Notícias

Categoria: GOSPEL

  • Entre crime organizado e terrorismo: Os critérios adotados pelos EUA

    Entre crime organizado e terrorismo: Os critérios adotados pelos EUA

    Entre crime organizado e terrorismo: Os critérios adotados pelos EUA
    Bandeira dos Estados Unidos (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay/Hinotoriko

    A definição de “grupo terrorista” pelos Estados Unidos da América não constitui meramente uma construção retórica ou moral, mas sim um instrumento jurídico-burocrático preciso, desenhado para ativar mecanismos específicos de política externa, sanções econômicas e jurisdição penal.

    Sob a ótica da ciência política, analisar essa definição exige afastar juízos de valor e focar nos padrões observáveis de como o Estado categoriza atores não estatais, influenciando diretamente a política externa norte-americana e a cooperação internacional em matéria de segurança.

    O conceito norte-americano de terrorismo
    Segundo a legislação dos Estados Unidos, o terrorismo é geralmente compreendido como o uso premeditado da violência, ou da ameaça de violência, por atores não estatais contra civis ou alvos não combatentes, com o objetivo de influenciar governos, populações ou decisões políticas.

    A definição enfatiza cinco elementos centrais:
    — Uso intencional da violência;
    — Motivação política, religiosa ou ideológica;
    — Planejamento prévio;
    — Intimidação psicológica além do dano físico imediato;
    — Busca de efeitos políticos ou estratégicos.

    Sob essa perspectiva, o terrorismo não é analisado apenas pelos atos praticados, mas também pela finalidade estratégica que orienta tais ações, evitando interpretações exclusivamente ideológicas ou normativas.

    A classificação de organizações terroristas estrangeiras
    O principal mecanismo de designação utilizado pelos Estados Unidos é a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO), mantida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

    Para que uma organização seja formalmente classificada como terrorista, geralmente são observados três critérios fundamentais:

    1. Natureza estrangeira da organização
    Deve ser uma organização estrangeira; ou seja, não domiciliada nos EUA.

    2. Envolvimento em atividades terroristas
    Devem existir evidências de participação, planejamento, financiamento, apoio logístico ou incentivo a atividades enquadradas como terrorismo segundo a legislação norte-americana.

    3. Ameaça à segurança nacional
    As atividades do grupo devem representar risco aos cidadãos norte-americanos, aos interesses estratégicos dos Estados Unidos ou à sua segurança nacional.

    A combinação desses fatores constitui a base jurídica para a designação oficial.

    Em última análise, entra em vigor nesta sexta-feira (5) a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

    Ao anunciar a medida em 28 de maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, destacou o elevado potencial de violência, intimidação e desestabilização social dessas organizações.

    Segundo o governo norte-americano, o PCC possui atividades monitoradas em 12 estados dos EUA, fator que reforça sua caracterização oficial como uma ameaça transnacional que ultrapassa os parâmetros tradicionais do crime organizado.

  • Caso Henry Borel: A omissão também mata

    Caso Henry Borel: A omissão também mata

    Caso Henry Borel: A omissão também mata
    Juíza Elizabeth Louro que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, na morte do filho Henry Borel Foto: TJRJ

    Cinco anos após o assassinato do menino Henry Borel pelo namorado de sua mãe, o ex-médico Jairo Souza, enfim ocorreu o julgamento pelo Tribunal do Júri, que o condenou a 43 anos de prisão, após dez dias de julgamento.

    No entanto, o que causou comoção em todos que aguardaram esse julgamento foi o perdão judicial concedido à mãe, Monique Medeiros, cúmplice do assassinato pela omissão. A sentença proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro foi recheada de conotação ideológica, com a citação de que os que defendiam sua condenação estariam agindo por misoginia. E que, se, ao invés da mãe, fosse o pai o acusado, sequer seria processado.

    Trago esse assunto à tona para que responsáveis por crianças, ao entregá-las aos cuidados de terceiros, sejam parentes ou não, procurem indagar como tem sido o tratamento e denunciem, ao menor indício de maus-tratos, a fim de evitar casos como o do menino Henry.

    Finalizo pedindo a Deus que olhe pelas nossas crianças nos momentos em que não podem estar aos cuidados de pessoas responsáveis. Ele mesmo diz, em sua Palavra: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus” (Mateus 19:14). E que Ele derrame Suas mais escolhidas bênçãos celestiais sobre Seus pequeninos.

  • Lula e sua teoria sobre o receptador

    Lula e sua teoria sobre o receptador

    Lula e sua teoria sobre o receptador
    Lula durante cerimônia no SESC Aracruz, no Espírito Santo Foto: Ricardo Stuckert / PR

    Senta que lá vem mais uma história para boi dormir de Lula. Recentemente, ele esteve no Espírito Santo, em Aracruz, e voltou a expor uma visão de mundo que tem marcado muitos de seus discursos Brasil afora. Ao comentar a recuperação de celulares roubados, demonstrou preocupação não apenas com a vítima do crime, mas também com quem adquiriu o aparelho das mãos de um criminoso.

    Sério isso? Sim.

    Segundo o presidente, não seria justo simplesmente recolher o celular de quem o comprou sem oferecer algum tipo de compensação. O argumento é que muitas pessoas teriam adquirido esses aparelhos de boa-fé e, por isso, não poderiam ser penalizadas.

    A questão é que essa lógica ignora um princípio fundamental que a receptação é parte indispensável da cadeia criminosa. Afinal, se ninguém comprasse produtos roubados, o crime se tornaria muito menos lucrativo. Quem adquire um celular por um valor muito abaixo do mercado, sem se preocupar com sua origem, contribui para manter esse sistema funcionando.

    O que mais chama atenção não é apenas o discurso em si, mas a inversão de prioridades que ela revela.

    A preocupação central deveria ser a vítima. É ela quem perdeu seu patrimônio para a ação de um criminoso. No entanto, o discurso presidencial dedica uma dose considerável de compreensão à situação de quem comprou o produto roubado.

    É uma inversão de valores que, para muitos, reflete a visão da esquerda sobre o tema ou narrativa eleitoreira visando agradar quem pratica isso.

    Não se trata de falta de humanidade, mas de reconhecer que toda escolha tem consequências. Quem compra um bem de origem suspeita assume um risco e ajuda a alimentar um mercado que existe justamente à custa do prejuízo de pessoas honestas.

    Quando Lula passa pano para o receptador, acaba transmitindo uma mensagem preocupante: a de que sempre há uma justificativa para quem participa da engrenagem do crime.

    E aí voltamos a uma discussão que ganhou força nos últimos dias: por que facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho passaram a ser alvo de crescente atenção internacional?

    Só não vê quem não quer. Lula demonstra “complacência” com tudo o que é errado e, com posturas como essa, contribui para o agravamento da crise na segurança pública brasileira.

  • A captura ideológica de parte do Judiciário

    A captura ideológica de parte do Judiciário

    A captura ideológica de parte do Judiciário
    Juíza Elizabeth Louro que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, na morte do filho Henry Borel Foto: Brunno Dantas -TJRJ

    O perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, expôs de forma cristalina o grau de captura ideológica que parte do Judiciário brasileiro alcançou nos últimos anos.

    Em junho de 2026, após o júri desclassificar sua conduta de homicídio doloso para culposo, a juíza responsável decidiu extinguir a pena da ré. O motivo apresentado não foi a ausência de provas nem a comprovação de que ela desconhecia as agressões. Foi a alegação de que a sociedade teria agido de forma “misógina” e “patriarcal” ao cobrar dela, como mãe, um mínimo de responsabilidade pela proteção do próprio filho.

    O que deveria ser um julgamento sobre a vida e a morte de uma criança de 5 anos transformou-se em mais um capítulo da aplicação seletiva da lei conforme o gênero da acusada.

    Essa decisão não é um caso isolado nem um erro pontual de interpretação. Ela representa a consolidação de uma tendência perigosa: a de que mulheres, especialmente mães, passam a contar com um tratamento privilegiado dentro do sistema de Justiça sempre que são acusadas de crimes contra crianças ou de grave omissão.

    O que era para ser um instrumento de proteção contra discriminação — o chamado “julgamento com perspectiva de gênero” — tornou-se, na prática, uma licença para relativizar deveres legais básicos, como o dever de proteger o próprio filho de agressões conhecidas. O resultado é a criação de uma impunidade de gênero que fere de morte o princípio da igualdade perante a lei.

    O argumento usado pela juíza para perdoar Monique Medeiros foi de que a cobrança social sobre ela teria sido excessiva porque a sociedade ainda exige das mulheres o papel da “mãe perfeita”. Segundo a sentença, se fosse o pai na mesma situação, ele provavelmente nem teria sido processado.

    Esse raciocínio revela o tamanho da distorção: em vez de analisar a conduta concreta da ré — que, segundo as provas, sabia das agressões e nada fez —, o julgamento priorizou uma narrativa ideológica sobre o papel histórico da mulher. A posição de garante, que toda mãe exerce sobre os filhos menores, prevista no artigo 13 do Código Penal, foi simplesmente colocada de lado em nome de uma suposta vulnerabilidade estrutural.

    Essa forma de raciocínio vem se repetindo em diversos tribunais do país. Mulheres que omitem abusos sexuais ou físicos cometidos por companheiros contra os próprios filhos têm conseguido absolvições ou reduções de pena com base em argumentos semelhantes: “Ela também era vítima”, “sofreu pressão social” ou “a sociedade cobra mais das mães”. Enquanto isso, pais que cometem as mesmas omissões raramente recebem qualquer tipo de benevolência.

    O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, imposto pelo Conselho Nacional de Justiça, funciona como uma diretriz que orienta os magistrados a enxergar a mulher sempre como potencial vítima, mesmo quando ela é a responsável por deixar uma criança ser torturada até a morte.

    O problema se agrava quando se observa o outro lado da moeda. O mesmo sistema que facilita medidas protetivas quase automáticas com base na palavra de uma mulher tem enorme dificuldade em punir denúncias falsas ou omissões graves cometidas por mulheres. A Lei Maria da Penha, que deveria proteger vítimas reais, foi convertida em instrumento de assimetria jurídica.

    Hoje, no Brasil, é muito mais fácil arruinar a vida de um homem com uma acusação do que responsabilizar uma mãe que deliberadamente fechou os olhos para a violência contra seu filho. Essa distorção não é falha de aplicação. É consequência direta de uma ideologia que transformou o sexo biológico em critério de culpabilidade.

    Casos como o de Henry Borel mostram que essa lógica já saiu do campo teórico e está produzindo resultados concretos e trágicos. Uma criança foi espancada até a morte. O autor material foi condenado a mais de 43 anos de prisão. A mãe, que segundo o processo tinha conhecimento das agressões e nada fez para impedir, recebeu perdão judicial com o argumento de que a sociedade foi dura demais com ela. Se esse precedente se consolidar, o recado para outras mães em situações semelhantes é extremamente perigoso: o Estado pode punir o agressor, mas você, por ser mulher, provavelmente será poupada.

    A direita brasileira não pode continuar tratando esse tema como uma questão secundária ou “polêmica”. A captura ideológica de parte do Judiciário por meio de protocolos de “perspectiva de gênero” está produzindo uma justiça de duas velocidades, na qual o sexo da pessoa influencia diretamente o grau de responsabilidade que lhe é atribuído. Enquanto não houver reação clara e organizada contra essa deformação — incluindo a revisão do Protocolo do CNJ, o fim da aplicação automática de atenuantes baseados em gênero e a defesa firme do princípio de que todo cidadão responde por seus atos independentemente do sexo —, casos como o de Monique Medeiros continuarão se multiplicando.

    O combate a essa forma de impunidade seletiva não é uma pauta de costumes nem uma disputa ideológica secundária. É uma questão central para quem defende leis funcionais. Quando o sistema de Justiça passa a perdoar mães que falham em proteger seus filhos em nome de uma narrativa de gênero, não está apenas distorcendo a lei. Está abandonando as crianças mais vulneráveis e abrindo caminho para que a ideologia se sobreponha à proteção da vida.

  • Lula está encurralado pelas tarifas de Trump

    Lula está encurralado pelas tarifas de Trump

    Lula está encurralado pelas tarifas de Trump
    Lula está encurralado pelas tarifas de Trump (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    A possível imposição de novas tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros recolocou no centro do debate a responsabilidade política pelo desastre que tem sido a política externa do Brasil com os Estados Unidos.

    O governo Lula, apoiado por boa parte da velha imprensa, não abre mão de sustentar a narrativa de que as tarifas decorrem de uma articulação antipatriótica da direita brasileira, especialmente de atores políticos ligados ao bolsonarismo, que teriam buscado apoio externo para constranger o governo brasileiro.

    Trata-se de uma narrativa que desloca o foco das críticas feitas pelos americanos para a identidade de quem teria contribuído para levá-las ao conhecimento das autoridades dos Estados Unidos.

    É como culpar a testemunha pelo assalto que ela denunciou. Esse argumento pode fazer sentido na máfia, mas, em uma democracia, o denunciante deve ser elogiado e protegido. Talvez essa lógica possa também seduzir o eleitorado de Lula, mas não explica o problema real nem resolve o entrave prático com os EUA.

    Por óbvio, governos estrangeiros não impõem medidas comerciais relevantes apenas porque um grupo político lhes pede que o façam. Medidas dessa natureza decorrem de interesses estratégicos, econômicos e institucionais próprios. E o mais importante: quando um governo estrangeiro apresenta justificativas formais para uma medida, é sobre essas justificativas que qualquer negociação futura precisará ocorrer.

    Como as tarifas decorrem da aplicação da Seção 301, instrumento juridicamente mais robusto do que os anteriormente utilizados, Lula não poderá simplesmente barganhar sua retirada da mesma forma que fez no passado.

    Não bastará a Lula discursar para a claque, para seus eleitores. O governo terá de discutir as razões apresentadas por Washington. Lula terá de lidar com o mérito da questão: os abusos atribuídos a decisões do STF, especialmente aqueles relacionados às redes sociais.

    As razões apontadas pelos Estados Unidos se concentram em violações de princípios relacionados à liberdade de expressão, à segurança jurídica e ao tratamento dispensado a empresas americanas que operam plataformas digitais.

    O governo pode concordar ou discordar dessa avaliação, considerar que ela seja justa ou injusta, mas não poderá negociar sem reconhecê-la. É por isso que o discurso da soberania, embora eficiente para mobilizar militantes e produzir manchetes favoráveis, é insuficiente como estratégia diplomática.

    O desconforto de Lula em encarar o problema de frente, assumindo que as críticas dos EUA se dirigem a decisões judiciais, especialmente oriundas do Supremo Tribunal Federal, decorre do forte alinhamento entre governo e Supremo. Reconhecer as críticas dirigidas ao STF, em alguma medida, é assumir os abusos atribuídos ao próprio Executivo.

    Nesse contexto, Lula está encurralado. Se aceitar a premissa negocial apresentada pelos Estados Unidos, terá de admitir que existe uma discussão legítima sobre abusos do STF, o que cria atritos com a Corte. Se rejeitar essa premissa, reduz drasticamente suas chances de obter uma solução para as tarifas.

    E, se insistir apenas no discurso da soberania, apontando o dedo para Trump, Rubio e para a oposição brasileira, corre o risco de assistir à ocupação desse espaço político por Flávio Bolsonaro e outros líderes da direita, que passarão a se apresentar como interlocutores alternativos junto ao governo dos Estados Unidos.

    Em qualquer cenário, Lula está nas cordas.

    * Texto originalmente publicado no Poder360.

  • Dois livros em prol da cidadania

    Dois livros em prol da cidadania

    Dois livros em prol da cidadania
    Livro (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay

    O cientista político Luiz Felipe D’Avila, o economista Marcos Cintra, o diretor da Faculdade Brasileira de Tributação, Filipe Silva, e eu preparamos dois livros em prol da cidadania.

    As obras contam com a colaboração de mais de 40 dos mais importantes juristas e professores do Brasil, especialistas em suas respectivas áreas de atuação, para tentar, de forma científica e racional, auxiliar todos os segmentos da sociedade a pensar sobre o nosso atual cenário político, econômico e social, bem como sobre o futuro do país.

    O primeiro livro, Trincheira da liberdade, sob a coordenação de Luiz Felipe D’Avila e minha, analisa a importância de uma democracia baseada na liberdade de expressão — considerando que a palavra é a grande arma de uma sociedade democrática —, na liberdade de empreendimento — essencial para permitir o desenvolvimento, como ocorre nas grandes nações —, e na liberdade religiosa.

    Defendemos que aqueles que acreditam em Deus não podem ser escanteados sob a alegação de um termo que sequer existe na Constituição: o “Estado laico”. O que a Carta Magna estabelece, em seu artigo 19, é que as instituições públicas e as religiosas são esferas diferentes, cada uma com seu próprio estatuto.

    Isso não significa que o cidadão de fé esteja impedido de opinar e manifestar suas convicções de ordem moral, ética, familiar e profissional para o bem da nação. Trata-se da liberdade na sociedade, a ser respeitada pelos Poderes para que — após a histórica luta que travamos na OAB de 1979 a 1984, período em que fui conselheiro da instituição para restabelecer uma autêntica democracia no Brasil — não vejamos a liberdade manietada com a banalização de prisões e o receio das pessoas em falar.

    O nosso Trincheira da Liberdade objetiva, por meio de grandes autores, empresários, economistas, juristas e jornalistas, reunir aqueles que desejam que o Brasil volte a ser a democracia sonhada na Constituição Federal de 1988 (como declara seu relator senador Bernardo Cabral), a qual Ulysses Guimarães chamou de “Cidadã”.

    O propósito é termos novamente, aqui no país, uma democracia na qual as ideias de esquerda e de direita sejam apresentadas em um debate elevado, e não sob o pálio do discurso do ódio.

    O título do segundo livro é Equívocos e Fragilidades da Reforma Tributária do Consumo. Este eu coordeno com o economista Marcos Cintra e com Filipe Silva.

    A obra reúne mais de uma trintena de autores, todos abordando os enganos e erros que estamos detectando no atual texto da reforma tributária. Os artigos apontam como teríamos de corrigir determinados pontos e discutem o amesquinhamento da federação em um cenário no qual ela será reduzida e dominada por um conselho gestor em Brasília.

    A análise rigorosa da ordem jurídica e tributária não constitui mero exercício acadêmico, mas necessidade urgente para salvaguardar a segurança jurídica e a autonomia dos entes federativos. Sem diretrizes técnicas claras, as reformas estruturais correm o risco de desfigurar os pilares que sustentam o equilíbrio entre os Poderes e a livre iniciativa.

    Propomos, por meio desta união de mentes brilhantes, resgatar o espírito de conciliação nacional, essencial para o fortalecimento das nossas instituições. A verdadeira maturidade política de uma nação se manifesta quando o conhecimento especializado serve de farol para iluminar as decisões coletivas, superando radicalismos e paixões partidárias efêmeras.

    Nossa meta é ter os dois livros publicados ainda em agosto, antes do período eleitoral, para permitir que o eleitor e todos aqueles que se interessam por esses temas possam ler as diversas posições de múltiplos autores e, assim, tomar uma decisão consciente entre as propostas que os candidatos apresentarão para o pleito de outubro, que elegerá o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

    Esperamos, dessa forma, junto a todos os nossos amigos e coautores, dar uma sólida contribuição de cidadania para pensarmos o Brasil de forma racional, técnica e soberana. O objetivo é buscar a melhoria real do país, independentemente de disputas que visem meramente ter poder.

    Trata-se de uma proposta de cidadãos, e não daqueles que almejam apenas conquistar o governo. Afinal, a função do cidadão é lutar por seu país para consolidar a verdadeira democracia, que é o que de fato constrói uma grande nação.

  • “A fome é irmã de Satanás”

    “A fome é irmã de Satanás”

    “A fome é irmã de Satanás”
    Protesto em Luanda, Angola, por causa da fome Foto: EFE/EPA/AMPE ROGERIO

    Vi essa frase “A fome é irmã de Satanás” aqui em Luanda, Angola; o que resume de forma explícita a luta do cidadão angolano para sobreviver.

    Ao andar pelas ruas e vias da capital de Angola foi inevitável não ver a luta das pessoas pelo pão nosso de cada dia. Para minha tristeza, as ruas estavam lotadas de mulheres e crianças vendendo banana, tomate ou mesmo alguma hortaliça na expectativa de comprar alguma coisa para jantar com seus filhos e família.

    Ainda que Angola seja um país rico, a fome é a realidade da maioria da polução, que governada por um governo comunista experimenta dor e sofrimento. Senão bastasse isso, a saúde pública é precária, onde percebe-se um alto índice de mortalidade infantil em virtude da malária.

    Caro leitor, o comunismo é uma desgraça: ele propõe esperança e traz desespero; defende igualdade, mas proporciona desigualdade; fala de sustentabilidade, mas instala a fome; se diz democrático, mas é uma ditadura maldita.

    Triste saber que um país tão belo, com povo tão hospitaleiro, tem uma população que luta pra comer e sobreviver.

    Definitivamente os angolanos estão certos, a fome é irmã de Satanás, que é pai do comunismo, detentor da dor e da miséria.

  • Feriado: A curiosa origem da palavra que todo mundo ama

    Feriado: A curiosa origem da palavra que todo mundo ama

    Feriado: A curiosa origem da palavra que todo mundo ama
    Tapete em comemoração ao Corpus Christi Foto: Mike McBey/ Wikimedia CCA 2.0

    Nesta quinta-feira (4), será dia de Corpus Christi, conhecido por muitos como feriado. E, quando penso em feriado, confesso: me vem à mente a época da escola. Eu era daquelas que começavam o ano olhando o calendário e marcando todos os dias de folga. Sim… eu já fiz isso.

    Depois, bem mais tarde, trabalhei em uma grande editora que funcionava com banco de horas. Particularmente, eu achava o máximo, porque íamos “diluindo” as horas extras dos feriadões ao longo do ano. Isso queria dizer que, se o feriado caísse numa quinta-feira, a sexta, quase que “automaticamente”, virava folga também. Logo, se eu ainda trabalhasse lá, provavelmente estaria aproveitando o feriadão.

    Hoje, sendo autônoma, empreendedora ou, como alguns chamam, CEO de MEI, o feriado fica por minha conta mesmo.

    E claro: em tempos nos quais se discute a escala 6×1 e o direito ao descanso do trabalhador, que sim, é sagradíssimo, me pergunto quantas pessoas terão folga amanhã. Mas, para os fins desta coluna, a pergunta que realmente importa é outra: você sabe o que a palavra feriado significa?

    Pois é. O português tem dessas coisas deliciosas: palavras que carregam histórias escondidas dentro delas.

    “Feriado” vem do latim “feriatus” e também de “feria”. Feriatus significa que se está em festa, dias feriados, dias de vaga, de descanso. Então, isso já temos acertado. Mas quero me deter na palavra féria da qual evoluem muitas outras que conhecemos.

    Um dos significados de feria está ligado ao ganho diário. Bem antigamente, falava-se em “fazer a féria”, que nada mais era do que receber o valor do dia trabalhado ou do serviço prestado. Aliás, ela também aparece nos dias da semana. Quando falamos “segunda-feira”, “terça-feira” ou “sexta-feira”, esse “feira” vem justamente de feria, no sentido de dia comum ou dia útil.

    Mas a história vai além. No latim, feria,como já disse, também estava associada a dias de repouso dedicados ao sagrado, momentos nos quais o trabalho era interrompido para que a atenção se voltasse às obrigações religiosas. Até por isso, se você já prestou atenção, vai perceber que a maior parte dos feriados de nosso calendário é de comemorações instituídas pela Igreja Católica.

    E aí, curiosamente, a palavra feira tem parentesco com essa mesma origem; porque, nas festas religiosas era comum se montar barracas para vender comidas, bebidas e produtos. Com o tempo, o espaço de comércio acabou herdando esse nome.

    Já sobre o Corpus Christi: esse dia não é um feriado nacional. Embora das 27 capitais brasileiras, 20 tenham decretado feriado, seis adotaram como ponto facultativo e uma até mudou o dia da comemoração. Então, pode ser que na sua cidade não seja feriado nesta quinta.

    Mas independentemente de você ter folga amanhã ou não, fica a curiosidade: talvez o feriado seja mais do que apenas um dia sem trabalhar. Talvez ele carregue, escondido no próprio nome, a lembrança de que descansar também é necessário.

    Um abraço e até a próxima!

  • ONU é financiada por China, Rússia e Catar para atacar EUA e Israel

    ONU é financiada por China, Rússia e Catar para atacar EUA e Israel

    ONU é financiada por China, Rússia e Catar para atacar EUA e Israel
    Secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, discursa no Conselho de Direitos Humanos Foto: EFE/EPA/VALENTIN FLAURAUD

    Venho escrevendo, nos últimos anos, que a ONU travestiu-se em uma prostituta de ditaduras e tiranos. Sob o disfarce dos “direitos humanos”, evidenciamos uma plataforma de politicagem e interesses de políticas progressistas antiocidentais vinculadas ao Eixo do Mal.

    A nova investigação da UN Watch, From Watchdogs to Ideologues (De Vigilantes a Ideólogos), conclui que os principais especialistas em direitos humanos das Nações Unidas abandonaram o papel de monitores independentes e estão promovendo agendas politizadas que corroem a credibilidade do sistema internacional de direitos humanos.

    O relatório sustenta que diversos especialistas independentes da ONU teriam recebido financiamento de governos autoritários, incluindo China, Rússia e Catar, ao mesmo tempo em que produziram relatórios e declarações fortemente críticas aos Estados Unidos, a Israel e a outras democracias ocidentais.

    O documento descreve 13 Relatores Especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU, representando mais de um quinto dos 59 mandatos temáticos ou específicos por país para relatar questões de direitos humanos, e identifica um padrão de propaganda ideológica e conflitos de interesse.

    De acordo com a organização, a preocupação não reside apenas na existência dos financiamentos, mas na correlação observada entre os recursos recebidos e os posicionamentos públicos adotados por esses especialistas.

    O relatório sustenta ainda que eles direcionaram atenção desproporcional às ações de países ocidentais, particularmente dos Estados Unidos e de Israel, enquanto teriam dedicado menor atenção ou emitido críticas mais moderadas a governos frequentemente acusados de graves violações de direitos humanos, como China, Rússia, Irã e Catar.

    O documento afirma que esse padrão evidencia não apenas o viés ideológico, mas também um problema estrutural mais profundo dentro do sistema internacional de direitos humanos. Quando especialistas responsáveis por fiscalizar governos mantêm vínculos financeiros com ditaduras e tiranias, a confiança em suas conclusões fica comprometida.

    Nos últimos anos, diversos governos ocidentais têm criticado o Conselho de Direitos Humanos da ONU por aquilo que consideram um foco excessivo em Israel. O Estado israelense, por exemplo, denuncia há décadas que é submetido a um nível de escrutínio desproporcional em comparação com outras nações envolvidas em conflitos armados ou acusadas de violações sistemáticas de direitos humanos.

    Em síntese, o relatório reforça a importância da transparência, da prestação de contas e da independência institucional para a preservação da credibilidade do sistema global de proteção dos direitos humanos.

  • Quando a ofensa vira entretenimento

    Quando a ofensa vira entretenimento

    Quando a ofensa vira entretenimento
    (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Há alguma coisa de profundamente doente numa multidão que decide transformar uma mulher em saco de pancadas emocional de um estádio inteiro. Não importa se você gosta da Virginia Fonseca, se acompanha seus vídeos ou se revira os olhos toda vez que ela aparece na sua timeline. O que aconteceu no Maracanã não foi crítica. Foi aquele velho espetáculo nacional em que uma mulher vira alvo coletivo porque as pessoas descobriram que humilhar alguém em coro produz uma sensação temporária de pertencimento.

    Existe uma misoginia moderna que aprendeu a usar maquiagem intelectual. Ela não chega mais vestida de vilã de novela. Ela chega dizendo que é “só brincadeira”, “só zoeira”, “só opinião”. Mas continua sendo a mesma pulsão primitiva: a necessidade de ver uma mulher constrangida em praça pública.

    Curioso como tanta gente que passa o dia discursando sobre empatia, respeito e saúde mental encontra uma energia quase olímpica quando surge a oportunidade de gritar obscenidades para uma mulher diante de milhares de pessoas. A civilização é uma camada muito fina de pó compacto. Basta um estádio lotado para ela escorrer.

    E o mais melancólico é que, enquanto a torcida gritava o nome dela como ofensa, acabava provando exatamente o contrário do que pretendia. Porque ninguém gasta tanta raiva com alguém irrelevante. Há um ressentimento muito específico reservado às mulheres que ocupam espaço demais, ganham dinheiro demais, aparecem demais e não demonstram a culpa que se espera delas.

    No fim, aqueles gritos diziam menos sobre Virginia e muito mais sobre quem os entoava. Eram milhares de pessoas tentando diminuir uma mulher — e conseguindo apenas revelar o próprio tamanho.