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Categoria: GOSPEL

  • As nulidades no julgamento de Cristo

    As nulidades no julgamento de Cristo

    As nulidades no julgamento de Cristo
    Lavar as mãos (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Nesta Semana Santa, enquanto milhões de pessoas ao redor do mundo voltam os olhos para a Cruz, é fundamental refletirmos não apenas sobre o sacrifício teológico, mas sobre o processo que o antecedeu.

    O julgamento de Jesus de Nazaré é, sob qualquer ótica jurídica, o maior erro judiciário da história da humanidade. É o retrato de como o sistema, quando corrompido por interesses políticos e pressão popular, pode transformar o justo em réu e a lei em ferramenta de opressão.

    O simulacro de justiça
    Ao analisarmos os autos desse processo histórico, deparamo-nos com uma sucessão de nulidades absolutas que fariam qualquer tribunal moderno anular o feito.

    Primeiro, a violação do Princípio da Publicidade: o julgamento ocorreu na calada da noite, longe dos olhos do povo e da transparência necessária aos atos judiciários.

    Ademais, houve o completo desprezo pelo Direito à Ampla Defesa e ao Contraditório. Jesus foi privado de um defensor e confrontado com testemunhas cujos relatos eram nitidamente contraditórios e falsos.

    Mais grave ainda foi a violação do Princípio do Juiz Natural: Cristo foi jogado de um tribunal a outro, de Anás a Caifás, de Pilatos a Herodes, sem que se respeitasse a competência legal de cada autoridade.

    Por fim, a sentença de Pilatos não foi baseada em fatos ou provas, mas na conveniência. Ao lavar as mãos, o magistrado romano abdicou da sua imparcialidade para ceder à pressão da multidão.

    Em outras palavras, o direito cedeu ao ruído das ruas e a justiça ajoelhou-se perante o poder!

    As injustiças do nosso tempo
    A analogia com a contemporaneidade é inevitável. Ainda hoje, assistimos a autoridades que, por vezes, ignoram o devido processo legal em nome de projetos de poder ou para satisfazer o clamor momentâneo da opinião pública.

    Neste sentido, a instrumentalização do sistema jurídico para perseguir adversários ou silenciar vozes dissonantes é uma ferida aberta que nos lembra que, sem princípios éticos e respeito à lei, a toga pode tornar-se um instrumento de tirania.

    Quando o rito é atropelado e o réu é condenado antes mesmo de ser ouvido, a justiça deixa de ser um ideal civilizatório para tornar-se um espetáculo de força. O julgamento de Cristo nos alerta que a autoridade sem compromisso com a verdade é, por essência, injusta.

    O propósito que supera o erro
    Entretanto, para nós, cristãos, a reflexão não termina na indignação jurídica. Há uma dimensão que transcende a nulidade dos tribunais humanos. Jesus, sendo o Filho de Deus, o próprio autor da Vida, submeteu-se voluntariamente a esse processo viciado.

    Ele aceitou a ausência de defesa para ser o nosso Advogado (1 Jo 2:1). Ele suportou as testemunhas falsas para que pudéssemos conhecer a Verdade que liberta (Jo 8:32). Ele aceitou uma sentença injusta para que nós, culpados, pudéssemos receber a justiça de Deus.

    O propósito benevolente e amoroso de Cristo transformou o maior erro judiciário de todos os tempos no maior ato de salvação. Na cruz, a injustiça dos homens encontrou-se com a misericórdia de Deus.

    Que nesta Páscoa possamos lembrar que, embora as autoridades terrenas falhem, existe um Juiz Justo que, por amor, entregou-se para que tivéssemos vida em abundância!

  • Por um STF sem ministros

    Por um STF sem ministros

    Por um STF sem ministros
    Um STF sem ministros (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Com a formalização de Jorge Messias para a vaga deixada por Barroso no STF, volta à cena uma pergunta que recebo constantemente: como evitar indicações políticas para a Corte? Que reforma constitucional permitiria que voltássemos a ter um verdadeiro tribunal de justiça no Brasil?

    Tenho uma boa resposta: a melhor reforma seria uma proposta de emenda constitucional que impedisse a entrada de novos ministros e estabelecesse que, a cada saída, a cadeira correspondente permanecesse vazia.

    Ninguém sentiu falta de Barroso. Ao menos no ambiente jurídico. Talvez sua ausência tenha impacto no setor de palestras ou nas rodas de samba, mas, no plano jurídico, ninguém deu a mínima.

    Por outro lado, a presença de Messias tende a ser um fardo, não tenho dúvida. Duvido que o leitor se lembre da ausência de Rosa Weber, mas a presença de seu substituto, Flávio Dino, essa se sente de modo penoso. E assim sucessivamente.

    Com a proposta em vigor, o STF passaria a reduzir seu número de ministros: de onze para dez, de dez para nove, até que o tribunal se esvaziasse por completo e se tornasse um STF baldio. Essa redução progressiva não geraria caos algum. Ao contrário, revelaria algo que já é perceptível, embora raramente admitido: a irrelevância jurídica de boa parte dos ministros. Quanto à sua relevância política, tampouco faria falta: políticos já temos em excesso nos demais Poderes.

    Haveria, no início, alguma estranheza. Mas ela seria rapidamente substituída por alívio. Um alívio real. Afinal, hoje o que produz efeitos, frequentemente deletérios, é a presença dos ministros. Uma presença que, ao longo dos anos, expandiu competências para além dos limites constitucionais, substituiu o legislador e asfixiou o jogo político. Uma presença que sufocou o direito, ridicularizou a Constituição, ignorou garantias fundamentais e produziu insegurança jurídica.

    O STF hoje funciona como um organismo saturado. O novato ou se adapta ao sistema, tornando-se mais um, ou vive em isolamento, o que não faz sentido em um órgão colegiado.

    O esvaziamento progressivo abriria espaço para a pergunta que hoje se evita: para que serve, afinal, a Corte? Não em termos abstratos, mas concretos. Qual é o seu papel?

    O STF já não opera como Corte de justiça. E, enquanto não soubermos exatamente para que serve, não adianta entulhar gabinetes com novos ministros.

    Até lá, deixem o STF vazio. Depois de esvaziado, façam ali um parque, um pet play, ou um bar, quem sabe um karaokê, e chamem o Barroso para a inauguração.

     

    * Texto originalmente publicado no Poder360.

  • No Canadá, citações bíblicas serão criminalizadas 

    No Canadá, citações bíblicas serão criminalizadas 

    No Canadá, citações bíblicas serão criminalizadas 
    Bandeira do Canadá (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay/Jude Joshua

    A partir de agora, em terras canadenses, você pode até ser preso se uma citação bíblica sua for interpretada como “discurso de ódio”. Essa é a polêmica que explodiu após um projeto de lei ganhar força, no Canadá. Uma proteção legal que garantia a defesa de falas baseadas em textos religiosos está sendo removida.

    O que antes servia como escudo para a liberdade de crença agora passa a ficar nas mãos da interpretação do sistema. Diversos especialistas afirmam que isso pode abrir caminho para criminalizar ensinamentos bíblicos tradicionais.

    Na prática, não é que a Bíblia tenha sido proibida diretamente. Mas, a partir desse cenário, tudo passa a depender de interpretação. Se alguém considerar sua fala ofensiva, você pode ser enquadrado.

    O mais impressionante é que isso já estava até previsto na própria Bíblia. Em 2 Timóteo 4:3, é dito que chegaria um tempo em que muitos não suportariam mais a sã doutrina. Prefeririam ouvir apenas aquilo que agradasse aos seus próprios desejos. Ou seja, a verdade não seria apenas rejeitada; ela passaria a ser combatida.

    E é exatamente esse o espírito do nosso tempo: a verdade passou a ser tratada como agressão, enquanto o erro é protegido como se fosse virtude. Qualquer mensagem que confronte o pecado, a desordem moral ou a rebelião contra Deus, rapidamente começa a ser vista como inaceitável.

    A censura da fé cristã prepara o caminho para um controle mais rígido no futuro. O que hoje é interpretado como ofensivo, amanhã pode ser proibido. O fim da liberdade de expressão não está distante — esse tempo já começou a se manifestar.

  • Licença-paternidade: O que muda para as empresas a partir de 2027?

    Licença-paternidade: O que muda para as empresas a partir de 2027?

    Licença-paternidade: O que muda para as empresas a partir de 2027?
    Papai e bebê (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Alina Matveycheva

    Na última terça-feira (31), foi sancionada a lei que amplia o período de afastamento do trabalho do pai, em sua licença-paternidade, após a chegada de um filho, dos atuais cinco dias para até 20 dias, com vigência a partir de janeiro de 2027.

    Para as empresas, a mudança traz novas obrigações diretas que precisam entrar no radar do RH agora.

    Até hoje, a licença-paternidade era de cinco dias corridos, custeada pela própria empresa, sem reembolso da Previdência Social e sem qualquer estabilidade no emprego após o retorno ao trabalho. O direito se aplicava apenas a trabalhadores com carteira assinada e a servidores públicos.

    Com a nova lei, esse cenário muda gradualmente:

    — A partir de janeiro de 2027: 10 dias de afastamento.
    — A partir de janeiro de 2028: 15 dias de afastamento.
    — A partir de janeiro de 2029: 20 dias de afastamento.

    O custo do afastamento passa a ser da Previdência Social. A empresa mantém o pagamento integral do salário durante a licença, mas será reembolsada pelo INSS, seguindo a mesma lógica já aplicada na licença-maternidade.

    Além do aumento no período e da mudança no custeio, a lei cria estabilidade no emprego. O pai não pode ser demitido sem justa causa durante a licença; nem nos 30 dias após o retorno. Demitir dentro desse período pode gerar reintegração ou indenização para a empresa.

    O direito também foi ampliado para além da CLT. Autônomos, empregados domésticos e MEIs passam a ter acesso ao benefício. Para empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, é possível acrescentar 15 dias adicionais, chegando a até 35 dias no total.

    A lei ainda prevê situações específicas que o RH precisa conhecer:

    — Falecimento da mãe: o pai tem direito a até 180 dias de afastamento.
    — Filho com deficiência ou doença rara: a licença é ampliada em um terço.
    — Casais homoafetivos: um dos integrantes pode usufruir da licença-maternidade e o outro da paternidade.

    A lei entra em vigor em janeiro de 2027, mas a adequação começa antes disso. Políticas internas, contratos e processos de RH precisam ser revisados para contemplar as novas regras de afastamento, pagamento e estabilidade.

    Empresas que não observarem o período de estabilidade estarão expostas a ações trabalhistas. E, como sempre, o passivo começa antes do processo.

  • A perigosa defesa da legalização das drogas por Gilmar Mendes

    A perigosa defesa da legalização das drogas por Gilmar Mendes

    A perigosa defesa da legalização das drogas por Gilmar Mendes
    Ministro Gilmar Mendes Foto: Antonio Augusto/STF

    Nosso país, de tradição judaico-cristã, mantém arraigada a ojeriza a qualquer tipo de droga. Nossos jovens, em sua maioria, ainda mantêm distância desses vícios malignos que destroem famílias e causam uma dependência nefasta, muitas vezes, permanente e irreversível.

    Eu, na qualidade de legislador, bato-me com todas as armas disponíveis em meu mandato para combater a descriminalização das drogas, sejam elas quais forem. Não existe droga leve. Todas são uma desgraça na vida do usuário e de suas famílias.

    Portanto, nós, formadores de opinião, temos o dever de incutir na sociedade os malefícios que advêm do consumo de drogas, verdadeiro flagelo da sociedade moderna.

    Agora, de verdade, me causa uma espécie de revolta ver um ministro da Suprema Corte de nosso país, como o ministro Gilmar Mendes, manifestar-se no sentido de legalizar drogas. Ele se esquece de que países que flexibilizaram suas leis, afrouxando a repressão, colheram consequências graves e, agora, tentam retroceder, retomando a criminalização para reparar o que ainda é possível.

    Finalizo pedindo a Deus que ilumine nossas autoridades, para que usem suas prerrogativas em favor da nação, no combate às drogas — e não na defesa de sua liberação — para que tenhamos sempre gerações saudáveis e ordeiras. E peço que Ele derrame suas mais escolhidas bênçãos sobre todos os jovens de nosso país.

  • A palavra do momento: Misoginia

    A palavra do momento: Misoginia

    A palavra do momento: Misoginia
    (Imagem ilustrativa) Foto: Unsplash/Soheb Zaidi

    Moro no Espírito Santo. E, se há um lugar lindo e especial, dos muitos por onde já passei neste país afora, é este estado. Aqui, há uma calmaria no ar, dessas que aquietam o coração. Sem falar nas belezas naturais e no charme das pequenas cidades, com seus traços de colonização italiana e alemã.

    Mas há um contraste que incomoda. Esse lugar que tanto gosto também ostenta números altos de feminicídio e de crimes contra a mulher. Na última semana, na madrugada do dia 23, a primeira comandante da Guarda Civil de Vitória, capital do estado, foi morta a tiros pelo ex-namorado, que tirou a própria vida em seguida.

    Foi de forma cruel que a policial Dayse Barbosa — referência no combate à violência contra a mulher — se tornou vítima do crime que tanto combatia.

    Coincidentemente, também na semana passada, o Senado aprovou o chamado PL da Misoginia, que define como crime “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”.

    E foi impossível não pensar: o que, na prática, essa lei poderia ter feito por Dayse?

    Confesso que fui tentar entender melhor o tal termo “misoginia”. Já havia ouvido falar, claro. Mas nunca tinha parado para olhar com mais atenção. E o que encontrei foi um verdadeiro balaio de gatos. A pauta é progressista e identitária, pois tem o objetivo de defender minorias.

    O objetivo desta humilde coluna é ajudar leitores com dificuldades com o nosso idioma. Assim, se eu fosse fazer um glossário sobre o tema, englobaria machismo, patriarcado, machosfera, redpill — ou seja, teorias de superioridade masculina. Femismo, que prega a superioridade da mulher; feminismo, que busca a igualdade entre os sexos; e misoginia, que seria a aversão a mulheres pelo fato de elas serem mulheres.

    Mas não para por aí. Surgem ainda termos importados, difíceis até de se pronunciar: mansplaining, manterruption, gaslighting, bropriating… Se a sua cabeça deu um nó, fique tranquilo. A minha também.

    Ainda assim, a pergunta continua ecoando: o que essa lei teria feito por Dayse?

    Para mim, a resposta mais honesta veio de uma amiga. Essa querida também faz parte das estatísticas. Viveu por anos um relacionamento abusivo, que só terminou quando o então marido a ameaçou de morte, descrevendo, inclusive, como faria.

    Ela, quando soube do caso da policial, disse algo que não me saiu da cabeça:

    — Se uma guarda que combatia esse tipo de crime teve esse fim… pobre de mim.

    E foi aí que entendi que talvez a pergunta não seja exatamente sobre o nome que damos às coisas. Sim, a lei define, enquadra, tipifica. Organiza o mundo no papel. Mas a vida não cabe só nisso.

    Como mulher, já fui vítima de misoginia. Me pergunto: e quantas de nós não fomos? Imagino que todas tenhamos sido. Então, na boa? Não é o papel mandando prender, punir ou amordaçar que vai mudar o comportamento do ser humano. Antes, é a educação. É o falar sobre. É o ensinar a não.

    Porque, no fim das contas, enquanto discutimos até onde alguém pode falar; o que é ou não é comportamento de ódio; há mulheres tentando simplesmente continuar vivas. E protegê-las deveria ser a maior urgência.

  • Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?

    Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?

    Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?
    Atendimento psicoterápico (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Mart Production

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, votou a favor de um projeto de lei que, na prática, abre caminho para a perseguição de psicólogos que se denominam cristãos? Essa é a pergunta que precisa ser feita com coragem; porque o que está em jogo não é apenas uma questão técnica, mas um princípio fundamental de liberdade.

    Há algo profundamente incoerente — e juridicamente questionável — no movimento que tenta impedir psicólogos de se identificarem como cristãos no exercício público de sua profissão. Não se trata de zelo ético. Trata-se, na prática, de um mecanismo de constrangimento ideológico que vem sendo aplicado de forma seletiva.

    É preciso nomear o que está acontecendo: psicólogos cristãos têm sido desproporcionalmente visados, investigados e pressionados simplesmente por assumirem sua identidade. E eu falo não apenas como observadora, mas como alguém diretamente atingida.

    Eu, Marisa Lobo, já respondi a inúmeros processos ao longo dos anos; não por má prática clínica comprovada, não por violação técnica objetiva, mas por me apresentar publicamente como psicóloga e cristã.

    Isso não é um detalhe. Isso é um padrão.

    A pergunta que precisa ser feita — e ainda não foi respondida de forma honesta — é: por que apenas o cristão?

    Existem, há décadas, espaços consolidados dentro da Psicologia que dialogam com espiritualidade: psicologia de base espírita, interfaces com tradições orientais como o budismo, contribuições da tradição judaica. Nenhuma dessas expressões sofre o mesmo nível de vigilância, suspeição ou tentativa de silenciamento institucional. Não há campanhas sistemáticas para impedir que esses profissionais se identifiquem. Não há uma patrulha ideológica constante.

    Mas quando o psicólogo diz: “Sou cristão”, imediatamente surge a tentativa de enquadramento, de censura, de associação indevida com práticas antiéticas.

    Isso revela um problema grave: não estamos diante de uma discussão ética neutra, mas de um viés ideológico que transforma a identidade cristã em suspeita automática. E isso é inaceitável.

    O Código de Ética do Psicólogo é claro ao vedar a imposição de crenças ao paciente. E isso deve ser rigorosamente respeitado — por todos, inclusive pelos cristãos.

    Mas há uma distorção deliberada sendo construída: estão confundindo expressão de identidade com imposição religiosa.

    Dizer “sou psicóloga e cristã” não é impor fé a ninguém. Palestrar em uma igreja sobre saúde mental não é crime. Dialogar com pessoas a partir de uma linguagem que elas compreendem culturalmente não é violação ética — é, muitas vezes, uma estratégia de acesso e cuidado. Aliás, aqui surge outra contradição prática que os críticos evitam enfrentar: e os pacientes cristãos?

    Milhões de brasileiros são evangélicos ou católicos e, por razões legítimas, sentem-se mais seguros sendo atendidos por profissionais que compreendam sua cosmovisão. Se o psicólogo é proibido de se identificar, cria-se uma barreira de acesso. Na prática, isso pode gerar exclusão de cuidado.

    Estamos, então, diante de um paradoxo: em nome de uma suposta proteção ética, restringe-se o acesso de uma população inteira a um atendimento psicologicamente mais aderente à sua realidade cultural e espiritual. Isso não é proteção. Isso é exclusão.

    Outro ponto que precisa ser enfrentado com clareza: nenhuma outra profissão impõe esse tipo de silenciamento identitário. Médicos, advogados, professores — todos podem declarar sua fé sem que isso seja automaticamente interpretado como infração. Por que, então, a Psicologia deveria exigir essa “assepsia ideológica” apenas quando se trata de cristãos?

    A resposta, ainda que desconfortável para alguns, aponta para a influência de uma militância que não é simplesmente laica — mas, em muitos casos, explicitamente contrária ao cristianismo. E essa militância tem conseguido pautar interpretações restritivas que extrapolam o texto ético e avançam sobre direitos fundamentais.

    É fundamental reafirmar: liberdade religiosa inclui o direito de expressão pública da fé. Identidade não é infração ética.

    Conduta antiética deve ser punida — independentemente da religião —, mas identidade não pode ser criminalizada.

    Transformar psicólogos cristãos em alvos recorrentes de processos e sanções por aquilo que são — e não por aquilo que fazem — é abrir um precedente perigoso para toda a categoria. Hoje são os cristãos. Amanhã, pode ser qualquer outra visão de mundo considerada “inconveniente”.

    A Psicologia, enquanto ciência humana, deveria ser a primeira a defender a pluralidade, a liberdade de consciência e o respeito à diversidade de crenças. Quando falha nisso, perde não apenas coerência institucional, mas legitimidade ética.

    Portanto, a defesa do psicólogo cristão não é uma defesa corporativa ou religiosa isolada. É uma defesa de princípios fundamentais: liberdade, isonomia e integridade profissional. E esses princípios não são negociáveis

  • Justiça: Esporte feminino volta a ser das mulheres

    Justiça: Esporte feminino volta a ser das mulheres

    Justiça: Esporte feminino volta a ser das mulheres
    Nadadoras olímpicas de Polo Aquático Foto: EFE/ Quique García

    Finalmente, se fez justiça no mundo do esporte. Kirsty Coventry, presidente do Comitê Olímpico Internacional, ex-nadadora bicampeã olímpica, nascida no Zimbábue, estabeleceu novas regras para as Olimpíadas de Los Angeles em 2028.

    A partir de agora fica estabelecido que as categorias de esporte feminino em jogos oficiais olímpicos serão exclusivamente para mulheres biológicas. A decisão veta a participação de atletas transgêneros, visando à proteção da integridade das competidoras femininas.

    Essa é uma velha aspiração dos conservadores, que viam nos movimentos progressistas uma inversão de valores que ia contra a lógica, pois um atleta biologicamente homem carrega, na sua compleição física, características que o colocam em vantagem em relação a uma atleta do sexo feminino.

    O que torna o esporte admirado por milhões de pessoas é a paridade entre os competidores, inclusive em relação ao peso dos atletas.

    De verdade, estou feliz, porque se fez justiça. Agora, esperamos que as próximas competições resgatem a paridade entre os competidores, devolvendo a graça do esporte, tradição desde a Grécia antiga.

    Finalizo agradecendo a Deus a graça de termos competições justas e equitativas. E pedindo que Ele derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais a todos os atletas do mundo.

  • Coalizão EUA-Israel versus Irã

    Coalizão EUA-Israel versus Irã

    Coalizão EUA-Israel versus Irã
    Em Teerã, se veem os destroços dos 100 dias da guerra Foto: EFE/Jaime León

    Este artigo apresenta uma breve análise dos primeiros 100 dias da guerra entre a coalizão EUA-Israel e o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026. O objetivo declarado pela administração Trump e pelo governo Netanyahu foi claro: desmantelar as capacidades militares do Irã, especialmente seu programa nuclear, sua indústria de mísseis balísticos e a estrutura de comando da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), eliminando uma ameaça existencial à segurança de Israel e à estabilidade regional.

    Todavia, os dois aliados estavam lutando na mesma guerra, mas perseguindo objetivos de longo prazo fundamentalmente diferentes. Enquanto a Operação Fúria Épica (Epic Fury) do exército americano concentra-se na destruição de infraestrutura militar, a Operação Rugido do Leão (Roaring Lion) de Israel busca a mudança de regime.

    A coalizão agiu de forma preventiva diante da aceleração do programa nuclear iraniano e do apoio contínuo do regime a grupos terroristas como Hezbollah, Hamas e Houthis. Nos primeiros 100 dias, a operação combinou superioridade aérea, ataques de precisão e inteligência de alto nível, resultando em degradação significativa das capacidades iranianas, embora o conflito tenha se estendido além das estimativas iniciais de quatro a seis semanas.

    Realizações estratégicas da coalizão:

    — Superioridade aérea e degradação de capacidades;
    — Eliminação de liderança;
    — Impacto no programa nuclear;
    — Isolamento naval.

    Desafios e custos:

    — Duração e sustentabilidade — O que começou como uma operação rápida evoluiu para um conflito prolongado.
    — Impacto econômico regional — Aumento nos preços do petróleo, ameaças ao Estreito de Ormuz e ataques a infraestrutura energética aumentaram a volatilidade global.
    — Frentes múltiplas — Israel enfrentou desgaste em operações simultâneas contra Irã, Hezbollah e tensões na Cisjordânia, levando o chefe do Estado-Maior israelense a alertar sobre sustentabilidade.

    Conclusão:
    Após 100 dias, a coalizão EUA-Israel afirma ter alcançado objetivos centrais: neutralizar a ameaça nuclear iminente, degradar severamente o aparato militar iraniano e expor a vulnerabilidade do regime teocrático.

    Entretanto, o regime iraniano permanece no poder, embora enfraquecido, e o risco de escalada ou guerra prolongada persiste. A vitória tática deve ser convertida em ganhos estratégicos duradouros, possivelmente via negociações de cessar-fogo sob condições favoráveis à coalizão (desmantelamento completo do programa nuclear e fim do apoio ao terrorismo).

  • Direita frouxa: Forte no discurso, fraca no voto

    Direita frouxa: Forte no discurso, fraca no voto

    Direita frouxa: Forte no discurso, fraca no voto
    Direita frouxa: Forte no discurso, fraca no voto (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Há uma perversão silenciosa quando a lei abandona a objetividade e se entrega à interpretação — porque é ali, nesse território nebuloso, que o poder deixa de ser limitado e passa a ser exercido. O chamado “PL da misoginia” surge envolto numa retórica moralmente inquestionável, mas carrega em si um vício antigo: a elasticidade.

    Assim, não se pune mais o ato, mas a percepção do ato; não se julga o crime, mas a leitura dele. E quando a lei se torna subjetiva, o cidadão deixa de saber onde termina sua liberdade — e onde começa o risco.

    Mas talvez mais revelador do que o texto da lei seja o comportamento daqueles que a aprovam. Há, na direita institucional, um fenômeno curioso: uma disposição quase automática para ceder quando o tema é discurso, linguagem, opinião — justamente onde deveriam resistir.

    Não é falta de entendimento; é algo mais desconfortável. É a recusa em sustentar o conflito. Um tipo de prudência que, de tão recorrente, começa a parecer menos estratégia e mais rendição. Não é que não saibam o que está em jogo — é que preferem não pagar o preço de dizer não.

    E então a contradição se escancara: quando se trata de endurecer penas para crimes reais, concretos, irreversíveis — como o assassinato de mulheres — surgem hesitações, votos contrários, justificativas técnicas. Mas quando o alvo é a palavra, quando o campo é simbólico e a punição difusa, a aprovação vem quase sem resistência.

    Há nisso uma coragem invertida, uma bravura que se manifesta onde custa menos. E o resultado é um país onde se regula com rigor o que se diz — enquanto o que realmente destrói vidas continua, muitas vezes, tratado com cautela.