
Esta semana, a dúvida na redação do Pleno.News era se escrevemos “a Porsche” ou “o Porsche”. Logo minha presença foi solicitada para dar luz à questão. O detalhe? Eu estava em horário de almoço. Assim, quando voltei, centenas de mensagens me aguardavam. Em uma delas, a editora-chefe sugeria: “Verônica, este é um bom tema para a coluna da semana”.
Confesso que fui pega de surpresa. É engraçado como essas questões do nosso bom português aparecem justamente nas coisas mais simples. Por isso, fui pesquisar. Encontrei respostas que batiam com o que eu já sabia, mas queria entender a lógica por trás da explicação. Sabe aquela coisa de “a regra é clara, Arnaldo”? Pois é. Sou dessas.
Só que, desta vez, a tal regra não aparecia escrita de forma tão clara. Havia muitas boas explicações, mas eu queria o escrito mesmo. Ainda assim, tudo fazia sentido com aquilo que eu já conhecia da língua. Então, vamos ao ponto.
Quando falamos de carro, automóvel ou veículo, estamos lidando com substantivos masculinos. Portanto, ao nos referirmos ao modelo do carro, usamos o masculino também. Assim, o correto é dizer: o Porsche 911, o HB20, o Corolla, o Compass, o Civic, o Nivus.
E por quê? Porque a lógica é simples: existe um substantivo oculto ali. Não estamos falando apenas “Porsche” ou “HB20”; estamos falando de o carro Porsche, o automóvel HB20, o veículo Corolla. E, convenhamos, ninguém diz “a carro” ou “a automóvel”, certo?
Mas então por que ouvimos tantas vezes alguém dizer “a Porsche”? Aí está: quando nos referimos à empresa ou à marca, o gênero muda. Afinal, “empresa”, “fabricante” e “marca” são substantivos femininos. Nesse caso, o correto passa a ser: a Porsche, a Fiat, a Hyundai, a Toyota, a BMW.
Perceba a diferença: você pode comprar o Porsche 911, mas quem fabrica esse carro é a Porsche. O mesmo acontece com vários outros casos. Você pode dirigir o Corolla, mas ele é produzido pela Toyota.
Agora vem o pulo do gato: nem todo veículo é masculino. Isso porque nem sempre estamos falando de um carro ou automóvel. Existem categorias de veículos cujo substantivo é feminino, e o nome acompanha essa lógica. Por exemplo: picape, van, perua e até minivan são palavras femininas. Assim, é natural dizer a Hilux, a Rampage, a Spin ou a Sprinter.
Já os SUVs costumam gerar confusão. Muita gente pensa que seriam femininos, mas, na prática, a referência continua sendo ao automóvel ou ao utilitário esportivo, ambos masculinos. Portanto, o mais adequado é dizer o Compass, o Renegade, o HR-V, o Creta.
E há ainda um detalhe curioso: talvez você ache estranho dizer “o Ferrari” ou “o Lamborghini”. Afinal, quase todo mundo fala “uma Ferrari”. Isso acontece muito pela influência do italiano. Até porque, italianos costumam se referir ao carro como la macchina e não como il auto. Mas, no português formal, a lógica continua sendo usar o masculino: o Ferrari, o Lamborghini.
No fim das contas, a regra é menos complicada do que parece: basta descobrir qual substantivo está escondido na frase. É carro? Masculino. É marca? Feminino. É picape ou van? Feminino também.
De verdade, gostei desse tema de hoje, porque uma simples dúvida gerou uma viagem fantástica dentro do português. Então, se tiver alguma dúvida, mande pra nós; será um prazer esclarecer.
Um abraço e até a próxima!