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Categoria: GOSPEL

  • Empossaram no TSE a rainha da Inglaterra

    Empossaram no TSE a rainha da Inglaterra

    Empossaram no TSE a rainha da Inglaterra
    Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Ana Rodrigues/TSE

    Kassio Nunes Marques é um ministro vesgo. Desde que chegou ao STF, em 2020, olha para os dois lados ao mesmo tempo e jamais conseguiu transmitir um posicionamento claro. Em certos momentos, sinaliza à direita; em outros, à esquerda. E saber para onde realmente olha importa, porque hoje temos um STF tomado pela política.

    Essa ambiguidade o transforma numa incógnita até para os próprios colegas. E é justamente essa imprevisibilidade que explica o desconforto de ministros em torno de sua chegada à presidência do TSE.

    Por essa razão, os ministros que hoje comandam politicamente o Supremo — Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes — iniciaram um movimento discreto de esvaziamento da Justiça Eleitoral.

    A medida visa à manutenção do consórcio estatal entre STF e governo petista pelo controle do debate político e da neutralização da direita no país. Os fatos recentes falam por si. Os principais movimentos contra pré-candidatos da oposição não nasceram no TSE. Moraes abriu investigação contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula. Gilmar pediu a inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news.

    A estratégia parece clara: como não sabem exatamente em que banda toca Kassio Nunes, preferem transferir ao STF a habitual truculência do Judiciário nas eleições de 2026. Assim, a presidência do TSE torna-se simbólica, decorativa, quase cerimonial, enquanto o verdadeiro comando político permanece com a dupla Gilmar-Moraes.

    Por isso, a imagem do título é inevitável: empossaram no TSE a rainha da Inglaterra.

    Kassio assume formalmente a cadeira mais poderosa da Justiça Eleitoral, mas o controle político das grandes decisões continua no Supremo, sob a toga de ministros que há anos expandem competências para além dos limites constitucionais da Corte. E quem quiser reclamar, reclame com o bispo, porque hoje ninguém manda mais no Judiciário do que os dois.

    Não posso terminar sem registrar uma ironia histórica. O inquérito das fake news nasceu justamente quando ministros começaram a migrar casos da Lava Jato do STF para a Justiça Eleitoral, considerada, à época, mais branda. Um procurador apontou essa artimanha em entrevista à imprensa e os ministros abriram uma investigação.

    Um mês depois viria, no mesmo inquérito, a censura à Revista Crusoé pela capa O amigo do amigo de meu pai. Por defender a revista naquele momento, tornei-me o primeiro advogado do inquérito das fake news.

    Agora, o movimento se inverteu. Não é mais a Justiça Eleitoral que ocupa espaços do STF. É o STF que absorve o espaço da Justiça Eleitoral.

    Kassio Nunes que se cuide. Se resistir às artimanhas da dupla dinâmica do Supremo e insistir em exercer o poder que sua cadeira formalmente lhe confere, não estranhem a abertura de um novo inquérito para incluir o presidente do TSE na lista de investigados.

     

    * Texto originalmente publicado no Poder360.

  • O áudio imoral

    O áudio imoral

    O áudio imoral
    Flávio Bolsonaro Foto: EFE/ Andre Borges

    Esse áudio do Flávio Bolsonaro com o Vorcaro é politicamente devastador; é imoral! Não porque uma conversa privada por si só prove crime, não prova, mas porque expõe um grau de proximidade incompatível com o discurso moral absoluto que a direita defende e que vende ao eleitor brasileiro.

    O problema não é amizade; o problema é coerência. O problema é falar para um cara que está envolvido no maior esquema de corrupção: “Eu sei que você está passando por um momento difícil”.

    O Brasil cansou de políticos que relativizam relações perigosas dependendo do lado envolvido. Quando o aliado é investigado, vira parceiro, gente boa. Quando é o adversário, uma simples foto já basta para a condenação pública. E é justamente essa seletividade moral que destruiu a direita e a confiança do brasileiro nas instituições, nos partidos e na própria política.

    Eu falo desde o começo: “Eu sou de direita, mas corrupção não tem ideologia. Promiscuidade entre poder, influência, interesses financeiros e bandidos também não”. E é aí que a régua moral que a gente tanto defende não pode mudar conforme o sobrenome, o partido ou a conveniência eleitoral.

    A sorte é que, graças a Deus, este ano nós temos opções na direita; porque senão, gente; a gente já está ferrado.

  • O estranho caso da Ypê: Fiscalização ou perseguição?

    O estranho caso da Ypê: Fiscalização ou perseguição?

    O estranho caso da Ypê: Fiscalização ou perseguição?
    Detergentes Ypê (Imagem ilustrativa) Foto: Site/Divulgação

    O que vem acontecendo no país nos últimos tempos é digno dos próceres do submundo da Sicília: uma aparente vingança contra uma empresa por parte de órgãos governamentais que têm a obrigação de primar pelo bem comum de todos com isenção.

    A tradicional empresa do ramo de limpeza, a fabricante dos produtos Ypê, teve seus proprietários envolvidos, na campanha presidencial de 2018, em uma doação de R$ 1 milhão para o então candidato Jair Bolsonaro, com ampla divulgação e de forma transparente, como deve ocorrer em um país democrático.

    No entanto, como toda vingança espera sua hora, ficaram aguardando o momento propício e iniciaram o ataque. Com a desculpa de contaminação por bactérias, o que pode até ter ocorrido, os órgãos sanitários liderados pela Anvisa, após análise do detergente doméstico da marca Ypê, determinaram o embargo e apreensão de toda a produção da fábrica, causando uma repercussão negativa capaz de comprometer profundamente a marca.

    Isso aconteceu justamente em um órgão público cujo corpo diretivo possui fama de ser composto majoritariamente por esquerdistas, que realizou uma diligência cercada de ampla divulgação. O caso foi até repercutido pela primeira-dama do país de forma equivocada, como se alguém tivesse ingerido o detergente da marca Ypê. Pelo tamanho da exposição, o episódio ganhou contornos dignos de um seriado de mistério.

    Como sociedade organizada, temos de usar a máquina estatal pelo bem comum, com justiça e equilíbrio, não para saciar a sanha vingativa de grupos inescrupulosos.

    Finalizo pedindo a Deus que esclareça a verdade e que todos os fatos venham à tona de forma clara e cristalina, como deve ser. E que Ele derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre todos.

  • O bonito e o feio do 13 de Maio 

    O bonito e o feio do 13 de Maio 

    O bonito e o feio do 13 de Maio 
    O bonito e o feio do 13 de Maio (Imagem ilustrativa) Foto: IA

    O 13 de Maio revela duas faces: uma bonita e outra feia. A face bonita é a lembrança da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, pela princesa Isabel, abolindo oficialmente a escravidão no Brasil. A face feia é a tentativa de, parte do movimento negro contemporâneo, desqualificar a importância da lei e de sua autora.

    Vamos aos fatos:

    O lado bonito é óbvio: a Lei Áurea fez diferença. E muita.

    A abolição veio tarde e de modo incompleto: faltaram políticas públicas, inclusão, acesso à terra, educação e integração econômica. Tudo isso é verdade. Mas tentar transformar a Lei Áurea em algo irrelevante ou “sem importância” é um erro histórico e moral.

    Dentro da cultura da época, das resistências políticas, econômicas e sociais existentes, foi um movimento corajoso, útil e civilizatório. A princesa Isabel pagou um preço político alto pela decisão, e muitos historiadores apontam a abolição como um dos fatores que aceleraram a perda de apoio da monarquia entre setores escravistas.

    Tanto a princesa Isabel quanto Dom Pedro II possuem diversos relatos históricos de trato humano e digno em relação aos negros e ao movimento abolicionista. Dom Pedro II defendia gradualmente o fim da escravidão e apoiou medidas que enfraqueceram o sistema escravocrata ao longo do tempo.

    A princesa Isabel, inclusive, recebeu homenagem oficial do papa Leão XIII pela assinatura da Lei Áurea e ficou conhecida por muitos como “A Redentora”. E ela o foi, sim.

    Isso significa que eram perfeitos? Claro que não. Eram pessoas do século 19, vivendo dentro de uma sociedade profundamente contraditória. Mas negar a importância histórica da Lei Áurea é simplesmente desonesto.

    E aí chegamos ao lado feio do 13 de Maio.

    Parte do movimento negro tenta apagar e diminuir essa data e substituí-la pelo Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares.

    Ocorre que uma data não precisa excluir a outra. É perfeitamente possível reconhecer a importância de Zumbi, da resistência negra e da consciência racial sem precisar atacar a Lei Áurea ou a princesa Isabel.

    Aliás, essa tentativa de transformar tudo em disputa ideológica acaba sendo contraproducente, racista e até intelectualmente pobre.

    A história real é complexa. Os mesmos grupos que criticam a princesa Isabel por pertencer a uma sociedade escravocrata silenciam sobre os registros históricos de que o próprio Zumbi dos Palmares também manteve escravos dentro da estrutura de Palmares.

    Mais: se vamos falar da resistência negra, então precisamos lembrar também de Ganga Zumba, figura histórica fundamental e muitas vezes esquecida no debate público.

    O Brasil precisa amadurecer. A direita precisa parar de criticar tanto Zumbi, e a esquerda e os ativistas precisam lembrar que a escravidão envolveu também elites africanas e estruturas locais de captura e venda de escravos, o que mostra como a história real é mais complexa do que narrativas simplificadas e enviesadas ideologicamente.

    Precisamos acabar com o negacionismo da História, com o reescrever seletivo e com o anacronismo ao julgar o passado com os padrões morais atuais.

    O Brasil não precisa apagar a História, mas aprender com ela. Um país maduro reconhece seus heróis, suas contradições e seus avanços. E, sem esquecer os lados menos luminosos, precisa comemorar Isabel, Zumbi e Zumba.

  • Lula no metaverso: Um cosplay de Robin Hood

    Lula no metaverso: Um cosplay de Robin Hood

    Lula no metaverso: Um cosplay de Robin Hood
    Lula no metaverso: Um cosplay de Robin Hood (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    No mundo imaginário do lulopetismo, o metaverso é uma bela história política e eleitoral de seus personagens.

    Ao contrário de Lula e sua amizade colorida e desenfreada por milionários, Robin Hood, herói lendário dos quadrinhos e do cinema, subtraía bens da nobreza em benefício dos pobres. Eis uma contradição notável para quem se autodenomina “pai dos pobres”.

    Ao me deparar com essa fantasia (referindo-me ao aludido plano do governo), lembrei-me da célebre frase do vice-presidente Geraldo Alckmin — “Lula quer voltar à cena do crime” — durante as campanhas presidenciais de 2018 e 2022.

    A frase de Alckmin — “voltar à cena do crime” — funciona hoje como metáfora de um dilema maior: como avaliar a legitimidade de um governo que propõe combater práticas das quais seus integrantes foram historicamente acusados e presos?

    São necessárias três considerações:

    1. A memória política importa: acusações passadas, condenações judiciais (como as da Lava Jato, posteriormente anuladas por militâncias políticas) e alianças com figuras controversas criam um déficit de confiança que não se resolve apenas com novos decretos.

    2. A coerência retórica é teste de credibilidade: quando um vice-presidente que antes denunciava corrupção agora integra o governo que promete combatê-la, a população tem o direito de refutar e descredibilizar tal plano.

    3. O perigo da instrumentalização: se o plano contra o crime for usado para perseguir opositores enquanto ignora ilícitos de aliados, ele se tornará exatamente um sistema que poupa os criminosos e criminaliza o oponente.

    Portanto, a ironia da “cena do crime” não está apenas na mudança de alianças de Alckmin, mas no desafio permanente de qualquer democracia: como garantir que o combate ao crime não se transforme em instrumento de poder?

    Neste contexto brasileiro, ecoa a frase do filme Robin Hood – A Origem:

    Deus está lá em cima, eu estou aqui embaixo. Cada um de nós precisa se levantar, ou todos iremos cair.

  • Nova direção no TSE e a esperança de novos tempos

    Nova direção no TSE e a esperança de novos tempos

    Nova direção no TSE e a esperança de novos tempos
    Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

    Hoje é um dia marcante para a política de nossa pátria. O Tribunal Superior Eleitoral dará posse a novos presidente e vice-presidente da Corte: os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e identificados por posições mais conservadoras.

    Com essa dinâmica na Corte, esperamos que a nova administração consiga construir entendimentos jurídicos para tornar o ex-presidente novamente elegível, expectativa de toda a nação. Também ansiamos que essas mudanças marquem uma nova era nas relações de cunho eleitoral dirimindo questões delicadas, de forma a atender os anseios de todos os brasileiros.

    Indo ao ponto, o que esperamos, de fato, é uma corte eleitoral que cumpra a lei maior, a Constituição, sem que interpretações da própria Corte sejam colocadas como lei.

    Finalizo desejando a todos eleições tranquilas, sem nenhuma questão que enodoe a tranquilidade que o país precisa ter para o seu aprimoramento democrático. E peço a Deus que Ele derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais a todos.

  • Carta a Janja: Algumas dores não são ideológicas

    Carta a Janja: Algumas dores não são ideológicas

    Carta a Janja: Algumas dores não são ideológicas
    Carta (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay/Margarita Kochneva

    Tenho total consciência de que este espaço é para falar sobre a língua portuguesa, seus termos, seus detalhes, e juro que sempre tentei fazê-lo. Até nas vezes em que me envolvi em “tretas” do país, ou utilizei fatos cotidianos, o objetivo sempre foi ensinar o bom português. Hoje, peço aos leitores desta humilde coluna licença para não fazê-lo; e à editora do Pleno.News, perdão por abusar do espaço. Mas preciso falar de outra coisa.

    Prezada dona Janja,

    Eu não sabia que, fora o fato de sermos mulheres, tínhamos algo em comum. Até já citei seu exemplo aqui neste espaço, mas para falar de dicionários… hoje, o faço porque soube que a senhora também teve a sua mãe arrancada da vida por causa da Covid-19. E seu relato me chamou bem de perto, porque muitas vezes usei esse mesmo termo: “arrancada”, para falar da dor de ter perdido minha mãe.

    Eu não sei como era o seu relacionamento com a sua mãe, mas sei como era o meu com a minha; a quem eu chamava com muito amor de “minha velhinha”. Inclusive, eu estava bem quietinha esses dias. Foi Dia das Mães e, para não ser dolorido, não entrei nas redes, não postei nada, apenas deixei a data passar. Mas aí, surpresa! Soube que foi sancionado um Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 e ouvi seu discurso.

    De verdade, acho que falamos muito pouco da covid. Não sei como foi para a maioria das pessoas, mas eu fiquei maluquinha naqueles dias. E isso começou bem antes mesmo de mamãe falecer. E depois? Às vezes, tenho a sensação de que seguimos vivendo como loucos, desembestados, nos esforçando para “normalizar” memórias estranhas…

    Agora, entendo você, Janja, pois, quando algo de ruim nos acontece, queremos ter um culpado. Queremos nomear alguém para carregar o peso do nosso infortúnio e, então, direcionar sobre essa pessoa toda a nossa raiva, a nossa dor, a nossa desesperança. Mas, em relação à covid… o que fazer diante de um evento natural?

    Em seu discurso, a senhora falou de pessoas que incentivaram o não uso de máscaras, a falta de vacinas, a desinformação e tal. Deixa eu contar uma coisa: minha mãe sempre me disse que eu não era todo o mundo. Então, nunca me liguei no que todo o mundo estava fazendo ou dizendo. Eu mesma comprei muitas máscaras para mamãe; e a mantive em casa muitas e muitas vezes para que não saísse e não se contaminasse.

    Na verdade, a ironia da coisa toda foi que, aparentemente, o pior da pandemia já havia passado. O mundo voltava ao “normal”. E sim, mamãe havia acabado de tomar duas doses da Coronavac, a vacina brasileira, quando a covid chegou sem aviso, porque doença não avisa mesmo, e todos em casa fomos atingidos.

    No primeiro momento, temi pela vida de papai. Ele chegou a ficar internado na UTI. Mas quem acabou indo foi mamãe.

    O que quero dizer, dona Janja, é que não dá para culpabilizar ninguém. Infelizmente, passamos por uma pandemia. Milhares de pessoas ao redor do mundo perderam entes queridos.

    Naquele primeiro momento, quando ainda pouco se sabia sobre máscaras, álcool em gel e vacinas, recebemos notícias horríveis vindas da Europa. De verdade, a quem esses familiares saudosos hoje culpam?

    Não há “culpados”, Janja. Não há pessoas que, “ainda eleitas, estão impunes”. De verdade, eu sei o buraco enorme no peito que é ter alguém que a gente ama demais sendo arrancado de nós.

    Depois da partida de mamãe, conheci o caos completo… Hoje, cinco anos depois dela ter ido, é que estou conseguindo voltar à vida. Mas de uma coisa eu tenho certeza: não posso culpar ninguém pela não gerência de um vírus horroroso.

    Então, Janja, ponha a mão em sua consciência e se pergunte: sua mãe morreu por culpa de um presidente ou porque o mundo inteiro atravessou uma tragédia impossível de ser controlada?

    Dói demais, eu sei. Mas depois de todos esses anos, a dor que ficou em mim não se transformou em militância, mas em saudade. Uma saudade doce, menos desesperada, menos dolorida do que naquele primeiro momento; mas não menos saudade.

    A triste realidade é que a pandemia levou milhões de pessoas ao redor do mundo, inclusive pessoas que fizeram tudo “certo”. E sinceramente? Transformar o luto coletivo em disputa política não ressuscita ninguém.

    Talvez seja justamente por isso que eu não consiga enxergar a pandemia como bandeira ideológica. Quando penso nela, não penso em governos. Penso na minha mãe; na falta que ela faz; no silêncio que ficou. Penso em quantas famílias carregam a mesma saudade que eu.

    Então, me desculpe, Janja, mas algumas dores são humanas demais para caber em discursos políticos.

    Oro para que Deus conforte a senhora, assim como oro por todos aqueles que perderam seus amados naqueles dias terríveis e inesquecíveis. Até porque, no fim das contas, a covid nunca perguntou em quem as pessoas votavam antes de entrar em suas casas.

  • Do voto à caneta: Quem manda no Brasil?

    Do voto à caneta: Quem manda no Brasil?

    Do voto à caneta: Quem manda no Brasil?
    Urnas eletrônicas (Imagem ilustrativa) Foto: LR Moreira/Secom/TSE

    Trezentos e sessenta e sete parlamentares. Esse foi o número de representantes eleitos pelo povo que o ministro Alexandre de Moraes “atropelou” ao suspender o PL da Dosimetria. E este é mais um caso onde as datas (e a agilidade) importam.

    Em 30 de abril, aconteceu a derrubada do veto ao projeto. O placar foi expressivo: 318 deputados e 49 senadores derrubaram o veto de Lula. Ou seja, 367 representantes do povo.

    Em 1º de maio, Lula já dava sinais de que não iria promulgar a lei. Afinal de contas, a democracia só é respeitada quando eles concordam.

    No dia 8 de maio, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, promulga o PL da Dosimetria e reacende a esperança de alívio a centenas de famílias injustiçadas. No dia 9 de maio, apenas 24 horas depois, o ministro Alexandre de Moraes suspende o projeto de forma monocrática. O “timing” da decisão é inusitado (para não dizer revelador).

    A jogada parece ensaiada. Com uma rapidez incrível, o PSOL e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) protocolaram ações no STF pedindo a nulidade da derrubada do veto de Lula e, numa agilidade impressionante, foram atendidos em seu pedido. Justamente por um Judiciário que, na imensa maioria dos casos, age a passos de tartaruga…

    Para variar, os casos caíram nas mãos de Alexandre de Moraes. Não por prevenção, mas por sorteio; veja só… O tal sorteio de método obscuro, uma caixa-preta, que produz tantas coincidências políticas como esta.

    O algoz dos condenados do 8 de janeiro julgando a bendita Lei da Dosimetria e decidindo numa rápida e oportuna canetada que ela não vale, ao menos liminarmente. Quanta celeridade, não é mesmo?!?!

    Mais uma vez, a lição que fica é: ou o Congresso – em especial o Senado – se levanta e passa a responsabilizar os ministros que já estão agindo fora das 4 linhas há vários anos, ou permanecerá de joelhos e cada vez mais apequenado.

    Se a coisa continuar assim, 11 ministros valerão mais do que os mais de 584 parlamentares. Se é que já não valem…

  • Hantavírus: Uma nova pandemia?

    Hantavírus: Uma nova pandemia?

    Hantavírus: Uma nova pandemia?
    Cruzeiro MV Hondius – com infectados por hantavírus – ancorado no porto de Tenerife, Espanha foto: EFE/Miguel Barreto

    Um misterioso surto de hantavírus dentro de um cruzeiro reacendeu o medo global e trouxe novamente a sensação de uma nova pandemia se aproximando. Passageiros isolados, mortes repentinas e autoridades globais monitorando tudo em silêncio. Para muitos, isso soa como um possível início de mais um capítulo caótico da humanidade.

    O mais inquietante é que o vírus envolvido seria justamente uma variante muito rara que pode ter transmissão entre humanos. E isso foi suficiente para explodir teorias conspiratórias, alertas e um clima de tensão mundial nas redes sociais. Afinal, foi exatamente assim que tudo começou anos atrás com o Covid-19.

    Enquanto governos tentam acalmar a população dizendo que “não há motivo para pânico”, centenas de pessoas mais atentas já enxergam sinais de um mundo entrando novamente em estado de vigilância total. Parece que o planeta inteiro entrou em um estado de contagem regressiva silenciosa.

    Exagero? Ainda não sabemos.

    Para quem observa os acontecimentos atuais com olhos espirituais, tudo isso apenas reforça a sensação de que estamos vivendo tempos imprevisíveis e extremamente delicados. O medo coletivo cresce, a instabilidade aumenta e a humanidade parece cada vez mais estar vivendo tempos finais alertados pela Bíblia.

  • A escalada do autoritarismo judicial

    A escalada do autoritarismo judicial

    A escalada do autoritarismo judicial
    Lavagem da Estátua da Justiça após o “golpe” de 8 de janeiro de 2023 Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

    Existe algo profundamente perturbador em assistir homens e mulheres comuns sendo tratados como protagonistas de um “golpe” que jamais tiveram condições reais de executar. Gente sem comando militar, sem estrutura, sem armas, sem qualquer capacidade concreta de ruptura institucional recebendo penas e tratamentos que parecem cada vez mais guiados por uma necessidade de exemplo político. O Brasil começa a confundir Justiça com demonstração de força.

    E é justamente por isso que a suspensão da Lei da Dosimetria por Alexandre de Moraes se torna tão simbólica. Porque a discussão nunca foi apenas jurídica. Trata-se de saber se ainda existe espaço para proporcionalidade, individualização da pena e limites ao poder punitivo do Estado.

    Quando uma lei aprovada pelo Congresso para corrigir excessos é barrada por decisão monocrática, a sensação inevitável é a de um país onde poucos homens passaram a acreditar que podem governar acima da própria política.

    O problema de toda democracia não é apenas o abuso explícito de poder. É o momento em que o abuso começa a parecer normal, inevitável, até elegante para parte da sociedade. Países não perdem suas liberdades de uma vez. Perdem aos poucos, enquanto aprendem a aplaudir o medo em nome da estabilidade.