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  • Agricultor que achou possível petróleo ao furar poço no Ceará recebe ofertas para vender sítio onde líquido foi encontrado

    Agricultor que achou possível petróleo ao furar poço no Ceará recebe ofertas para vender sítio onde líquido foi encontrado

    Agricultor que achou possível petróleo ao furar poço no Ceará recebe ofertas para vender sítio onde líquido foi encontrado
    Agricultor que encontrou possível jazida de petróleo no Ceará aguarda análise da ANP
    Após encontrar um líquido parecido com petróleo ao perfurar um poço em busca de água no sítio onde mora, em Tabuleiro do Norte, o agricultor Sidrônio Moreira afirma que tem recebido propostas de compra das terras onde a possível jazida está (assista acima).
    Sidrônio vive com a esposa e dois filhos no Sítio Santo Estevão, de cerca de 48 hectares, herdado do pai. Ele encontrou o líquido escuro ao perfurar dois poços, tentando driblar a seca da região. A localidade onde mora, chamada de Baixa do Juazeiro, fica a cerca de 35 quilômetros da sede do município.
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    “Muita gente ofereceu para comprar o terreno. Quando eles falam em comprar o terreno, eu corto a ligação, porque não [quero] vender mesmo. Espero que esse andamento saia logo do papel, que se resolva, porque a gente precisa de um poço para nós aqui”, comentou Sidrônio.
    Agricultor recebe propostas de compra das terras onde mora após achar possível petróleo nelas.
    Gabriela Feitosa/g1
    Desde que o líquido preto apareceu no primeiro poço, o aposentado recebe muitas visitas. A mais aguardada, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), só aconteceu nesta quinta-feira (12), sete meses após a notificação. Agora, a família espera o laudo da ANP para saber se é mesmo petróleo.
    O g1 foi até a casa de Sidrônio para conhecer a rotina da família após a descoberta. Eles dependem de uma adutora, de carros-pipa e ainda gastam cerca de R$ 100 por mês com água mineral.
    Mesmo assim, a água não é suficiente. Sidrônio precisou vender animais e reduzir as plantações por causa da falta de abastecimento. Apesar das dificuldades e das ofertas, ele não pensa em sair das terras onde mora há 20 anos.
    Sidrônio e esposa recebem equipe do g1 em visita a Tabuleiro do Norte, interior do Ceará.
    Gabriela Feitosa/g1
    Encontro por acaso
    IFCE investiga possível descoberta de petróleo durante escavação de poço de água no Ceará
    A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor perfurava o solo em busca de água para abastecimento de animais da sua propriedade, na localidade de Sítio Santo Estevão.
    Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo.
    📍Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, mas a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo.
    A família e o IFCE procuraram a ANP ainda em julho de 2025 informando da descoberta, mas desde então a agência não havia respondido. Somente no dia 25 de fevereiro o órgão se manifestou, respondendo a um pedido de informação do g1. Na comunicação, a agência disse que iria abrir um procedimento administrativo para investigar o caso, mas que não há data de conclusão.
    Mesmo que o petróleo seja confirmado, o agricultor não poderá comercializar o combustível, uma vez que, no Brasil, riquezas encontradas no subsolo pertencem à União. Conforme a legislação brasileira, a ANP deverá confirmar se a substância é de fato petróleo; mesmo se for confirmado, o dono do terreno não poderá extrair nem vender o combustível.
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    Vídeo mostra agricultor encontrando possível poço de petróleo ao perfurar em busca de água
    Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo por acidente ao perfurar solo em Tabuleiro do Norte (CE)
    Reprodução
    ⛽O que acontece agora?
    As análises feitas pelo IFCE e Ufersa confirmaram que o líquido encontrado em Tabuleiro do Norte é um tipo de hidrocarboneto que, em termos de densidade, viscosidade, cor e cheiro, se assemelha ao petróleo encontrado nas redondezas. Apesar disso, somente após análise de um laboratório credenciado pela ANP será possível afirmar se a substância realmente é petróleo.
    Após a descoberta de uma possível jazida de petróleo e a notificação da ANP, o órgão deve iniciar uma série de procedimentos para averiguar as condições da área, como o subsolo, o tamanho do poço e a composição química do líquido.
    O território do município de Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, no entanto, a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros de distância do bloco de exploração mais próximo, o que, somado ao resultado da pesquisa do IFCE, sugere a possibilidade de realmente haver petróleo na região.
    Possível poço de petróleo no sertão, demora da ANP e busca por água: veja linha do tempo
    A descoberta de petróleo não significa necessariamente que a exploração da área seja possível ou financeiramente vantajosa. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, que serão leiloados para empresas realizarem a exploração de petróleo.
    Muitas vezes, uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrai interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, à dificuldade de extração, ao custo da instalação da operação ou mesmo à baixa qualidade do petróleo, o que exigiria mais gastos no processo de refino.
    Agricultores furaram poço em busca de água e encontraram substância semelhante a petróleo, em Tabuleiro do Norte (CE)
    Reprodução
    IFCE investiga possível descoberta de petróleo durante escavação de poço de água no Ceará
    Assista aos vídeos mais do Ceará:
  • Crise do petróleo: entenda por que a ofensiva do Irã no mar ameaça o mercado global

    Crise do petróleo: entenda por que a ofensiva do Irã no mar ameaça o mercado global

    Crise do petróleo: entenda por que a ofensiva do Irã no mar ameaça o mercado global
    Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã
    A ofensiva do Irã no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, já provoca reflexos na economia global.
    O bloqueio da passagem do Estreito, na costa iraniana, tem reduzido significativamente o fluxo de petróleo que atravessa a rota e, consequentemente, pressionado os preços da commodity, levando autoridades de diversos países a adotar medidas para conter os impactos.
    Especialistas explicam que a ação iraniana faz parte de uma estratégia de pressão internacional. Saiba mais no vídeo acima e no texto abaixo.
    Importância do Estreito de Ormuz e tomada do controle pelo Irã
    Pelo Estreito de Ormuz passam 20% de todo o petróleo produzido no planeta e até 25% do gás natural — a maior parte destinada a China, Índia, Coreia do Sul e Japão. Em condições normais, entre US$ 300 milhões e US$ 360 milhões em petróleo cruzam diariamente a passagem estreita de apenas 33 km de largura.
    Hoje, o controle do Estreito de Ormuz está nas mãos e nas minas e drones da guarda revolucionária do Irã. Na semana passada, o governo iraniano confirmou o fechamento do estreito e ameaçou incendiar o navio que tentasse atravessá-lo.
    A interrupção ocorre desde que Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques aéreos contra o Irã, em 28 de fevereiro, o que ampliou a tensão militar na região.
    Antes da escalada do conflito, a movimentação no Estreito era intensa. Agora, com o risco de minas navais e ataques, o cenário mudou completamente, com uma redução brusca no tráfego de navios na região, conforme mostrou uma ilustração exibida pelo Fantástico (veja na imagem abaixo).
    Veja mudança de movimento no Estreito de Ormuz após conflito no Oriente Médio
    Reprodução/TV Globo
    A estratégia do Irã e risco real de crise global
    Segundo analistas, a estratégia iraniana mira justamente o medo de uma crise mundial. O país já ameaçou fechar o Estreito em outras ocasiões, como em 2019, quando foi acusado de atacar petroleiros na região. Para o governo iraniano, tanto naquela época como nos dias atuais, a estratégia é deixar o mundo preocupado com uma possível crise global da economia.
    “O fechamento do Estreito de Ormuz é uma opção estratégica do Irã, no sentido de tentar conter a guerra e acabar, portanto, com a pressão contra o seu próprio território”, pontua Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica/Escola Superior de Guerra.
    Os especialistas alertam para o impactam econômico da medida:
    “A Arábia Saudita é a principal hoje exportadora de petróleo do mundo, e o petróleo saudita basicamente passa pelo Estreito de Ormuz. O petróleo hoje ainda é a principal fonte de energia do mundo. Na medida que eu tiro alguma fonte de energia da matriz reduz a oferta e automaticamente eu aumento o preço e gera inflação”, explica Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
    Minas no mar: entenda armas do Irã ameaçam crise global
    Reprodução/TV Globo
    Minas navais do Irã: os pilares da ofensiva
    A ameaça de uso de minas marítimas pelo Irã tem se tornado um dos pontos centrais da guerra naval que se desenha em meio ao conflito no Oriente Médio. Essas armas navais são operadas por duas estruturas militares do país: a Marinha tradicional iraniana e a força considerada mais temida, a Marinha da Guarda Revolucionária, especializada em operações assimétricas no mar.
    “Isso é clássico do ponto de vista da guerra naval, a utilização de minas como o movimento de interdição de portos e canais. E cada vez mais essas minas se tornam sofisticadas”, explica diz Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica/Escola Superior de Guerra.
    Os especialistas explicam que há três tipos principais de minas marítimas: minas de contato, que detonam ao toque; minas de influência, ativadas por sensores; minas remotas, controladas à distância pela Guarda Revolucionária.
    Segundo especialistas, esses artefatos podem ser lançados rapidamente e permanecer submersos sem qualquer sinal visível para quem navega, o que torna a navegação perigosa:
    “O navio não tem como detectar a existência de minas. Seria uma navegação muito arriscada”, afirma Eduardo Tannuri, professor de Engenharia Mecatrônica/USP.
    O uso de minas navais pelo Irã remete a episódios históricos. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, cerca de duas mil minas foram espalhadas no Golfo Pérsico pelo regime de Saddam Hussein, impactando diretamente no abastecimento energético de outros países — inclusive o Brasil.
    “O risco era bater numa mina, realmente tem uma explosão e um incêndio. A guerra começou a demorar um pouco mais do que o previsto. O país, o Brasil começou a entrar em crise de racionamento, posto fechando à noite, hospitais precisando de energia, onde tem termelétrica. Então virou missão, né? Então tem que correr o risco, tem que ser corrido por conta da necessidade do país”, relembra José Menezes Filho, ex-comandante de petroleiro.
    Minas no mar: entenda armas do Irã ameaçam crise global
    Reprodução/TV Globo
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    EUA reagem e conflito escala
    Na batalha marítima atual, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que um dos seus alvos é aniquilar a Marinha iraniana. O presidente americano afirmou que os EUA derrubaram 42 embarcações iranianas. Também nesta semana, um submarino americano afundou uma fragata iraniana perto do Sri Lanka, em uma ação sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. Ao menos 87 corpos foram encontrados, e 32 pessoas foram resgatadas.
    Trump disse no domingo passado que os Estados Unidos podem escoltar os petroleiros, mas até agora o Estreito de Ormuz continua parcialmente fechado.
    Segundo a ONU, 20 mil tripulantes estão a bordo de navios no Golfo Pérsico, aguardando a abertura total do Estreito.
    Crise do petróleo: entenda por que a ofensiva do Irã no mar ameaça o mercado global
    Reprodução/TV Globo
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  • Morte de corretora gaúcha esquartejada em Florianópolis: o que se sabe e o que falta saber

    Morte de corretora gaúcha esquartejada em Florianópolis: o que se sabe e o que falta saber

    Morte de corretora gaúcha esquartejada em Florianópolis: o que se sabe e o que falta saber
    Polícia Civil investiga sumiço de mulher que mora no Norte da Ilha, em Florianópolis
    O corpo da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, foi encontrado esquartejado e desmembrado no interior de Major Gercino (SC), dois dias após a família registrar o desaparecimento dela.
    Três pessoas, um homem de 27 anos e duas mulheres, de 47 e 30 anos, foram presas suspeitas no envolvimento no latrocínio (roubo seguido de morte). Todos moravam no mesmo conjunto residencial que a vítima, ou seja, um terreno com pequenos prédios de cerca de quatro apartamentos cada.
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    Quem é a corretora de imóveis gaúcha desaparecida em Florianópolis
    Luciani morava sozinha no bairro Santinho, no Norte da Ilha, mas mantinha contato frequente com a família do Rio Grande do Sul por telefone. Ela também atuava como administradora de imóveis na região.
    Veja abaixo o que se sabe e o que ainda falta saber sobre o caso.
    Quem era a corretora?
    Quem são os suspeitos?
    Os suspeitos foram presos?
    Suspeitos já tinham histórico criminal?
    Como os criminosos esconderam os restos mortais?
    Quando o desaparecimento foi registrado?
    O que levou a família a suspeitar do desaparecimento?
    Como a polícia chegou aos suspeitos?
    O que foi encontrado no apartamento dela?
    Qual foi a motivação do crime?
    1. Quem era a corretora?
    A corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, era natural de Alegrete (RS) e morava sozinha em um apartamento no bairro Santinho, região turística de Florianópolis. Nas redes sociais, ela se identificava também como administradora de imóveis e turismóloga.
    Luciani Aparecida Estivalet Freitas está desaparecida em Florianópolis
    Redes sociais/ Reprodução
    2. Quem são os suspeitos?
    Segundo a Polícia Civil, três pessoas são suspeitas de envolvimento no crime e já foram presas. Todas, moravam no mesmo conjunto residencial no bairro Santinho.
    Ângela Maria Moro, de 47 anos, administradora do conjunto residencial.
    Matheus Vinícius Silveira Leite, 27 anos, vizinho de porta da vítima.
    Letícia Jardim, 30 anos, namorada de Matheus.
    A mãe de Matheus, que chegou a ser ouvida como investigada, não responde até o momento a nenhum crime, assim com o irmão dele, um adolescente de 14 anos, encontrado com produtos comprados no nome de Luciani.
    3. Os suspeitos foram presos?
    Sim, os três suspeitos de envolvimento no latrocínio foram presos.
    Ângela Maria Moro foi presa em Florianópolis, na quinta (12), inicialmente pelo crime de receptação, após a Polícia Civil encontrar diversos objetos que pertenciam à vítima em um dos apartamentos que a suspeita diz administrar. Porém, durante a audiência de custódia, o juiz citou a existência de indícios de homicídio e determinou a prisão temporária da suspeita por 30 dias.
    Já o casal Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, foi preso na sexta-feira (13) em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Eles teriam fugido para o RS.
    4. Suspeitos já tinham histórico criminal?
    Segundo a Polícia Civil, o homem de 27 anos estava foragido da Justiça de São Paulo por um latrocínio cometido em 2022 na cidade de Laranjal Paulista.
    Na ocasião, o proprietário de uma padaria foi morto com um tiro na cabeça durante um roubo.
    5. Como os criminosos esconderam os restos mortais?
    Luciani foi esquartejada. Segundo a Polícia Civil, os restos mortais foram divididos em cinco pacotes diferentes e levados com o carro da própria vítima até uma ponte na área rural de Major Gercino, cidade de 3,2 mil habitantes, e jogadas em um córrego. Até sexta-feira (13), apenas o tronco da vítima foi localizado.
    6. Quando o desaparecimento foi registrado?
    Luciani havia sido vista pela última vez em 4 de março, segundo o irmão dela, Matheus Estivalet Freitas. O desaparecimento, no entanto, foi registrado na segunda-feira (11).
    7. O que levou a família a suspeitar do desaparecimento?
    Segundo o irmão, mensagens enviadas pelo celular da corretora com vários erros gramaticais, após um tempo sem conseguir qualquer contato com ela, chamaram a atenção da família, que passou a desconfiar se era realmente Luciani quem estava digitando. Os familiares também desconfiaram quando a corretora não parabenizou a mãe pelo aniversário, ocorrido em 6 de março.
    Embora morasse sozinha na cidade, Luciani mantinha contato diariamente com a família por mensagens e ligações, segundo Matheus.
    Mensagem suspeita acendeu alerta à família de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, desaparecida em Florianópolis
    Arquivo pessoal
    8. Como a polícia chegou aos suspeitos?
    De acordo com a Polícia Civil, após o desaparecimento da corretora, compras teriam sido feitas utilizando o CPF da vítima. A partir dessas informações, os investigadores passaram a monitorar os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis.
    Durante os trabalhos, os policiais abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas das encomendas. Ele afirmou que os produtos seriam destinados ao irmão.
    Com base nesse relato, os agentes foram até o conjunto residencial, onde encontraram uma das mulheres suspeitas, que se apresentou como responsável pelo local.
    Em um dos apartamentos do local, os policiais encontraram duas malas com pertences da corretora, além de diversos itens comprados em nome dela, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. Depoimentos também indicaram que objetos da vítima teriam sido escondidos e que houve tentativas de dificultar o trabalho da polícia.
    9. O carro dela foi localizado?
    O carro da corretora, um HB20, foi localizado nas proximidades da pousada. Ele foi usado para levar o corpo até o local de descarte, a mais de 100 km da Capital.
    Carro de da corretora Luciani Aparecida Estivalet Freitas
    Juan Todescatt/ NSC TV
    10. O que foi encontrado no apartamento dela?
    Um vídeo gravado pelo irmão no apartamento da corretora, em Florianópolis, após o registro de desaparecimento, mostra muita bagunça, comida estragada e louça suja acumulada na pia da cozinha (assista abaixo).
    Vídeo mostra apartamento de gaúcha desaparecida em Florianópolis após desaparecimento
    10. Qual foi a motivação do crime?
    A polícia trata o caso como latrocínio (roubo seguido de morte), mas ainda apura como a decisão de matar a vítima ocorreu e qual foi o grau de participação de cada suspeito.
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  • Haitianos retidos em Viracopos: companhia de Honduras tem frota de 2 aviões e fez 1º voo com refugiados para o Brasil

    Haitianos retidos em Viracopos: companhia de Honduras tem frota de 2 aviões e fez 1º voo com refugiados para o Brasil

    Haitianos retidos em Viracopos: companhia de Honduras tem frota de 2 aviões e fez 1º voo com refugiados para o Brasil
    Imigrantes Haitianos ficam retidos no Aeroporto de Viracopos, em Campinas
    A companhia aérea Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa), responsável pelo voo com 118 haitianos que ficaram retidos pela Polícia Federal (PF) por problemas de documentação no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), fez seu primeiro fretamento de passageiros do Haiti para o Brasil.
    Fundada em Honduras, em 2015, a companhia opera com uma frota com dois aviões Boeing 737-200, e está regularizada para realizar voos não regulares, de carga e passageiros, junto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
    Segundo Débora Pinter Moreira, representante jurídica da Aviatsa no Brasil, a companhia já havia realizado operações de carga para o Brasil, mas um voo fretado de haitianos com pedido de refúgio foi a primeira vez.
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    Ela nega, no entanto, que a companhia tivesse conhecimento de vistos falsificados entre os passageiros, o que foi alegado pela PF para determinar, inicialmente, o reembarque e obrigação da Aviatsa de levar os haitianos ao ponto de origem.
    “Será investigado pela companhia se isso, de fato, pode ter ocorrido. Mas não é do nosso conhecimento porque a gente tem um rigoroso compliance. Então, que eu saiba, não houve a circulação de vistos falsos, não. É muito grave o que foi apontado”, disse.
    A advogada que representa a Aviatsa no Brasil reforçou ainda que embora o voo fretado trouxesse ao Brasil pessoas de um país que vive uma grave crise humanitária, todos apresentaram documentação (passaporte) e compraram passagem para o transporte.
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    Haitianos retidos em Viracopos: 97 imigrantes seguem no Aeroporto de Viracopos
    Companhia será investigada
    Na manhã desta sexta-feira (13), a Polícia Federal confirmou que a companhia aérea responsável pelo voo fretado que trouxe os haitianos será investigada por contrabando de migrantes.
    ⚖️ Entenda: previsto no Art. 232-A do Código Penal, o crime se configura ao promover, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a entrada ilegal de estrangeiro em território nacional ou de brasileiro em país estrangeiro. A pena é de 2 a 5 anos de reclusão.
    Segundo a PF, serão adotadas medidas para apurar irregularidades relacionadas à falsificação de documentos e a organização do deslocamento irregular de imigrantes, com a instauração de procedimento investigativo para identificar os responsáveis.
    O problema com o voo, segundo a PF, envolveu a identificação de vistos humanitários falsificados.
    Aeronave da Aviatsa com haitianos pousou no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (12)
    Arquivo pessoal
    Com isso, a medida administrativa de inadmissão foi para reembarque dos haitianos e a obrigação da companhia aérea de retornar os passageiros ao local de origem.
    Durante a manhã desta sexta-feira (13), agentes da Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) chegaram para prestar apoio.
    Até a última atualização desta reportagem, 97 haitianos que chegaram do Haiti na manhã de quinta permaneciam em uma sala no aeroporto e aguardavam o início do processo de admissão no Brasil sem previsão de serem liberados.
    A Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa) afirmou que os imigrantes fariam pedido de refúgio ou proteção migratória no Brasil, e que todos estavam devidamente identificados e com passaporte válido.
    O g1 solicitou e aguarda um posicionamento do Ministério das Relações Exteriores sobre o caso.
    Avião com 118 imigrantes do Haiti fica retido em Viracopos
    Arquivo pessoal
    Novo voo chega sem problemas
    Nesta sexta-feira (13), um novo voo com 160 haitianos, operado por outra companhia, que faz a rota regularmente, desembarcou em Viracopos, segundo a concessionária que administra o terminal de Campinas.
    Todos os passageiros estavam com documentações regulares e foram liberados.
    Segundo a PF, Viracopos integra uma rota do fluxo migratório de haitianos e recebe, em média, três voos fretados por semana, com aproximadamente 600 pessoas do país caribenho.
    Infográfico – Avião com imigrantes haitianos fica retido no Aeroporto de Viracopos, em Campinas
    Arte/g1
    Crianças liberadas
    A Polícia Federal liberou no início da tarde desta sexta-feira (13) duas crianças de um grupo de 118 haitianos que estão retidos em Viracopos desde a manhã quinta (12) por problemas na documentação.
    A EPTV, afiliada da TV Globo, apurou que elas estavam com vistos regulares. As duas meninas, de 8 e 14 anos, foram as primeiras a deixarem o terminal em 24 horas. A tia delas, de 25 anos, também foi liberada e está com o pedido de refúgio em processamento.
    Elas são as enteadas e a cunhada de Louis Yinder, que é do Haiti e mora em Santa Catarina com a esposa. Mais tarde, famílias com crianças foram encaminhadas até a PF para procedimento de retirada dos documentos e liberação.
    Entre eles, Sadrack Joseph, de 34 anos, que ao lado da mulher e filho, relatou “desespero” com a possibilidade de ter de voltar ao país que vive uma grave crise humanitária.
    Vistos humanitários falsificados
    A aeronave com 120 haitianos chegou em Viracopos às 9h de quinta (12). A PF informou que apenas duas pessoas puderam desembarcar de imediato, pois foram identificados vistos humanitários falsificados entre os outros viajantes.
    A medida administrativa de inadmissão foi para reembarque dos haitianos e a obrigação da companhia aérea de retornar os passageiros ao local de origem. Durante a manhã, agentes da Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) chegaram para prestar apoio.
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    Imagens cedidas
    Crise no Haiti
    O Haiti está sem governo e enfrenta uma onda de violência das gangues. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o país enfrenta, atualmente, “uma das crises humanitárias mais graves do mundo”.
    A situação no país caribenho é impulsionada pela violência de gangues, instabilidade política e uma profunda crise econômica, onde há escassez de comida, medicamentos e outros produtos básicos.
    O país não realiza eleições desde 2016 e sofre há anos com instabilidade política e insegurança.
    O que diz a Aviatsa?
    “A Aviación Tecnológica S.A. – AVIATSA, por meio de sua assessoria jurídica, manifesta profunda preocupação e repúdio diante dos fatos ocorridos na manhã de 12 de março de 2026, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).
    A aeronave da companhia, procedente de Cabo Haitiano (Haiti), pousou regularmente por volta das 9h, transportando 120 passageiros haitianos. Dentre eles, 118 passageiros foram impedidos de desembarcar e estão sendo mantidos dentro da aeronave por determinação da Polícia Federal.
    Essas pessoas buscavam exercer o direito de solicitar refúgio ou proteção migratória em território brasileiro, direito assegurado pela Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017) e pela Lei do Refúgio (Lei nº 9.474/1997).
    Advogados de direitos humanos encontravam-se no aeroporto para prestar assistência jurídica aos passageiros, mas foram impedidos de acessá-los.
    Neste momento, os passageiros e parte da tripulação permanecem confinados dentro da aeronave, sem autorização para desembarque ou decolagem. Segundo relatos recebidos pela companhia, essas pessoas estão há horas dentro do avião, sem acesso adequado a água e alimentação.
    A AVIATSA reconhece a competência do Estado brasileiro para realizar controle migratório e fiscalização administrativa. Caso a autoridade entendesse haver qualquer irregularidade, medidas administrativas poderiam ser adotadas contra a companhia aérea.
    Entretanto, a opção por manter pessoas vulneráveis confinadas dentro de uma aeronave, sem assistência e sem acesso à defesa jurídica, configura situação incompatível com os princípios básicos de dignidade humana e proteção internacional aos refugiados.
    A companhia reafirma que operou o voo em conformidade com as normas da aviação civil internacional, transportando passageiros devidamente identificados e portadores de passaporte válido.
    Em nome da AVIATSA, esta subscritora repudia a condução da operação pela Polícia Federal no Aeroporto de Campinas, por entender que a situação criada hoje representa grave violação de direitos humanos.
    A companhia está avaliando todas as medidas jurídicas cabíveis para resguardar os direitos dos passageiros e da tripulação.”
    O que diz a PF?
    “Em relação à informação sobre o voo procedente de Cabo Haitiano (Haiti), que chegou ao Aeroporto Internacional de Viracopos (SP) na manhã desta quinta-feira (12/3), a Polícia Federal esclarece:
    O Aeroporto Internacional de Viracopos recebe regularmente voos provenientes do Haiti, atualmente com cerca de três operações semanais e aproximadamente 600 passageiros nesse fluxo migratório. Na grande maioria das operações, os passageiros chegam ao país com a documentação migratória adequada, sendo eventuais e pontuais os casos de inadmissão por irregularidades documentais.
    No caso do voo mencionado, durante o procedimento regular de controle migratório, realizado pela Polícia Federal, foi identificado que 118 dos 120 passageiros que desembarcaram apresentavam vistos humanitários falsificados. Diante da constatação de irregularidade documental, foi aplicada a medida administrativa de inadmissão, conforme previsto na Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração).
    Nessas situações, conforme a legislação migratória e as normas internacionais do transporte aéreo, a responsabilidade pelo retorno do passageiro inadmitido ao ponto de origem é da companhia aérea transportadora, que também possui o dever de verificar previamente a documentação necessária para o embarque.
    Após a comunicação da inadmissão, os passageiros foram reembarcados na aeronave. Por volta do meio-dia, todos já se encontravam a bordo, com a porta da aeronave fechada e autorização de decolagem concedida, para retorno ao ponto de origem do voo. A aeronave, contudo, permaneceu no pátio do aeroporto por questões operacionais relacionadas ao voo, cuja gestão é de responsabilidade da companhia aérea e da tripulação. A Polícia Federal não possui ingerência sobre decisões operacionais de voo.
    Também não procede a informação de que teria sido impedido o acesso de assistência jurídica aos passageiros. Posteriormente, diante da presença de representantes de organizações e entidades de assistência jurídica no aeroporto, os estrangeiros foram orientados a desembarcar e receber apoio para eventual formalização de pedidos de refúgio, caso assim desejassem.
    Nos termos da Lei nº 9.474/1997 (Lei do Refúgio), o pedido de reconhecimento da condição de refugiado é personalíssimo e deve ser apresentado individualmente à autoridade migratória. Atualmente, o procedimento é iniciado por meio do Sistema Sisconare (Sistema Eletrônico de Processamento de Refúgio), com o preenchimento do formulário eletrônico. Após essa etapa, o solicitante deve comparecer à unidade da Polícia Federal responsável pelo controle migratório – no caso, a instalada no próprio Aeroporto de Viracopos – para validação das informações e emissão do protocolo provisório de solicitação de refúgio.
    Durante esse período, os estrangeiros foram encaminhados para área adequada nas dependências do aeroporto, disponibilizada pela concessionária responsável pela administração do terminal, com acesso a instalações sanitárias e alimentação, não cabendo à Polícia Federal a gestão ou o custeio dessas providências logísticas.
    A Polícia Federal também adotará as medidas cabíveis para apurar eventuais crimes relacionados à falsificação de documentos e à organização do deslocamento irregular de migrantes, com a instauração de procedimento investigativo para identificar os responsáveis.”
    Avião com 118 imigrantes do Haiti fica retido em Viracopos
    Arquivo pessoal
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  • ‘O Agente Secreto’ transforma o Recife em cenário e vitrine e leva ao mundo paixão pelo cinema pernambucano

    ‘O Agente Secreto’ transforma o Recife em cenário e vitrine e leva ao mundo paixão pelo cinema pernambucano

    ‘O Agente Secreto’ transforma o Recife em cenário e vitrine e leva ao mundo paixão pelo cinema pernambucano
    O Recife de 1977 reconstituído por ‘O Agente Secreto’
    CinemaScopio/Divulgação
    Ruas, prédios históricos, parques e praças do Recife aparecem como cenário de “O Agente Secreto”, produção dirigida por Kleber Mendonça Filho e estrelada por Wagner Moura. Gravado em quase 50 pontos da capital pernambucana, o filme transforma a cidade em vitrine e projeta para plateias de diferentes países a paixão pelo cinema feito em Pernambuco.
    Entre os cenários do longa está o Cinema São Luiz, um dos cinemas de rua mais icônicos do país, inaugurado em 1952 no Centro da cidade. O prédio histórico aparece em várias cenas do filme e hoje recebe sessões da própria produção — uma experiência curiosa para o público, que assiste na tela a um espaço onde está sentado.
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    “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar: melhor ator, melhor filme, melhor filme internacional e melhor elenco. O longa também fez história ao ganhar dois prêmios no Globo de Ouro deste ano e dois prêmios no Festival de Cannes de 2025.
    No São Luiz, o cinema não apenas exibe o longa-metragem. Ele também aparece dentro da narrativa, transformando o próprio espaço em parte da história. Quando o público entra na sala, muitos têm a sensação de se reconhecer na tela.
    No domingo, “O Agente Secreto” concorre ao Oscar em 4 categorias; uma delas é nova, Melhor Seleção de Elenco
    A relação entre o espaço e o filme começa antes mesmo da sessão. As luzes se apagam, os vitrais do cinema se acendem e, naquele momento, o ritual tradicional do cinema de rua prepara a plateia para uma história que tem muito da própria cidade.
    O gestor do cinema, Gustavo Coimbra, conhece esse ritual desde criança. Ele lembra das idas ao São Luiz com a família, quando assistir a um filme era também participar de uma tradição.
    “Quando criança, na adolescência, principalmente criança, eu vinha muito com minha mãe, meus irmãos, assistir aos filmes. ‘Superman’, essas coisas que sempre gostei muito. A gente ia muito no Veneza [cinema de rua fechado no final dos anos 1990] e no São Luiz. Mas o São Luiz eu frequentava mais”, conta.
    Cinema São Luiz em ‘O Agente Secreto’
    CinemaScopio/Divulgação
    Segundo ele, a mãe fazia questão de chegar cedo para acompanhar todo o processo da sessão. “Minha mãe tinha uma preocupação de a gente sair na hora certinha, tudo direitinho, para ver o ritual: as luzes apagando, os vitrais acendendo.”
    Hoje, Gustavo está do outro lado da experiência. É ele quem acende os vitrais do cinema antes das sessões.
    “Hoje a gente está aqui, eu estou aqui trabalhando no cinema e eu fazer os vitrais acenderem, aquilo que eu vinha ver com minha mãe quando pequeno, isso é inexplicável, é gratificante demais”, contou.
    Para ele, assistir ao filme dentro do próprio São Luiz cria uma sensação especial. “Você está dentro da história a partir do momento em que você está ali dentro daquela mesma área, olhando para aquilo que o cara da trama estava olhando. E você está ali dentro, você entra um pouco no filme naquele momento. Só a gente tem isso”, afirma.
    O sucesso de “O Agente Secreto” também tem levado novos visitantes ao cinema. Segundo funcionários do espaço, há pessoas que nunca tinham entrado no São Luiz e decidiram conhecer o local depois de assistir ao filme.
    “Tem gente, pessoas com certa idade já, que nunca tinha entrado aqui no São Luiz e está vindo por conta de ‘O Agente Secreto’”, diz Gustavo.
    João Bosco, projecionista do Cinema São Luiz, atuou em ‘O Agente Secreto’
    Reprodução/TV Globo
    Quem também acompanha esse movimento é o projecionista João Bosco, um dos mais antigos do cinema. Ele afirma que percebeu uma mudança no público desde a estreia do longa. “O público já estava com aquilo na mente, que o cinema [de rua] estava afracando, mas quando chegou ‘O Agente Secreto’, lotou de novo”, conta.
    Em “O Agente Secreto”, Seu Alexandre, sogro do protagonista, trabalha como projecionista no São Luiz. Bosco também participou do filme, ainda que rapidamente, e conta que chegou a passar informações a Carlos Francisco, que interpreta o personagem.
    “Eu apareci no filme como porteiro, numa cena. Rapidamente, mas apareci no filme”, diz. Acostumado a trabalhar nos bastidores da projeção, ele afirma que a experiência foi diferente.
    “Eu estava acostumado a exibir filme. Participar, não. Aí Kleber falou para mim: ‘Você vai participar do filme’. Eu conheci Seu Alexandre. Até passei para ele algumas informações do projetor. Eu fico olhando para ele, assim, e me sinto como se eu estivesse ali, fazendo aquela cena com ele”, lembra.
    Tradição que atravessa um século
    Cartazes dos filmes ‘A Filha do Advogado’, ‘Baile Perfumado’ e ‘Amarelo Manga’
    Montagem/g1
    Nos últimos anos, filmes de Kleber Mendonça Filho também reforçaram a ligação entre cidade e narrativa, como “Aquarius”, “Bacurau” e “Retratos Fantasmas”. Entretanto, a relação entre o Recife e o cinema não começou agora.
    Um dos primeiros filmes feitos na cidade foi “A Filha do Advogado”, dirigido por Jota Soares há exatos 100 anos, em 1926. Nas décadas seguintes, outras produções também usaram histórias e cenários da região, como “Amarelo Manga” (de 2002, dirigido por Cláudio Assis) e “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005, de Marcelo Gomes).
    Mas Pernambuco tem uma das cinematografias regionais mais antigas e consistentes do Brasil, marcada por diferentes ciclos de produção e por uma forte relação entre cinema, cidade e cultura local.
    O cinema chegou ao estado poucos meses depois das primeiras projeções públicas realizadas pelos Auguste Lumière e Louis Lumière em Paris, consideradas o marco inicial da história da sétima arte. Em 13 de setembro de 1896, o produtor Francisco Pereira de Lyra exibiu imagens em movimento usando um aparelho chamado kinetographo, no bairro de São José, no Recife.
    Poucos anos depois, o cinema começou a ganhar espaços permanentes na cidade, com os cinemas Pathé — o primeiro de todos — inaugurado em 1909 e Helvética, Eclypse, Polytheama, Éclair e Moderno.
    E, desde o início do século 20, o Recife passou a aparecer nas telas — primeiro, como cenário de experiências pioneiras e, mais tarde, como personagem de filmes que dialogam com a identidade cultural da região. Essa trajetória costuma ser dividida em ciclos do cinema pernambucano.
    Nos anos 1920, o estado viveu o chamado Ciclo do Recife, um movimento pioneiro de produção cinematográfica que transformou a cidade em um dos principais centros de cinema do país.
    Entre 1923 e 1931 foram produzidos cerca de 13 filmes de ficção, realizados por grupos de jovens cineastas que buscavam contar histórias locais e criar uma indústria cinematográfica fora do eixo Rio-São Paulo.
    Entre os pioneiros estavam nomes como Gentil Roiz, Edson Chagas, Ary Severo e Jota Soares, ligados à produtora Aurora Filmes, responsável por obras como “Retribuição” e “Aitaré da Praia”.
    Décadas depois, outro momento importante surgiu com o movimento Super-8, nos anos 1970, quando o barateamento das câmeras permitiu que novos realizadores experimentassem linguagens e narrativas. O movimento se fortaleceu a partir de 1973 e revelou nomes como Fernando Spencer, Celso Marconi e Athos Cardoso.
    Nos anos 1990, uma nova geração ajudou a recolocar Pernambuco no mapa do cinema nacional. Filmes como “Baile Perfumado” (de 1996, dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas) marcaram essa retomada, seguidos por produções que ganharam repercussão dentro e fora do país, como “O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas” (2000, de Paulo Caldas e Marcelo Luna) e o já citado “Amarelo Manga”.
    Nas últimas décadas, o cinema produzido no estado passou a circular com frequência em festivais internacionais. Diretores como Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Marcelo Gomes e Gabriel Mascaro ajudaram a consolidar essa projeção.
    O Recife como personagem
    Imagem em ‘Retratos fantasmas’
    Divulgação
    Enquanto o público local reconhece lugares da cidade na tela, o filme também apresenta o Recife para espectadores de outros países. Em entrevista em Londres, durante a agenda internacional de divulgação do filme, Kleber Mendonça Filho falou sobre a importância de um país contar suas próprias histórias por meio do cinema.
    “O cinema, claro, a televisão, as séries, é uma maneira muito forte e poderosa de contar histórias. E é essencial que um país, no nosso caso o Brasil, consiga se ver, se ouvir e ver histórias que você diga: isso aqui faz parte de quem somos”, afirmou.
    Segundo ele, outras cinematografias fazem isso com frequência. Para o diretor, fazer cinema é também ocupar esse espaço de expressão.
    “Os americanos fazem isso muito bem, os europeus fazem, os japoneses, os indianos. Eu acho que é muito importante que nós tenhamos algo a dizer. É feito você estar numa conversa e você dizer: eu tenho uma coisa para falar”, declarou.
    Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura nas filmagens de “O Agente Secreto”
    Laura Castor/Divulgação
    O ator Wagner Moura também destacou a importância dessa troca cultural. Ele afirma que sua própria visão sobre outros países foi construída a partir do cinema.
    “Eu cresci vendo cinema americano. Então o meu entendimento do que os Estados Unidos são tem a ver com os filmes que eu vi, com os diretores americanos. É muito importante e tem sido muito bonito ver as pessoas falando do Brasil a partir desse filme, desde sobre o que era a ditadura militar no Brasil até a Perna Cabeluda. São dados da cultura do Brasil sendo exportados”, disse.
    Para ele, é significativo que o público estrangeiro esteja conhecendo o Brasil por meio da produção. Além do reconhecimento internacional, Wagner destaca o impacto do cinema dentro do próprio país.
    “Eu acho mais bonito ainda que nós, brasileiros, vejamos o nosso cinema, nossa cultura, nossa arte, nossa literatura, teatro, artes visuais, porque isso nos informa quem nós somos. Cria identidade e cria autoestima”, declarou.
    Novas gerações mantêm tradição
    Gravações do filme ‘Tainara’, de Juliana Soares Lima e Igor Travassos, na Ilha de Deus, no Recife
    Reprodução/TV Globo
    Mais de um século depois das primeiras exibições de cinema no Recife, novas gerações de realizadores continuam surgindo no estado. Muitos começam em curtas-metragens, projetos independentes ou oficinas comunitárias e passam a integrar uma cadeia de produção que envolve técnicos, atores e produtores locais.
    Projetos e produções independentes têm aproximado jovens do audiovisual em bairros e comunidades do Recife. Na Ilha de Deus, por exemplo, moradores participaram e acompanharam de perto as etapas de filmagem do curta-metragem “Tainara”, de Juliana Soares e Igor Travassos.
    Juliana trabalhou em “O Agente Secreto”, e hoje dirige o próprio filme, assim como Kléber Mendonça Filho incentivou no discurso do Globo de Ouro, ao levar o prêmio de melhor filme em língua não-inglesa.
    “Tainara” conta a história de uma menina perdeu a mãe e o irmão nas fortes chuvas que atingiram o Grande Recife em 2022, deixando mais de 130 mortos. Ela passa a viver com a tia na Ilha de Deus, tradicional comunidade pesqueira da Zona Sul do Recife, entre viveiros de camarão e o mangue, encontra na imaginação uma forma de lidar com o luto.
    “Eu acho que, primeiro, é uma sorte muito grande de a gente ter um curso de cinema e audiovisual numa universidade pública no Recife. Eu conheci Igor na universidade e, hoje, a gente traz pessoas que estão se formando para a nossa equipe. A graça do cinema pernambucano é a história de registrar essas paisagens que não são muito vistas. […] Acho que tem uma paisagem muito especial nesses lugares do Recife, e uma preocupação muito bonita em registrar as pessoas desses lugares. A cultura, os hábitos, os rostos. É isso que torna o cinema pernambucano e recifense tão especial”, disse.
    Já Igor acredita que o cinema pernambucano tem, como particularidade, as pessoas e a coragem de não disfarçar a realidade.
    “É gente no ônibus, em estação de metrô, no meio da cidade, no Centro, gente trabalhadora. Essa é uma característica que faz a gente ver o Recife. Não disfarçar a realidade, porque é uma realidade tão bonita que é ficção. É o modo como a gente fala, é um pano de prato que a gente coloca no ombro, é a fofoca na frente de casa, e esses hábitos do dia a dia que a gente não vê num cinema que não é nosso. Quando a gente se apropria disso e começa a fazer cinema, a gente se reconhece nos mínimos detahes”, disse.
    Renata Roberta pesquisa elenco para filmes e descobriu Tânia Maria
    Reprodução/TV Globo
    O Edifício Pernambuco, no Centro da cidade, é um exemplo da força do cinema pernambucano, e de como ele resiste e se reinventa. No prédio de arquitetura icônica construído em 1963, funciona uma espécie de polo do audiovisual, com diversas empresas que atuam nos bastidores das produções. Projetos, financiamentos, edição… Lá, todas essas etapas se encontram.
    Uma dessas trabalhadoras é Renata Roberta, que pesquisa elenco para filmes. Ela já morou no Rio de Janeiro e em São Paulo e, aproveitando o bom momento do cinema pernambucano, voltou para o Recife. Hoje, escolhe os figurantes e elenco adicional dos filmes de Kleber Mendonça Filho. Ela trabalhou em todas as obras dele, desde o curta “Recife Frio”.
    “A população, a cidade, o povo, aqueles que têm poucas falas, que dão um bom-dia, um ‘olha ali’. Essa é a minha galera. É com essas pessoas que eu costumo trabalhar e produzir, de uma maneira muito específica, considerando um corpo coral. Pensando as pessoas como uma demografia, como a população de um universo fantástico, de cada filme”, contou.
    Tânia Maria em ‘Bacurau’ (à esquerda) e em ‘O Agente Secreto’ (à direita)
    Divulgação
    Foi ela quem, na pesquisa por figurante para “Barurau”, descobriu e primeiro se apaixonou por Tânia Maria, a icônica Dona Sebastiana. Ela, que nem atriz era, morava no povoado Cobra, em Parelhas (RN). Renata foi “estiar” a chuva em frente a uma casa e foi abordada por uma moradora, curiosa com o trabalho da equipe.
    “Saiu essa senhora tentando entender que barulho era esse numa cidade que tem menos de 10 mil habitantes. Qualquer pessoa estranha é um grande evento. Quando ela falou comigo, fiquei muito apaixonada. Achei a voz dela incrível, achei ela incrível. […] Ela ficou muito animada, disse que queria ser atriz e eu contratei na hora, que é uma coisa que não posso fazer. Mas fiquei apaixonada por ela desde o início. Convidei ela para fazer a figuração em Bacurau, que foi aprovada pelo próprio Kleber. Fico muito orguhosa e feliz por ter participado da trajetória dela. Sou uma grande fã”, declarou.
    Turismo ‘secreto’
    Ambientado em 1977, o filme foi gravado em quase 50 locais do Recife. Com cenografia e efeitos visuais, diversos espaços da cidade voltaram ao visual da época. Hoje, alguns desses lugares têm atraído curiosos e fãs da produção. O recifense Roberto Tavares assistiu ao filme várias vezes e passou a visitar as locações.
    “A gente sai da Praça do Arsenal e vai percorrendo algumas das principais locações”, explica. Entre os pontos estão o próprio São Luiz, o Ginásio Pernambucano e a Rua da União.
    Segundo ele, muitos moradores redescobrem a cidade ao perceber que lugares do cotidiano aparecem na tela. “É bom ver o público da casa com os olhos brilhando mesmo”, afirma.
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  • Agora patrimônio cultural, pesca colaborativa com botos celebra relação rara entre espécies no litoral do RS: ‘Viraram parte da família’

    Agora patrimônio cultural, pesca colaborativa com botos celebra relação rara entre espécies no litoral do RS: ‘Viraram parte da família’

    Agora patrimônio cultural, pesca colaborativa com botos celebra relação rara entre espécies no litoral do RS: ‘Viraram parte da família’
    Geraldona é uma fêmea de boto-de-Lahille de mais de 40 anos que convive com pescadores na Barra do Rio Tramandaí
    Heloise Martins/Ceclimar
    Uma tradição centenária do Litoral Norte do Rio Grande do Sul agora foi oficializada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial: é a pesca com botos, prática colaborativa entre humanos e animais da espécie Tursiops gephyreus no Sul do Brasil que é considerada uma forma rara de interação interespécies.
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    Em terras gaúchas, a pesca com os boto-de-Lahille é praticada principalmente na barra do Rio Tramandaí, entre as praias de Tramandaí e Imbé, tendo registros também em Torres.
    “É muito importante para nós porque impede que qualquer empreendimento na Barra do Tramandaí, entre o rio Tramandaí e o mar, que possa acabar com a pesca cooperada possa ser erguido ali. Protege a pesca cooperada, as comunidades da pesca e reconhece o território como de pesca”, celebra o dirigente do Sindicato de Pescadores de Tramandaí, José Roberto Prestes Madruga.
    “A pesca cooperada deixou de acontecer em vários lugares do mundo e, aqui, ela vai continuar acontecendo. É uma herança que deixaremos aos nossos filhos.”
    Pesca colaborativa entre pescadores e botos é costume em Tramandaí
    Geraldona é a decana entre os botos
    A decisão foi tomada no segundo dia da 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância deliberativa máxima do Iphan. A atividade foi inscrita no Livro dos Saberes, reconhecendo um conhecimento tradicional profundo, que revela a estreita relação que os pescadores do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul guardam com seu entorno natural.
    Enquanto os pescadores se posicionam na barra que liga as praias de Imbé e Tramandaí, os botos começam, um a um, a aparecerem com suas barbatanas e dorsos cinzas, se lançando para o alto, indicando com precisão onde o cardume se encontra. Os pescadores, então, lançam redes e sarrafos exatamente no local indicado pelos animais, em um verdadeiro pacto colaborativo entre a espécie humana e a natureza.
    Nos dias que “dá peixe”, principalmente quando há grandes concentrações de tainha, até 15 botos aparecem para a pescaria. Eles cooperam com os pescadores há tanto tempo, em uma parceria tão próxima e cotidiana, que recebem nomes.
    A Geraldona é a decana da casa. Uma fêmea de boto-de-Lahille de mais de 40 anos que tem até família constituída, com os filhos, chamados Rubinha, Chiquinho e Furacão, e a neta, Esperança.
    Fêmea de boto conhecida como Esperança coloca a cabeça para fora d’água
    Maurino Ramos Francisco / Arquivo Pessoal
    Não se sabe ao certo desde quando a pesca artesanal com botos acontece em corpos d’água gaúchos, mas estima-se que já seja uma tradição centenária entre os pescadores do Estado.
    “Não sei responder exatamente há quanto tempo ocorre, mas os pais dos pescadores, que já eram pescadores, já pescavam na barra do rio Tramandaí com os botos. Então, essa prática já ocorre com certeza há mais de 100 anos aqui em Tramandaí”, estima José Roberto.
    “Hoje o Chiquinho vai achar umas tainhas para a gente”, comemora o pescador Maurino Ramos Francisco, que há 47 anos mora em Imbé e pesca em Tramandaí, sempre que o boto entra em ação. Ele relata uma relação semelhante à de amizade com os animais.
    “Para nós, é muito show conviver com o boto a dois, três metros. O bicho é tão manso que fica ali do lado. Eu vejo eles todo dia, tanto que já viraram parte da família”, comenta.
    Segundo ele, há uma relação de troca. O boto sinaliza para o pescador onde se concentram os cardumes, o pescador joga a tarrafa, e os animais conseguem capturar mais facilmente os peixes que acabam escapando solitários das redes.
    “Isso vem de muitos anos. Meu pai era pescador antes de mim e eu gostava tanto que aprendi essa profissão. Agora (com o reconhecimento), isso vai ser mais divulgado. O boto agora é patrimônio e para alguém espantar um animal desse já fica mais difícil. Porque uns tentam salvar, já outros levam pra outro lado”, diz Maurino.
    Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou o risco de extinção dos botos-de-Lahille – a espécie envolvida na pesca colaborativa com os pescadores da região – de vulnerável para em perigo de extinção. Estima-se que a população mundial total desses animais é de cerca de 330 indivíduos, a maioria deles, no litoral Sul do país.
    VÍDEOS: Tudo sobre o RS
  • Brasil usa ‘princípio da reciprocidade’ para barrar assessor de Trump; entenda o que é e como foi usado

    Brasil usa ‘princípio da reciprocidade’ para barrar assessor de Trump; entenda o que é e como foi usado

    Brasil usa ‘princípio da reciprocidade’ para barrar assessor de Trump; entenda o que é e como foi usado
    Presidente Lula e Darren Beattie, assessor de Donald Trump
    Ricardo Stuckert / PR e Divulgação/Departamento de Estado dos EUA
    O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) usou o princípio de reciprocidade para revogar a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos EUA, Donald Trump, apontam especialistas em relações internacionais, que explicam o conceito ao g1 (leia mais abaixo).
    A informação sobre a revogação foi divulgada nesta sexta-feira (13). O assessor, que atua em temas relacionados ao Brasil, viria ao país na próxima semana e pretendia visitar Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha.
    O princípio da reciprocidade, utilizado pelo Brasil e outros países, estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado por ele nas relações internacionais.
    Em termos gerais, significa que direitos concedidos por um país a outro costumam ser acompanhados de obrigações equivalentes — evitando que apenas um dos lados se beneficie das regras.
    Este princípio não é uma lei, mas uma prática comum nas relações internacionais. No caso de vistos e entrada de estrangeiros, por exemplo, países frequentemente adotam exigências semelhantes às impostas a seus próprios cidadãos no exterior.
    “O princípio funciona no sentido de você poder devolver o que lhe foi aplicado. Ele pode ser usado em uma série de campos das relações internacionais”, explica Ana Carolina Marson, professora da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
    Na prática, isso também pode se traduzir cobrança de taxas, prazos de permanência ou outras restrições de entrada adotadas como resposta a medidas semelhantes impostas pelo outro país.
    Como ele foi usado pelo Brasil nesse caso?
    Governo revoga visto de assessor de Trump
    A justificativa do governo para a revogação do visto é que Beattie teria omitido o real motivo da visita e planejado encontros de caráter político no país.
    Beattie teria justificado a vinda ao país com uma participação em um evento sobre terras raras e minerais críticos em São Paulo, mas acabou planejando reuniões políticas.
    Porém, antes da confirmação da revogação por parte do Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos.
    “Aquele cara americano que disse que vinha para cá, para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou.
    Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da mulher e da filha, de 10 anos, de Alexandre Padilha. O visto do ministro não foi cancelado porque já estava vencido. (Leia mais aqui).
    “Partindo do princípio de que todos os países são Estados soberanos, cada um deles tem autoridade para determinar suas regras sobre entrada de pessoas em seus territórios – sem haver preponderância de um sobre o outro, isto é, há igualdade jurídica entre os Estados”, diz André Araújo, professor da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da FESPSP.
    “A questão ocorrida com o assessor de Trump baseia-se no precedente de que o Ministro da Saúde, Padilha, teve o visto negado no ano passado para entrar nos EUA. Sendo assim, houve reciprocidade ao negar o visto de uma autoridade dos EUA”, ele diz.
    Padilha comandava o Ministério da Saúde em 2013, quando foi criado o programa Mais Médicos. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou vistos de funcionários do governo brasileiro ligados ao programa.
    Visita ao Brasil
    Na terça-feira (10), a defesa do ex-presidente Bolsonaro enviou um pedido a Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, pedindo que a visita de Beattie fosse concedida de forma excepcional na segunda (16) ou na terça-feira (17), por motivos de agenda do norte-americano.
    Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. As visitas ao ex-presidente precisam receber o aval de Moraes, relator do processo que levou o político à cadeia.
    Moraes permitiu a visita. No entanto, autorizou que ela fosse realizada na quarta-feira (18). As visitas na unidade prisional onde Bolsonaro está detido são, tradicionalmente, às quartas e sábados. No dia seguinte, a defesa pediu que ele reconsiderasse a data, ainda por motivos de agenda.
    Questionada pela TV Globo, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil não detalhou o motivo da viagem. Informou apenas que “Darren Beattie, viajará em breve ao Brasil para promover a agenda de política externa America First”.
    🔎A doutrina “America Frist”, ou América em primeiro lugar, na tradução livre, é uma orientação de política externa associada ao governo Donald Trump que prioriza interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos nas relações internacionais.
    Moraes, então, solicitou informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do secretário de Trump no Brasil.
    Em resposta, o ministério afirmou que a reunião de um assessor de Trump com o ex-presidente Jair Bolsonaro “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
    Diante disso, Moraes voltou atrás e retirou a autorização para o encontro entre Bolsonaro e Beattie.
    Bolsonaro foi internado nesta sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, diagnosticado com um quadro de broncopneumonia. Ele está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
  • Sol volta a aparecer em parte do Sudeste, mas temporais seguem no Norte e entre Minas e Espírito Santo

    Sol volta a aparecer em parte do Sudeste, mas temporais seguem no Norte e entre Minas e Espírito Santo

    Sol volta a aparecer em parte do Sudeste, mas temporais seguem no Norte e entre Minas e Espírito Santo
    Depois de vários dias seguidos de chuva e céu fechado em partes do Sudeste, algumas áreas da região devem voltar a ter mais períodos de sol neste fim de semana.
    Em estados como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), que tiveram acumulados elevados de chuva ao longo da semana, a tendência agora é que o sol apareça com mais frequência.
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    Ainda assim, o fim de semana não será completamente seco. Pancadas isoladas podem ocorrer durante a tarde, típicas do calor e da umidade desta época do ano.
    Na capital paulista, por exemplo, o sábado deve ter sol entre nuvens e possibilidade de pancadas rápidas à tarde. A temperatura pode chegar perto dos 28 °C. No domingo (15), o tempo fica mais aberto e os termômetros sobem um pouco mais, com máxima por volta de 30 °C.
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    No Rio de Janeiro (RJ), a situação é parecida. O sábado ainda pode ter chuva passageira ao longo da tarde, mas o sol aparece entre nuvens e o calor aumenta. As máximas ficam perto de 30 °C. No domingo, o tempo tende a ficar mais firme, com temperaturas chegando a 31 °C.
    Pôr do sol em Santos, no litoral do estado de São Paulo.
    Luigi Bongiovanni/TheNews2/Estadão Conteúdo
    Já em Minas Gerais e no Espírito Santo, a previsão ainda é de chuva mais intensa. A umidade elevada e a presença de uma frente fria no litoral favorecem a formação de nuvens carregadas nesses estados.
    Em Belo Horizonte (MG), o fim de semana ainda deve ter pancadas frequentes de chuva, algumas delas fortes, com máximas próximas de 26 °C.
    Em Vitória (ES), a previsão indica chuva ao longo de vários períodos do dia, inclusive com risco de temporais isolados. As temperaturas ficam altas, com máximas perto de 31 °C, o que mantém a sensação de abafamento.
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    No Centro-Oeste, cidades como Brasília (DF) e Cuiabá (MT) devem ter dias com sol, calor e pancadas de chuva.
    Na capital federal, as máximas ficam perto de 26 °C, com possibilidade de trovoadas.
    Em Cuiabá (MT), a chuva também aparece de forma rápida ao longo do dia, com temperaturas perto de 29 °C a 30 °C.
    Previsão de chuva neste sábado em todo o país.
    Inmet/Reprodução
    No Norte do país, a previsão indica chuva frequente em estados como Amazonas, Amapá e Pará.
    A umidade elevada e a atuação da chamada Zona de Convergência Intertropical ajudam a formar nuvens carregadas, que podem provocar pancadas fortes e temporais isolados, principalmente à tarde e à noite.
    ➡️A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é um encontro de ventos na região do Equador. É dos principais sistemas meteorológicos causadores de chuva em parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
    Previsão de chuva neste sábado em todo o país.
    CPTEC/Inpe
    Essa mesma faixa de instabilidade também influencia o norte do Nordeste. Áreas do Maranhão, Piauí e Ceará devem ter chuva moderada a forte em vários momentos do dia, com risco de temporais localizados.
    Já em partes do litoral do Nordeste oriental, entre o Ceará e a Bahia, a chance de tempo firme é maior neste fim de semana.
    No Sul, o tempo tende a ficar mais estável na maior parte da região, com o sol aparecendo com mais frequência e temperaturas em elevação.
    Em Porto Alegre (RS), o sábado deve ter sol e poucas nuvens, com máxima perto de 30 °C. No domingo, o calor aumenta um pouco mais, chegando a 31 °C. Curitiba (PR) também terá um fim de semana mais estável, com máximas entre 26 °C e 27 °C.
    E esse aumento de temperatura na região pode se intensificar no começo da próxima semana. Uma massa de ar quente deve começar a avançar pelo interior do continente e elevar bastante o calor principalmente no Rio Grande do Sul, onde algumas cidades podem registrar temperaturas acima de 35 °C nos próximos dias.
    Mapa mostra previsão de temperatura máxima para este sábado (14).
    CPTEC/Inpe
    Veja como ficam as temperaturas em TODAS as capitais brasileiras, segundo o Inmet:

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  • Mega-Sena pode pagar R$ 75 milhões neste sábado

    Mega-Sena pode pagar R$ 75 milhões neste sábado

    Mega-Sena pode pagar R$ 75 milhões neste sábado
    Como funciona a Mega-sena
    O concurso 2.984 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 75 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (14), em São Paulo.
    Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
    No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
    A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
    A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
    Volante da Mega-Sena
    Ana Marin/g1
    Para apostar na Mega-Sena
    As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
    Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
    O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
    Probabilidades
    A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
    Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
  • Foz do Iguaçu: Referência Nacional para Eventos de Sucesso

    Foz do Iguaçu: Referência Nacional para Eventos de Sucesso

    Foz do Iguaçu: Referência Nacional para Eventos de Sucesso
    Os organizadores de eventos em Foz do Iguaçu são responsáveis por planejar e coordenar encontros corporativos, congressos, feiras e celebrações que acontecem na cidade. Além de definir datas e reservar locais, esses profissionais cuidam de detalhes logísticos, conectam pessoas e apoiam a movimentação econômica local.
    Neste conteúdo, você vai conhecer as funções e o perfil desses profissionais, entender os desafios do dia a dia e conferir informações sobre especialistas e empresas do setor que atuam em Foz do Iguaçu.
    O que faz um organizador de eventos?
    O organizador de eventos é o profissional que transforma uma ideia em um evento estruturado, conduzindo todas as etapas necessárias para que encontros sociais, corporativos, culturais ou governamentais ocorram conforme o planejado.
    Entre suas responsabilidades estão: escolher o local adequado, montar cronogramas, gerenciar fornecedores, coordenar equipes e acompanhar o orçamento. Além disso, ele garante que todos os detalhes estejam alinhados às necessidades do público e dos contratantes.
    Para que um evento ocorra como planejado, é necessário um trabalho estratégico nos bastidores, envolvendo decisões operacionais e colaboração entre diferentes áreas. Nesse contexto, os organizadores de eventos em Foz do Iguaçu atuam como ponto de ligação entre planejamento e execução, lidando com imprevistos e assegurando que cada etapa seja organizada e segura.
    Principais habilidades dos organizadores de eventos
    O trabalho exige habilidades que vão além do planejamento básico. Alguns dos pontos-chave incluem:
    Comunicação: interagir de forma clara com fornecedores, patrocinadores, clientes e equipes para evitar conflitos e facilitar negociações.
    Gestão de tempo: planejar cada etapa com disciplina para cumprir prazos e evitar atrasos.
    Liderança e delegação: coordenar equipes, distribuir responsabilidades e acompanhar resultados durante a execução.
    Organização: manter controle sobre cronogramas, demandas e processos do pré ao pós-evento.
    Rede de contatos: contar com fornecedores, parceiros e especialistas disponíveis para atender demandas de última hora.
    Resiliência: lidar com imprevistos, encontrar soluções rápidas e manter a execução do evento dentro do planejado.
    24º Congresso Internacional e Brasileiro de Neuropsicologia 2025
    Divulgação: Jean Pavão
    Papéis e responsabilidades
    Os organizadores de eventos em Foz do Iguaçu assumem responsabilidades que abrangem todas as etapas do projeto, incluindo:
    Planejamento estratégico: definir formato, público-alvo e objetivos do evento.
    Gestão de orçamento: elaborar orçamentos, negociar com fornecedores e otimizar recursos.
    Coordenação de processos: organizar pré-evento, execução e pós-evento.
    Infraestrutura e segurança: verificar locais, autorizações e protocolos de segurança.
    Gestão de fornecedores: contratar e acompanhar serviços de alimentação, audiovisual, logística e recepção.
    Divulgação e marketing: estruturar estratégias de comunicação para alcançar o público-alvo.
    Acompanhamento em tempo real: monitorar o evento, coordenar equipes e resolver imprevistos.
    Avaliação de resultados: coletar feedbacks e propor ajustes para futuras ações.
    A rotina desses profissionais varia conforme o tipo de evento, seja um congresso corporativo, feira, celebração social ou experiência digital. Em todos os casos, os organizadores de eventos atuam como elementos centrais na execução e coordenação das atividades.
    Evento de comemoração 87 anos Parque Nacional do Iguaçu
    Divulgação: Urbia+Cataratas
    Tipos de eventos e atuação dos organizadores em Foz do Iguaçu
    O trabalho dos organizadores de eventos abrange diferentes formatos, atendendo desde pequenas reuniões até grandes produções corporativas, culturais ou sociais. Conhecer esses tipos de evento ajuda a compreender a amplitude da atuação desse profissional.
    Principais tipos de eventos
    Eventos sociais: celebram momentos de lazer e interação, sem foco comercial direto, como casamentos, aniversários, chás, coquetéis e noivados.
    Eventos corporativos e profissionais: promovidos por empresas ou instituições, voltados para networking ou objetivos institucionais, incluindo coffee breaks, desfiles, leilões e visitas institucionais.
    Eventos oficiais: seguem protocolos formais, com foco em cerimônias institucionais, premiações, inaugurações ou assinaturas de contratos.
    Eventos técnico-científicos: relacionados à troca de conhecimento e aprendizado, como congressos, seminários, workshops e feiras técnicas.
    Eventos artísticos e culturais: envolvem apresentações, exposições, shows e festivais que apresentam arte e cultura ao público.
    Eventos religiosos: celebram tradições religiosas, como batizados, casamentos e primeiras comunhões.
    Cataratas do Iguaçu
    Divulgação: Nilmar Fernando
    Empresas e organizadoras de eventos em Foz do Iguaçu
    As empresas que organizam eventos em Foz do Iguaçu oferecem planejamento, coordenação e execução de projetos de diferentes portes, do pequeno ao grande, incluindo reuniões, convenções, feiras, eventos corporativos, culturais e esportivos.
    Foz do Iguaçu como destino de eventos
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    Foz do Iguaçu é referência para eventos nacionais e internacionais, oferecendo infraestrutura variada, como hotéis e espaços de eventos próximos a pontos turísticos. Além disso, a cidade conta com serviços especializados e experiências únicas.
    A cidade permite que participantes tenham deslocamento ágil entre centros de convenções e atrações locais. A proximidade com Argentina e Paraguai proporciona uma experiência multicultural, favorecendo eventos corporativos, congressos e feiras que contemplam aspectos internacionais.
    Para mais informações sobre o destino e opções de locais, é possível acessar o Visit Iguassu.
    Confira tudo que o Destino Iguaçu tem a oferecer!