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  • Jovens de bicicleta cercam e agridem casal de idosos durante roubo de aliança no litoral de SP; VÍDEO

    Jovens de bicicleta cercam e agridem casal de idosos durante roubo de aliança no litoral de SP; VÍDEO

    Jovens de bicicleta cercam e agridem casal de idosos durante roubo de aliança no litoral de SP; VÍDEO
    Grupo cerca e derruba casal durante assalto no litoral de SP
    Um grupo de jovens foi filmado agredindo um casal de idosos durante um assalto em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Conforme apurado pelo g1, os suspeitos fugiram com uma aliança de ouro. Nas imagens, é possível ver que as vítimas foram jogadas no chão durante a abordagem (assista acima). Ninguém foi detido.
    O caso aconteceu na Rua Erasmo Pinheiro Ribas, no Centro da cidade, por volta das 14h20 de domingo (8). Segundo o boletim de ocorrência, o casal caminhava em direção à própria casa quando foi abordado por cinco jovens de bicicleta. Durante a ação, dois deles permaneceram com a mão na cintura, simulando uma arma de fogo.
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    A abordagem durou pouco mais de um minuto. Os suspeitos fugiram de bicicleta após a aproximação de um carro, que seguiu até o fim da rua. Em seguida, o motorista voltou ao local e conversou com o casal.
    Três jovens cercaram uma das vítimas (à esq.) enquanto o quarto suspeito jogou a mulher no chão (à dir.)
    Reprodução/Câmera de Segurança
    Ao g1, o delegado Ricardo Zaitune, responsável pelo caso, afirmou que investigadores da Delegacia Sede de Peruíbe identificaram dois suspeitos como menores de idade. Sem a indicação de quais seriam adolescentes, as imagens foram editadas para preservar a identidade de todos, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
    Em nota, a Prefeitura de Peruíbe informou que a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Polícia Militar reforçaram o patrulhamento na região central. O caso foi registrado como roubo na Delegacia Sede de Peruíbe.
    Criminosos derrubam pedestres no chão durante assalto em Peruíbe.
    Reprodução/Câmera de Segurança
    VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
  • Foto de menino acenando para a mãe antes de morrer em ataque a escola no Irã viraliza

    Foto de menino acenando para a mãe antes de morrer em ataque a escola no Irã viraliza

    Foto de menino acenando para a mãe antes de morrer em ataque a escola no Irã viraliza
    Vídeo mostra míssil dos EUA atingindo base ao lado de escola no Irã
    Uma foto de um menino que morreu durante um ataque a uma escola no Irã viralizou nas redes sociais nos últimos dias. A imagem mostra Mikaeil Mirdoraghi acenando para a mãe antes de ir para a aula. Segundo a imprensa iraniana, ele morreu no dia 28 de fevereiro, no primeiro dia da guerra.
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    O ataque atingiu uma escola em Minab, no sul do Irã, e matou 175 pessoas. A maioria das vítimas era de crianças, segundo o jornal The New York Times. O governo do Irã atribui o bombardeio aos Estados Unidos e a Israel.
    Em entrevista ao jornal Hamshahri, controlado pela prefeitura de Teerã, a mãe do menino afirmou que o filho pediu para ser fotografado antes de sair de casa para ir à escola. O relato foi divulgado nesta terça-feira (10).
    Ela também contou como foram as últimas horas de vida do filho. “Na noite anterior, ele disse: ‘Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso’”, afirmou. Segundo ela, o filho também brincou de guerra com o irmão antes de dormir.
    “À meia-noite, ele veio, colocou os travesseiros ao redor dele, sentou com o irmão e disse: ‘Vem, eu sou o Irã, irmão, você é os Estados Unidos.’”, relatou.
    Durante a brincadeira, ainda segundo a mãe, o menino comemorou: “O Irã venceu. Eu era o Irã e venci”.
    Foto de Mikaeil Mirdoraghi viralizou nas redes sociais
    Reprodução
    O nome de Mikaeil aparece em listas de vítimas divulgadas pela mídia iraniana, que trata as crianças mortas como “mártires”. Autoridades do país classificam o episódio como crime de guerra.
    A foto do menino se despedindo da mãe passou a circular como símbolo do ataque, sendo compartilhada por perfis ligados ao governo iraniano e por usuários nas redes sociais.
    O g1 submeteu a imagem a ferramentas de detecção de uso de inteligência artificial, que indicaram alta probabilidade de a foto ser autêntica.
    Autoria do ataque
    Pessoas carregam caixões no funeral das vítimas após um ataque a uma escola, em meio ao conflito EUA-Israel com o Irã, em Minab, Irã, 3 de março de 2026
    Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA
    Reportagem publicada pelo New York Times na segunda-feira (9) aponta que imagens divulgadas do ataque mostram um míssil dos Estados Unidos caindo próximo à escola de Minab.
    O jornal informou ter reunido um conjunto de evidências — como imagens de satélite, relatos e outros vídeos verificados — que indicam que o prédio da escola foi atingido em um ataque de precisão.
    Segundo o Times, o vídeo divulgado pela Mehr mostra um míssil americano atingindo o que seria uma clínica médica dentro da base naval.
    Em seguida, aparecem colunas de poeira e fumaça se elevando na região da escola primária. Para o jornal, isso sugere que a escola foi atingida pouco antes da base naval.
    Imagens de satélite indicam que outros pontos da instalação militar também foram atingidos.
    Entre as partes envolvidas no conflito, apenas os EUA possuem mísseis Tomahawk.
    Na semana passada, a agência Reuters revelou que uma investigação preliminar conduzida pelos militares americanos apontou que forças dos EUA provavelmente foram responsáveis pelo ataque que atingiu a escola.
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o caso está sendo investigado. Antes, ele chegou a dizer que o próprio Irã poderia ter sido responsável pelo ataque.
    VÍDEOS: mais assistidos do g1
  • Canal para onde mulher foi arrastada por enxurrada na Bahia é o mesmo onde servidor público caiu há quatro meses

    Canal para onde mulher foi arrastada por enxurrada na Bahia é o mesmo onde servidor público caiu há quatro meses

    Canal para onde mulher foi arrastada por enxurrada na Bahia é o mesmo onde servidor público caiu há quatro meses
    Buscas por mulher desaparecida em Vitória da Conquista já duram mais de 24 horas
    O canal onde uma mulher caiu após ser arrastada por uma enxurrada em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, é o mesmo onde um servidor público foi engolido pela água há quatro meses. O ponto fica na Avenida Caracas, no bairro Jurema, e, segundo moradores, é cenário recorrente para acidentes como o de Rosania Silva Borges, que está desaparecida desde segunda-feira (9).
    No dia 9 de novembro de 2025, o servidor público Gerald Saraiva dirigia pela avenida quando o carro em que ele conduzia foi arrastado pela água para dentro do canal. Imagens feitas por pessoas que moram em um condomínio próximo mostram que ele tentou sair do veículo pelo teto solar. No vídeo, é possível ver que o homem não conseguiu sair a tempo e foi engolido pela água.
    Após submergir, ele foi arrastado por cerca de 550 metros, mas conseguiu ser resgatado com vida. Chovia muito na cidade e a Avenida Caracas estava completamente encoberta pela água, inviabilizando a visualização do canal que atravessa a via.
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    Saraiva chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Vicente, na cidade. Ele recebeu alta alguns dias depois. (Veja o vídeo da situação abaixo)
    Motorista tem carro arrastado por enxurrada e é engolido pela água
    A situação com Rosania Silva Borges foi semelhante. Ela fazia uma viagem em um carro por aplicativo, quando o veículo foi arrastado pela enxurrada e caiu no mesmo canal.
    Vídeos que também foram feitos por moradores do condomínio perto do local mostram que o motorista do veículo conseguiu nadar até a margem, mas a passageira não teve êxito. Rosania foi levada pela água e está desaparecida.
    Enxurrada arrastou mulher em Vitória da Conquista
    Reprodução/Redes Sociais
    O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, bem como agentes da Defesa Civil e polícias Civil e Militar, realizaram buscas por Rosania ainda na segunda-feira, mas ela não foi encontrada.
    As buscas chegaram a ser interrompidas devido à dificuldade de visibilidade na rua alagada, mas seguiram na madrugada desta terça (10), ainda sem sucesso.
    Família abalada
    Mulher é engolida por canal da Avenida Caracas
    Segundo informações apuradas pela TV Sudoeste, afiliada da TV Bahia na região, Rosania Borges tem 46 anos e saiu de casa para alterar a matrícula escolar de um dos cinco filhos dela.
    A mulher é casada, mora no bairro Vila América e tem cinco filhos — três deles diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
    “A família está abalada. A angústia da procura é ruim. A gente ficou procurando, eu fiquei até 0h, meu cunhado até 4h30 lá procurando, onde os bombeiros deveriam estar e não quiseram estar”, contou o irmão de Rosania, José Marcos.
    Avenida bloqueada
    Após o desaparecimento de Rosania, a Prefeitura de Vitória da Conquista bloqueou o acesso à Avenida Caracas, mas nenhuma intervenção foi realizada diretamente no canal.
    À TV Sudoeste, moradores da rua reclamam que o bloqueio não é efetivo e que o local é uma “tragédia anunciada”. Além disso, apontam que a via opcional para passar na região está em más condições devido às chuvas de segunda-feira.
    Em nota publicada na terça-feira (10), a Prefeitura de Vitória da Conquista informou que autorizou a implantação de barrerias laterais no canal, que será feita por dispensa de licitação.
    A medida segue o artigo 75, inciso VIII, da Lei nº 14.133/2021, que permite a contratação direta de bens e serviços sem licitação em casos de situações emergenciais. Vitória da Conquista está com um decreto ativo de situação de emergência desde o dia 3 de março.
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    VÍDEO: mulher desaparece após ser arrastada por enxurrada durante forte chuva em Vitória da Conquista
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  • Nova delegacia de combate a crimes rurais e abigeato no RS terá cadela ovelheira e cavalos crioulos na equipe

    Nova delegacia de combate a crimes rurais e abigeato no RS terá cadela ovelheira e cavalos crioulos na equipe

    Nova delegacia de combate a crimes rurais e abigeato no RS terá cadela ovelheira e cavalos crioulos na equipe
    Lula, a cadela “policial” de Rio Grande
    Divulgação/ Polícia Civil
    A “cadela policial” Luna, da raça ovelheira, e dois cavalos doados, que serão utilizados por agentes em operações e investigações em áreas rurais, passam a integrar a estrutura da nova Delegacia Especializada em Crimes Rurais e Abigeato, cuja inauguração está prevista para o próximo sábado (14), em Rio Grande.
    Segundo o delegado Heleno dos Santos, diretor da Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Dicrab), os animais passam a integrar de forma efetiva a equipe que atuará na região.
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    “Com esses animais, os trabalhos realizados pela equipe da Polícia Civil ganham muito em qualidade e agilidade, tanto para acessar locais onde veículos não conseguem chegar, quanto em diligências que envolvem o manejo de animais, como bovinos e equinos. É uma ferramenta de trabalho, mas acima de tudo são animais que integram a equipe”, afirma Santos.
    A nova unidade também terá um espaço pensado especialmente para receber produtores rurais vítimas de crimes. A chamada Sala Querência terá decoração rústica e oferecerá chimarrão aos visitantes.
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    Segundo o diretor, o ambiente permitirá que produtores registrem ocorrências e apresentem suas demandas em um local mais próximo da realidade rural.
    A área de atuação da nova delegacia abrangerá uma macrorregião que inclui municípios das regiões de Rio Grande e Pelotas, chegando até o Chuí, ampliando o alcance das investigações voltadas à proteção da atividade agropecuária. O comando será da primeira mulher a comandar uma delegacia do gênero no estado, a delegada Paula Vieira.
    A cerimônia de inauguração ocorrerá ao meio-dia de sábado (14) no prédio onde já funciona a 2ª Delegacia de Polícia, no Parque Marinha. O evento contará com a presença de autoridades e representantes da comunidade, além de apresentações de música regional gaúcha.
    Sala de acolhimento da Decrab de Rio Grande
    Polícia Civil/ divulgação
    VÍDEOS: Tudo sobre o RS
  • Reposição hormonal na menopausa não aumenta mortalidade, diz estudo; entenda por que o risco virou debate

    Reposição hormonal na menopausa não aumenta mortalidade, diz estudo; entenda por que o risco virou debate

    Reposição hormonal na menopausa não aumenta mortalidade, diz estudo; entenda por que o risco virou debate
    Reposição hormonal na menopausa aumenta mortalidade?
    Uma pergunta acompanha a medicina há mais de vinte anos quando o assunto é menopausa: fazer reposição hormonal é seguro?
    Um grande estudo publicado em fevereiro no British Medical Journal (BMJ) tenta responder exatamente isso. Depois de acompanhar 876 mil mulheres por mais de uma década, pesquisadores concluíram que a terapia hormonal para menopausa não está associada ao aumento da mortalidade geral.
    O dado é relevante porque a morte é considerada, na epidemiologia, um desfecho final –capaz de refletir o impacto acumulado de doenças graves como câncer ou problemas cardiovasculares.
    Se um tratamento aumenta significativamente esses riscos, esse efeito tende a aparecer também nas taxas de mortalidade ao longo do tempo.
    E isso não foi observado.
    Pesquisadores concluíram que a terapia hormonal para menopausa não está associada ao aumento da mortalidade geral.
    AdobeStock
    O que exatamente o estudo analisou
    A pesquisa utilizou registros nacionais de saúde da Dinamarca e acompanhou mulheres nascidas entre 1950 e 1977, todas vivas aos 45 anos.
    Entre elas, cerca de 104 mil usaram terapia hormonal para menopausa em algum momento. O acompanhamento médio foi de 14,3 anos, permitindo avaliar efeitos de longo prazo.
    Depois de ajustar fatores como idade, doenças prévias e nível socioeconômico, os pesquisadores compararam o risco de morte entre mulheres que usaram e que não usaram a terapia hormonal. O resultado mostrou que esse risco foi praticamente o mesmo nos dois grupos.
    Também não foram identificadas diferenças claras nas mortes por câncer ou doenças cardiovasculares.
    Um resultado chamou atenção: mulheres que tiveram remoção cirúrgica dos ovários entre 45 e 54 anos e fizeram reposição hormonal apresentaram redução de 27% a 34% no risco de morte em comparação com aquelas que não usaram a terapia.
    Esse achado reforça uma prática já consolidada na medicina: quando a menopausa ocorre precocemente –especialmente por cirurgia– a reposição hormonal costuma ser recomendada.
    Por que tema é tão controverso
    A terapia hormonal para menopausa já foi vista de formas muito diferentes pela medicina, e essa mudança de percepção aconteceu ao longo de várias décadas de pesquisas.
    Nos anos 1990, a reposição hormonal era amplamente prescrita. Além de aliviar sintomas como ondas de calor, insônia e secura vaginal, muitos médicos acreditavam que ela poderia até ajudar a proteger o coração e os ossos das mulheres após a menopausa.
    Essa visão mudou de forma abrupta em 2002, quando foi publicado um dos estudos mais influentes da história da saúde feminina: o Women’s Health Initiative (WHI). O ensaio clínico acompanhou mais de 16 mil mulheres e encontrou associação entre a terapia hormonal combinada –estrogênio e progesterona– e maior risco de alguns eventos graves, como câncer de mama, infarto, AVC e trombose.
    A repercussão foi imediata. O estudo foi interrompido antes do previsto por questões de segurança e as manchetes ao redor do mundo passaram a alertar sobre os possíveis riscos da reposição hormonal. Em poucos anos, o uso da terapia caiu drasticamente em vários países.
    ℹ️ Parte da confusão que surgiu após o estudo também tem a ver com a forma como os resultados foram comunicados.
    Na época, muitos dados foram apresentados em risco relativo, uma medida estatística usada em pesquisas médicas que compara a probabilidade de um evento entre dois grupos.
    O problema é que, para quem não está acostumado com esse tipo de dado, o número pode parecer maior do que realmente é.
    Segundo o oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, um aumento de 25% no risco relativo não significa que 25% das mulheres terão a doença.
    “Às vezes o risco passa de 2% para 2,5%. Em termos estatísticos isso representa um aumento de 25%, mas na prática é uma diferença pequena”, explica.
    Sem essa explicação, muitas pessoas interpretaram que o risco de câncer de mama poderia chegar a 25%, o que ajudou a amplificar o medo em torno da reposição hormonal.
    No ano seguinte, em 2003, outro trabalho de grande impacto reforçou essa preocupação. O Million Women Study, conduzido no Reino Unido com mais de um milhão de participantes, também encontrou uma associação entre o uso de terapia hormonal e aumento no risco de câncer de mama.
    O estudo teve enorme repercussão porque envolveu um número muito grande de mulheres. Mas, diferentemente do Women’s Health Initiative, ele era um estudo observacional — ou seja, comparava mulheres que já usavam ou não a terapia hormonal na vida real.
    ℹ️ Esse tipo de estudo consegue identificar associações, mas nem sempre consegue provar que um fator é a causa direta do outro.
    Na época, porém, essa diferença entre associação e causalidade nem sempre ficou clara fora do meio científico, o que ajudou a consolidar a percepção de que a reposição hormonal seria um tratamento amplamente perigoso.
    Mas a história científica não parou aí.
    Iniciar a terapia hormonal muitos anos após a menopausa parece ter um perfil de risco diferente de começar o tratamento no início.
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    A tal janela de oportunidade e seus efeitos
    Ao longo dos anos seguintes, pesquisadores começaram a reexaminar os dados e perceberam que alguns pontos importantes não haviam sido totalmente considerados na interpretação inicial dos resultados. Um deles era o perfil das mulheres incluídas nos estudos.
    No Women’s Health Initiative, por exemplo, a idade média das participantes era 63 anos, e muitas já estavam há mais de uma década na menopausa.
    Hoje se sabe que isso pode influenciar fortemente os resultados. Iniciar a terapia hormonal muitos anos após a menopausa parece ter um perfil de risco diferente de começar o tratamento no início dessa fase da vida.
    Esse entendimento levou à formulação de um conceito central na medicina da menopausa: a chamada “janela de oportunidade”, segundo a qual o tratamento tende a ser mais seguro quando iniciado antes dos 60 anos ou até cerca de 10 anos após o início da menopausa.
    Nos anos seguintes, novos estudos e reanálises passaram a mostrar que os riscos da terapia hormonal dependem de vários fatores –como idade da mulher, tipo de hormônio utilizado, dose e via de administração.
    É nesse contexto que surge o novo estudo publicado no BMJ. Ao analisar registros de saúde de quase 900 mil mulheres e acompanhar essas participantes por mais de uma década, os pesquisadores não encontraram aumento da mortalidade entre usuárias da terapia hormonal.
    O resultado não invalida os estudos anteriores, mas ajuda a contextualizá-los dentro de uma visão mais ampla da evidência científica acumulada nas últimas duas décadas.
    O risco de câncer ainda preocupa?
    Sim, mas a discussão ficou mais precisa.
    No novo estudo publicado no BMJ, os pesquisadores também analisaram se a terapia hormonal estava associada a mortes por câncer.
    Ao separar as causas de morte, eles não encontraram diferença clara na mortalidade por câncer entre mulheres que usaram e que não usaram reposição hormonal ao longo do acompanhamento.
    Em análises mais detalhadas, houve um pequeno aumento no risco de morte por câncer entre mulheres que usaram a terapia por menos de cinco anos, mas essa diferença não se manteve entre aquelas que utilizaram o tratamento por períodos mais longos.
    Para o ginecologista Mauricio Abrão, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esse tipo de resultado precisa ser interpretado dentro do conjunto de evidências acumuladas nas últimas décadas.
    “Hoje sabemos que a relação entre terapia hormonal e câncer não é uniforme. Ela depende do tipo de hormônio utilizado, da duração do tratamento e do perfil de risco da paciente”, afirma.
    Segundo o oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, parte da percepção de risco associada ao tratamento também foi influenciada pela forma como os resultados de estudos anteriores foram interpretados.
    “Um aumento de 25% no risco relativo pode parecer muito grande, mas às vezes representa uma mudança pequena em termos absolutos –por exemplo, de 2% para 2,5%”, explica.
    Isso significa que o risco precisa ser analisado no contexto do perfil da paciente, do tipo de terapia utilizada e da duração do tratamento.
    O que a mulher precisa saber antes de considerar reposição hormonal
    Apesar de novas evidências tranquilizadoras, especialistas ressaltam que a terapia hormonal não deve ser indicada automaticamente para todas as mulheres. A principal indicação continua sendo o tratamento de sintomas moderados ou intensos da menopausa.
    Segundo a ginecologista Leila Correa, do Hospital Sírio-Libanês, fatores como idade da mulher, intensidade dos sintomas e histórico de saúde continuam sendo centrais na decisão clínica.
    Antes de prescrever o tratamento, médicos costumam avaliar fatores como:
    idade e tempo desde a menopausa;
    presença ou não de útero;
    risco cardiovascular;
    histórico pessoal ou familiar de câncer de mama;
    histórico de trombose.
    Existem também contraindicações claras, como câncer de mama sensível a hormônio, tromboembolismo prévio ou doença hepática ativa.
    Outro ponto importante é que existem diferentes tipos de terapia hormonal.
    Mulheres que retiraram o útero podem usar apenas estrogênio. Já aquelas que ainda têm útero precisam associar progesterona para proteger o endométrio.
    Além disso, formulações transdérmicas –como adesivos ou gel– parecem ter menor impacto no risco de trombose em comparação com comprimidos orais.
    O que muda com o novo estudo
    Os resultados do estudo não significam que a reposição hormonal seja totalmente isenta de riscos. Mas reforçam uma conclusão importante da ciência atual: quando bem indicada e usada no contexto adequado, a terapia não parece aumentar a mortalidade das mulheres.
    Para especialistas, isso ajuda a equilibrar uma discussão que durante anos ficou marcada por interpretações simplificadas de estudos antigos.
    E devolve à consulta médica um princípio básico da medicina: avaliar, caso a caso, o equilíbrio entre benefícios e riscos.
    ‘Essa Tal de Menopausa’: o que dizem os cientistas sobre a terapia de reposição hormonal
  • Câncer de coração existe: tumor raro pode ser confundido com falta de ar e exige cirurgia de altíssimo risco

    Câncer de coração existe: tumor raro pode ser confundido com falta de ar e exige cirurgia de altíssimo risco

    Câncer de coração existe: tumor raro pode ser confundido com falta de ar e exige cirurgia de altíssimo risco
    Uma mulher de 23 anos chegou ao pronto-socorro com falta de ar progressiva e palpitações havia quase três semanas. Jovem, sem doenças prévias conhecidas, ela parecia um caso típico de embolia pulmonar — hipótese reforçada por exames laboratoriais alterados. Mas a tomografia descartou o coágulo no pulmão e revelou algo inesperado: uma massa de cerca de 6 centímetros ocupando o átrio esquerdo do coração.
    O diagnóstico final foi ainda mais incomum: sarcoma intimal cardíaco, um tipo raro e agressivo de câncer que nasce no próprio coração.
    Segundo o relato publicado na revista científica Case Reports and Case Series in Cardiology Journal (CRCSCJ), a paciente foi operada em caráter de urgência. A cirurgia retirou parte do átrio esquerdo para remover o tumor, e o exame anatomopatológico confirmou um sarcoma de alto grau.
    Cinco meses depois, já em acompanhamento oncológico, exames detectaram metástases cerebrais.
    O caso ilustra um paradoxo da medicina: embora o coração seja o órgão símbolo da vida, o câncer que nasce nele é extremamente raro —e, por isso mesmo, pouco conhecido.
    O que é câncer de coração?
    Tumor cardíaco é toda massa anormal que cresce dentro ou ao redor do coração. Eles podem ser:
    Primários: quando se originam no próprio coração
    Secundários (metástases): quando vêm de outro órgão e se instalam ali
    Os tumores secundários são mais comuns. “O secundário é de 20 a 130 vezes mais frequente do que o primário”, explica o cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
    Já os tumores primários são raros. Em estudos de necrópsia, a incidência varia de 0,001% a 0,03%. Quando malignos, cerca de 65% são sarcomas —um tipo de câncer que se origina em tecidos de sustentação do corpo, como músculos, vasos sanguíneos e tecido conjuntivo.
    Corte axial de angiotomografia computadorizada do tórax mostrando uma massa no átrio esquerdo.
    Reprodução/Bristol Publishers
    Por que é tão raro?
    Não há uma causa hereditária claramente descrita. Tampouco fatores externos bem estabelecidos. Segundo o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, a explicação pode estar na própria biologia do órgão.
    Diferentemente do intestino, da pele ou do pulmão —tecidos que se renovam constantemente— o músculo cardíaco tem baixa taxa de divisão celular. Como o câncer surge a partir de erros na duplicação das células, quanto menor a multiplicação, menor a probabilidade estatística de mutações acumuladas.
    “Como toda célula que duplica pode duplicar errado, o coração não está imune. Mas ele não é um tecido que precisa se renovar o tempo todo”, explica Stefani.

    Freepik
    Quais são os sintomas?
    O grande desafio é que os sinais são inespecíficos.
    Falta de ar.
    Palpitação.
    Fraqueza.
    Dor torácica.
    Desmaio.
    “São sintomas que não são típicos de tumor”, diz Stefani.
    Em muitos casos, o paciente chega com quadro semelhante a insuficiência cardíaca. Foi o que ocorreu com a jovem de 23 anos, cujo tumor causava obstrução da válvula mitral e comprometia a circulação dentro do coração.
    Além do risco oncológico, há um risco mecânico imediato.
    “Uma massa dentro do coração pode obstruir o fluxo sanguíneo, causar choque cardiogênico ou até um AVC se fragmentos se desprenderem”, afirma Katayose.
    Como é feito o diagnóstico?
    ecocardiograma.fazer biópsia com agulha convencional no coração. O diagnóstico depende de exames de imagem, como:
    ecocardiograma;
    ressonância magnética;
    cateterismo, em casos selecionados.
    Muitas vezes, o diagnóstico definitivo só vem após a cirurgia, com análise do tecido retirado.
    No caso publicado, o tumor foi identificado primeiro por tomografia e confirmado por ecocardiograma, que mostrou obstrução significativa do fluxo sanguíneo.

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    Cirurgia como tratamento de primeira linha
    A principal linha de tratamento é a cirurgia.
    “É uma cirurgia de altíssima complexidade. Diferentemente de trocar uma válvula, não existe um roteiro previsível. Cada caso é uma surpresa”, afirma Stefani.
    Dependendo do subtipo e da presença de metástases, pode haver indicação de quimioterapia complementar.
    O prognóstico depende principalmente de um fator: se é possível retirar completamente o tumor com margem de segurança.
    Mas o que isso significa?
    Na cirurgia oncológica, não basta remover apenas a parte visível do tumor. O cirurgião precisa retirar também uma pequena faixa de tecido saudável ao redor da lesão. Essa “margem de segurança” funciona como uma garantia biológica: ela aumenta a chance de que células microscópicas, invisíveis a olho nu, também sejam removidas.
    Depois da cirurgia, o material é analisado no microscópio. Se as bordas da peça retirada estiverem livres de células cancerígenas, diz-se que a margem é negativa —o melhor cenário possível. Quando há células tumorais na borda, significa que pode ter ficado doença residual no coração, o que aumenta o risco de recidiva.
    Em tumores cardíacos, conseguir margem adequada é particularmente desafiador. Isso porque o coração é um órgão vital, com estruturas delicadas e funções que não podem ser amplamente sacrificadas. Ainda assim, quando a retirada completa é possível, especialistas afirmam que existe chance real de cura.
    “Se for possível ressecar tudo, como em outros sarcomas, podemos falar em cura”, diz Stefani.
    Mas nem sempre isso é viável. Tumores infiltrativos, como alguns angiosarcomas, podem ser mais agressivos e difíceis de remover completamente.
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    Prognóstico: o que se sabe
    Os dados são limitados justamente pela raridade da doença. Na literatura médica, a sobrevida média descrita varia entre 3 e 12 meses após o diagnóstico nos casos malignos.
    Menos de 15% dos pacientes sobrevivem além de cinco anos.
    Por outro lado, especialistas alertam que, por serem tão raros, esses números podem variar bastante entre subtipos e centros especializados. A ausência de grandes estudos dificulta estabelecer padrões definitivos.
    Quando suspeitar?
    Não existe exame de rastreamento para câncer de coração. A investigação geralmente começa quando sintomas persistentes não encontram explicação em causas mais comuns. Um ecocardiograma pode revelar massas intracardíacas inesperadas.
    “O tumor cardíaco muitas vezes é silencioso. Quando começa a dar sinal, já pode estar grande”, resume Katayose.

  • ‘A gente nunca vai viver feliz por completo’, diz mãe sobre denúncia contra assassino da filha 20 anos após o crime no Paraná

    ‘A gente nunca vai viver feliz por completo’, diz mãe sobre denúncia contra assassino da filha 20 anos após o crime no Paraná

    ‘A gente nunca vai viver feliz por completo’, diz mãe sobre denúncia contra assassino da filha 20 anos após o crime no Paraná
    Após 20 anos, mãe de vítima fala sobre sensação de justiça
    Em casa, Cristina Aparecida Costa ainda guarda as fotos da filha Giovanna dos Reis Costa. A menina foi assassinada quando tinha nove anos de idade, em 2006. Por quase 20 anos, o caso ficou arquivado e, sem expectativa de uma resposta, restou à mãe sonhar como seria o convivio com a filha.
    Porém, em fevereiro de 2026, o caso teve uma reviravolta depois que Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente pelo crime em Londrina, no norte do Paraná. Na última sexta-feira (6), o Ministério Público do Paraná denunciou o homem.
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    Para a família, a denúncia representa um passo à possibilidade de justiça.
    “Quando a gente recebeu essa notícia, a gente ficou muito feliz. A gente vai conseguir respirar direito sabendo que ele vai pagar pelo o que ele fez. Isso conforta a gente. Hoje o coração está aliviado: aliviado em saber que quem fez o que fez com a Giovana agora está preso”, afirma a mãe.
    No entanto, Cristina reforça que nada suprime a ausência de Giovanna durante todos esses anos.
    “A gente tem outros filhos, eu tenho netos. Só que a vida da gente não é a mesma coisa, sempre vai faltar algo, que é ela. A gente nunca vai viver feliz por completo. Sempre tem essa saudade”, lamenta.
    Cristina Aparecida Costa ainda guarda as fotos da filha Giovanna dos Reis Costa
    RPC
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    Investigações foram reabertas após nova denúncia
    Giovanna desapareceu no dia 10 de abril de 2006 enquanto vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.
    Dois dias depois, em 12 de abril de 2006, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A vítima também tinha “sinais extremos de violência sexual”, segundo a polícia.
    Martônio Alves Batista tem 55 anos e foi preso preventivamente em Londrina.
    Reprodução
    À época, Martônio foi considerado um suspeito por ser vizinho da família. Entretanto, não houve pedido de prisão contra ele e a investigação seguiu com outros suspeitos. Em 2012, três pessoas foram julgadas pelo crime e inocentadas.
    O crime ficou sem solução por quase 20 anos, antes da reabertura do inquérito a partir de uma denúncia realizada por uma ex-enteada do homem, que relatou que ele cometeu abusos sexuais contra ela.
    A jovem contou que foi vítima dele dos 11 aos 14 anos, mas afirmou que não contou a ninguém porque ele a ameaçava dizendo que ela seria “a próxima Giovanna”. Anos depois, já adulta, descobriu, com a ajuda de um advogado, que a “Giovanna” citada nas ameaças era Giovanna dos Reis Costa.
    Crime prescreveria em dois meses
    Momento da prisão de Martônio, em Londrina.
    PC-PR
    A investigação sobre o assassinato de Giovanna foi reaberta dois meses antes de prescrever, segundo a delegada Camila Cecconello. Depois da conclusão do inquérito, a Polícia Civil o encaminhou para o Ministério Público, que ofereceu denúncia à Justiça.
    O Ministério Publico denunciou Martônio pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, com uso de meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP sustenta ainda que o crime foi cometido para assegurar a impunidade após um crime anterior (violência sexual contra a menina).
    Isso ocorre devido à diferença de penas máximas para cada crime, conforme Art. 109 do Código Penal. Se um crime tem pena máxima de três anos, como ocultação de cadáver, ele prescreve em oito anos. Se a pena chega a dez, como é o atentado violento ao pudor, prescreve em 16 anos.
    O MP ressalta que a investigação também identificou que ele cometeu atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver. Entretanto, esses dois crimes prescreveram.
    O homicídio qualificado prescreve em 20 anos, porque a pena máxima pode chegar a 30 anos.
    Além da condenação, o MP solicitou que Martônio pague R$ 100 mil aos familiares de Giovanna e que eles tenham atendimento multidisciplinar “com os custos pagos pelo agressor ou pelo Estado”.
    Giovanna tinha nove anos quando foi morta.
    Arquivo/RPC
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    O que diz a defesa?
    O advogado responsável pela defesa de Martônio Alves Batista informou que acompanha o caso e que discorda da condução do caso. Confira o posicionamento na íntegra:
    “A defesa técnica informa que, no curso do inquérito policial, foram formalmente requeridas diligências investigativas com fundamento no artigo 14 do Código de Processo Penal e nas prerrogativas profissionais asseguradas pela Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia).
    Tais diligências constituem instrumento legítimo para o exercício do direito de defesa e são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos investigados, em observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
    Entretanto, antes mesmo da apreciação desses requerimentos defensivos, o Ministério Público optou por oferecer denúncia, circunstância que será devidamente questionada pelas vias processuais cabíveis.
    A defesa entende que a investigação criminal deve buscar a verdade real, garantindo equilíbrio entre acusação e defesa, motivo pelo qual serão adotadas todas as medidas jurídicas necessárias para assegurar o respeito às garantias fundamentais do investigado.”
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  • Mulher morta por negar beijo em MG foi esfaqueada 15 vezes, conclui polícia

    Mulher morta por negar beijo em MG foi esfaqueada 15 vezes, conclui polícia

    Mulher morta por negar beijo em MG foi esfaqueada 15 vezes, conclui polícia
    Mulher é morta a facadas após recusar beijo
    Priscila Beatriz Teixeira, de 38 anos, foi esfaqueada 15 vezes com um canivete por Matheus Vinícius de Souza, de 18 anos, na frente do filho dela, de 8 anos, segundo a Polícia Civil. O crime ocorreu na noite de 23 de fevereiro, após a mulher negar um beijo ao suspeito durante negociação da compra de um celular em Campos Altos, no Alto Paranaíba.
    A conclusão do inquérito foi divulgada na terça-feira (10) e indiciou Matheus por feminicídio e importunação sexual. A pena para o crime de feminicídio ainda foi aumentada em um terço porque ocorreu na frente do filho da vítima.
    🔍 No Brasil, o feminicídio é punido com pena de 12 a 30 anos de prisão, podendo ser aumentada em algumas situações, como quando o crime ocorre na presença de familiares ou contra gestante. Já a importunação sexual, caracterizada por praticar ato libidinoso contra alguém sem consentimento, tem pena de 1 a 5 anos de reclusão.
    O g1 fez contato com o advogado Leonardo Guimarães Passos, que acompanhou Matheus durante a audiência de custódia, porém ele afirmou que pediu desligamento do processo e por isso não comentaria sobre o inquérito. O suspeito ainda não teve outro advogado designado para defendê-lo.
    “De acordo com a investigação o suspeito foi à casa da vítima e após uma conversa tentou beijá-la. Contudo, ela se esquivou e negou o beijo, sendo o motivo para que ele a matasse. Ou seja, o fato dela negar o beijo o fez se sentir rejeitado. Portanto, incorreu na prática do crime de feminicídio com aumento de pena e, ainda, importunação sexual”, disse o delegado Jeferson Leal.
    Em nota, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou que analisará o inquérito para definição das medidas cabíveis.
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    Polícia conclui inquérito que investigava morte de mulher após negar beijo
    Crime premeditado
    Segundo a Polícia Civil, a morte de Priscila foi planejada por Matheus. Para o delegado Jeferson Leal, o fato do indiciado ir até a casa da vítima com um canivete demonstra premeditação.
    “Há suspeitas que tenha sido premeditado porque ele foi ao local já portando o canivete. A gente acredita que ele já tenha também lançado investidas amorosas para ela”, afirmou o delegado.
    Segundo Mariana Assis, prima de Priscila, câmeras de monitoramento da região filmaram Matheus vigiando a casa da vítima dias antes do crime.
    “É muito triste o que aconteceu, são três crianças órfãs. Ele provavelmente a conhecia, aqui é uma cidade pequena. Fico revoltada, só por sermos mulheres somos perseguidas e mortas. No domingo, câmeras filmaram ele olhando a casa, também acredito que tenha planejado”, desabafou.
    Canivete usado no crime
    Polícia Civil/Divulgação
    Vítima pediu proteção em postagem
    Na última publicação feita em uma rede social, Priscila pediu proteção contra o mal. A postagem foi feita na manhã de 23 de fevereiro, horas antes de a mulher ser esfaqueada em frente de casa após negar um beijo a Matheus.
    “Deus, abra o que for porta, fecha o que for armadilha”, dizia parte da mensagem.
    Último post nas redes de Priscila Beatriz Assis Teixeira
    Irmão da Priscila/Reprodução
    Um dos irmãos de Priscila, que preferiu não se identificar, foi quem compartilhou a mensagem ao g1. Segundo ele, a irmã sempre foi uma mulher bondosa e não costumava ver maldade nas pessoas.
    “Tinha muitos sonhos que foram levados embora. Oramos a Deus por justiça e que as leis neste país sejam mais rígidas”, compartilhou o irmão.
    Priscila era cozinheira em um projeto municipal e é lembrada por amigos como uma pessoa alegre e mãe exemplar. Ela deixou três meninos de 5, 8 e 13 anos, que estão sob responsabilidade dos pais biológicos. O filho do meio presenciou o crime.
    “Éramos seis irmãos, cinco homens e a Priscila. Minha irmã foi uma mulher guerreira, trabalhou desde pequena nas lavouras de café, e agora estava fazendo comida para as crianças”, contou.
    O primo de Priscila, Matheus Bueno, também lamentou a morte dela.
    “Era uma menina de ouro, de uma simplicidade maravilhosa. Desejo que ela descanse em paz e saiba o quanto é amada por toda a família”, disse.
    Samara Braz, amiga de Priscila, contou emocionada que a imagem que irá guardar da amiga, é dela dando tchau sempre com um sorriso no rosto.
    “Eu vou lembrar do sorrisão dela”, disse a amiga.
    Matheus Vinícius de Souza está preso no Presídio Regional de Araxá.
    Priscila Beatriz Assis Teixeira com os filhos
    Redes Sociais/Reprodução
    Entenda o caso
    Priscila Beatriz Assis Teixeira, foi morta a facadas após negar um beijo a Matheus Vinícius de Souza, no portão de casa, no bairro Camposaltinhos. Imagens de uma câmera de monitoramento registraram o momento em que Matheus chegou à casa de Priscila na noite de 23 de fevereiro. Assista ao vídeo abaixo.
    As imagens mostram o homem usando calça jeans, bota amarela, jaqueta escura e boné preto em frente à casa da vítima. Já outras gravações, que não foram divulgadas, ajudaram a traçar a rota de fuga feita pelo suspeito após o crime.
    Vídeo mostra suspeito de matar mulher que recusou beijo chegando à casa da vítima em MG
    De acordo com o delegado Jeferson Leal, o suspeito foi até a residência para negociar um aparelho celular e, durante a conversa, tentou forçar um beijo. Ao ser recusado, iniciou uma briga com a vítima. À Polícia Civil, Matheus afirmou que o episódio foi uma “besteira” e uma “burrice”.
    “Ele disse que no momento da recusa da mulher, deu um ‘branco’ em sua cabeça e atingiu a vítima com vários golpes de canivete”, relatou o delegado.
    Segundo Samara, apenas dois dos filhos de Priscila estavam em casa na noite do crime. O mais velho estava com o pai, enquanto o caçula dormia. O menino de 8 anos presenciou o ataque, correu pela rua pedindo socorro e foi acolhido por um vizinho, que acionou a ambulância.
    Priscila foi levada ainda consciente ao Hospital Municipal de Campos Altos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde.
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    Fuga e prisão
    Matheus Vinícius de Souza foi preso suspeito de matar Priscila Beatriz Assis Teixeira em Campos Altos
    TV KZ/Divulgação
    Durante a fuga, o homem pulou muros de várias casas do bairro Camposaltinhos até acessar outra rua.
    Uma testemunha reconheceu Matheus como o homem que invadiu seu imóvel na tentativa de fuga. Além da testemunha, o filho de 8 anos da vítima também descreveu características físicas e roupas compatíveis com as imagens.
    Durante a tentativa de localizar Matheus, a Polícia Militar (PM) recebeu a informação de que um homem estaria tentando contratar um táxi, alegando ter cometido ‘um fato grave’ e que precisava sair com urgência de Campos Altos e para Medeiros, no Centro-Oeste do estado.
    A partir do nome e da foto vinculada a um perfil de aplicativo de mensagens, os militares identificaram o possível endereço onde o suspeito morava. No imóvel, ele foi encontrado e preso. Roupas sujas de barro e molhadas, compatíveis com as registradas nas câmeras também foram encontradas.
    Ao ser questionado, ele confessou o crime e reconheceu o canivete de cabo azul encontrado na casa de Priscila como a arma usada no crime.
    Ainda de acordo com a Polícia Civil, o suspeito não tinha antecedentes criminais. Ele passou por exame de corpo de delito, foi ouvido e depois levado para o Presídio Regional de Araxá, onde vai responder por feminicídio e importunação sexual.
    Priscila Beatriz Assis Teixeira foi morta por Matheus Vinícius de Souza em Campos Altos.
    g1
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  • Wagner Moura e Michael B. Jordan: atores têm mais chances no Oscar ao fazer dois papéis?

    Wagner Moura e Michael B. Jordan: atores têm mais chances no Oscar ao fazer dois papéis?

    Wagner Moura e Michael B. Jordan: atores têm mais chances no Oscar ao fazer dois papéis?
    Wagner Moura faz mais de um papel em ‘O Agente Secreto’; isso aumenta chances no Oscar?
    Wagner Moura (“O Agente Secreto”) e Michael B. Jordan (“Pecadores”) estão entre os indicados ao Oscar de melhor ator neste ano. E enquanto Michael interpreta gêmeos no longa americano, Wagner surpreende em “O Agente Secreto”, ao aparecer como Armando e… outro personagem, com trejeitos bem diferentes.
    Mas como isso é avaliado em premiações? Será que os atores saem na frente da “concorrência” por fazer mais de um papel? E poderiam ter sido indicados também pelo segundo personagem, por exemplo?
    Procurei nas regras do Oscar, entrei em contato com a Academia e dei uma olhada no histórico de indicados. Tudo isso para entender: fazer mais de um papel em um filme é uma vantagem na premiação?
    Wagner Moura interpreta mais de um papel em ‘O Agente Secreto’
    Divulgação
    O que diz o Oscar?
    Como existe a separação entre protagonista e coadjuvante, as próprias categorias são confusas nesse sentido. Dá pra interpretar que o prêmio seria dado por papel, não por ator; mas não é bem o caso.
    Segundo as regras do Oscar, quando um ator é indicado, ele é considerado por toda a sua performance em um filme — independente de quantos papéis ele interpreta. Isso significa também que não existe indicação separada para cada papel.
    No formulário de inscrição, aliás, só são solicitados o nome do ator e por quais interpretações ele está creditado no filme. É no momento da votação (não na inscrição) que a Academia decide se o papel entra como protagonista ou coadjuvante.
    Um ator pode ser indicado várias vezes no mesmo ano?
    Sendo assim, um mesmo ator não pode concorrer a duas categorias diferentes por um mesmo filme, mesmo que faça mais de um personagem. Essa regra foi implantada no Oscar após 1945, quando o ator Barry Fitzgerald foi indicado como protagonista e coadjuvante pelo mesmo papel em “O Bom Pastor ”. Ele levou o segundo.
    Hoje, um ator só pode ser indicado duas vezes em um mesmo ano por filmes diferentes e categorias diferentes. Por exemplo: Timothée Chalamet não poderia concorrer como Melhor Ator em 2025 por “Um Completo Desconhecido” e “Duna: Parte 2”.
    Michael B. Jordan interpreta irmãos gêmeos no filme ‘Pecadores’
    Divulgação
    Mas alguns atores já foram indicados a protagonista e coadjuvante em uma mesma edição no Oscar: alguns exemplos são Jamie Foxx, Julianne Moore e Scarlett Johansson.
    Wagner e Michael se juntam aos casos mais raros de atores que fizeram múltiplos papéis em um filme e foram indicados por isso. Um exemplo conhecido é o de Nicolas Cage, que foi indicado a Melhor Ator por interpretar os gêmeos Charlie e Donald Kaufman em “Adaptação” (2002).
    Mais chances de levar?
    Fazer mais papéis em um filme não te dá mais chances de levar o prêmio. Nicolas Cage, por exemplo, perdeu para Adrien Brody (“O Pianista”) naquele ano.
    Aliás, o único ator que venceu o prêmio por interpretar mais de um personagem foi Lee Marvin, que levou o Oscar por “Dívidas de Sangue”. Já entre as atrizes, não encontrei nenhuma que foi sequer indicada por fazer papéis duplos em um filme.
    É má notícia para Wagner, então? Claro que não. Para ele, pode ser um diferencial: o ator ainda não é tão amplamente conhecido em Hollywood e pode convencer votantes ao mostrar dois personagens em um só filme.
    Afinal, o contraste prova que, além de convincente no papel de Marcelo, o ator é bom porque é versátil pra caramba. A gente fica na torcida.
    Nicolas Cage foi indicado ao Oscar por interpretar Donald e Charlie Kaufman
    Divulgação
  • Para preservar espécies ameaçadas, universidade do Paraná ensina a criar abelhas nativas como ‘pets de baixa manutenção’

    Para preservar espécies ameaçadas, universidade do Paraná ensina a criar abelhas nativas como ‘pets de baixa manutenção’

    Para preservar espécies ameaçadas, universidade do Paraná ensina a criar abelhas nativas como ‘pets de baixa manutenção’
    Universidade do Paraná ensina a criar abelhas nativas como ‘pets de baixa manutenção’
    Com baixo custo e pouco trabalho no dia a dia, ter abelhas em casa se tornou uma opção para quem deseja um “pet de baixa manutenção”. As espécies nativas do Brasil não têm ferrão e, apesar de serem animais silvestres, não existe necessidade de uma licença ambiental para pequenas criações. A prática, inclusive, é incentivada por especialistas. Veja no vídeo acima como funciona a meliponicultura.
    Em Umuarama, no noroeste do Paraná, o Campus Regional da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolve ações para estimular a criação como forma de conservar espécies nativas ameaçadas de extinção. Valdir Zucareli é responsável pelos meliponários do local e explica que as abelhas sem ferrão são inofensivas e dóceis.
    “As abelhas sem ferrão, que são mais de 300 espécies, são todas nativas do Brasil. Já existem aqui há milênios e são adaptadas à nossa fauna e à nossa flora. Elas coevoluíram dentro do nosso ambiente. […] Criar elas em casa também é uma atividade conservacionista”, diz Zucareli, que é professor do Laboratório de Estudos em Botânica Aplicada e Sustentabilidade (Lebas) da UEM.
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    🔎🐝 Abelhas-sem-ferrão pertencem à tribo Meliponinos, por isso o local onde elas são criadas se chama Meliponário. Elas são cruciais para a polinização da flora nativa e produzem menos mel, mas com valor medicinal e gastronômico mais alto. As abelhas com ferrão pertencem ao gênero Apis, como a Apis mellifera ou africanizada. Elas são criadas em Apiários, principalmente para alta produção de mel, própolis e cera em larga escala.
    Segundo o especialista, a mais conhecida e indicada para quem quer começar a criar abelhas como pet são as da espécie Jataí. Contudo, na região norte e noroeste do Paraná, também é comum a aparição das Mandaçaias, Mirins e Mandaguaris – esta última, aliás, dá nome a uma cidade da região, devido à incidência deste tipo de abelha.
    “As pessoas quando ficam sabendo que existe essa possibilidade de terem essa abelha em casa, ficam bastante entusiasmadas, pois elas são um diferencial para o jardim. Elas não oferecem riscos, têm poucas despesas, não é necessário você levar para passear ou fornecer alimentação. É um pet que você consegue ter em casa, mesmo tendo uma rotina muito corrida, pois não dá trabalho como outros animais”, afirma Zucareli.
    Embora exista no Brasil um mercado para a meliponicultura como negócio, Zucareli destaca que, na criação de abelhas como pet, o foco não é a produção de mel nem a geração de renda. Nesse caso, os objetivos são a recreação, a observação e a conservação da espécie. E pessoas de todas as idades podem cuidar de uma colmeia.
    “Você consegue trabalhar para as crianças o conceito de sociedade, do ser vivo, de sustentabilidade, da produção do mel, e conservação das espécies. Para os idosos, elas podem servir como terapia ocupacional, não traz risco à saúde e facilita em alguns aspectos como a concentração, o foco e o contato com a natureza”, explicou o especialista.
    O projeto de conservação das abelhas sem ferrão na UEM existe há pouco mais de três anos, em Umuarama. São dois meliponários didáticos: um localizado na fazenda da universidade, que abriga oito espécies nativas, e outro no Bosque Uirapuru, com seis tipos de abelhas.
    Zucarelli explica que o objetivo dos espaços é a educação ambiental, permitindo que a população participe de visitas guiadas e aprenda sobre a importância das abelhas e os cuidados necessários para a criação.
    Devido à alta demanda a universidade não forne e mais as colmeias para a população em geral. AS doações agora são feitas apenas para escolas, unidades do Centro de Socioeducação do Paraná (Cense) e instituições de longa permanência para idosos.
    No entanto, o projeto doa iscas feitas com garrafas pet e oferece cursos e oficinas que ensinam como capturar colmeias. Após a captura, os especialistas também ensinam a transferir as abelhas para caixas de madeira ou casinhas ornamentais para jardins.
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    🐝 Abelhas-sem-ferrão conquistam todas as idades
    Foi em um desses cursos que Vinicius dos Santos Leite da Silva consolidou a paixão pelas abelhas. Aos 12 anos, ele cuida em casa de quatro colmeias de Jataí e uma de Mandaçaia.
    Tudo começou quando, aos 10 anos, a avó o estimulou a abrigar uma colônia de abelhas sem ferrão que estava no muro da casa. Vinicius gostou tanto que começou a pesquisar sobre o tema na internet. O interesse dele só cresceu desde então.
    Ele foi incentivado por uma conhecida da família a ir até a UEM para visitar o meliponário e aprender com Zucareli. O cuidado com as abelhas deu início a uma amizade entre o especialista e o garoto. Os dois contam que até já trocaram espécies.
    “Eu gosto muito de mexer com as abelhas. É muito prazeroso para mim ver como é que as bichinhas estão se desenvolvendo. Quando eu mexo nelas, faço manejo, aí eu vejo tudo certinho. Teve um dia que vi até a rainha da abelha. Eu identifico todas as abelhas”, diz Vinicius.
    Vinicius dos Santos Leite da Silva possui quatro colmeias de abelhas da espécie Jataí.
    Cedidas/Vinicius dos Santos
    Vinicius conta que tem outros animais de estimação — passarinhos, cachorros e um hamster —, mas é ao cuidado com as abelhas que ele realmente gosta de se dedicar. O garoto até criou uma rotina e reserva vários momentos do dia apenas para observá-las.
    “Eu olho a entradinha delas, se já estão com o movimento de manhã, se elas estão começando a trabalhar. Daí eu vejo se o pito de entrada [túnel de cerume que é a entrada do ninho] delas está com uma boa aparência, se a cera está bem maleável, pois se tiver secado é um sinal ruim”, explica.
    A meta agora é criar outras espécies. Ele também aprendeu a fazer iscas e tem várias separadas para colocá-las em casa e na chácara de familiares.
    Vinicius também possui uma colônia de abelhas da espécie Mandaçaia.
    Cedidas/Vinicius dos Santos
    André Leite da Silva, de 46 anos, é pai de Vinicius e fala com orgulho sobre o interesse do filho pelos animais.
    “Quando ele põe alguma coisa na cabeça, ele pesquisa, vai atrás. Ele conhece o formato das abelhas, se a postura do ninho está boa ou não. […] Pela idade dele e por ver muitas crianças que não têm tanto interesse em relação a isso, eu fico muito orgulhoso por poder fazer parte desse interesse dele”, diz o pai.
    As 55 anos, Soraia Santos de Liro Guirão é outra entusiasta das abelhas pet. Apaixonada por animais de estimação, ela tem seis gatos em casa. Apesar de querer ter mais bichinhos, a falta de tempo fez com que ela optasse por pets que tivessem baixa manutenção.
    “Eu converso com elas do mesmo jeito e elas me ocupam menos tempo e preocupação. Elas não me dão muito trabalho. Amo acordar e ir vê-las saindo para ir em busca de alimento. Vê-las trabalhar e ver como é a organização da colmeia me fascina”, afirma Soraia.
    Soraia Santos de Liro Guirão, cuida de colmeias de abelhas Jataí e Mandaçaia.
    Cedidas/ Soraia Santos
    Soiraia trabalha como auxiliar operacional da UEM e conheceu as abelhas sem ferrão através do professor Zucareli. Depois, ela resolveu aprender mais e fez um curso sobre o assunto, onde se apaixonou a cada nova espécie descoberta.
    A primeira colmeia foi adquirida em agosto de 2025, com abelhas da espécie Mandaçaia. No início de 2026, após espalhar diversas iscas, ela também conseguiu formar uma colmeia deJataís, que logo será transferida para uma caixa adequada.
    “Eu quero ter essas abelhinhas para também ajudar um pouco o meio ambiente e ajudar na polinização. Acho que cuidando delas, elas estão cuidando da gente. Existem espécies maravilhosas e eu quero ter mais delas”, diz Soraia.
    🐝 Apesar da baixa manutenção, as abelhas também precisam de cuidados
    Zucarelli explica que, apesar das abelhas serem consideradas como pets de baixa manutenção, elas também precisam de alguns cuidados.
    “Elas têm que ser criadas à sombra, com apenas o sol da manhã, pois o excesso de sol pode matar as crias e derreter a cera. Também não é indicado retirar todo o mel para consumir. O indicado é retirar só no verão. A partir do outono, o melhor é não retirar mais para que ela tenha uma reserva de mel para o inverno e possa sobreviver”, explicou Zucarelli.
    Durante o manejo das abelhas, Soraia afirma que sempre fica atenta ao aparecimento de predadores, principalmente os forídeos, pequenas moscas conhecidas como “as principais inimigas das abelhas sem ferrão” por invadirem as colmeias para depositar seus ovos.
    Soraia também observa sempre a robustez da colônia. Segundo ela, caso esteja fraca, é preciso fornecer um alimento energético às abelhas, à base de água, açúcar e limão. Se estiver forte e crescendo, a colmeia pode até ser dividida para ser transformada em uma nova.
    🐝Legislação
    No Paraná, a criação de abelhas sem ferrão é regulamentada pela Lei Estadual 19.152/2017, que estabelece as regras para manejo, comércio e transporte de espécies nativas. A norma reconhece as abelhas sem ferrão como fauna silvestre brasileira e autoriza sua criação para fins de conservação, educação ambiental, pesquisa, lazer e consumo familiar de mel.
    A legislação também diferencia espécies nativas de exóticas e determina que a atividade pode ser realizada por hobby. Não é exigida licença ambiental para criadores com até dez colmeias, embora a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) recomende o cadastro a todos os criadores. Produtores que tenham mais de dez colmeias ou tenham intenção de comercializar produtos da meliponicultura são obrigados a fazer o cadastro na Adapar.
    Zucareli aconselha que os pequenos criadores realizem o cadastro na unidade mais próxima da Adapar e registrem a quantidade de espécies que possuem.
    “Isso é indicado para que possam fazer o mapeamento de espécies conservadas no estado e número de meliponicultores”, explicou o professor.
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