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  • Como a disparada do petróleo pode complicar Trump nas eleições de novembro nos EUA

    Como a disparada do petróleo pode complicar Trump nas eleições de novembro nos EUA

    Como a disparada do petróleo pode complicar Trump nas eleições de novembro nos EUA
    Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
    Reuters
    A ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã pode impor severos custos políticos ao presidente Donald Trump, à medida que as forças iranianas resistem e os preços do petróleo disparam.
    Com o início da guerra, em 28 de fevereiro, o barril saltou no mercado internacional e chegou a atingir US$ 120, o maior valor desde 2022. Depois recuou, mas segue na casa dos US$ 100, ainda em nível bastante elevado.
    🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
    Trump passou a buscar formas de conter a alta da commodity, atento ao impacto no bolso dos eleitores americanos e às eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. (leia mais abaixo)
    🔎 Petróleo mais caro costuma significar gasolina e diesel mais caros — e, em efeito cascata, pressões sobre o preço de diversos produtos nos EUA. Esse cenário pode ampliar a insatisfação do eleitorado.
    Veja os vídeos em alta no g1:
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    Pesquisa Ipsos/Reuters divulgada na última segunda-feira (9) mostra que 67% dos americanos acreditam que os preços da gasolina vão subir no próximo ano por causa da guerra. Além disso, seis em cada 10 avaliam que as ações militares dos EUA contra o Irã devem se prolongar.
    Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, afirma que o humor do eleitor — que já vinha se deteriorando em relação a Trump — tende a piorar.
    “Por isso, ele tem monitorado a situação de perto e tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado e que haverá condições de equilibrar os preços e o abastecimento”, diz.
    🚢 O Estreito de Ormuz é a principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial. A região — responsável também por cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios nos últimos dias após o Irã anunciar o bloqueio da área e ataques a petroleiros.
    Desafio eleitoral e narrativa em xeque
    Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato (midterms). Além de governadores, os americanos vão escolher as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado — total que inclui 33 vagas do ciclo regular e duas eleições especiais. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso.
    Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, avalia que a alta do petróleo ocorre em um momento especialmente desfavorável para o governo Trump, que vinha tentando sustentar a narrativa de economia forte e energia mais barata no mercado interno.
    ⛽ Dados da associação automobilística AAA, citados pelo jornal britânico Financial Times, mostram que o preço da gasolina subiu mais de 20% desde que o republicano iniciou a guerra, atingindo o nível mais alto de seus dois mandatos.
    Aragão lembra que, além da disparada nos preços, os EUA já vinham enfrentando perda de empregos e volatilidade econômica — cenário que amplia o descontentamento com o impacto da guerra no bolso dos consumidores.
    “Isso acaba transformando o preço da energia em uma espécie de termômetro imediato do eleitor, sobretudo em um ano eleitoral”, diz o especialista, que vive nos EUA e é professor de Relações Internacionais da Marymount University.
    Economistas em Washington estimam que um aumento de 10% no preço do petróleo pode reduzir em cerca de 0,2 ponto percentual o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ao mesmo tempo, bancos calculam que uma alta de US$ 10 no barril pode adicionar cerca de 0,1 ponto à inflação.
    “Na prática, funciona como um imposto sobre as famílias, comprimindo a renda disponível”, diz Aragão. “Isso gera um impacto muito grande nos eleitores de média e baixa renda, especialmente nos independentes — nem democratas nem republicanos, mas decisivos nos estados-pêndulo”, explica.
    🏛️ Estados-pêndulo são aqueles em que democratas e republicanos têm apoio equilibrado, tornando seus votos decisivos em eleições nacionais.
    Carolina Moehlecke, coordenadora do mestrado profissional em Relações Internacionais da FGV, também avalia o cenário como bastante prejudicial para Trump.
    Ela lembra que a pressão sobre os preços foi crucial para a queda de popularidade do ex-presidente Joe Biden no início da campanha eleitoral de 2024. Na reta final da disputa, Biden acabou substituído por Kamala Harris, derrotada por Trump nas urnas.
    “É um eleitorado que está bastante preocupado com isso agora e que tem observado aumentos rápidos e constantes de preços nos últimos tempos”, diz Moehlecke.
    Resistência inesperada
    A avaliação de especialistas é que o governo americano calculou mal a intervenção no Irã, recebendo com surpresa a capacidade de resposta e resiliência do exército iraniano.
    “O cálculo inicial era de uma guerra rápida, com uma intervenção que levaria à queda do aiatolá e à substituição por uma nova liderança mais alinhada aos EUA”, diz Denilde Holzhacker, da ESPM.
    “Não necessariamente se esperava uma mudança completa de regime, mas algo parecido com o que ocorreu na Venezuela”, acrescenta.
    O uso do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão sobre aliados dos EUA e sobre o próprio governo americano também surpreendeu, a ponto de Washington começar a recalcular sua estratégia.
    No decorrer do conflito, Trump chegou a afirmar que a guerra com o Irã estava “praticamente concluída” e que acabaria “em breve”, o que ajudou a conter a alta do petróleo em determinado momento.
    Ele também disse que os EUA poderiam assumir o controle da principal rota da commodity no Oriente Médio. O Irã respondeu com novos ataques a navios na região, e as forças americanas intensificaram suas ações — reacendendo os temores.
    Preocupado com os preços, Trump decidiu ainda afrouxar temporariamente as sanções ao petróleo russo — impostas em fevereiro de 2022, no início da guerra contra a Ucrânia — e afirmou que até 200 milhões de barris da Venezuela serão destinados aos EUA para refino.
    Outra medida importante partiu da Agência Internacional de Energia (AIE), da qual os EUA fazem parte. Os 32 países-membros concordaram em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência para conter a alta dos combustíveis, na maior liberação da história da agência.
    David Fyfe, economista-chefe da Argus, porém, avalia que a eficácia dos estoques estratégicos para acalmar os preços depende, em última instância, da duração das restrições à navegação no Estreito de Ormuz, já que a liberação de reservas é uma medida provisória e de curto prazo.
    “Estoques estratégicos, por si só, serão insuficientes para evitar novas altas de preços se a navegação no Estreito permanecer intensamente restrita por um período prolongado”, afirma Fyfe.
    Os ataques a navios no Estreito de Ormuz
    Kayan Albertin / Arte g1
    Guerra pode embaralhar o Congresso
    Os republicanos têm, atualmente, maioria na Câmara e no Senado. A vantagem, no entanto, é pequena, reforça Thiago de Aragão, da Arko Internacional.
    “Na Câmara, eles controlam 220 cadeiras contra 213 dos democratas, e há algumas vagas pendentes de eleições especiais que ainda precisam acontecer. Então, é um espaço de manobra muito estreito, ainda mais que nem todos os republicanos são leais a Trump”, analisa.
    A vantagem no Senado também é pequena — 53 a 47 — mas um pouco mais consistente do que na Câmara, acrescenta Aragão.
    Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a guerra deve tornar a disputa de novembro ainda mais acirrada, especialmente no Senado, que agora deve ter uma corrida mais competitiva do que a prevista há alguns meses.
    Carolina Moehlecke, da FGV, afirma que a quebra de promessas de Trump também pode prejudicá-lo. O republicano havia afirmado que evitaria entrar em conflitos externos, mas ampliou suas ofensivas contra o Irã após já ter atacado instalações nucleares do país no ano passado.
    “Para o eleitor, é difícil compreender quais são os interesses dos EUA em bombardear o Irã novamente. O ataque do ano passado foi considerado um sucesso pelo governo americano e bem visto pelo eleitorado. Mas o novo conflito está mais difícil de o eleitor entender”, diz.
    O preço político de uma eventual derrota
    O cenário atual é mais favorável aos democratas, avalia a professora Denilde Holzhacker, da ESPM. Caso os republicanos percam a maioria na Câmara e no Senado, Trump enfrentará uma resistência maior no Legislativo e perderá capacidade de aprovar projetos.
    “Além disso, podem ter início processos de impeachment”, diz. “O fim da situação confortável de Trump no Congresso pode dificultar os dois últimos anos de seu governo.”
    Thiago de Aragão, da Arko, acrescenta que uma eventual maioria democrata poderia bloquear prioridades de Trump, como cortes de impostos, mudanças na regulamentação ambiental e até o financiamento de operações militares. “Além, óbvio, de abrir diversas investigações contra ele.”
    “Se o Senado passar a ter maioria democrata, aí sim o poder é muito maior: eles podem travar indicações para o Judiciário e cargos-chave no Executivo. Esse seria o pior pesadelo de Trump.”
    Carolina Moehlecke, da FGV, ressalta que o resultado das eleições legislativas também deve influenciar o ciclo político que levará à disputa presidencial de 2028.
    Até novembro, porém, o cenário ainda pode mudar, a depender da evolução da guerra e de outros fatores capazes de mover as peças do tabuleiro eleitoral.
    “De fato, existe uma relação em que o eleitor pune o responsável por aumento de custos, inflação ou piora da economia”, afirma Moehlecke. “No entanto, ainda faltam oito meses para o pleito. Até lá, a situação no Oriente Médio pode mudar: pode se estabilizar ou até piorar”, conclui.
  • O tour de Wagner Moura: por onde ator passou e o que ele disse durante campanha ao Oscar

    O tour de Wagner Moura: por onde ator passou e o que ele disse durante campanha ao Oscar

    O tour de Wagner Moura: por onde ator passou e o que ele disse durante campanha ao Oscar
    O tour de Wagner Moura para a campanha do Oscar 2026
    Há dez meses, Wagner Moura iniciou a jornada de divulgação de “O Agente Secreto” como parte da campanha do Oscar.
    Tudo começou em maio de 2025, no Festival de Cannes, quando o longa de Kleber Mendonça Filho fez sua estreia. O filme foi aplaudido por cerca de 15 minutos e iniciou sua trajetória de conquistas. Desde então, o filme já ganhou mais de 50 troféus em premiações.
    E Wagner… viajou, discursou, dançou, comemorou, levantou estatuetas, ensinou samba e frevo aos gringos, virou nome de coquetel e mostrou que o baiano tem o molho.
    O ator foi da França ao Canadá, passou diversas vezes pelos Estados Unidos (onde mora atualmente), desembarcou na Suíça, no Reino Unido, e, claro, no Brasil.
    A agenda ficou recheada com compromissos como participações em programas de entrevistas, passagem em tapetes vermelhos, pré-estreias, coletivas de imprensa e outros eventos estratégicos para a campanha do Oscar. O filme concorre nas categorias Ator, Filme, Filme Internacional e Seleção de Elenco.
    Wagner Moura no Cinéma Paradiso Louvre
    Divulgação
    Essa trajetória é importante porque, como os membros da Academia não são obrigados a assistirem a todos os filmes antes da votação, se não houver uma boa divulgação, não há interesse. É fundamental que o filme tenha uma estratégia de divulgação para ter visibilidade.
    No tour da campanha, Wagner não esteve presente em todos os eventos, deixando o papel às vezes para o diretor Kleber Mendonça Filho. Mas a cada palco, sofá ou tapete vermelho pelos quais passou, fez questão de enaltecer o Brasil e a cultura brasileira.
    O g1 analisou tudo o que Wagner Moura fez para divulgar o filme “O agente secreto” por meio de:
    Uma linha do tempo dos compromissos do ator;
    O que ele falou por onde passou nos últimos 10 meses.
    O tour de Wagner Moura para a campanha do Oscar 2026
    Bruna Azevedo/arte g1
    Veja o que Wagner Moura falou por onde passou nos últimos 10 meses.
    Maio de 2025: O início da corrida ao Oscar
    Wagner Moura esteve na première mundial de “O agente Secreto” na 78ª edição do Festival de Cannes, na França. Na ocasião, o filme foi ovacionado por cerca de 15 minutos.
    O elenco passou ao ritmo do frevo pelo tapete vermelho, e Wagner mostrou seu molho.
    Apesar de participar da festa de estreia do filme, Wagner não esteve presente na sua premiação de Melhor Ator no festival. Havia embarcado para Londres para a gravação de um novo filme.
    “Eu queria estar aí com todos vocês, mas estou aqui tomando uma taça de vinho em Londres, sozinho. Não poderia estar mais feliz”, disse o ator em uma ligação de vídeos para Kleber.
    “É um momento muito importante da minha vida. Eu vinha tentando trabalhar com Kleber por muitos anos e estou muito feliz em ver como o filme foi recebido. Porque é um filme brasileiro, e isso significa muito para a cultura brasileira.”
    Moura ainda celebrou o fato de o filme “ser mais uma peça que aproxima o expectador, os brasileiros em geral, de sua cultura, de seus artistas”.
    (Da esquerda para a direita) Roney Villela, a atriz brasileira Hermila Guedes, a atriz portuguesa Isabel Zuaa, o produtor brasileiro Fred Burle, o ator Carlos Francisco, a atriz brasileira Alice Carvalho, a atriz brasileira Maria Fernanda Candido, o ator brasileiro Gabriel Leone, o ator e produtor brasileiro Wagner Moura, a produtora francesa Emilie Lesclaux, o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho, o coprodutor holandês Erik Glijnis, o ator Roberio Diogenes, a produtora executiva britânica Fionnuala Jamison e o produtor executivo francês Nathanael Karmitz chegam para a exibição do filme “O Agente Secreto” na 78ª edição do Festival de Cinema de Cannes, em Cannes, sul da França, em 18 de maio de 2025.
    Antonin THUILLIER / AFP
    Julho de 2025: prêmio em mãos
    Em julho, Wagner retornou para a França. Desta vez, para participar do festival Cinéma Paradiso Louvre. A estada do ator por Paris também marcou o momento em que ele finalmente recebeu o troféu conquistado em Cannes.
    No evento, Wagner não só mostrou seu talento na atuação e na dança, como fez um discurso musicado, entoando versos de “Isto aqui, o que é”.
    Agosto de 2025: é do Brasil
    Em agosto, Wagner Moura desembarcou no Brasil com parte do elenco de “O Agente Secreto” para uma sessão presidencial do filme.
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Primeira Dama Janja Lula da Silva fizeram uma noite de festa no Palácio da Alvorada em reconhecimento ao cinema brasileiro.
    A passagem pelo país foi breve, já que o filme estava no cronograma do festival de Telluride, nos EUA, para sua estreia norte-americana.
    Wagner Moura conversa com jornalistas antes da sessão de “O Agente Secreto” no Palácio da Alvorada
    Ricardo Stuckert
    Setembro de 2025: agenda intensa
    Depois da passagem pelos EUA, no festival de Telluride, Moura embarcou para o Canadá. O ator esteve na estreia do filme no Festival de Cinema de Toronto (TIIF). Wagner também participou do evento “Road to the Golden Globes” (“Caminho para o Globo de Ouro”).
    O ator fez uma breve passagem pelo Brasil para a noite de pré-estreia do filme no Teatro do Parque, em Recife. De lá, seguiu para o Festival de Cinema de Zurique, na Suíça, onde venceu o prêmio Golden Eye.
    Wagner finalizou o mês de setembro no Festival Internacional de Cinema de Nova York.
    “É uma honra. É minha segunda vez aqui no festival, estou muito empolgado. Esse é um filme muito especial pra mim. Eu amo o fato de ser um filme bem brasileiro, dirigido por um dos maiores diretores brasileiros”, declarou o ator.
    Outubro de 2025: libera o clima de Copa, sim!
    Eu outubro, Wagner Moura fez mais uma passagem pelo Brasil. No Festival do Rio, o ator autorizou o “clima de Copa do Mundo” no caso de indicação ao Oscar, fazendo referência ao pedido de Fernanda Torres no ano anterior. A atriz havia pedido para não haver pressão exagerada em cima de “Ainda Estou Aqui”, em 2025.
    “Oxente, pode fazer clima de Copa, sim”, disse o ator, liberando a torcida nacional.
    No mesmo mês, Moura também passou pela 69ª edição do BFI London Film Festival. “É bonito ver como as pessoas têm orgulho de dizer assim: ‘é um filme brasileiro’”, comemorou o ator, enaltecendo mais uma vez a obra nacional.
    Ele ainda retornou ao Brasil para a exibição do filme na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
    Antes, o ator ainda participou de um evento de divulgação do filme em São Paulo e disse que, com as indicações que o filme vinha recebendo, ele começava a ver “um caminho para o Oscar”.
    Novembro de 2025: estreia nacional
    Wagner Moura é entrevistado por Kelly Clarkson e cantora diz que ator fica sexy sambando
    Reprodução/YouTube
    Em novembro, “O agente secreto” fez sua estreia nacional. Wagner passou por Salvador, sua cidade natal, em um evento que aconteceu no Cine Glauber Rocha. Na varanda do prédio histórico, Wagner dançou ao som da música “O baiano tem o molho”, do cantor Kannalha. O hit do verão do artista virou a música que embala a campanha de “O Agente Secreto” e Wagner Moura ao Oscar
    Enquanto milhões de expectadores brasileiros assistiam ao filme nos cinemas do país, Wagner embarcava para mais alguns compromissos.
    O ator esteve no Governors Awards, cerimônia anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) em Los Angeles. E ainda passou por Paris, onde foi capa de algumas revistas.
    Em novembro, ele também participou do “The Kelly Clarkson Show” e iniciou a conversa citando o fato de “O agente secreto” ser seu primeiro filme em português após 12 anos. “Isso é insano. É algo tão libertador. Eu não sei por que esperei todos esses anos”, afirmou o ator. O cantor ainda mostrou todo seu molejo sambando no palco do programa.
    Dezembro de 2025: breve pausa no tour
    Wagner começou o mês de dezembro recebendo mais um prêmio: ele levou o Prêmio de Performance no IndieWire Honors, em Los Angeles, nos EUA.
    Dias depois, celebrou a indicação de Melhor Ator ao Globo de Ouro. O filme também foi indicado – e venceu, em janeiro — nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Filme de Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro 2026.
    O ator estava no Aeroporto da Cidade do México junto a Kleber Mendonça Filho quando recebeu a notícia das indicações.
    “Muito bonito ver a conexão de um povo com sua cultura, com seus artistas, com sua arte. Fico muito emocionado e muito feliz”, disse o ator na ocasião. Ali ele também anunciou uma breve pausa na campanha ao Oscar, que foi retomada logo no início de janeiro.
    Janeiro de 2026: mês sem pausas
    Wagner começou o ano com o mês mais movimentado do tour. Logo no início de janeiro, participou do New York Film Critics Circle Awards. Além de sair premiado como Melhor Ator (o longa também venceu como Melhor Filme Internacional), o brasileiro também foi homenageado no cardápio do evento, que trazia um drink especial chamado Wagner Moura-tini.
    Durante agradecimento ao prêmio, Wagner afirmou:
    “Quero agradecer aos brasileiros, porque durante esse tempo, fascistas perseguiram jornalistas, universidades, artistas, e eles fazem isso de maneira muito eficiente transformando artistas em inimigos do povo à sua maneira populista. E foi lindo ver brasileiros no ano passado torcendo por ‘Ainda Estou Aqui’, torcendo por nós.”
    Wagner Moura no Globo de Ouro
    Etienne Laurent / AFP
    “Nenhum país se desenvolve sem se ver. Temos que nos ver em nossas produções, em nossos filmes, no teatro, o que fazemos em nossa cultura. Isso é para todos os brasileiros que torcem por nós.”
    Ele também participou do talk show “Late Night with Seth Meyers”, onde falou de sua carreira. Foi lá que ele também relembrou o motivo de não estar presente na premiação de Cannes. O ator havia sido escalado para uma diária extra do filme que estava gravando em Londres.
    “Eu não podia simplesmente dizer: ‘Não posso ir, talvez eu ganhe um prêmio em Cannes!’, e apenas aceitei […] Eu estava me preparando para gravar, e um amigo me ligou em vídeo. Ele começou a mostrar Kleber Mendonça Filho e falou: ‘Você venceu!’. Na sequência me chamaram para a cena, e eu não podia falar que tinha ganhado o prêmio porque não conhecia ninguém. E a cena em questão era só eu pegando o cocô de um cachorro.”
    Ainda em janeiro, o ator esteve na Tea Party do Bafta, em Los Angeles. O evento é um esquenta da premiação, que aconteceu em fevereiro.
    Dias depois, Wagner recebeu mais um prêmio. Desta vez, como Melhor Ator em filme de drama no Globo de Ouro. O filme também venceu na categoria de melhor filme em língua não-inglesa.
    “Meus colegas indicados, vocês são atores extraordinários, eu compartilho esse prêmio com vocês. Kleber Mendonça Filho, irmão, você é um gênio e eu agradeço por isso e por muitas outras coisas”, agradeceu Wagner no palco.
    “O agente secreto é um filme sobre memórias – ou a falta de memória — e o trauma geracional. Eu acho que se o trauma pode passar de geração para geração, valores também podem. Para aqueles que estão seguindo seus valores em momentos difíceis, para nossos filhos, para nossa vida juntos, pra todo mundo no Brasil assistindo isso agora. Viva o Brasil, viva a cultura brasileira.”
    Dias após a premiação, Wagner estava no sofá do “The Drew Barrymore Show”. Por lá, não falou apenas sobre o filme, mas também do desafio de ser pai de três adolescentes. “Ser pai é o que define principalmente a minha vida. Ser artista também, mas ser pai está acima de tudo. E é uma aventura. Você comete erros, diz coisas que não deveria ter dito, toma decisões que não deveria ter tomado. O que aprendi é que temos de nos perdoar.”
    No final do mês, Wagner recebeu a notícia das indicações do filme ao Oscar no local que melhor representa sua fase de campanha: no avião. O preparador de elenco Leonardo Lacca foi o responsável por atualizar o ator. E contou o que ele disse na ocasião: “Léo, você é sempre o arauto das notícias incríveis quando estou em situação de não poder comemorar e abraçar ninguém”.
    Além das premiações, o ator também participou do podcast The Hollywood Reporter’s Awards Chatter.
    Em um dos trechos da entrevista, ele falou sobre seu diferencial em filmes internacionais. “Eu sempre me senti muito brasileiro. E acho que é isso que me faz diferente e talvez especial para um filme, é o fato de eu não ser daqui. Eu trago minha cultura. E eu nunca entendi atores que tentavam perder seus sotaques. Eu sou um ator brasileiro e eu represento um monte de gente que vive aqui nesse país e fala com sotaque.”
    Fevereiro de 2026: sprint final
    Foto oficial dos indicados ao Oscar
    Richard Harbaugh / The Academy
    No início de fevereiro, Wagner participou do almoço dos indicados ao Oscar e posou com todos para a tradicional foto.
    No mesmo mês, esteve no Santa Barbara International Film Festival, onde recebeu o Virtuoso Award. Durante entrevista na premiação, ele foi questionado sobe o fato de ser o primeiro brasileiro indicado ao Oscar.
    “Claro que estou muito feliz e honrado. E realmente espero que isso abra espaço pra que isso aconteça não só com brasileiros, mas com atores sul-americanos. Temos atores incríveis na Argentina, Peru, Chile, Bolívia, Colômbia, Venezuela. E também sinto que este é um bom momento para isso. Acho que a Academia está cada vez mais aberta”, disse.
    O ator seguiu nos Estados Unidos para o Spirit Awards, premiação do cinema independente. E no mesmo mês, ainda voou para Londres, para participar do Bafta. Mas o longa não venceu as categorias nas quais estava indicado.
    Mas foi lá que Wagner falou sobre os meses em campanha do filme.
    “Tem sido extraordinário. Estamos nessa jornada desde maio, desde Cannes, e estamos muito emocionados por toda a atenção que esse filme vem recebendo desde que foi lançado. E agora com o Oscar, com o Bafta. Isso não acontece o tempo todo. Então estamos muito animados. Estamos muito emocionados por estar com esse filme falado em português. É um filme muito brasileiro.”
    Março de 2026: só acaba quando termina
    Às vésperas da premiação, Wagner Moura participou do talk show americano “Jimmy Kimmel Live!”.
    O ator levou um pouco da cultura nacional ao programa e apresentou os bonecos gigantes de Olinda. “É um boneco gigante, algo muito tradicional no carnaval. O carnaval é muito importante no Brasil e isso é em Olinda, onde eles têm a tradição de fazer esses bonecos gigantes”, disse.
    Ele ainda brincou sobre a possibilidade de levar a alegoria ao Oscar: “Vou tentar”.
    Dias antes da grande festa do Oscar, foi ao ar uma entrevista de Wagner com a influencer Amelia Dimoldenberg. A gravação aconteceu em fevereiro, no tradicional almoço em homenagem aos indicados.
    Wagner falou sobre a carreira, o Brasil, a dieta vegana que fez após “Narcos” e o carnaval — mais uma vez, enaltecendo a cultura nacional.
    “É uma coisa tão libertadora. As pessoas esperam o ano inteiro pelo carnaval no Brasil. O ano só começa depois do carnaval. É uma época incrível, em que você encontra pessoas que vê em situações formais, como um gerente de banco, em um outro tipo de interação.”
    Wagner Moura apresenta bonecos gigantes do Olinda no ‘Jimmy Kimmel Live!’
    Reprodução/YouTube
  • O que é um riacho intermitente e por que leito ‘renasceu’ no Sertão do Piauí; VÍDEO

    O que é um riacho intermitente e por que leito ‘renasceu’ no Sertão do Piauí; VÍDEO

    O que é um riacho intermitente e por que leito ‘renasceu’ no Sertão do Piauí; VÍDEO
    Vídeo mostra momento em que água volta a correr em riacho no Piauí após 8 meses de seca
    “A imagem que é a alegria do nordestino. Ô, potência”. Foi assim que uma das testemunhas expressou o sentimento da comunidade Peixe, na zona rural de Massapê do Piauí, ao ver o riacho Boa Vista ‘renascer’ após 8 meses seco. O vídeo da água preenchendo o leito seco foi gravado no último dia 1º no Sertão piauiense e viralizou nas redes sociais.
    A imagem foi captada pelo criador de conteúdo Rafael Coutinho, que também resumiu a sensação de ver o riacho cheio novamente. Ele não mora no povoado, mas foi para o local fazer o registro. “Foi uma emoção muito grande”, disse. (leia mais abaixo)
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    Fenômeno considerado comum no semiárido, os rios e riachos ‘intermitentes’, como é o caso do Boa Vista, existem apenas durante o período chuvoso. O ressurgimento deles depende, principalmente de cabeças d´água, que são chuvas com volume grande na cabeceira do riacho, que flui para as áreas secas. No período de estiagem, o fluxo é interrompido e a água evapora. (entenda no infográfico)
    Nesta reportagem, o g1 explica o que provocou a cheia do Rio Boa Vista, que faz parte da Bacia do Rio Parnaíba e desagua no rio Itaim, e como o riacho afeta a rotina dos moradores da comunidade de Massapê do Piauí, no interior do Estado.
    Infográfico: o que é um corpo d´água intermitente e como ele ocorre
    Arte/g1
    🌵🌧️Impactos da seca e a volta da chuva
    O riacho Boa Vista atingiu um metro de profundidade 13 dias após a gravação do vídeo. Antes, ficou completamente seco entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, período de ausência de chuvas – única fonte de abastecimento do corpo d´água.
    Em fevereiro o município de Simões, bem próximo da região e por onde o riacho também passa, registrou um acumulado de 200 mm de chuva. Apenas no dia 1° de março, na região foram entre 90 mm e 100 mm de chuva, acumulado superior ao esperado para o período, e segundo o Climatempo, há previsão que a chuva continue na próxima semana na região.
    Segundo o secretário de Agricultura de Massapê do Piauí, Eduardo Barros, a seca prolongada impôs dificuldade à manutenção das plantações e rebanhos na região, base da economia local.
    “A gente tem ações que perduram o ano todo [ na comunidade], como entregas de mudas e um programa de aração de terras. Infelizmente, como a seca se prolongou esse ano, fizemos a doação de cestas básicas e continuamos com os carros-pipas para o abastecimento aos moradores”, disse o secretário.
    🔎Entenda: a aração da terra melhora a capacidade do solo de lidar com a falta de água e aumenta a retenção da água se a terra for irrigada.
    🏞 💦Curso do riacho
    Segundo a Defesa Civil do Piauí, conforme a chuva se intensificou na região do Médio Canindé, a água começou a encher primeiro as ramificações do riacho – que estavam secas -, até que todo o percurso se interligou ao leito principal do Rio Boa Vista.
    No entanto, o climatologista Pedro Aderaldo, da Secretaria de Meio Ambiente do Piauí, disse que a origem do fluxo que desaguou em Massapê do Piauí está na vizinha Simões.
    “As primeiras chuvas [em Simões] encheram o leito principal [do Rio Boa Vista] e começaram a escoar. Depois essa água vai correr para o Rio Itaim, que deságua no Rio Canindé. Esses rios correm centenas de quilômetros para encontrar o rio principal, que é o Parnaíba, que se direciona para o mar”, explicou a hidrografia da região.
    O pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil, Roberto Fernandes, afirma que a bacia do Rio Parnaíba abrange quase todo o Piauí e áreas do Ceará, Bahia e Maranhão.
    Roberto cita que alguns rios do Piauí também apresentam trechos intermitentes. “O Poti só tem água o ano todo, mais ou menos, a partir de [da cidade de] Prata do Piauí. Enquanto o [rio] Piauí é intermitente em praticamente todo o percurso. Tudo o que chove na região vai para o Parnaíba e deságua na foz do Oceano Atlântico [pelo Delta do Parnaíba]”, diz.
    ☀️Piores estiagens
    O agricultor Francisco Raimundo, de 60 anos, conhece bem o alívio de ver o riacho Boa Vista cheio depois de meses seco. Nascido e criado em Massapê do Piauí, ele já enfrentou outras secas.
    A propriedade dele é cortada pelo riacho e tem uma cacimba — escavação usada para captar água — com quase 8 metros de profundidade. É essa água subterrânea que mantém as plantações e os animais.
    “Lembro que ele ficou sem água em 1983, 1993 e 2012. Mas, mesmo não correndo água, o lençol que passa debaixo do riacho supriu todas as necessidades. Agora, se passasse para o segundo ano [sem chuvas], acho que ficaria mais complicado”, analisou o agricultor.
    Agricultor Francisco Raimundo dentro do riacho após as chuvas e cacimba usada para agricultura.
    Reprodução/ Montagem G1
    🍀Superstição
    Rafael Coutinho, autor do vídeo gravado no povoado Peixe, mora em Massapê do Piauí desde criança, mas não vive no Povoado Peixe, onde o vídeo foi gravado. Ele conta que, na infância, ouvia dos mais velhos que quem presenciasse a chegada da água “não morreria mais”.
    Criador de conteúdo Rafael Coutinho registrou cheia de riacho após oito meses de seca
    Arquivo pessoal
    “Nos períodos em que fica seco, tudo fica difícil para todo mundo. A água fica pouca, não tem alimento para os animais. Quando o riacho enche vem a felicidade, os peixes começam a aparecer, tem aquela fartura. Com certeza vai ter gente comemorando e ficando alegre”, disse o criador de conteúdo.
    Em uma rede social, a prefeitura de Massapê do Piauí publicou um vídeo que mostra uma passagem molhada do riacho na comunidade Boa Vista com uma mensagem celebrando a beleza e renovação da paisagem.
    “Além de marcar a beleza da natureza, o Rio Boa Vista representa sustento, tradição e esperança para muitas famílias. Ver suas águas retornando é motivo de satisfação e gratidão para todo o povo massapeense.”, dizia trecho do post. (assista ao vídeo abaixo)
    Vídeo postado pela Prefeitura de Massapê mostra imagem aérea do Rio Boa Vista.
    💧 O que esperar agora
    Com o período chuvoso, iniciado em março, previsto para terminar entre maio e junho, a prefeitura de Massapê do Piauí já planeja medidas para apoiar moradores e produtores quando a seca retornar.
    Segundo o secretário Eduardo Barros, o programa de aração de terras deve continuar, e a prefeitura pretende distribuir kits de irrigação.
    Além dos carros-pipa que atuam durante todo o ano, a prefeitura está preparando máquinas para perfurar novas cacimbas e ampliar o acesso à água subterrânea, usada tanto no consumo quanto na produção agrícola.
    VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube
  • Coreia do Norte lança mísseis no mar enquanto EUA e Coreia do Sul realizavam exercícios militares

    A Coreia do Norte disparou mais de 10 mísseis balísticos no mar neste sábado (14), segundo militares da Coreia do Sul. Os lançamentos ocorreram durante exercícios militares dos EUA e da Coreia do Sul.
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    No início da madrugada, a guarda costeira do Japão afirmou ter detectado o que poderia ser um míssil balístico que caiu no mar. O objeto parece ter caído fora da zona econômica exclusiva do Japão, disse a emissora pública ‘NHK’, citando os militares.
    Os mísseis foram lançados de uma área próxima à capital da Coreia do Norte, Pyongyang, em direção ao mar na costa leste do país, segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul. Segundo o Ministério da Defesa do Japão, os mísseis atingiram uma altitude de 80 km e percorreram cerca de 340 km.
    A Coreia do Norte tem testado uma ampla gama de mísseis balísticos e de cruzeiro por mais de duas décadas em um esforço para desenvolver meios de lançar armas nucleares.
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    Como resultado, Pyongyang está sob múltiplas sanções do Conselho de Segurança da ONU desde 2006.
    A Coreia do Sul e os Estados Unidos iniciam os exercícios militares anuais nesta semana. Segundo os países, as práticas são defensivas, visando testar a prontidão contra ameaças militares da Coreia do Norte.
    Centenas de soldados dos EUA e da Coreia do Sul realizaram exercícios de travessia de rios neste sábado com equipamentos que incluem tanques e veículos blindados de combate, supervisionados pelo comandante de suas forças combinadas. Os militares dos EUA têm cerca de 28,5 mil soldados e esquadrões de caças estacionados na Coreia do Sul.
    A Coreia do Norte frequentemente demonstra indignação com tais exercícios, afirmando que são “ensaios gerais” para uma agressão armada dos aliados contra o país.
    Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Min-seok, se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, para discutir formas de reabrir o diálogo com o Norte. Trump está ansioso por qualquer oportunidade de se sentar com o líder norte-coreano Kim Jong Un, disse Kim aos repórteres.
  • ‘Por que vou te pagar se posso fazer com o ChatGPT?’: freelancers contam perrengues do mercado de trabalho com a IA

    ‘Por que vou te pagar se posso fazer com o ChatGPT?’: freelancers contam perrengues do mercado de trabalho com a IA

    ‘Por que vou te pagar se posso fazer com o ChatGPT?’: freelancers contam perrengues do mercado de trabalho com a IA
    Como a IA está impactando o trabalho de freelancers
    A ideia de que “a inteligência artificial vai roubar o seu trabalho” nunca pareceu tão próxima da realidade.
    Empregadores têm usado ferramentas como ChatGPT e Gemini para realizar tarefas antes delegadas a outros profissionais, como escrever, traduzir e criar imagens.
    Mesmo quando não são diretamente substituídos, trabalhadores precisam lidar com uma nova realidade em que essas ferramentas estão cada vez mais presentes.
    Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), junto com o Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK), divulgado em maio de 2025, mostrou que um em cada quatro empregos no mundo está potencialmente exposto à transformação pela IA generativa.
    Mariana Del Nero, Cássio Menezes e Maria Fernanda
    Acervo pessoal
    Os impactos dessas mudanças, segundo a ONU, são variados e vão desde ganho de produtividade até a perda de postos de trabalho.
    Para saber mais sobre esse cenário, o g1 conversou com freelancers de diferentes áreas. Por estarem em contato direto com diversas demandas, eles têm sentido profundamente os efeitos dessas transformações. Confira os relatos.
    Além disso, confira no final da reportagem dicas para se manter relevante no mercado de trabalho frente às IAs.
    ‘Minha cliente há 10 anos usou uma IA para fazer o meu trabalho’, diz produtora de conteúdo
    Mariana Del Nero, criadora de conteúdo freelancer
    Acervo pessoal
    Mariana Del Nero, de 38 anos, é publicitária e trabalha há 15 anos como produtora de conteúdo, com foco em redação de textos para agências de publicidade.
    Em 2024, ela perdeu um trabalho de uma cliente que atendia há mais de uma década para uma IA.
    O “job” era escrever um convite para um evento corporativo de uma empresa.
    Mariana conta que avisou que poderia fazer o texto cerca de meia hora depois que o pedido foi feito. Mas, em poucos minutos, a contratante enviou no grupo de WhatsApp — que incluía o cliente da agência e a própria Mariana — um texto pronto.
    “Percebi na hora que tinham feito com IA”, afirma. “Foi aí que eu entendi que, para tarefas simples, as IAs já estavam me substituindo”.
    Depois do episódio, ela diz que passou um período se sentindo perdida e refletindo sobre os próximos passos da carreira. A conclusão foi que resistir à tecnologia não seria uma opção.
    “A solução foi aumentar meu leque de conhecimento dessas ferramentas e me posicionar como a pessoa que fica por trás da IA, usando a tecnologia a meu favor”, afirma. Desde então, passou a utilizar com mais frequência plataformas como o ChatGPT no dia a dia.
    Segundo Mariana, o uso dessas ferramentas reduziu drasticamente o tempo de execução das tarefas.
    “O que antes eu levava duas horas para fazer, hoje faço em 15 minutos, com a mesma qualidade”, diz.
    Mas isso não significou aumento de rendimento. O problema, segundo ela, é que a demanda por trabalhos pontuais diminuiu, o que ela acredita estar diretamente ligado ao avanço da IA.
    ‘Cobrava de R$ 3 a R$ 4 mil; hoje cobro R$ 1,5 mil e acham caro’, diz designer
    Cássio Menezes, designer gráfico
    Acervo pessoal
    “Por que você tá cobrando esse valor se eu posso ir no ChatGPT e fazer?”. Foi isso que Cássio Menezes, de 35 anos e designer gráfico há mais de uma década, ouviu de um cliente em outubro de 2025. Depois disso, o contratante desistiu do serviço.
    Cássio estava cobrando R$ 1,6 mil para criar toda a identidade visual de uma marca — incluindo paleta de cores, cartão de visita e outros itens. Segundo ele, o valor já representava uma redução significativa: há cerca de três anos, ele cobrava em torno de R$ 3 mil pelo mesmo pacote.
    “Com essa tecnologia, as pessoas acham que o nosso trabalho é fácil e desvalorizam. Pensam que é só colocar um prompt e pronto. Agora, mesmo com os valores reduzidos, ainda tem gente reclamando”, afirma.
    Segundo Cássio, a presença da IA também alterou o perfil das vagas na área criativa. Para ele, empresas passaram a exigir que um único profissional acumule múltiplas funções.
    “Todo dia eu procuro vagas no LinkedIn, e a maioria paga muito mal e pede várias habilidades ao mesmo tempo”, diz. “Querem alguém que faça tráfego pago, marketing, social media, tudo em uma única contratação — para pagar menos. A justificativa é que a IA faz isso de forma rápida e simplificada”, diz.
    Nesse cenário, Cássio diz que sente “cada vez menos prazer em trabalhar e se profissionalizar na área”.
    “Dá um desânimo. Parece que quanto mais investir na minha carreira, menos clientes eu vou ter, porque eles querem pagar cada vez menos”, afirma.
    ‘Maior parte do trabalho hoje é revisão de IA’, diz tradutora
    Maria Fernanda, tradutora
    Acervo pessoal
    Maria Fernanda, de 34 anos, trabalha como tradutora freelancer há cinco anos.
    Ela conta que desde o início de 2024 sentiu uma mudança grande nas ofertas de trabalho por causa do aumento do uso da IA pelos clientes, sejam pessoas físicas ou empresas.
    “Hoje, a maior parte das ofertas de trabalho é para revisão de textos traduzidos pela IA”, diz.
    Segundo ela, a remuneração por esse trabalho é menor do que a tradução completa de um texto, mas isso não impactou o seu faturamento, porque o tempo de trabalho de revisão é menor, o que possibilita que ela aceite mais trabalhos.
    Maria acredita que essas mudanças foram maiores para tradutores que trabalham com materiais técnicos (legais e médicos, por exemplo) e publicitários, como ela. Isso porque, segundo ela, na área literária, a tradução humana do texto completo ainda predomina.
    ➡️Como se manter relevante frente às IAs
    As ferramentas de IA estão movimentando o mercado de trabalho — e isso deve continuar acontecendo nos próximos anos.
    Para se manter relevante nesse cenário, a dica é valorizar e investir nos aspectos criativos e exclusivos do trabalho, segundo a professora Luciana Morilas, especialista em trabalho da FEA-USP.
    “A criatividade não é previsível por algoritmos, é algo da natureza humana. A máquina jamais vai ser criativa”, diz.
    Além disso, Luciana destaca que é importante não “demonizar” a IA e aprender a implementá-la no dia a dia para não “ficar para trás” no mercado.
    “Existem muitas ferramentas de IA que o profissional pode e deve usar a seu favor, seja para transcrever áudios, organizar cronogramas, entre outras atividades simples”, afirma.
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  • Entenda como o STF pode afetar eleição indireta no RJ, com aliados de Lula e Bolsonaro na disputa

    Entenda como o STF pode afetar eleição indireta no RJ, com aliados de Lula e Bolsonaro na disputa

    Entenda como o STF pode afetar eleição indireta no RJ, com aliados de Lula e Bolsonaro na disputa
    Lei que define regras para eleição indireta para governador é questionada no STF
    O Partido Social Democrático (PSD) foi na sexta-feira (13) no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a lei – aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e sancionada pelo governador Cláudio Castro (PL) – que estabelece as regras para uma eventual eleição indireta para governador do estado. A ação será relatada pelo ministro Luiz Fux.
    A lei foi aprovada pela Alerj e sancionada nesta semana. O texto determina que, caso a eleição indireta seja realizada, o voto dos deputados estaduais seja nominal e aberto.
    No pedido enviado ao STF, o PSD argumenta que a regra fere um dos princípios centrais do processo eleitoral: o sigilo do voto.
    Segundo o partido, “a determinação do voto aberto fere diretamente um dos principais pilares que garante a legitimidade do processo eleitoral, seja qual for a sua modalidade de realização, que é o voto secreto”.
    A eleição indireta só aconteceria caso o governador Cláudio Castro deixe o cargo para disputar o Senado nas eleições deste ano.
    Disputa política nos bastidores
    Janja, Eduardo Paes, Lula e André Ceciliano durante a campanha de 2022
    Raoni Alves/g1
    Nos bastidores da política fluminense, a discussão sobre voto aberto ou secreto tem impacto direto na disputa pelo eventual mandato-tampão.
    Uma das possíveis candidaturas é a de André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj. Ceciliano é filiado ao PT e tem bom trânsito entre deputados de diferentes partidos, inclusive na base do governo estadual.
    A avaliação de aliados é que o voto secreto poderia favorecer sua candidatura, permitindo que parlamentares votem de forma diferente da orientação de seus partidos.
    O PSD, autor da ação no STF, é o partido do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que é pré-candidato ao governo do estado. Paes esteve nesta semana em agenda pública ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
    Nos bastidores, aliados avaliam que uma eventual eleição de Ceciliano para o governo poderia beneficiar o grupo político de Paes e Lula no estado.
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    Possível adversário
    Da esq, para a direita: Márcio Canella e Cláudio Castro, pré-candidatos ao Senado; Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência; e Douglas Ruas e Rogério Lisboa, pré-candidato e vice ao governo
    Reprodução/Instagram
    Outro nome cotado para disputar a eleição indireta é o do secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas. Ele é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.
    Ruas também foi anunciado pelo PL como pré-candidato ao governo do estado nas eleições de outubro e conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo partido.
    Se eleito no mandato-tampão, ele poderia disputar a reeleição com a máquina do governo estadual.
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    Possível impedimento
    Apesar das articulações políticas, tanto Ceciliano quanto Ruas podem acabar impedidos de disputar a eleição indireta.
    Isso porque a ação apresentada ao STF também sustenta que ocupantes de cargos no Executivo precisam deixar as funções seis meses antes da eleição — regra conhecida como desincompatibilização.
    Como a eventual eleição indireta teria que ocorrer ainda no primeiro semestre, não haveria prazo suficiente para que os dois deixassem os cargos dentro do período exigido.
    Decisão de Castro ainda indefinida
    A possibilidade de eleição indireta domina os bastidores da política do Rio nos últimos meses, mas depende de uma decisão do governador Cláudio Castro: renunciar ou não ao cargo.
    Nesta quinta-feira, Castro se reuniu com aliados no Palácio Laranjeiras, mas ainda não anunciou se deixará o governo para disputar o Senado.
    O prazo final para a renúncia é 4 de abril.
    Antes disso, no entanto, o governador enfrenta outro fator de pressão. No dia 24 de março, o Tribunal Superior Eleitoral retoma o julgamento que pode levar à cassação de seu mandato no processo relacionado ao escândalo do Ceperj.
    Até agora, o placar está em dois votos a zero pela cassação e pela inelegibilidade do governador. Partido questiona lei aprovada pela Alerj que prevê voto nominal de deputados; ação será relatada pelo ministro Luiz Fux.
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  • Influenciadora com alteração genética rara faz trend de ‘rejuvenescimento’ junto com amiga que tem a mesma condição

    Influenciadora com alteração genética rara faz trend de ‘rejuvenescimento’ junto com amiga que tem a mesma condição

    Influenciadora com alteração genética rara faz trend de ‘rejuvenescimento’ junto com amiga que tem a mesma condição
    Influenciadora com alteração genética rara faz trend de ‘rejuvenescimento’
    As influenciadoras Giovanna Lima e Pamella Sandy, que têm piebaldismo, participaram de uma trend de “rejuvenescimento” nas redes sociais ao lado da bebê Vitória, filha de Pamella, que também nasceu com a mesma condição genética. A condição genética provoca áreas brancas na pele e no cabelo desde o nascimento.
    No vídeo, Pamella aparece primeiro dizendo que gostaria de ficar mais nova e simula passar um creme no rosto. Em seguida, surge Giovanna Lima. Depois, Pamella diz que talvez queira ficar ainda mais nova, e então aparece Vitória, bebê que também tem piebaldismo.
    A trend chama atenção porque as três têm a condição genética, caracterizada por manchas brancas na pele e no cabelo devido à ausência de pigmentação.
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    Giovanna Lima, influenciadora que compartilha nas redes sociais a rotina e informações sobre o piebaldismo, condição genética que causa despigmentação na pele e no cabelo
    Reprodução/Instagram de Giovanna Lima
    Condição genética desde o nascimento
    A influenciadora Giovanna Lima, de 23 anos, mora em Goiânia e explicou que o piebaldismo se manifesta desde o nascimento.
    “No meu caso, essa condição se manifesta principalmente pela despigmentação em algumas áreas do cabelo e da pele, que já são brancas desde que eu nasci”, contou ao g1.
    Como a característica é visível desde o nascimento, ela diz que não houve exatamente um momento de diagnóstico.
    “Assim que nasci meus pais me levaram ao dermatologista, que explicou sobre a condição e os cuidados necessários. Ao longo do tempo fui entendendo melhor o que era e aprendendo mais sobre o piebaldismo”, afirmou.
    Giovanna também contou que conheceu Pamella Sandy pela internet, depois que seguidores passaram a marcar as duas nas redes sociais e sugerir que se encontrassem. Segundo ela, quando finalmente se conheceram pessoalmente, a conexão foi imediata e as duas desenvolveram uma amizade próxima. Hoje, Giovanna diz que considera Pamella e a filha dela como parte da família e que gravar conteúdos juntas acabou acontecendo de forma natural, já que ambas falam sobre o piebaldismo nas redes sociais.
    Giovanna Lima, influenciadora que compartilha a rotina e informações sobre o piebaldismo
    Reprodução/Instagram de Giovanna Lima
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    Mãe e filha com a mesma condição
    A influenciadora Pamella Sandy, de 33 anos, também tem piebaldismo e é mãe da pequena Vitória, que nasceu com a mesma condição genética. Segundo ela, a possibilidade de ter uma filha com as mesmas características sempre fez parte dos seus desejos.
    Pamella conta que, desde o nascimento da filha, procura tratar o piebaldismo com naturalidade e incentivar a menina a crescer com autoestima. Mesmo ainda bebê, Vitória já é ensinada a enxergar as manchas como parte da própria identidade.
    “Meu sonho era ter uma princesa manchadinha, com cabelo branco igual o meu. Mais do que imaginar essa história, eu sonhei com ela”, contou.
    A influenciadora Pamella Sandy e a filha Vitória, que também tem piebaldismo
    Reprodução/Instagram de Pamella Sandy
    Autoestima e redes sociais
    Giovanna contou que, durante a adolescência, passou a se incomodar mais com as manchas.
    “Foi nessa fase que comecei a enxergar as manchinhas como um problema. Eu tentava esconder usando maquiagem, roupas de manga longa e evitava mostrar”, disse.
    Segundo ela, o envolvimento com as redes sociais começou sem planejamento, após um vídeo publicado no TikTok viralizar.
    “Eu nunca tinha postado muito. Gravei um vídeo mais para salvar mesmo, sem pensar muito. Só que ele começou a viralizar e chegou a milhões de visualizações. Percebi que poderia ajudar muitas pessoas que passam por inseguranças parecidas a se sentirem mais representadas e confiantes”, afirmou.
    Hoje, ela usa as redes para falar sobre a condição e incentivar outras pessoas a se aceitarem.
    O que é piebaldismo
    De acordo com o dermatologista Adriano Loyola, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Goiás, o piebaldismo é uma condição genética rara presente desde o nascimento e que afeta cerca de 1 a cada 20 mil pessoas. No Brasil, a estimativa é de que entre 8 mil e 12 mil pessoas tenham a condição.
    Segundo o médico, a alteração acontece porque uma mutação impede que melanócitos, células responsáveis pela produção de pigmento, cheguem a determinadas áreas da pele e do cabelo durante o desenvolvimento fetal.
    “Por isso surgem áreas brancas na pele e no cabelo, já que essas regiões não produzem melanina”, explicou.
    Loyola destaca que o piebaldismo costuma ser confundido com o vitiligo, mas as duas condições têm origens diferentes.
    “O piebaldismo é genético e já aparece desde o nascimento, com ausência de melanócitos nessas regiões. Já o vitiligo é uma doença autoimune, que pode surgir em qualquer idade e ocorre quando o próprio organismo destrói essas células”, afirmou.
    Segundo o dermatologista, o piebaldismo provoca apenas alterações na pigmentação e não compromete a saúde geral das pessoas. No entanto, como essas áreas não têm melanina, a pele fica mais sensível ao sol, o que aumenta o risco de queimaduras. Por isso, é recomendado o uso regular de protetor solar e cuidados com a exposição solar.
    Influenciadoras com piebaldismo aparecem em vídeo com bebê que também tem a condição
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  • Plano de saúde suspende remédio de idosa com câncer pela segunda vez em menos de um ano

    Plano de saúde suspende remédio de idosa com câncer pela segunda vez em menos de um ano

    Plano de saúde suspende remédio de idosa com câncer pela segunda vez em menos de um ano
    Família luta por tratamento de câncer de idosa após plano suspender medicamento em Araras
    Uma paciente de 74 anos enfrenta dificuldades para continuar o tratamento contra o câncer de pulmão com metástase no cérebro após o plano de saúde suspender o fornecimento do medicamento de imunoterapia.
    A família de Luiza Ferreira Lima da Cunha, que paga o convênio há 26 anos, teve que entrar na Justiça para tentar conseguir o remédio.
    Em nota, o São Luiz Saúde informou que já tomou providências para regularizar parte das demandas e que a situação tende a ser normalizada nos próximos dias. A empresa não detalhou quais medidas foram adotadas nem o prazo para solução.
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    Luta pela vida
    A aposentada Luiza Ferreira Lima da Cunha, de 74 anos, enfrenta um câncer em Araras, SP
    Wesley Almeida/EPTV
    O diagnóstico veio em junho de 2024. “Eu fui fazer uma consulta normal, estava com dor de cabeça. Aí chegou lá deu uma convulsão, aí o médico falou que era uma lesão”, relatou Luiza.
    Desde então, o maior desafio tem sido lidar com os atrasos no tratamento.“Tem vez que você fala: ‘Ai, meu Deus, será que esse remédio não vai vir? Dá uma tristeza’”, disse.
    A filha, Silvana Marques da Cunha, conta que a imunoterapia estava marcada para 20 de janeiro, mas até agora, quase dois meses depois, a mãe segue sem receber o medicamento.
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    Atraso recorrente
    Essa não é a primeira vez que o tratamento atrasa. No ano passado, a família esperou cerca de 90 dias até que a Justiça determinasse a aplicação. Agora, o atraso já chega a 60 dias novamente.
    “No último dia de prazo do juiz, aí eles chamaram para fazer no dia seguinte”, lembrou Silvana.
    Idosa luta para ter tratamento de câncer com plano de saúde que paga há 26 anos em Araras, SP
    Wesley Almeida/EPTV
    Segundo a filha, o plano não está comprando o remédio da imunoterapia. “Cada dia de atraso da medicação é um avanço da doença, uma coisa que poderia ser pelo menos se não curada, mas estabilizada. Mas e aí? Se o remédio não vem”, desabafou.
    Além da luta pela saúde, a família enfrenta o aumento da mensalidade do convênio.
    “É um desespero tremendo porque é um direito dela, porque é convênio particular. Faz mais de 26 anos que ela tem esse convênio. E a hora que você [mais] precisa”, disse a filha.
    A Justiça já aplicou multa ao plano. “Eu falei para o advogado: ‘a minha intenção não é tirar dinheiro de ninguém. Eu quero o tratamento da minha mãe. Por que que não usa esse dinheiro da multa para compra dos remédios?”, questionou.
    Veja a reportagem completa do EPTV2:
    Plano de saúde suspende medicamento de paciente de 74 anos com câncer em Araras
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  • São José dos Campos estuda segundo local para pouso e decolagem de carros voadores na cidade; entenda

    São José dos Campos estuda segundo local para pouso e decolagem de carros voadores na cidade; entenda

    São José dos Campos estuda segundo local para pouso e decolagem de carros voadores na cidade; entenda
    Protótipo de carro voador brasileiro foi testado pela 1ª vez em dezembro do ano passado
    A Prefeitura de São José dos Campos autorizou a realização de um estudo técnico para avaliar a implantação de um vertiponto em frente à Farma Conde Arena, na Zona Oeste da cidade.
    O vertiponto é uma estrutura mais simples para pouso e decolagem de aeronaves elétricas de decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs — popularmente chamadas de carros voadores.
    Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o modelo é voltado apenas para operações rápidas, sem a infraestrutura completa de embarque, desembarque e apoio operacional. O estudo vai analisar a viabilidade técnica da instalação da estrutura e possíveis impactos da operação no local.
    A escolha da área próxima à arena é considerada estratégica pela grande circulação de pessoas durante eventos esportivos e shows realizados no espaço.
    Protótipo de carro voador.
    Reprodução/Eve Air Mobility
    A proposta apresentada à prefeitura também prevê a instalação de uma usina fotovoltaica de 3 megawatts em uma área de cerca de 100 mil metros quadrados no bairro Jardim das Indústrias. A energia gerada poderia abastecer tanto o vertiponto da arena quanto um futuro vertiporto no aeroporto da cidade – leia mais abaixo.
    Segundo a administração da arena, o empreendimento foi estruturado com base em diretrizes ESG e, caso seja confirmado após os estudos técnicos, o vertiponto poderá se tornar o primeiro do país instalado em uma estrutura privada desse porte.
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    Projeto de vertiponto em São José dos Campos
    Divulgação/Prefeitura de São José dos Campos
    Projeto de vertiporto segue sem novo prazo
    Enquanto o estudo do vertiponto começa a avançar, o projeto de implantação de um vertiporto no Aeroporto de São José dos Campos segue sem prazo atualizado.
    Diferentemente do vertiponto, o vertiporto é uma estrutura mais completa, com áreas de pouso e decolagem, embarque e desembarque de passageiros e infraestrutura de apoio à operação das aeronaves.
    O projeto foi anunciado há cerca de dois anos pela administradora do terminal, a SJK Airport. Na época, a previsão era iniciar a implantação em 2025 e começar as operações em 2027, mas atualmente não há um novo cronograma definido.
    Em nota ao g1, o aeroporto informou que contribui com a área e com a experiência operacional, mas aguarda a redefinição do cronograma pela empresa responsável pelo projeto, a VertiMob, que não respondeu até a última atualização desta reportagem.
    Segundo a Anac, duas empresas foram selecionadas em um chamamento público para desenvolver modelos de vertiportos que poderão servir de referência no país: VertiMob Infrastructure Ltda e PAX Aeroportos.
    Aeroporto de São José dos Campos (SP)
    Claudio Vieira/PMSJC
    Carros voadores
    Os eVTOLs — veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, popularmente chamados de carros voadores — são produzidos em Taubaté (SP), em uma planta com capacidade para fabricar até 480 unidades por ano.
    As aeronaves seguem em fase de testes e devem entrar em operação em 2027. O modelo tem capacidade para cinco pessoas (quatro passageiros e um piloto) e autonomia de cerca de 100 quilômetros.
    A Eve, subsidiária da Embraer, prevê iniciar as entregas das aeronaves também em 2027. Atualmente, há cerca de 3 mil unidades encomendadas.
    A projeção da empresa é a de que a frota mundial de eVTOLs pode chegar a 30 mil unidades até 2045. A expectativa é que mais de 3 bilhões de passageiros sejam transportados nesse período.
    A empresa também estima que a operação e venda dos eVTOLs podem gerar receita de US$ 280 bilhões (mais de R$ 1,5 trilhão) até 2045. Em dezembro de 2025, a Eve realizou o primeiro voo de teste de um protótipo em escala real da aeronave.
    Carro voador da Eve, subsidiária da Embraer
    Divulgação
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  • O que acontece com Antônio Leopoldo após ser condenado por assassinato do juiz Alexandre Martins?

    O que acontece com Antônio Leopoldo após ser condenado por assassinato do juiz Alexandre Martins?

    O que acontece com Antônio Leopoldo após ser condenado por assassinato do juiz Alexandre Martins?
    Especialista tira dúvidas sobre prisão após condenação do Juiz Leopoldo
    A condenação do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira a 24 anos de prisão por mandar matar o juiz Alexandre Martins de Castro Filho, em 2003, levantou dúvidas sobre como funciona a prisão e o cumprimento da pena em casos como esse.
    Leopoldo foi considerado pela Justiça um dos mandantes do crime e condenado por homicídio, perda do cargo e cassação de aposentadoria. Ao final do julgamento no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), nesta quinta-feira (12), foi determinada a prisão preventiva do réu.
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    O juiz condenado foi levado para o Quartel da Polícia Militar logo após o julgamento, onde ficará preso. O advogado criminalista Rivelino Amaral explicou alguns pontos da legislação brasileira que ajudam a entender o que acontece após uma condenação desse tipo.
    Leopoldo foi o primeiro juiz do estado a perder o cargo e a aposentadoria por uma condenação de homicídio. A pena dele é de 24 anos, mas, devido à lei, pode ficar preso em regime fechado por quatro anos.
    Após condenação, Juiz Antônio Leopoldo Teixeira esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória, acompanhado pela esposa e por advogados. Espírito Santo
    Mikaella Mozer
    Entre elas, estão questões sobre o local da prisão, a possibilidade de recursos e o tempo de cumprimento da pena. Entenda abaixo:
    1. Por que Leopoldo não foi levado para um presídio comum?
    Segundo o advogado, a legislação prevê tratamento diferenciado para algumas categorias profissionais, como juízes, promotores e advogados.
    De acordo com Amaral, a Lei de Execução Penal determina que essas pessoas não cumpram prisão junto com detentos comuns.
    “Se eventualmente um juiz for ficar preso na cela junto com outros presos comuns, é fato que vai acontecer alguma coisa com a vida dele, com a saúde, com a integridade física”, explicou.
    No Espírito Santo, nesses casos, a prisão costuma ocorrer em instalações da Polícia Militar, onde os detentos ficam separados dos demais presos.
    2. Mesmo condenado, Leopoldo ainda é considerado juiz?
    Embora a decisão tenha determinado perda do cargo e cassação da aposentadoria, o advogado explica que a medida não se torna definitiva imediatamente.
    Isso ocorre porque esse tipo de decisão ainda cabe recurso em instâncias superiores, no Supremo Tribunal Judiciário (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
    “Ele ainda é juiz. Ele perde o cargo por força da decisão, mas nós temos no nosso país um princípio chamado duplo grau de jurisdição. Quer dizer, que todas as decisões cabe recurso”, disse.
    3. Leopoldo continua recebendo salário?
    Assim como a perda do cargo, a suspensão do pagamento da aposentaria ainda depende dos recursos.
    “Se a decisão fala que ele perde salário e aposentadoria, mas cabe recurso, não há que se falar em executar essa decisão neste momento”, afirmou.
    Por isso, até o julgamento final dos recursos, existe a possibilidade de que o magistrado continue recebendo remuneração.
    4. O juiz Leopoldo não poderia responder em liberdade?
    De acordo com o advogado, a legislação atual determina que condenados pelo Tribunal do Júri a penas superiores a 15 anos iniciem o cumprimento da pena imediatamente.
    A regra foi estabelecida pelo chamado Pacote Anticrime, que entrou em vigor em 2019.
    “Quem vai a júri por crime contra a vida e é condenado a mais de 15 anos já inicia o cumprimento da pena imediatamente”, explicou Amaral.
    Como Leopoldo foi condenado a 24 anos de prisão, a determinação é de início imediato do cumprimento da pena.
    5. Quanto tempo Leopoldo pode ficar em regime fechado?
    A progressão de regime depende de regras da Lei de Execução Penal, que considera fatores como a pena aplicada e a data do crime.
    Segundo o advogado, neste caso pode ser aplicada a regra de cumprimento de um sexto da pena antes da progressão.
    “Com uma pena de 24 anos, isso dá em torno de quatro anos no regime fechado. Depois ele pode progredir para o semiaberto e, posteriormente, para o aberto”, explicou.
    6. O crime poderia ter prescrito?
    Apesar de ser considerado um crime grave, o homicídio também pode prescrever caso o processo se prolongue por tempo excessivo.
    “Todos os crimes são suscetíveis de prescrição. O Estado precisa dar uma resposta à sociedade. Se demora demais, pode perder o direito de punir”, afirmou o advogado.
    Se não tivesse sido julgado nesta quinta-feira (12), o crime poderia ter prescrito quando Leopoldo completasse 70 anos, em 17 de setembro de 2027.
    Isso porque quando o réu chega a essa idade, o prazo para a prescrição é reduzido pela metade.
    O advogado do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, Fabrício Campos, na entrada de julgamento no Espírito Santo
    Fernando Madeira/ Rede Gazeta
    Defesa vai tentar reverter a prisão
    O advogado do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, Fabrício Campos, disse que vai tentar reverter de imediato o pedido de prisão.
    “Leopoldo está extremamente decepcionado, extremamente triste. Ele deve se apresentar, mas eu não tive maiores contatos com ele, porque estamos tomando as providências que são necessárias para reverter de imediato a prisão e depois elaborar os recursos para os tribunais superiores”, afirmou.
    Entenda a cronologia do caso do juiz Alexandre Martins
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    Juiz Antônio Leopoldo, condenado a 24 anos por mandar matar juiz Alexandre Martins, em 2003, em Vila Velha, Espírito Santo
    Reprodução/TV Gazeta
    Entenda o caso
    O magistrado aposentado Antônio Leopoldo Teixeira era o último acusado a ser julgado no caso. Ele foi um dos denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) como um dos mandantes do homicídio, cometido por motivo torpe e mediante promessa de recompensa.
    Desde o crime, 10 pessoas já foram julgadas por participação no caso, incluindo o juiz. Nove foram condenadas, entre executores e intermediários. As penas variam de 8 a 25 anos de prisão.
    A decisão confirmou a tese do Ministério Público de que a morte do juiz foi motivada pela atuação do magistrado contra o crime organizado.
    Durante sua atuação como juiz adjunto da 5ª Vara de Execuções Penais de Vitória, Martins identificou um esquema que envolveria facilitação ilegal de benefícios a presos, na qual o condenado teria participação, entre eles transferências de detentos.
    Leopoldo concedia benefícios irregulares a presos e determinava transferências para unidades do interior do estado para facilitar fugas e resgates. Em troca, teria recebido vantagens financeiras indevidas.
    Ainda segundo a denúncia, Leopoldo mantinha ligação com representantes do braço armado do crime organizado no estado e o gabinete dele teria sido influenciado por integrantes desse grupo. As investigações também relacionam o ex-magistrado a episódios de extorsão e abuso de poder.
    Crime de repercussão nacional
    Alexandre Martins nasceu no Rio de Janeiro, mas construiu a carreira como magistrado no Espírito Santo. Ele foi assassinado aos 32 anos, em março de 2003, em Vila Velha, quando saía de uma academia no bairro Itapoã.
    Juiz Alexandre Martins foi assassinado a tiros em Vila Velha, no Espírito Santo, em 2003
    Arquivo/ TV Gazeta
    O processo se arrastou por mais de duas décadas após uma série de recursos apresentados pela defesa de Antônio Leopoldo em diferentes instâncias da Justiça. A última condenação relacionada ao caso tinha acontecido há mais de dez anos, em agosto de 2015.
    Quem são os outros julgados pelo crime
    Condenados pelo caso do juiz Alexandre Martins, no Espírito Santo: Odessi Martins Júnior (Lombrigão), Giliarde Ferreira de Souza, André Luiz Barbosa Tavares, Leandro Celestino dos Santos, Heber Valêncio, Ranilson Alves da Silva, Fernandes de Oliveira Reis, e Walter Gomes Ferreira
    Reprodução
    Odessi Martins da Silva, o Lombrigão
    Condenado a 25 anos e 8 meses, pela execução. Assassino confesso do juiz Alexandre Martins prestou depoimentos contraditórios. Em um vídeo gravado pela polícia, Lombrigão disse ter se tratado de crime de mando.
    Na presença do advogado, ele negou o depoimento e disse que estava sob ameaça dos policiais. Odessi saiu da prisão em agosto de 2019.
    Giliarde Ferreira de Souza, o Gi
    Condenado também pela execução do juiz, a 24 anos e 6 meses de detenção. Está em liberdade desde dezembro de 2010.
    André Luiz Tavares, o Yoshito
    Condenado a 8 anos e 4 meses de prisão, em regime semiaberto. Ele emprestou a motocicleta usada no crime aos assassinos. Está solto desde 2006.
    Leandro Celestino de Souza
    Condenado a 15 anos e 2 meses de prisão, em regime fechado. Leandro emprestou a pistola 765, usada no crime.
    Recebeu benefício da Justiça e está em liberdade desde 15/10/2010.
    Heber Valêncio, sargento da Polícia Militar
    Condenado a 20 anos e 3 meses de reclusão. Responsável por intermediar o crime. Recebeu benefício da Justiça e está em liberdade desde 16/09/2009.
    Ranilson Alves da Silva, sargento da Polícia Militar
    Condenado a 15 anos de prisão. Responsável por intermediar o crime. Ele monitorou a rotina da vítima para que fosse elaborado o plano de execução. A pena progrediu para o regime aberto em maio de 2008.
    Fernandes de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção
    Condenado a 23 anos de prisão. Responsável por intermediar o crime. Fernandes foi solto em novembro de 2019, mas foi assassinado em junho de 2020.
    Walter Gomes Ferreira, coronel da reserva da Polícia Militar
    Condenado a 23 anos de prisão. Apontado como um dos mandantes, ficou em prisão preventiva por três anos. O coronel também respondia por formação de quadrilha e envolvimento em um suposto esquema de utilizar detentos para a cobrança de dívidas.
    Em 2026, ele continuava preso, mas não mais pela morte do juiz Alexandre Martins.
    Cláudio Luiz Andrade Baptista, Calú (Absolvido)
    O ex-policial civil foi acusado de mando no crime do juiz. Calú chegou a ser preso depois do assassinato de Alexandre, mas foi solto meses depois após conseguir um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF).
    No julgamento realizado em 2015, ele foi absolvido.
    Crime ocorreu em 2003
    Morte de Alexandre Martins Filho aconteceu em 2003, em Vila Velha, no Espírito Santo
    Arquivo/ TV Gazeta
    Alexandre Martins atuava na Vara de Execuções Penais e já havia recebido ameaças de morte desde 2001. Por causa disso, ele e um colega de trabalho chegaram a contar com escolta policial.
    No dia do crime, porém, o juiz estava sem proteção quando foi abordado por dois jovens armados ao chegar à academia onde costumava malhar.
    Após levar um tiro no peito, Alexandre tentou sacar a própria arma, mas caiu e foi atingido por outros disparos no ombro e na cabeça.
    Os autores confessaram o assassinato, mas alegaram inicialmente que o crime teria sido um latrocínio, roubo seguido de morte.
    A acusação, no entanto, sustenta que se tratou de crime de mando, já que o magistrado vinha sendo ameaçado e testemunhas apontaram indícios que contestam a versão de assalto. Apenas a arma do juiz foi levada.
    Relembre o caso Alexandre Martins, juiz morto há 23 anos
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