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  • Austrália autoriza mudança na composição do combustível para combater alta do petróleo

    Agência Internacional de Energia vai disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo para segurar alta dos preços
    O ministro da energia da Austrália, Chris Bowen, anunciou nesta quinta-feira (12) que o país vai alterar os padrões de qualidade de combustível para pressionar a queda nos preços do petróleo. Segundo o ministério, o combustível australiano poderá apresentar níveis mais altos de enxofre nos próximos 60 dias.
    Com isso, a expectativa do governo é que 100 milhões de litros de combustível, que inicialmente seriam exportados, sejam misturados ao consumo doméstico australiano.
    O ministério ressaltou que a Ampol, empresa petrolífera australiana, se comprometeu a redirecionar o combustível para regiões com maior escassez e para o mercado atacista à vista, atendendo distribuidores independentes e produtores rurais.
    Petróleo ultrapassa US$ 100 novamente
    Pouco tempo depois, o preço do petróleo Brent, a referência internacional, disparou novamente acima de US$ 100 (cerca de R$ 515,90). O aumento ocorreu após ataques atingirem navios petroleiros próximo ao Estreito de Ormuz.
    Nesta quarta (11) e quinta-feira (12) foram relatados diversos ataques iranianos contra navios comerciais ao redor do Estreito de Ormuz e do porto de Basra, no Iraque. O momento é de intensificação da pressão sobre a região do Golfo, rica em petróleo.
    Com informações da agência Reuters.
  • O que se sabe sobre adolescente que deu cigarro para a irmã, uma bebê de 1 ano, no interior de SP

    O que se sabe sobre adolescente que deu cigarro para a irmã, uma bebê de 1 ano, no interior de SP

    O que se sabe sobre adolescente que deu cigarro para a irmã, uma bebê de 1 ano, no interior de SP
    Polícia investiga adolescente por colocar cigarro na boca de bebê no interior de SP
    A Polícia Civil investiga um caso de maus-tratos envolvendo uma adolescente de 14 anos depois que ela apareceu em um vídeo colocando o cigarro na boca da irmã, uma bebê de 1 ano, em São José da Bela Vista (SP).
    As autoridades buscam esclarecer a origem do cigarro e as circunstâncias da gravação. Os pais alegam que não estavam presentes quando isso aconteceu.
    O Conselho Tutelar e o Ministério Público acompanham o desdobramento das investigações.
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    A seguir, veja o que se sabe sobre o caso em São José da Bela Vista:
    O que mostra o vídeo que viralizou?
    O vídeo mostra uma adolescente colocando um cigarro na boca da irmã, uma bebê de 1 ano.
    Segundo a Polícia Civil, as imagens foram gravadas pela própria adolescente e compartilhadas em redes sociais por um amigo dela, chegando ao conhecimento dos pais por meio de aplicativos de mensagens na terça-feira (10).
    As autoridades ressaltaram que, pelas imagens, não é possível apontar onde as imagens foram gravadas, embora a informação inicial é de que isso ocorreu na residência da mãe dela, no bairro Vila Maria.
    Bebê flagrada com cigarro na boca em São José da Bela Vista, SP, pode desenvolver traumas
    O que a Polícia Civil investiga?
    A ocorrência foi registrada no mesmo dia como um caso de maus-tratos qualificado como ato infracional por ser praticado por uma menor de 18 anos. A polícia também apura a procedência do cigarro utilizado na gravação.
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    Onde estavam os pais no momento em que o vídeo foi gravado?
    Segundo boletim de ocorrência, a mãe relatou que estava limpando a casa e não percebeu quando a adolescente entrou na casa e pegou a bebê no colo para gravar o vídeo.
    Ela também informou que a jovem, embora seja filha dela, atualmente está sob a guarda da avó materna e não costuma frequentar a casa.
    O pai informou que estava trabalhando em uma usina no horário do ocorrido. A avó declarou à polícia que trabalha na zona rural e não tinha conhecimento dos fatos até ser notificada pelas autoridades.
    Adolescente aparece em vídeo colocando cigarro na boca da irmã, uma bebê de um ano, em São José da Bela Vista, SP
    Redes sociais
    Quais providências foram tomadas pelos pais?
    Após tomarem conhecimento das imagens, os pais procuraram o Conselho Tutelar de São José da Bela Vista, onde foram orientados sobre os cuidados com a criança antes de serem encaminhados à delegacia para prestar depoimentos com os advogados.
    Quais as próximas etapas da investigação?
    A Polícia Civil investiga se houve negligência e busca envolvidos no fornecimento do cigarro para a adolescente.
    O delegado responsável encaminhará o caso ao Ministério Público quando as investigações forem concluídas. O MP e a Vara da Infância e Juventude podem determinar medidas socioeducativas ou protetivas com relação à adolescente.
    Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca
  • Super Mario? Cano gigante ‘salta’ do asfalto e fecha via movimentada no Japão

    Super Mario? Cano gigante ‘salta’ do asfalto e fecha via movimentada no Japão

    Super Mario? Cano gigante ‘salta’ do asfalto e fecha via movimentada no Japão
    Cano gigante surge em rua movimentada do Japão
    Um cano gigante emergiu do asfalto em uma das áreas mais movimentadas de Osaka, no Japão, e levou ao fechamento de uma das principais vias da cidade na manhã desta quarta-feira (11). Veja no vídeo acima.
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    Segundo a emissora pública NHK, o cano, que estava enterrado, tem cerca de 30 metros de comprimento e 3,5 metros de diâmetro. Do total, 13 metros acabaram “saltando” para fora do asfalto e quase atingiram um viaduto por onde passa uma rodovia.
    De acordo com autoridades municipais, a estrutura faz parte de um duto subterrâneo que está sendo preparado para armazenar água da chuva.
    Na terça-feira (10), trabalhadores teriam retirado água subterrânea acumulada dentro do tubo. A prefeitura informou que ainda não sabe se essa operação teve relação com o incidente. Técnicos investigam as causas.
    Equipes trabalham para empurrar o tubo de volta ao subsolo. As autoridades alertaram que há risco de a estrutura subir ainda mais e atingir o elevado por onde passa a rodovia.
    Por precaução, a estrada foi interditada desde a manhã de quarta-feira. A medida provocou forte congestionamento em uma das áreas mais movimentadas de Osaka.
    A prefeitura afirmou que não há previsão para a liberação da via. O chefe do departamento de esgoto da cidade, Miyazaki Hiroaki, pediu desculpas pelo transtorno.
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    Nippon Television Network Corp.
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  • O que são os ‘cristais de memória’ que desafiam leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

    O que são os ‘cristais de memória’ que desafiam leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

    O que são os ‘cristais de memória’ que desafiam leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados
    Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais, um dilema que vem impulsionando soluções inovadoras
    SPhotonix via BBC
    Durante uma visita ao Japão em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso. Agora, ele acredita que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados.
    No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundos. Eles emitem um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo.
    Mas eles observaram algo incomum na forma em que a luz trafegava através do vidro tratado com laser.
    A dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul.
    Mas, neste caso, a luz não se refletia conforme o esperado.
    “Foi difícil explicar”, afirma Kazansky, professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Ele trabalhava em colaboração com os pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão.
    “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física.”
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    A desconcertante observação acabou provocando “um autêntico momento Eureka”, segundo Kazansky.
    Os pesquisadores descobriram nanoestruturas ocultas dentro do vidro de sílica, criadas por “microexplosões” geradas pelos lasers de femtossegundos.
    Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham esta mesma propriedade.
    Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses “redemoinhos” de luz são tão minúsculos que acabam sendo imperceptíveis para o olho humano. Mas logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador.
    “Esta foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz”, explica Kazansky.
    Agora, 27 anos depois, espera-se que aquela descoberta possa ajudar a resolver um dos problemas mais graves da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados.
    O nosso problema com dados
    Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados.
    A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes).
    Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço.
    A ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa.
    Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente “na nuvem”. Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável.
    Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais. E seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais.
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    Este dilema vem impulsionando soluções inovadoras. E uma delas é a proposta de Kazansky de gravar dados por meio de lasers.
    Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft.
    Os dados são processados e alojados em centros de dados — estruturas gigantescas, quase alienígenas, repletas de filas de servidores de mais de dois metros de altura, que piscam sem intervalos.
    Essas caixas vibrantes de hardware e cabos devoram energia, tanto para alimentar sua capacidade de computação quanto para os enormes sistemas de refrigeração necessários para evitar que elas se incendeiem.
    Aliás, um centro de dados não é um lugar agradável para se trabalhar. Quente e ensurdecedor, ele só é adequado para pessoas que conseguem “suportar muitas dores”, segundo uma pesquisa da revista americana The New Yorker em 2025.
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    A Agência Internacional de Energia prevê que o consumo de eletricidade dos centros de dados duplicará até 2030
    Getty Images via BBC
    Em escala global, os centros de dados representam cerca de 1,5% da demanda mundial de eletricidade.
    Projeções indicam que seu consumo irá duplicar até 2030, quando também poderão gerar 2,5 bilhões de toneladas de emissões de CO₂. Este número equivale a cerca de 40% de todas as emissões anuais dos Estados Unidos.
    A recente expansão da IA generativa agravou a situação. Ela aumentou drasticamente a demanda por sistemas de computação de alto rendimento, que consomem quantidades colossais de energia e emitem nuvens intensas de calor.
    A maior parte da energia consumida pelos centros de dados é gasta com “dados quentes”: informações que devem estar disponíveis instantaneamente para acesso rápido e atualizações frequentes. Exemplos são transferências de dinheiro entre contas bancárias e documentos online editados regularmente.
    Mas a maioria dos dados do mundo não é deste tipo. Até cerca de 80%, na verdade, são “dados frios”: informações de que ninguém necessita imediatamente e que, quando são necessárias, as pessoas estão dispostas a esperar minutos ou até dias para obtê-las.
    Eles incluem dados de conformidade, como registros financeiros ou processos de auditoria, que bancos e outras empresas devem conservar indefinidamente. Também entram nesta categoria as cópias de segurança dos e-mails ou fotos antigas, além de dados de arquivo.
    Mas a armazenagem destes dados apresenta problemas.
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    A maior parte deles é atualmente armazenada em discos rígidos, dentro de centros de dados. Eles devem permanecer ligados para que as informações possam ser recuperadas, o que exige energia e sistemas de refrigeração.
    Outra solução cada vez mais popular é a fita magnética. Ela é armazenada nas próprias instalações do centro de dados ou em bibliotecas de fitas especializadas.
    As fitas devem ser mantidas sob temperaturas de 16 a 25 °C, o que também implica consumo de energia para manter suas condições ideais.
    Além disso, elas precisam ser substituídas a cada 10 a 20 anos devido à sua degradação. Neste momento, a fita antiga é descartada como resíduo.
    O enorme aumento da produção de dados impulsionou forte demanda por fitas magnéticas nos últimos anos.
    ‘Cristais de memória’
    Tudo isso faz com que a busca de soluções alternativas seja cada vez mais urgente. E Kazansky está adotando um enfoque inovador sobre este problema.
    Nos anos que se seguiram àquela primeira revelação na Universidade de Kyoto, ele descobriu que os redemoinhos com perfurações minúsculas gravadas no vidro podem ser lidos de forma muito similar aos dados transmitidos por fibra óptica.
    O professor explica que este método codifica dados em cinco dimensões, empregando a diferença de orientação e a intensidade da luz, combinadas com a localização de diferentes “voxels” (pixels tridimensionais individuais com coordenadas x, y e z).
    “Podemos empregar estas propriedades da luz para armazenar dados em cinco dimensões, em vez das três habituais”, explica Kazansky, “o que é fundamental para atingirmos a alta densidade necessária para o armazenamento ‘eterno’.”
    As informações são lidas por meio de um microscópio óptico especializado, equipado com uma câmera capaz de detectar a intensidade e a polarização da luz.
    “Como as nanoestruturas modificam a forma em que a luz viaja através delas, usamos óptica especial para ‘ver’ essas mudanças de polarização, que são novamente decodificadas em dados digitais”, segundo ele.
    Os “cristais de memória” de Kazansky precisam de energia apenas para o processo de escrita dos dados. Mas não é necessário ter energia adicional para sua manutenção e o processo de leitura também não apresenta consumo intensivo.
    Eles podem reter uma quantidade vertiginosa de dados em uma área muito pequena. Teoricamente, até 360 terabytes (TB) — equivalentes a 36 mil GB — cabem um disco de vidro de cinco polegadas (12,7 cm).
    Kazansky afirma ainda que eles podem durar essencialmente para sempre. Os discos são feitos de vidro de sílica fundida, conhecido pela sua durabilidade e estabilidade térmica.
    A única precaução é mantê-los dentro de um recipiente resistente, pois, por serem feitos de vidro, eles continuam sendo susceptíveis às tradicionais quebras.
    Cristal de vidro da SPhotonix, mostrando imagens digitais de uma pintura da caverna de Chauvet, na França, e uma imagem gerada por IA de uma alunissagem, foi lançado em órbita em junho de 2025
    SPhotonix via BBC
    Em conjunto com seu filho, Kazansky fundou em 2024 uma empresa chamada SPhotonix, para comercializar sua ideia. A companhia completou recentemente uma rodada de financiamento de US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 23,2 milhões).
    O professor afirma que a SPhotonix já está em contato com empresas de tecnologia para estrear alguns dos seus protótipos em centros de dados durante os próximos dois anos.
    Mas, por enquanto, ele destaca que o objetivo continua sendo “aperfeiçoar a tecnologia para garantir que ela seja suficientemente robusta” para estes usos.
    Atualmente, a empresa pode atingir velocidade de leitura de cerca de 30 MB por segundo. Mas ela espera aumentar a velocidade de leitura e escrita para 500 MB por segundo nos próximos três a cinco anos, segundo Kazansky.
    Em termos de comparação, as soluções mais recentes de armazenamento em fita magnética oferecem até 400 MB por segundo.
    “Nossa meta é fazer com que recuperar os dados… seja tão fácil quanto usar um disco rígido moderno”, afirma ele. Mas nem todos acreditam que os cristais de memória representem o futuro imediato do armazenamento de dados.
    Para o professor de ciência da computação Srinivasan Keshav, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, um dos problemas é que a tecnologia não é “compatível com a infraestrutura existente”, o que gera “enormes barreiras para sua adoção”.
    Kazansky não é o único que estuda como enfrentar o enorme acúmulo de dados do século 21. Ele pode ter encontrado respostas em grãos de areia, mas outros recorreram ao substrato granular de toda a vida orgânica.
    Dados em DNA
    O físico soviético Mikhail Samoilovich Neiman (1905-1975) foi o primeiro a propor a ideia de usar o DNA como meio de armazenamento, em 1964.
    Demonstrações realizadas desde a década de 1980 confirmaram sua viabilidade. Seus defensores afirmam que o DNA oferece uma solução extraordinariamente eficiente e duradoura.
    Teoricamente, um único grama de DNA poderia armazenar até 215 petabytes (PB), ou 215 milhões de GB de dados, por milhares de anos. E transformar bytes em bases nitrogenadas é surpreendentemente simples.
    “Você pega seus dados digitais e os atribui aos componentes básicos do DNA”, explica o professor de gestão de dados Thomas Heinis, do Imperial College de Londres.
    Primeiramente, as quatro letras das bases de DNA (A, T, C e G) são convertidas em 01, 00, 11 e 10.
    “Depois, você sintetiza uma molécula (a representação física real desses dados) e a armazena pelo tempo que quiser”, afirma o professor.
    A frase favorita entre os pesquisadores do armazenamento de dados em DNA é que “você poderia guardar todos os dados do mundo em uma colherada”, comenta Heinis. Mas ele acrescenta que, na prática, seria muito difícil localizar a informação desejada dentro daquela massa indiferenciada.
    O fundamental é que as necessidades de armazenamento não exigem uso intensivo de energia.
    “Ele é eficiente do ponto de vista energético, pois, se você guardar em local adequado, não necessita de refrigeração”, segundo o professor.
    Estão começando a surgir startups especializadas em armazenamento em DNA. E, nos últimos anos, houve avanços na redução do custo de “leitura” do DNA, segundo Heinis. Mas o custo total ainda é um obstáculo.
    “Continua caro demais”, afirma ele, especialmente em relação à síntese do DNA.
    “Na parte da ‘escrita’, ainda não observamos grandes avanços, de forma que isso realmente precisa ocorrer”, segundo Heinis. “Quando for suficientemente barato, tudo o mais irá se encaixar.”
    Heinis descreve os cristais de memória de Kazansky como um “concorrente direto do armazenamento em DNA”, mas o DNA poderia ser vantajoso porque “sempre poderemos ler DNA”, devido às suas amplas aplicações médicas.
    “Com outras tecnologias, a questão é por quanto tempo existirá o dispositivo de leitura.”
    Heinis destaca que, atualmente, é cada vez mais difícil ler meios de gravação como os disquetes, que surgiram nos anos 1970, mas ficaram praticamente obsoletos no início do século 21.
    “Existem empresas que oferecem armazenamento de dados por mais de 100 anos. Mas quais delas continuarão existindo daqui a um século?”, questiona ele.
    O DNA pode armazenar enorme quantidade de dados e suas necessidades de conservação não consomem muita energia
    Getty Images via BBC
    Entre as gigantes da tecnologia, a Microsoft é quem demonstrou mais interesse em experimentar novos tipos de armazenamento de dados.
    Em 2016, a empresa anunciou ter armazenado 200 MB de dados em DNA, incluindo um banco de sementes do Silo Global de Sementes de Svalbard e a Declaração Universal dos Direitos Humanos em mais de 100 idiomas.
    Em 2020, a Microsoft e outras empresas fundaram a Aliança de Armazenamento de Dados em DNA.
    “A demanda por armazenamento de dados na nuvem a longo prazo atinge níveis sem precedentes e estamos chegando ao limite do possível com as tecnologias atuais”, declarou à BBC um porta-voz da Microsoft.
    A Microsoft também patrocinou o grupo de pesquisa de Kazansky na Universidade de Southampton, como parte do seu Projeto Sílica, entre 2017 e 2019.
    “Juntos, demonstramos o princípio fundamental; depois disso, eles continuaram desenvolvendo a tecnologia de forma independente”, segundo Kazansky.
    Equipamentos de pesquisa para a criação de cristais de vidro desenvolvidos pela Microsoft
    Microsoft via BBC
    Em fevereiro de 2026, a Microsoft publicou um artigo na revista Nature, detalhando um novo avanço neste campo. A empresa conseguiu armazenar dados em vidro de borossilicato, o mesmo utilizado em utensílios de cozinha e portas de fornos, além do vidro padrão de sílica fundida.
    O vidro de borossilicato é muito mais barato, o que faz com que a ideia seja economicamente mais viável. E também é muito durável; a empresa afirma que estes dados poderiam ser armazenados por até 10 mil anos.
    A Microsoft informou à BBC que, embora seus testes conceituais tenham demonstrado resultados promissores, a empresa ainda não comercializa esta linha de pesquisa.
    Repensar a computação
    Solucionar o problema do armazenamento de dados a longo prazo é apenas uma parte do desafio representado pelos centros de dados e seu enorme consumo de energia.
    A sílica e o DNA são “muito atraentes do ponto de vista da sustentabilidade”, reconhece a professora Tania Malik, da Faculdade de Computação e Cibersegurança da Universidade Tecnológica de Dublin, na Irlanda.
    “Mas é pouco provável que estas tecnologias substituam o armazenamento convencional para a informática cotidiana ou as cargas de trabalho de IA em um futuro próximo”, alerta ela.
    Malik destaca que existem formas mais práticas de abordar, em curto prazo, o problema do consumo de energia associado aos “dados quentes”.
    “Uma questão importante é melhorar a eficiência da infraestrutura, por exemplo, com processadores com uso mais eficiente de energia e técnicas avançadas de refrigeração, como a refrigeração líquida ou por ar externo”, explica ela.
    Paralelamente, a professora destaca que existe um “reconhecimento cada vez maior de que a eficiência também deve ser abordada em nível de software e das cargas de trabalho, não apenas em nível de infraestrutura”.
    Malik afirma que, “na informática de alto rendimento e na computação em nuvem, o rendimento tem sido tradicionalmente a métrica dominante, mas é preciso considerar a eficiência energética com a mesma importância”.
    Para ela, “isso significa projetar algoritmos e aplicativos com consciência do consumo de energia”.
    A professora destaca ainda que isso também implica o uso da potência adequada de computação para cada tarefa. Afinal, “nem todas as tarefas necessitam do maior modelo de IA possível, nem do tempo de execução mais rápido”.
    Mas, frente ao acúmulo exponencial de dados, é possível que venha a ser necessária uma reorganização mais radical, segundo Malik.
    Será que realmente precisamos de todos os dados que produzimos?
    Cada vez mais, parte da solução consiste em “termos mais propósito em relação ao que decidimos conservar”, conclui a professora.
    Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Technology.
  • Jornalista, filho de historiadora e apaixonado pelo Recife: conheça Kleber Mendonça Filho, diretor indicado ao Oscar por ‘O Agente Secreto’

    Jornalista, filho de historiadora e apaixonado pelo Recife: conheça Kleber Mendonça Filho, diretor indicado ao Oscar por ‘O Agente Secreto’

    Jornalista, filho de historiadora e apaixonado pelo Recife: conheça Kleber Mendonça Filho, diretor indicado ao Oscar por ‘O Agente Secreto’
    Cinema e Recife: as paixões do diretor Kleber Mendonça Filho que levaram o Brasil a disputar mais um Oscar
    A poucos dias do Oscar, Kleber Mendonça Filho, diretor pernambucano que recebeu quatro indicações ao prêmio com o filme “O Agente Secreto”, é, na verdade, jornalista de formação. Ele ingressou na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1988, numa época em o curso de cinema sequer exista na instituição.
    Entre sessões de cinema na casa do cineasta, primeiros vídeos como exercícios das disciplinas e experimentos pessoais, Kleber escolheu o jornalismo porque gostava de escrever. Mas a paixão pela sétima arte já fazia parte de sua vida desde cedo.
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    “Ele é uma enciclopédia de cinema. Ele sabe tudo. Ele sabe o ano que foi feito, ele sabe a câmera que foi usada, a lente que foi usada, os atores”, contou Winston Araújo, sócio-administrativo da CinemaScópio, produtora de filmes de Kleber.
    Filho da historiadora Joselice Jucá, a formação de Kleber foi diretamente influenciada pela mãe.
    “O fato de ele ser filho de uma historiadora reconhecida, de um trabalho formidável, como era Dona Joselice Jucá, acho que isso influenciou sem dúvida nenhuma na pessoa do Kleber Mendonça Filho”, diz Winston.
    Professor da UFPE, o jornalista e fotógrafo José Afonso Júnior também cita como influência importante a produtora Emilie Lesclaux, esposa e parceira de trabalho de Kleber Mendonça Filho.
    “Eles são parceiros profissionais, de família, têm filhos e, como a garotada gosta de falar, ‘formou’”, disse.
    Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux na festa de indicados ao Bafta
    REUTERS/Carlos Jasso
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    ‘Eu amo o Centro do Recife’
    Antes de se tornar diretor, Kleber Mendonça trabalhou como crítico de cinema. Foi também programador e curador de cinema na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Recife.
    Como diretor, iniciou com curtas-metragens. “Recife Frio”, um dos mais populares, conta a história de uma brusca queda de temperatura na cidade, conhecida por seu clima tropical, com humor e crítica humana e social, temáticas que voltariam em “O som Ao redor”, “Aquarius” e “Bacuaru”, três de seus longas ficcionais anteriores a “O Agente Secreto”.
    A paisagem do Recife como personagem e cenário é uma constante na obra do diretor desde os primeiros trabalhos.
    A paixão pela cidade, que é o principal cenário de “O Agente Secreto”, já havia sido declarada em filmes anteriores, como em “Retratos Fantasmas”, documentário sobre cinemas de rua no qual Kleber repete apaixonadamente uma de suas frases mais famosas: “Eu amo o Centro do Recife”.
    Para concluir o curso de jornalismo, Kleber produziu vídeos sobre o projecionista Seu Alexandre, dos antigos Cine Boa Vista e Cine Art-Palácio. Foi ele que inspirou o personagem homônimo interpretado por Carlos Francisco, que em “O Agente Secreto” é sogro do protagonista.
    Em entrevista à TV Globo, o diretor afirmou que, mesmo com um centro da cidade diferente, o local continua mantendo sua personalidade.
    “Você pode estar no Recife em qualquer bairro, mas o centro da cidade, como um filtro, consegue concentrar a ideia e a logica dessa cidade. Mesmo assim, da forma como está, continua mantendo sua personalidade, continua sendo incrivelmente atraente, eu acho que tem muita gente que tem redescoberto o centro e que vê o centro como espaço de inspiração mesmo”, disse.
    Kleber Mendonça Filho recebe prêmio de Melhor Ator em nome do ator brasileiro Wagner Moura pelo filme “O Agente Secreto” durante a Cerimônia de Encerramento da 78ª edição do Festival de Cinema de Cannes, em Cannes, sul da França, em 24 de maio de 2025.
    Sameer AL-DOUMY / AFP
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  • A tentativa de 32 países de contornar bloqueio do Estreito de Ormuz com maior liberação de reservas de petróleo da história

    A tentativa de 32 países de contornar bloqueio do Estreito de Ormuz com maior liberação de reservas de petróleo da história

    A tentativa de 32 países de contornar bloqueio do Estreito de Ormuz com maior liberação de reservas de petróleo da história
    Estreito de Ormuz escoava mais de 20% do transporte global de petróleo.
    Getty Images via BBC
    A Agência Internacional de Energia (AIE) vai liberar 400 milhões de barris de petróleo para compensar a perda de suprimento causada pelo fechamento de fato do Estreito de Ormuz em plena guerra no Irã.
    O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11/3) por seu diretor-executivo, Fatih Birol, depois de o governo do Irã ameaçar não deixar passar “um único litro de petróleo” pelo corredor marítimo que até agora escoava mais de 20% do transporte global desse recurso energético crucial.
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    Birol afirmou que os 32 países membros votaram unanimemente a favor da maior liberação de reservas de petróleo da história da Agência Internacional de Energia.
    A AIE é um organismo internacional que coordena a política energética e as reservas estratégicas de petróleo de 32 países industrializados, em sua maioria economias avançadas da Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico.
    A lista de membros inclui a maior parte da Europa Ocidental (como França, Itália, Alemanha e Reino Unido), além de Austrália, Canadá, Japão, Coreia do Sul, México, Nova Zelândia, Turquia e EUA. O Brasil é considerado um país “em vias de adesão”.
    Veja os vídeos em alta no g1:
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    Medida ‘sem precedentes’
    “Os desafios que enfrentamos no mercado do petróleo são de uma escala sem precedentes; portanto, fico extremamente satisfeito que os países membros da AIE tenham respondido com uma ação coletiva de emergência de magnitude igualmente sem precedentes”, declarou o diretor-executivo.
    A agência especificou que as reservas de emergência estarão disponíveis no mercado dentro de um prazo adequado às circunstâncias nacionais de cada país membro.
    Valor do barril de petróleo disparou com a guerra no Irã.
    Getty Images via BBC
    Os 400 milhões de barris de petróleo equivalem a quatro dias de consumo mundial ou ao que, em circunstâncias normais, flui pelo Estreito de Ormuz em 20 dias.
    Esta é a sexta vez que a AIE aprova uma liberação coordenada de reservas de petróleo, depois de tê-lo feito em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022.
    Segundo dados do próprio organismo, seus membros mantêm reservas de emergência superiores a 1,2 bilhão de barris, além de outros 600 milhões armazenados pela indústria petrolífera em cumprimento de obrigações legais impostas pelos governos.
    Os preços dos barris Brent e WTI estavam na faixa dos US$ 60 antes do início da guerra no Irã — um valor relativamente baixo em comparação com dados históricos, devido à oferta abundante.
    O conflito chegou a elevar o preço do barril para acima de US$ 100, embora nos últimos dias ele tenha se moderado para a faixa de US$ 80–90.
    De todo modo, o preço da gasolina subiu em quase todos os países, e muitos governos passaram a considerar medidas de contingência caso a crise se agrave.
    Irã ameaça com petróleo a US$ 200
    O regime do Irã, por sua vez, anunciou anteriormente nesta quarta-feira que pôs fim à sua política de ataques militares recíprocos para se concentrar no bloqueio do Estreito de Ormuz.
    Especialistas interpretam essa estratégia como uma tentativa de usar o controle sobre o estreito para pressionar a alta dos preços e aumentar o custo econômico da guerra para os Estados Unidos e seus aliados.
    Irã tem apostado em fechar o Estreito de Ormuz para pressionar seus adversários na guerra.
    Getty Images via BBC
    A política de Teerã agora será “ataque após ataque”, declarou o porta-voz Ebrahim Zolfaqari, do quartel-general do comando militar Khatam al Anbiya, em Teerã, em um comunicado.
    Ele afirmou que o Irã não permitirá que “nem um único litro de petróleo” atravesse o Estreito de Ormuz com destino aos Estados Unidos, a Israel e a seus aliados.
    “Qualquer navio ou petroleiro com destino a eles será um alvo legítimo. Preparem-se para que o barril de petróleo chegue a US$ 200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram.”
    Preços de ‘guerra’, segundo Trump
    O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou nesta quarta-feira o aumento dos preços do petróleo como uma “questão de guerra” e afirmou que os mercados financeiros devem “voltar ao normal” em breve, em declaração à imprensa.
    Ele assegurou que suas forças militares “atacaram 28 ‘navios mineiros’ até o momento”, fazendo referência a embarcações iranianas supostamente destinadas a atacar navios comerciais com minas em Ormuz.
    Trump aposta que subida de preço é algo passageiro.
    Getty Images via BBC
    O Exército dos Estados Unidos, que há dias busca uma forma de neutralizar a ameaça militar ao tráfego marítimo no estreito, sugeriu a possibilidade de ataques iminentes a portos na costa sul do Irã.
    O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) advertiu os civis iranianos para “evitarem imediatamente” todos os portos ao longo do estreito onde operam as forças navais do país.
    O Centcom afirmou que o regime iraniano está utilizando portos civis para “operações militares que ameaçam o transporte marítimo internacional”.
    “Essa ação perigosa coloca em risco a vida de pessoas inocentes”, diz a mensagem de advertência.
    O comunicado especifica que portos civis utilizados para fins militares perdem seu status de proteção e se tornam “alvos militares legítimos, segundo o direito internacional”.
    Anteriormente, o Centcom havia divulgado imagens do que descreveu como 16 navios mineiros iranianos destruídos nas proximidades do estreito de Ormuz.
    Trump também declarou nesta quarta-feira — desta vez ao portal de notícias Axios — que a guerra terminará “em breve” e que “praticamente não resta nada para atacar”.
    “Quando eu quiser que acabe, vai acabar”, afirmou.
    Por sua vez, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que a guerra “continuará por tempo indeterminado”.
    Ele alegou que o conflito seguirá enquanto for necessário e até que todos os objetivos da campanha conjunta israelense-americana iniciada em 28 de fevereiro, sejam alcançados, segundo relataram a agência Reuters e o jornal The Times of Israel.
    A situação dos produtores no Oriente Médio
    Nessa situação, alguns países produtores da região estão tentando encontrar alternativas para lidar com a crise no Estreito de Ormuz.
    A Arábia Saudita está aumentando o fluxo de petróleo através de sua rede de oleodutos Leste–Oeste, enquanto outros Estados petrolíferos do Golfo Pérsico estão reduzindo a produção, informa de Riad, a capital saudita, Sameer Hashmi, correspondente da BBC News no Oriente Médio.
    O oleoduto de 1,2 mil km transporta petróleo dos campos do Golfo até os terminais de exportação no Mar Vermelho, o que permite que os embarques evitem o gargalo energético do estreito de Ormuz.
    Antes da crise atual, o oleoduto Leste–Oeste saudita transportava cerca de 2,8 milhões de barris de petróleo por dia.
    Arabia Saudita desviou parte de sua produção a oleodutos.
    Getty Images via BBC
    O diretor-executivo da gigante petrolífera saudita Aramco, Amin Nasser, confirmou na terça‑feira (10/3) que agora estão aumentando o fluxo até sua capacidade máxima, de aproximadamente 7 milhões de barris diários, já que os petroleiros estão transferindo as operações de carregamento para os portos no Mar Vermelho.
    A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão entre os poucos produtores do Golfo com oleodutos projetados para contornar parcialmente o Estreito de Ormuz.
    O Oleoduto de Petróleo Bruto de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, pode enviar cerca de 1,8 milhão de barris diários até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã.
    Mas, mesmo operando em plena capacidade, os oleodutos administrados pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos transportariam menos da metade do petróleo que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz.
    Outros produtores do Golfo que não contam com alternativas semelhantes, como Kuwait e Iraque, já começaram a reduzir a produção.
    Amin Nasser descreveu a interrupção atual como “a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou”.
  • Mãos queimadas e trabalho infantil: desafios da produção artesanal da castanha de caju no Rio Grande do Norte

    Mãos queimadas e trabalho infantil: desafios da produção artesanal da castanha de caju no Rio Grande do Norte

    Mãos queimadas e trabalho infantil: desafios da produção artesanal da castanha de caju no Rio Grande do Norte
    Conheça os desafios da produção artesanal da castanha de caju
    A castanha de caju é uma fonte de renda importante para pequenos produtores no semiárido do Rio Grande do Norte. Mas a rotina traz desafios. Sem acesso a equipamentos de proteção, alguns agricultores queimam as mãos. Em alguns casos, crianças também acabam ajudando na produção.
    No Nordeste, 195 mil agricultores cultivam caju. Os pequenos produtores representam mais da metade desse número.
    Apesar das dificuldades, a renda chega em um momento importante: durante a entressafra de culturas como feijão, milho e algodão.
    O Rio Grande do Norte é o terceiro maior produtor do Brasil de castanha de caju, com 20,5 mil toneladas. O estado fica atrás do Ceará, com 102 mil toneladas, e do Piauí, com 25 mil toneladas.
    Na comunidade indígena Amarelão, no município de João Câmara, a castanha é extraída da forma artesanal. Primeiro ela vai para o tacho, onde é torrada. Depois é cozida e quebrada para retirar a amêndoa.
    A comunidade beneficia 42 toneladas por semana.
    Os trabalhadores começam o dia ainda de madrugada para fugir do calor. É o caso de Sebastiana de Souza Raimundo e Damião Raimundo.
    O casal estudou apenas até a terceira série do ensino fundamental. Eles começaram a trabalhar com a castanha para sustentar a família, formada quando Sebastiana tinha 14 anos e Damião 17.
    “A castanha mudou muito a nossa vida. Conseguimos construir a nossa casinha, compramos um carrinho, criamos as nossas filhas”, diz Sebastiana.
    As filhas do casal não precisaram abandonar a escola. Kaliane virou professora e a Kainara, técnica de enfermagem.
    Leia também: Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja e os desafios do transporte no Arco Norte
    Por que a castanha machuca
    Hoje, Sebastiana e Damião usam luvas para trabalhar. Mas, no passado, já machucaram diversas vezes a mão durante o processo de retirada da amêndoa.
    Isso é causado pelo Líquido da Casca da Castanha de Caju (LCC), que é liberado na torra. Ele pode queimar, irritar a pele e até mesmo apagar as impressões digitais.
    A castanha de caju tem três partes: a casca, a película e a amêndoa. Dentro da casca há um tecido esponjoso chamado de mesocarpo. É nele que está o LCC, que é corrosivo. A película o separa da amêndoa.
    Composição da castanha de caju
    Reprodução / Globo Rural
    Trabalho infantil
    Em 2012, o programa Profissão Repórter mostrou casos de trabalho infantil durante o processamento da castanha na comunidade.
    Enquanto o Globo Rural gravou a reportagem, exibida neste domingo (8), a equipe não encontrou nenhuma criança trabalhando. Contudo, a auditora do trabalho Marinalva Dantas confirma que o problema ainda existe.
    O flagrante mais recente foi em 2023, quando 30 adolescentes foram encontrados com as mãos machucadas.
    Mão de criança machucada pelo trabalho com a castanha de caju no Rio Grande do Norte
    Reprodução / Globo Rural
    “O trabalho infantil continua, infelizmente. Como é no âmbito familiar, eles trabalham até às 7 horas da manhã, comem e vão para a escola. Lá eles não conseguem entender nada da aula, porque estão muito sonolentos”, relata Dantas.
    Para ela, é importante que as famílias entendam que crianças e adolescentes não devem trabalhar até os 18 anos.
    Além disso, a auditora diz que a prefeitura e o governo do estado precisam oferecer apoio às famílias.
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  • Preço do diesel nos postos dispara 7% com a guerra no Oriente Médio, diz pesquisa

    Preço do diesel nos postos dispara 7% com a guerra no Oriente Médio, diz pesquisa

    Preço do diesel nos postos dispara 7% com a guerra no Oriente Médio, diz pesquisa
    Empresas de transporte coletivo e de cargas calculam impactos da guerra no Oriente Médio
    Os preços do óleo diesel subiram mais de 7% nos primeiros dias de março, segundo levantamento da Edenred Mobilidade feito com base em dados de 21 mil postos no país.
    O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) compara a primeira semana de março em relação aos últimos sete dias de fevereiro.
    O preço médio do diesel S-10 subiu 7,72%, de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro.
    Já o diesel comum avançou 6,10%, de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro.
    A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também calcula os preços médios do diesel no país. Os dados mais recentes, divulgados na sexta-feira (6), ainda não indicaram aumentos tão expressivos quanto os apontados pela Edenred.
    Segundo a ANP, o preço médio do diesel S-10 ficou em R$ 6,15 na semana encerrada em 6 de março, alta de 0,98% em relação aos sete dias anteriores. O diesel comum subiu 0,83% na mesma comparação, para R$ 6,08.
    Segundo o diretor de frete da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, a alta dos combustíveis acompanhou o avanço do petróleo no mercado internacional, em meio à guerra no Oriente Médio. Há bastante preocupação sobre o combustível por conta de seu impacto indireto na inflação.
    “Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros efeitos apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer aumento de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado”, explica o executivo.
    Os preços do petróleo subiram nas últimas semanas, com a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, e o fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa mais de 20% do comércio global da commodity.
    Na segunda-feira (9), o barril chegou perto de US$ 120, mas acabou recuando nos dias seguintes para a casa dos US$ 90.
    “Alguns postos já relatam dificuldade para repor combustível em determinados tanques ou bombas, o que pode indicar oferta mais restrita caso as limitações logísticas provocadas pelo conflito se prolonguem”, avalia Fernandes.
    O executivo destaca ainda que os preços ao consumidor têm mudado mesmo sem anúncio oficial de reajuste da Petrobras nas refinarias.
    A situação virou alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após sindicatos do setor indicarem aumento ou previsão de alta nos preços da gasolina e do diesel em várias regiões, mesmo sem mudança nos valores praticados pela estatal.
    A investigação foi solicitada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) na última terça-feira (10).
    Segundo Fernandes, ainda é cedo para afirmar que haverá falta de combustíveis no país por causa do conflito no Oriente Médio, e é “importante ter cautela nesse momento”.
    “A Petrobras ainda não anunciou reajustes e costuma avaliar o comportamento do mercado antes de tomar qualquer decisão”, diz.
    Além disso, mais de 30 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram nesta quarta-feira (11) que vão liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência. Trata-se da maior liberação já realizada pelo grupo e deve ajudar a conter os preços.
    Caminhão abastece com diesel em posto de combustível em Brasília no dia 27 de maio de 2018
    Marcello Casal Jr/Agência Brasil
    Nordeste registra a maior alta no diesel
    O IPTL indica que o maior avanço dos preços foi registrado no Nordeste, com alta de 13,17% no diesel S-10 e de 8,79% no diesel comum. O preço médio na região chegou a R$ 7,22 por litro. Em seguida, vieram as regiões Centro-Oeste e Sul.
    Veja abaixo:

    Na análise por estado, o levantamento mostra que o maior preço médio do diesel comum foi registrado em Roraima, a R$ 7,84 por litro. O menor valor apareceu em Pernambuco, a R$ 6,23 por litro.
    No diesel S-10, o maior preço foi registrado em Rondônia, a R$ 7,90 por litro, enquanto o menor valor médio ficou na Paraíba, a R$ 6,26 por litro.

  • Vorcaro gastou mais de R$ 100 milhões no cartão de crédito de 2019 a 2025

    Vorcaro gastou mais de R$ 100 milhões no cartão de crédito de 2019 a 2025

    Vorcaro gastou mais de R$ 100 milhões no cartão de crédito de 2019 a 2025
    Daniel Vorcaro volta a ser preso; Polícia Federal afirma que dono do Banco Master criou uma milícia privada para cometer crimes
    Jornal Nacional/ Reprodução
    O banqueiro, Daniel Vorcaro, preso em Brasília por suspeitas de fraudes no sistema financeiro, gastou R$ 104,4 milhões apenas com cartões de crédito entre 2019 e 2025, segundo documentos obtidos pela CPMI do INSS relativos a quebra de sigilo fiscal do dono do Banco Master.
    Os documentos mostram que, dos mais de R$ 104 milhões gastos por Vorcaro, R$ 45,3 milhões foram em cartões de seu próprio banco, que foi liquidado em novembro de 2025 após a Operação Compliance da Polícia Federal (PF).
    O ano em que Vorcaro mais gastou nos cartões de crédito foi em 2024, com um total de R$ 34 milhões. Desse montante, R$ 21,7 milhões foram gastos apenas em cartões do Banco Master.
    Em 2024, a Polícia Federal começou a investigar o Master por suspeitas de “fabricação” de carteiras de crédito falsas.
    Vorcaro começou a utilizar os cartões do Master em 2021. Naquele ano, o total gasto pelo banqueiro foi R$ 17,8 milhões, sendo que R$ 8,7 milhões foram apenas nos cartões do Banco Master.
    O montante gasto pelo banqueiro em 2023 foi similar: R$ 17,2 milhões, sendo R$ 8,5 milhões em cartões do Master.
    Nos documentos enviado à CPMI, também é possível observar que, em 2025, foram registrados R$ 11,3 milhões gastos pelo banqueiro. No entanto, o levantamento aponta as despesas relativas apenas até o mês de junho.
    Ao longo do período, além do Master, Vorcaro utilizou cartões dos bancos Bradesco, Itaú, Original, Safra, Santander, Caixa Econômica e Sicoob.
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    Prisão de Vorcaro
    Daniel Vorcaro foi preso duas vezes como parte da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Master.
    A primeira prisão ocorreu em 17 de novembro, quando o banqueiro se preparava para viajar para a Europa. A segunda ocorreu no último dia 4 de março, em São Paulo, como parte da terceira fase da operação.
    Após ficar preso na penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, o banqueiro foi transferido para Brasília e está na Penitenciária Federal. A PF solicitou a imediata transferência de Vorcaro afirmando que “há necessidade premente de tutela da integridade física do custodiado”.
  • Contas bancárias da família Aguiar não têm movimentação há mais de 40 dias; polícia reafirma hipótese de feminicídio e duplo homicídio

    Contas bancárias da família Aguiar não têm movimentação há mais de 40 dias; polícia reafirma hipótese de feminicídio e duplo homicídio

    Contas bancárias da família Aguiar não têm movimentação há mais de 40 dias; polícia reafirma hipótese de feminicídio e duplo homicídio
    Polícia não identifica movimentação em contas bancárias de família desaparecida no RS
    A Polícia Civil informou à RBS TV que não identificou movimentação nas contas bancárias das três pessoas da mesma família que estão desaparecidas em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em mais de 40 dias. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro.
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    Em razão da ausência de transações financeiras por mais de 40 dias, a polícia praticamente descarta encontrar a família com vida. Silvana, inclusive, integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no RS em 2026.
    “Nenhuma pessoa ficaria mais de 40 dias fora da sua residência sem fazer movimentações financeiras para subsistir. Não condiz com a realidade”, afirma o delegado Anderson Spier.
    A principal linha de investigação é de que se trata de feminicídio (contra Silvana), duplo homicídio (pais dela) e ocultação dos cadáveres.
    Buscas em diferentes áreas da Região Metropolitana de Porto Alegre são realizadas. As frentes mais recentes se concentraram em áreas de mata de Gravataí e Cachoeirinha, além de trechos do Rio Gravataí.
    O único suspeito é o policial militar e ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.
    Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém “efetiva colaboração com as autoridades” e que “irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus”. Leia abaixo a íntegra
    Com a prorrogação da prisão de Cristiano, a polícia espera concluir o inquérito sobre o caso em até 30 dias.
    Cristiano Domingues Francisco, suspeito no desaparecimento da família Aguiar
    Renan Mattos / Agencia RBS
    Eletrônicos apreendidos
    Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de um amigo do PM. O homem, que não é investigado e presta depoimento apenas como testemunha, foi citado por Cristiano como alguém com quem teria jantado na noite em que Silvana desapareceu. O objetivo é checar o álibi.
    Na residência, os policiais apreenderam um celular, um pen drive, um HD externo e um videogame. Conforme a polícia, o telefone foi apreendido para que seja checada a geolocalização, mensagens de texto que tenham sido trocadas com o suspeito e outros dados.
    Já o videogame foi apreendido para verificar se o dispositivo foi conectado à rede Wi-Fi da casa de Cristiano naquela noite. O amigo disse à polícia que passou a noite de 24 de janeiro na casa de Cristiano, onde também estava o filho do suspeito, e eles teriam jogado videogame até a madrugada do dia 25.
    O Instituto-Geral de Perícias (IGP) afirmou que “os laudos, assim que concluídos, sempre são entregues diretamente aos cuidados da autoridade solicitante”. Não há prazo para a devolutiva.
    Na ocasião, o advogado de Cristiano disse que ficou surpreso com as buscas na casa desse amigo, já que ele é uma testemunha indicada pela própria defesa.
    “Bastaria solicitar a entrega do aparelho para perícia, o que seria feito com o intuito de colaborar com as investigações, da mesma forma que foi a franquia no sítio deixado pelo pai de Cristiano e demais atos colaborativos”, destaca.
    Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar
    Imagens cedidas/Polícia Civil
    Outros elementos apurados
    As investigações também já levaram a polícia a um sítio da família do PM e a outra propriedade dos Aguiar, além das casas dos desaparecidos e a do próprio suspeito.
    Paralelamente, a polícia tenta esclarecer quem é o dono de um carro vermelho que entrou na casa de Silvana no dia do desaparecimento. Já outra frente aguarda o resultado da perícia nas amostras de sangue encontradas no pátio da residência da vítima.
    “A gente ainda precisa de algumas perícias com relação ao material genético, que estão pendentes”, acrescenta Spier.
    Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)
    Relembre o caso
    O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
    Antes do sumiço
    2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
    9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.

    O fim de semana dos desaparecimentos
    24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
    25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
    Início das investigações
    27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
    28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
    1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
    3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
    4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.
    Perícias e prisão
    5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
    7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais;
    9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal);
    10 de fevereiro:
    – Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.
    – Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso;
    – O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
    Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
    13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos.
    20 de fevereiro:
    – O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio;
    – Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário.
    24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais.
    Um mês do desaparecimento
    24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês.
    25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
    26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.
    Nota da defesa do PM preso
    “A defesa de Cristiano diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades.
    Por fim, irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus.”
    Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha
    Arte/g1
    VÍDEOS: Tudo sobre o RS