadania aos filhos de imigrantes nascidos na República Dominicana, favorecendo particularmente os descendentes de haitianos.
    Skrentny vê as mudanças como parte de uma tendência global mais ampla.
    “Estamos em uma era de migração em massa e facilidade de transporte, inclusive pelos oceanos. Agora, as pessoas também podem ser estratégicas em relação à cidadania. É por isso que estamos vendo esse debate nos EUA agora.”
    Contestações legais
    Poucas horas depois da ordem executiva do presidente Trump em janeiro, 22 Estados liderados pelos democratas, a cidade de San Francisco, o Distrito de Columbia e grupos de direitos civis processaram o governo federal, contestando a medida.
    A ordem executiva sofreu um revés inicial quando, no quarto dia da presidência de Trump, o juiz do Tribunal Distrital dos EUA, John Coughenour, a bloqueou temporariamente, chamando-a de “flagrantemente inconstitucional”.
    A maioria dos juristas concorda que Trump não pode acabar com o direito à cidadania por nascimento por meio de uma ordem executiva.
    “Ele está fazendo algo que vai aborrecer muita gente, mas em última análise isso vai ser decidido pelos tribunais”, disse Saikrishna Prakash, especialista constitucional e professor da Faculdade de Direito da Universidade da Virgínia. “Isso não é algo que ele possa decidir sozinho.”
    A ordem executiva do presidente Trump já enfrenta contestações na Justiça
    Reuters
    A ordem executiva de Trump pede uma reinterpretação de uma emenda existente à Constituição. Para alterá-la, seria necessária uma maioria de dois terços dos votos em ambas as casas do Congresso, além da aprovação de três quartos dos Estados dos EUA.
    A ordem presidencial segue suspensa enquanto o caso é analisado pela Suprema Corte dos EUA, que agora tem a palavra final sobre a legalidade da medida.
    Os juízes ainda não indicaram quando vão decidir, mas a expectativa é que uma sentença seja anunciada até junho. O resultado poderá redefinir os limites do poder presidencial e o alcance do direito à cidadania por nascimento no país.
  • ‘Nada é obstáculo’: como adolescente autista transformou vida da família em Ribeirão Preto

    ‘Nada é obstáculo’: como adolescente autista transformou vida da família em Ribeirão Preto

    ‘Nada é obstáculo’: como adolescente autista transformou vida da família em Ribeirão Preto
    ‘Nada é obstáculo’: como adolescente autista transformou vida da família em Ribeirão Preto
    Aos 13 anos, Maria Cecília fala fluentemente inglês, estuda japonês por conta própria e carrega no currículo uma medalha de prata, conquistada na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP) no ano passado.
    O que, para muitos, seria apenas a rotina de uma adolescente prodígio, para os pais, Maria Antonieta Coelho e Jorge Nasser, é a celebração de uma trajetória de lutas, adaptações e vitórias diárias.
    Maria Cecília está no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e quando ela nasceu, o debate sobre neurodiversidade e inclusão ainda era novo e pouco discutido no Brasil.
    ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp
    Sem rede de apoio governamental ou cobertura de planos de saúde, a família, que é de Ribeirão Preto (SP), precisou se reinventar e transformar a própria casa em um ambiente terapêutico contínuo para fazer Maria Cecília brilhar.
    Todo ser humano que se dispõe a buscar algo, a maior limitação que ele pode ter é ele mesmo. Se ele vence essa limitação, nada é obstáculo
    As terapias constantes e o ambiente favorável ao longo dos anos fizeram com que Maria Cecília migrasse do nível de suporte 3 (o mais alto) para o 1 (o mais baixo). Ela conquistou autonomia, ajuda nas tarefas de casa e adora cozinhar, sempre com a supervisão e o auxílio dos pais.
    A experiência com a filha transformou a vida de Maria Antonieta e Jorge. De uma família sem apoio, eles se tornaram a rede que tanto precisaram.
    Hoje, o casal atua em conselhos municipais e lidera iniciativas no Rotary Club voltadas para Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Para Maria Antonieta e Jorge, a jornada da filha é a prova de que o amor e o estímulo superam barreiras.
    “Esqueçam os rótulos. São seus filhos, eles são seres humanos que precisam tanto quanto os outros de amor, de carinho, de acolhimento. Não fique esperando o diagnóstico para agir. O rótulo é o menos importante”, diz a mãe.
    Maria Cecilia Nasser, de Ribeirão Preto (SP)
    Murilo Corazza/g1
    Para acompanhar o desenvolvimento da filha, Maria Antonieta fez cursos de formação, estudou a análise do comportamento (ABA) e hoje dá palestras para apoiar outras famílias.
    “A gente precisa cuidar do cuidador, porque ele é o alicerce da criança com autismo. O pai, a mãe, os avós precisam ter apoio psicológico também”, afirma.
    A rede de apoio estruturou até a própria casa: das quatro filhas, a mais velha, Maria Beatriz, também foi diagnosticada com autismo, e Eduarda, com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
    Os primeiros sinais e a importância dos estímulos
    Maria Cecília é a caçula de quatro irmãs. Segundo Jorge, o primeiro sinal de que o desenvolvimento dela seguia um ritmo diferente aconteceu com poucos meses de vida.
    Enquanto brincava, ela fez um corte entre os dedos com uma folha de papel. Em vez de chorar, observou o sangue escorrer pela mão com curiosidade. A reação chamou a atenção.
    “Além de machucar, que é uma área muito sensível, dói e sangra muito, ela achou interessante. Foi engatinhando e andando pela casa, o sangue foi acontecendo e a mãe foi seguindo o rastro. Chegou na menina, a mãe ficou apavorada, e a menina se divertindo”, relembra Jorge.
    Ceci com o pai, Jorge Nasser Filho em uma aula de culinária
    Arquivo pessoal
    Quando Maria Cecília tinha 1 ano e meio, a escola enviou à família um caderno com anotações sobre comportamentos atípicos. Ao pesquisá-los na internet, Maria Antonieta se deparou com a palavra autismo.
    “A professora trouxe na agenda um relatório de que ela não socializava, não interagia com os coleguinhas, não falava nada. A gente nem sabia o que era autismo, procurei na internet e deu lá que era autismo. Foi um choque, porque na época nem se falava em transtorno do espectro, era transtorno global do desenvolvimento”, conta a mãe.
    Até os 5 anos, Maria Cecília não falava. Para garantir o desenvolvimento da filha, a família embarcou em uma jornada de terapias, custeadas integralmente do próprio bolso.
    Naquela época, a Lei Brasileira de Inclusão ainda estava sendo desenhada e conseguir um laudo precoce era raridade.
    Foram oito anos de acompanhamento com carga de 20 horas semanais, totalizando um investimento estimado em R$ 3 milhões. As tias e a avó materna, que foram educadoras e reitoras, usaram as economias de uma vida inteira para ajudar nos custos do tratamento.
    “A gente não tinha rede de apoio pública. O único caminho era ir atrás e pagar as terapias. Tivemos uma terapeuta que veio em casa e ensinou a família toda como generalizar os ambientes. A Cecília ficava 24 horas em tratamento, porque todo mundo agia com ela da mesma forma”, diz a mãe.
    Ao g1, a neuropediatra Gabriela Amoedo Cavassani diz que o caminho traçado pela família era exatamente o que Maria Cecília precisava para se desenvolver.
    “A intensidade da terapia e ela ser precoce, antes dos 2 anos de idade, podem fazer a diferença. E quando a gente fala em intensidade, está falando de, pelo menos, 25 horas semanais de intervenção de terapia. Agora, qual vai ser a terapia, vai ter que ser uma coisa individualizada”.
    Maria Cecília, de 13 anos, superou o atraso na fala e hoje é fluente em três idiomas. Autodidata, a adolescente também acumula conquistas como a medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática
    Arquivo pessoal
    Virada de chave
    Para otimizar os tratamentos de alto custo para a filha, a criatividade do pai entrou em cena. Quando a musicoterapeuta de Maria Cecília precisou analisar microexpressões faciais para a tese de doutorado, Jorge, que fabrica instrumentos musicais e tem experiência com fotografia, ofereceu ajuda.
    Ao g1, ele conta que construiu um mini estúdio de áudio e vídeo dentro da sala de terapia para captar as reações da filha. As análises permitiram que a equipe médica direcionasse os estímulos com extrema precisão, identificando o que funcionava ou não no cérebro da menina.
    A recompensa por todo esforço chegou de um jeito inesquecível, quando a menina tinha 5 anos. Na época, a família estava quase começando um tratamento diferente com a fonoaudióloga para tentar ajudar Maria Cecília a falar.
    Durante um aniversário, ela verbalizou ao pai, pela primeira vez, que queria um refrigerante gelado.
    “Ela olhou para mim e disse ‘quero coca’. Eu olhei para a cara dela ‘a tia [fonoaudióloga] falou para mim que você não fala’”, conta Jorge.
    Para a mãe, a situação é resultado de uma postura que ela defende até hoje: aceitar o diagnóstico e se dedicar no tratamento.
    “Eu falo muito para as mães: aceitem o diagnóstico e já corram atrás, não fiquem esperando. Quanto mais cedo, melhor o desenvolvimento. Se a família aceitar e acolher, o desenvolvimento é para a família toda, senão a família adoece”.
    Maria Cecília ao lado da mãe, Tonnia, que hoje dá mentoria e apoio para outras famílias atípicas
    Arquivo pessoal
    A busca por inclusão escolar
    Se em casa o ambiente era de estímulo, fora dela a realidade foi difícil. A busca por uma escola que acolhesse Maria Cecília mostrou, segundo os pais, a falta de preparo do sistema educacional brasileiro.
    A família tentou matricular a menina em escolas particulares, inclusive por meio da Justiça, para garantir um acompanhante terapêutico. O resultado foi uma sucessão de frustrações e cinco “convites de retirada”.
    “A ponto de, no começo da pandemia, eu desistir e falar ‘não vou levar mais na escola’. É muito sofrido”, desabafa a mãe.
    Hoje, Maria Cecília estuda em uma escola municipal em Ribeirão Preto. Ela está no 7º ano e conta com o acompanhamento contínuo de uma pedagoga.
    No ano passado, a adolescente conquistou uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática, mas é bem sincera quando fala sobre a disciplina favorita.
    “A que mais gosto é História. Matemática, não gosto tanto. Dependendo de como é aplicada, dependendo do que você está falando sobre matemática, eu até gosto”.
    Aos 13 anos, Maria Cecília estuda japonês por conta própria e é fluente em inglês
    Arquivo pessoal
    Hiperfoco na cultura oriental
    Hoje, o hiperfoco de Maria Cecília está voltado para a cultura oriental. Apaixonada por mangás, ela aprendeu a desenhar olhando vídeos e, para entender melhor as histórias, decidiu estudar japonês.
    Como não encontrou aplicativos de tradução direta do português, utilizou o inglês, que já dominava, como base para estudar a nova língua.
    “Estou usando um livro didático e também pesquisando umas coisas no Google. Você vai ouvindo, vai lendo”.
    Apaixonada pela cultura oriental, Maria Cecília aprendeu a desenhar mangás sozinha
    Arquivo pessoal
    Segundo a neuropediatra Gabriela Amoedo Cavassani, saber utilizar hiperfocos pode ajudar profissionais a ampliarem o aprendizado das crianças.
    “O hiperfoco, que é o interesse muito intenso e restrito em um determinado assunto, é comum acontecer daquele autista desenvolver o a gente chama de ilha de habilidade. Um bom terapeuta, uma pessoa que sabe o que está fazendo, vai usar o hiperfoco em favor daquela criança. Não deve ser extinguido o hiperfoco jamais”, ressalta.
    *Sob a supervisão de Flávia Santucci
    Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca
    VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
  • Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico

    Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico

    Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico
    Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico
    A contaminação do Césio-137, em Goiânia, marcou para sempre a história da cidade e também do Brasil. O caso foi o maior acidente radiológico do mundo, deixando quatro pessoas mortas e mais de mil pessoas afetadas. A tragédia ganhou nova repercussão desde o lançamento de uma minissérie na Netflix, “Emergência Radioativa”.
    Para se ter uma ideia do perigo representado por aquela substância azul brilhante, o acidente de 1987 foi classificado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear como nível 5 , em uma escala de 1 a 7. Ele só não fez mais vítimas porque houve a atuação de pessoas da população e de especialistas, como o físico Walter Mendes, que se deram conta da gravidade da situação.
    ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
    Mesmo contida a contaminação e passadas quase quatro décadas desde que aconteceu, o episódio ficou marcado na memória da sociedade goianiense, ainda que a cidade tenha tentado apagá-la.
    Confira abaixo a cronologia do acidente radioativo, de acordo com o livro “Césio 137”, da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás:
    13 de setembro de 1987
    Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado das ruínas do IGR, no Setor Central, em um terreno que pertencia à Santa Casa de Misericórdia. O objetivo era vender a peça para um ferro-velho. Por isso, eles removem o lacre da cápsula, na qual estava a substância até então desconhecida.
    Equipamento de radiologia onde foi encontrada a cápsula do Césio-137
    Divulgação/Cnen
    18 de setembro
    Nesse dia, Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado na Rua 26-A, no Setor Aeroporto, comprou a peça e a deixou em seu depósito. À noite, ao passar pelo pátio do local, ele percebeu que a emissão de um brilho azul. Era o pó de Césio-137. Impressionado, ele levou a peça para casa. Nos dias seguintes, a substância brilhante foi distribuída entre amigos e familiares que o visitaram.
    O que aconteceu com as vítimas do Césio-137?
    Como estão os locais atingidos pelo Césio-137?
    28 de setembro
    Depois de as pessoas que manipularam a substância começaram a apresentar problemas de saúde, como coceiras, vômitos e diarreia, a esposa de Devair, Maria Gabriela, pegou a cápsula e levou, de ônibus, em uma sacola plástica, à Vigilância Sanitária, também no Setor Aeroporto.
    29 de setembro
    Nesse dia, o físico Walter Mendes Ferreira foi chamado para analisar a substância desconhecida deixada na Vigilância Sanitária. Com um aparelho de medição de radiações ionizantes, ele identificou o risco e orientou a evacuação imediata. O acidente foi oficialmente reconhecido e notificado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que depois comunicou o caso à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
    30 de setembro
    Técnicos da Cnen chegaram a Goiânia e, com o auxílio de medidores de radiação, mapearam outros locais contaminados na cidade. Entre eles estava o físico José de Júlio Rozental, que ficou responsável por coordenar as ações de controle e na mitigação das consequências do acidente.
    Outubro de 1987
    Ao longo de todo o mês de outubro, o Estádio Olímpico, atual Centro de Excelência do Esporte, foi palco de um gigantesco esquema de triagem e monitoramento, pelo qual passaram 112.800 pessoas. Dessas, 249 foram identificadas com contaminação, em menor ou maior nível. No final, 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente.
    Maria Gabriela, de 35 anos, e Leide das Neves, de 6, morreram vítimas do césio-137, em Goiás
    Reprodução/TV Anhanguera
    LEIA TAMBÉM
    Onde estão os restos do Césio-137?
    Por que Césio-137 tem brilho azul?
    Quem é o físico que identificou o acidente com Césio-137 em Goiânia?
    23 de outubro
    Morrem Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, e Maria Gabriela Ferreira, sobrinha e esposa de Devair, o dono do ferro-velho. Ivo Alves Ferreira, pai de Leide, foi visitá-lo no dia 24 de setembro e levou fragmentos de césio para a casa da família. A filha pequena foi a mais afetada por ter brincado com o pó e ingerido partículas. Já Maria Gabriela foi a responsável por evitar que a tragédia fosse ainda maior por ter desconfiado de que havia algo errado com a substância.
    25 de outubro
    Os rejeitos do Césio 137 chegam ao então distrito de Abadia de Goiás, a pouco mais de 20 km da capital, e são armazenados em um depósito provisório, embaixo de um piso de concreto a céu aberto.
    27 de outubro
    Morre a terceira vítima do acidente, Israel Batista dos Santos, de 20 anos, funcionário de Devair. Ele trabalhou na remoção do chumbo da fonte.
    28 de outubro
    Admilson Alves de Souza se torna a quarta vítima fatal. Ele também era um funcionário do ferro-velho, que manipulou a fonte radioativa. Ele perdeu a vida com apenas 18 anos. Ele e as outras três vítimas foram enterradas em caixões revestidos de chumbo.
    Milhares de pessoas foram avaliadas na época do acidente com césio-137 e 129 apresentaram radiação no corpo Goiânia Goiás
    Reprodução/Cara
    30 de setembro a 21 de dezembro
    Durante todo esse período, foi feito o processo de descontaminação de Goiânia, que envolveu 40 técnicos da Cnen, que trabalhavam em um revezamento de dez técnicos por semana. No total, sete casas foram demolidas e 41 evacuadas, por focos terem sido identificados.
    10 de março de 1988
    Em uma audiência no Congresso Nacional à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal, o presidente da CNEN, Rex Nazaré Alves, apresenta o “Relatório do Acidente Radiológico de Goiânia”. O fato é considerado o marco da conclusão da descontaminação da capital.
    1989
    Fica decidido que o repositório construído em Abadia de Goiás seria o local definitivo dos rejeitos radioativos. E no dia 1º de junho daquele ano, foi criado o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO) para representar regionalmente a Cenen. Somente em 1991 começou a construção do depósito definitivo que abrigaria os rejeitos e do complexo administrativo que sediaria o CRCN-CO.
    5 de junho de 1997
    Quase uma década após o acidente radiológico, foi inaugurado o Depósito de Rejeitos Radioativos de Abadia de Goiás. O espaço abriga dois depósitos: um com 40% do total de rejeitos, considerada a parcela menos radioativa, e outro nos quais foram abrigados 60% dos rejeitos, considerados efetivamente radioativos. Nesse segundo local estão os restos da fonte principal que originou o acidente de Goiânia.
    📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.
  • Moradores relatam medo antes mesmo da queda de avião em Capão da Canoa: ‘passavam muito baixo, parecia que ia bater’

    Moradores relatam medo antes mesmo da queda de avião em Capão da Canoa: ‘passavam muito baixo, parecia que ia bater’

    Moradores relatam medo antes mesmo da queda de avião em Capão da Canoa: ‘passavam muito baixo, parecia que ia bater’
    Moradores relatam medo antes da queda de avião no RS: “muito baixo, parecia que ia bater”
    Vizinhos do restaurante destruído após queda de avião em Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS, relatam que mesmo antes do acidente que deixou quatro vítimas já sentiam medo com a frequência de voos baixos. O local do acidente fica a cerca de 200 metros do aeródromo da cidade.
    A zeladora Lenilda dos Santos, moradora do bairro Santa Luzia, conta que a preocupação era constante. “Parecia às vezes que os helicópteros passavam muito baixo. Parece que vai bater nas casas”, afirma.
    📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
    Para ela, se o avião não tivesse atingido o restaurante, a tragédia poderia ter acometido sua família. “Se não tivesse esse restaurante aqui, tinha batido na casa da minha filha. Eles têm que ter um pouco mais de cuidado. Passa muito baixo, é horrível”, desabafa Lenilda.
    O pedreiro Moisés Melo dos Santos concorda: “Se não parasse aqui, ia pegar na casa da filha dela. Deus o livre. Ninguém quer uma coisa dessa”.
    Queda de avião de pequeno porte no RS causa estragos em apartamentos
    Nos dias seguintes ao acidente, o cenário na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis é de destruição e mobilização. O avião se chocou contra um poste em frente ao estabelecimento, derrubando a fiação e deixando parte do bairro sem luz.
    Equipes da CEEE Equatorial trabalhavam no local para instalar novos postes e restabelecer a energia elétrica. Com isso, os moradores que haviam deixado suas casas começaram a voltar.
    Engenheiros avaliaram a estrutura de uma casa de dois andares ao lado do restaurante. Segundo o Corpo de Bombeiros, a estrutura não foi abalada. Mesmo assim, os moradores foram aconselhados a deixar o imóvel temporariamente por causa do forte cheiro de querosene de aviação e fumaça.
    Queda de avião de pequeno porte no RS causa estragos em apartamentos vizinhos ao do restaurante que foi destruído
    Katielly Oliveira/Arquivo pessoal
    Avião de pequeno porte cai no Litoral Norte do RS; quatro mortes são confirmadas
    Vítimas passam a ser veladas
    Polícia instaura inquérito para apurar queda
    Casal de empresários, dono de empresa de aviação e piloto: quem são as vítimas
    Dono diz que restaurante deveria estar aberto com funcionários e família, mas reforma impediu: ‘era para estar toda a equipe’
    ‘Explodiu, parecia uma bomba’: moradores relatam queda de avião no RS
    A queda do avião
    Queda de avião no RS: imagens aéreas mostram como ficou local após acidente com 4 mortes
    Um avião de pequeno porte caiu e destruiu totalmente um restaurante em Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS, na manhã de sexta-feira (3). Residências vizinhas também foram atingidas. Imagens aréas mostram como ficou o local após o impacto.
    As quatro pessoas a bordo da aeronave morreram, segundo o Corpo de Bombeiros. As vítimas foram identificadas como os empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, além do piloto Nelio Pessanha, e o sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes. Eles passaram a ser velados a partir da noite de sábado (4).
    O restaurante que funcionava há 10 anos no local da queda foi destruído com o impacto e consumido pelas chamas. O que sobrou da estrutura foi demolido pelas equipes que atuaram no local.
    Destroços do restaurante que foi atingido pela queda de um avião de pequeno porte em Capão da Canoa (RS)
    Matheus Goulart/Agência RBS
    Avião de pequeno porte cai e piloto morre no Litoral Norte do RS
    Infográfico – Avião de pequeno porte cai no Litoral Norte do RS
    Arte/g1
    Avião de pequeno porte cai e piloto morre no Litoral Norte do RS
    Reprodução/Câmera de segurança
    Avião de pequeno porte cai e quatro pessoas morrem no Litoral Norte do RS
    Reprodução/Câmera de segurança
    VÍDEOS: Tudo sobre o RS
  • Distrito no Sul de MG guarda histórias submersas pelas águas de Furnas e cemitério acessível apenas de barco

    Distrito no Sul de MG guarda histórias submersas pelas águas de Furnas e cemitério acessível apenas de barco

    Distrito no Sul de MG guarda histórias submersas pelas águas de Furnas e cemitério acessível apenas de barco
    Distrito de Itaci, em Carmo do Rio Claro, guarda história submersa pelas águas de Furnas
    Cercado por mato e vestígios do que um dia foi um povoado movimentado, o antigo cemitério do distrito de Itaci, em Carmo do Rio Claro (MG), passou a ser acessado apenas por barco após a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, na década de 1960. O local permanece na margem oposta do atual distrito e ainda abriga sepultamentos, tornando-se um símbolo das mudanças provocadas pelas águas.
    📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram
    📺 Até o dia 10 de abril, o g1 Sul de Minas e a EPTV percorrem o Lago de Furnas na expedição especial “Travessia das Águas”, que mostra a dimensão, a importância econômica e as histórias de quem vive da água em torno do maior reservatório de água doce do Sudeste e um dos maiores do Brasil. Além das reportagens especiais no portal e de conteúdos exibidos nos telejornais da EPTV, é possível acompanhar os bastidores da expedição em um diário de bordo em tempo real.
    A travessia até a região é feita pelo Lago de Furnas, conhecido como “Mar de Minas”. A balsa que liga a sede do município ao distrito de Itaci está em funcionamento desde 1965 e leva cerca de 15 minutos. Do outro lado, vivem atualmente cerca de 120 moradores, em um ambiente que mantém características de arraial.
    ⚰️🚤 Antigo cemitério do distrito de Itaci só pode ser acessado por barco, após o alagamento causado pela Usina de Furnas
    🌊 Campo santo ficou isolado na margem oposta do atual distrito, cercado pelas águas do Lago de Furnas
    🌿 Local está tomado pelo mato, mas ainda preserva muros, colunas e sepultamentos antigos
    Distrito de Itaci, em Carmo do Rio Claro, guarda história submersa pelas águas de Furnas e cemitério acessível apenas de barco
    Reprodução EPTV
    Itaci foi fundado às margens do Rio Sapucaí e se desenvolveu em torno do comércio e da fé. A primeira igreja do povoado marcou o início da devoção ao Bom Jesus dos Aflitos, tradição mantida mesmo após o alagamento quase total do antigo distrito. Com a formação do reservatório, uma nova povoação foi construída às margens do lago, junto com um novo santuário, que permanece ativo até hoje.
    Enquanto o novo distrito se reorganizava, o antigo cemitério ficou isolado. O acesso passou a ser possível apenas pela água, reforçando o sentimento de distanciamento em relação a um espaço carregado de memória.
    Uma das pessoas que mantém ligação direta com o local é a lavradora Sueli Maria Maia Batista, que tem familiares enterrados no antigo cemitério. Ela aceitou voltar ao espaço após muitos anos.
    “Muitos anos, muitos anos, porque depois que fez o cemitério de lá e assim que meu pai foi sepultado aqui, demorou pouco tempo, aí já não teve que enterrar minha mãe de outro lado.”
    🕯️ Há pessoas enterradas no cemitério antigo, que segue como espaço de memória e respeito
    👩‍🌾 Moradores ainda visitam o local, mesmo com o difícil acesso, para rever túmulos de familiares
    🕰️ Distrito de Itaci foi fundado às margens do Rio Sapucaí, antes de ser praticamente inundado nos anos 1960
    Vista do distrito do Itaci, em Carmo do Rio Claro.
    Lorena Lemos/g1
    Sueli conta que tinha apenas 10 anos quando o pai morreu afogado nas águas que tomaram a região. Pouco tempo depois, o novo cemitério foi construído próximo ao atual distrito, ao lado do Santuário do Bom Jesus dos Aflitos. A mãe dela já foi enterrada nesse novo espaço.
    No antigo cemitério, ainda é possível identificar muros, colunas e estruturas que resistem ao tempo, apesar de estarem parcialmente encobertas pela vegetação. O cenário evidencia o abandono forçado de uma área que fazia parte do cotidiano da antiga comunidade.
    As transformações provocadas pela chegada das águas também são lembradas pelos moradores mais antigos. Dona Iolanda Pereira Iunes, de 92 anos, viveu o período anterior ao alagamento e relembra como era o distrito antes da hidrelétrica.
    “O Juscelino, quando vinha para a Boa Esperança, dar palestra, fazer comício, vinha de noite jantar na fazenda do pai da minha madrinha e posava tudo aí com aqueles homens, porque a fazenda era uma fazenda, parecia um palácio. Tinha um jardim na frente, uma coisa mais linda. Era só trazer flor para pôr na igreja.”
    ⛪ Devoção ao Bom Jesus dos Aflitos começou na antiga igreja do distrito, antes da formação do lago
    🏗️ Novo santuário foi construído na década de 1960, junto com a nova povoação às margens de Furnas
    🙏 Santuário à beira do lago recebe cerca de 15 mil fiéis em agosto, durante a festa do padroeiro
    Distrito de Itaci, em Carmo do Rio Claro, guarda história submersa pelas águas de Furnas e cemitério acessível apenas de barco
    Reprodução EPTV
    Leia também:
    Conheça ‘Gilda’, a garça que criou rotina com dona de pousada e aceita peixe na mão no Lago de Furnas
    Kombi, ônibus, fogão a lenha: mergulho com câmera revela cidade ‘escondida’ em maior lago do Sudeste
    Do camping à lancha: 5 rotas para explorar o Lago de Furnas e aproveitar o melhor de cada região
    Casa no meio da água? Flutuantes viram ‘point’ e transformam o Lago de Furnas em novo polo de experiências turísticas
    Sem CEP e sobre a água: ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no rio em MG
    Furnas: lago criado para ser ‘caixa d’água do Brasil’ tem 11 vezes o volume da Baía de Guanabara e ‘cidades submersas’
    O antigo Itaci chegou a ser um importante polo comercial, com telégrafo, cartório próprio e intensa circulação de mercadorias, impulsionada pelo Rio Sapucaí. O farmacêutico Henrique Pereira Iunes explica que o distrito reunia imigrantes de diferentes origens.
    “O Itaci, ele era uma colônia de sírio-libaneses, todos tinham comércio aqui e graças ao Rio Sapucaí, esse comércio era escoado através de um vapor, que trazia mercadorias, trazia pessoal para cá. E aqui tinha colônia libanesa, que era bastante gente, tinha portugueses, espanhóis, todo esse pessoal trabalhava aqui com comércio.”
    Distrito de Itaci guarda histórias e lembranças da época da construção do lago de Furnas
    Hoje, Carmo do Rio Claro é o município com a maior área alagada pelo Lago de Furnas: são 208,06 quilômetros quadrados de área inundada. A cidade tem área total de 1.065,685 km² e população estimada em 21.506 habitantes em 2025.
    🧓 Moradores mais antigos relatam a chegada das águas e as profundas mudanças na paisagem e na vida da comunidade
    🗺️📊 Carmo do Rio Claro é o município com a maior área alagada pelo Lago de Furnas, com 208,06 km² inundados
    💧🕊️ O cemitério antigo se tornou um dos símbolos mais silenciosos do impacto de Furnas sobre o distrito
    Antigo distrito do Itaci desapareceu com a inundação de Furnas na década de 1960
    Reprodução EPTV
    Às margens do lago, o novo Santuário do Bom Jesus dos Aflitos se tornou um dos principais pontos de peregrinação do Sul de Minas. Segundo a Prefeitura, a festa do padroeiro, realizada em agosto, chega a reunir cerca de 15 mil pessoas todos os anos.
    Sobre a importância do local, a agente comunitária de saúde Liliana Aparecida de Souza Oliveira destaca o valor histórico e cultural da imagem venerada.
    “A imagem do Bom Jesus dos Aflitos, que está aqui no santuário, que é um dos santuários de maior peregrinação de Minas Gerais, é uma imagem belíssima do Cristo ressuscitado. Constatou-se indícios de que trata-se de uma obra de um discípulo de Aleijadinho. É uma imagem que tem um valor cultural, além do grande valor que tem espiritual, religioso para a nossa região.”
    Infográfico – Usina de Furnas em números
    Arte g1
    Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas