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A anatomia de um erro

A anatomia de um erro
A anatomia de um erro
Corda (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Noelle Otto

A jovem que morreu ao saltar de uma ponte e os helicópteros que colidiram no Rio de Janeiro têm mais em comum do que parece. Não pela natureza dos acidentes, mas pela origem deles. Em ambos os casos, pessoas confiaram que protocolos existiam por uma razão: impedir que o impensável acontecesse. E, em ambos os casos, algo falhou onde não poderia falhar.

Há uma tendência de tratar tragédias como fatalidades, como se fossem obra exclusiva do acaso. Mas a verdade costuma ser menos confortável. Acidentes raramente surgem do nada. Eles nascem de falhas, descuidos, excesso de confiança ou da crença de que uma etapa pode ser ignorada porque “sempre deu certo antes”.

O que mais assusta nessas histórias é justamente isso. Não a excepcionalidade dos eventos, mas a sua banalidade. Uma verificação que não foi feita. Um procedimento que não foi seguido. Uma responsabilidade que alguém presumiu que fosse de outro. E, de repente, vidas inteiras são interrompidas por erros que jamais deveriam ter acontecido.