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Categoria: GOSPEL

  • Não inventamos os inimigos da família

    Não inventamos os inimigos da família

    Não inventamos os inimigos da família
    Família (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Eric Moura

    Eu tenho um compromisso com a verdade, doa a quem doer. Portanto, com este texto, pretendo esclarecer aqueles que tentam lacrar com a boa-fé do povo brasileiro.

    Existe uma pessoa que não gesta (de acordo com expressão defendida por ela) e que nos coloca como inventores da narrativa de que eles são inimigos da família, como se tirássemos essa ideia do nada. Evito citar o nome para não enaltecer quem não merece, mas vejo-me na obrigação de provar o contrário, com falas sobejamente conhecidas.

    A escritora e jornalista Milly Lacombe diz: “Esse negócio de família tá ‘f’… Família é um núcleo produtor de neurose. Família tradicional, branca, conservadora brasileira: isso é um horror; é a base do fascismo. Falemos a verdade”.

    Vamos para a próxima. Amanda Palha afirmou: “Cabe à nossa radicalização também afirmar, com todas as letras, o que é uma estratégia política crítica antissistêmica. Ah, porque vocês querem destruir a família? Sim; queremos!”.

    No Rio de Janeiro, a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói colocou, no carnaval deste ano, em desfile, alegorias como latas de conserva da família tradicional, em um deboche ultrajante.

    Para finalizar, vamos às ideias de seu ídolo, o presidente Lula da Silva, que declarou: “Aqui no Brasil, nós enfrentamos o discurso do costume, o discurso da família, o discurso do patriotismo; ou seja, aqui nós enfrentamos o discurso de tudo aquilo que a gente aprendeu historicamente a combater”.

    Deu para entender de onde tiramos essa ideia de que há pessoas que odeiam a família tradicional, ordeira, cristã e conservadora? Nem precisa desenhar; já temos um quadro colorido e em relevo.

    Finalizo pedindo a Deus que nos dê forças para combater os verdadeiros inimigos da família e que Ele derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre todos os conservadores cristãos do nosso país.

  • Quando a força cala a razão, a democracia perde

    Quando a força cala a razão, a democracia perde

    Quando a força cala a razão, a democracia perde
    Filósofo e reitor Miguel de Unamuno (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Estive em João Pessoa participando do 24º Congresso Internacional de Direito Constitucional, promovido pela Escola Brasileira de Estudos Constitucionais (EBEC), sob a coordenação do professor Jorge Salomão.

    Tive a honra de dividir a programação com grandes nomes do Direito brasileiro. A palestra que antecedeu a minha foi proferida pelo professor José Eduardo Cardozo, advogado, professor, ex-ministro da Justiça e uma das figuras mais conhecidas e respeitadas do cenário jurídico nacional.

    Durante sua exposição, ele fez referência a um episódio histórico que considero oportuno compartilhar com meus amigos, eleitores e alunos.

    Em 12 de outubro de 1936, em plena Guerra Civil Espanhola, a Universidade de Salamanca sediava uma cerimônia oficial. O ambiente estava carregado pela polarização e pela violência que já tomavam conta do país.

    Entre os presentes estava o filósofo e reitor Miguel de Unamuno. Também participavam militares e líderes ligados ao movimento nacionalista liderado por Francisco Franco.

    Durante os discursos, surgiram palavras de ordem que exaltavam a guerra e a eliminação dos adversários. Uma das mais conhecidas era ”¡Viva la Muerte!” (“Viva a Morte!”), lema associado à Legião Espanhola e ao general José Millán-Astray. Em determinado momento, também foram ouvidos ataques a intelectuais e opositores políticos.

    Unamuno ficou profundamente incomodado. Para ele, uma civilização não poderia ser construída sobre o culto à morte nem sobre a destruição daqueles que pensavam diferente. Segundo os relatos mais conhecidos, respondeu que aquele local era um templo da inteligência e que estava sendo profanado.

    Então fez a observação que se tornaria histórica. Dirigindo-se aos defensores da violência política, afirmou que eles poderiam vencer a guerra pela força das armas, mas não conquistariam os corações e as mentes das pessoas:

    Vencerão, mas não convencerão.

    A frase era uma resposta direta à ideia de que bastava eliminar, silenciar ou esmagar os adversários para resolver os conflitos políticos. Unamuno argumentava que a força pode impor obediência, mas não produz convicção genuína. É possível derrotar um oponente; mais difícil é persuadi-lo.

    Miguel de Unamuno teve que sair escoltado da Universidade, queriam linchá-lo por causa do discurso. Foi destituído do cargo de reitor e, poucas semanas depois, morreu.

    O episódio transformou-se em um símbolo da defesa da liberdade intelectual contra o fanatismo. Independentemente das discussões históricas sobre as palavras exatas pronunciadas naquele dia, a mensagem central permanece atual: uma sociedade que celebra o silenciamento dos adversários corre o risco de vencer batalhas momentâneas, mas perder a capacidade de convencer, dialogar e construir legitimidade.

    Talvez seja uma reflexão útil para os tempos que estamos vivendo. Afinal, a democracia depende não apenas do direito de falar, mas também da disposição de ouvir, argumentar e convencer. A força pode impor o silêncio. A razão, porém, continua sendo o melhor caminho para conquistar consciências.

  • A Porsche ou o Porsche? Entenda o gênero dos carros

    A Porsche ou o Porsche? Entenda o gênero dos carros

    A Porsche ou o Porsche? Entenda o gênero dos carros
    Porsche (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Quentin Martinez

    Esta semana, a dúvida na redação do Pleno.News era se escrevemos “a Porsche” ou “o Porsche”. Logo minha presença foi solicitada para dar luz à questão. O detalhe? Eu estava em horário de almoço. Assim, quando voltei, centenas de mensagens me aguardavam. Em uma delas, a editora-chefe sugeria: “Verônica, este é um bom tema para a coluna da semana”.

    Confesso que fui pega de surpresa. É engraçado como essas questões do nosso bom português aparecem justamente nas coisas mais simples. Por isso, fui pesquisar. Encontrei respostas que batiam com o que eu já sabia, mas queria entender a lógica por trás da explicação. Sabe aquela coisa de “a regra é clara, Arnaldo”? Pois é. Sou dessas.

    Só que, desta vez, a tal regra não aparecia escrita de forma tão clara. Havia muitas boas explicações, mas eu queria o escrito mesmo. Ainda assim, tudo fazia sentido com aquilo que eu já conhecia da língua. Então, vamos ao ponto.

    Quando falamos de carro, automóvel ou veículo, estamos lidando com substantivos masculinos. Portanto, ao nos referirmos ao modelo do carro, usamos o masculino também. Assim, o correto é dizer: o Porsche 911, o HB20, o Corolla, o Compass, o Civic, o Nivus.

    E por quê? Porque a lógica é simples: existe um substantivo oculto ali. Não estamos falando apenas “Porsche” ou “HB20”; estamos falando de o carro Porsche, o automóvel HB20, o veículo Corolla. E, convenhamos, ninguém diz “a carro” ou “a automóvel”, certo?

    Mas então por que ouvimos tantas vezes alguém dizer “a Porsche”? Aí está: quando nos referimos à empresa ou à marca, o gênero muda. Afinal, “empresa”, “fabricante” e “marca” são substantivos femininos. Nesse caso, o correto passa a ser: a Porsche, a Fiat, a Hyundai, a Toyota, a BMW.

    Perceba a diferença: você pode comprar o Porsche 911, mas quem fabrica esse carro é a Porsche. O mesmo acontece com vários outros casos. Você pode dirigir o Corolla, mas ele é produzido pela Toyota.

    Agora vem o pulo do gato: nem todo veículo é masculino. Isso porque nem sempre estamos falando de um carro ou automóvel. Existem categorias de veículos cujo substantivo é feminino, e o nome acompanha essa lógica. Por exemplo: picape, van, perua e até minivan são palavras femininas. Assim, é natural dizer a Hilux, a Rampage, a Spin ou a Sprinter.

    Já os SUVs costumam gerar confusão. Muita gente pensa que seriam femininos, mas, na prática, a referência continua sendo ao automóvel ou ao utilitário esportivo, ambos masculinos. Portanto, o mais adequado é dizer o Compass, o Renegade, o HR-V, o Creta.

    E há ainda um detalhe curioso: talvez você ache estranho dizer “o Ferrari” ou “o Lamborghini”. Afinal, quase todo mundo fala “uma Ferrari”. Isso acontece muito pela influência do italiano. Até porque, italianos costumam se referir ao carro como la macchina e não como il auto. Mas, no português formal, a lógica continua sendo usar o masculino: o Ferrari, o Lamborghini.

    No fim das contas, a regra é menos complicada do que parece: basta descobrir qual substantivo está escondido na frase. É carro? Masculino. É marca? Feminino. É picape ou van? Feminino também.

    De verdade, gostei desse tema de hoje, porque uma simples dúvida gerou uma viagem fantástica dentro do português. Então, se tiver alguma dúvida, mande pra nós; será um prazer esclarecer.
    Um abraço e até a próxima!

  • Hezbollah usa cristãos como escudos humanos

    Hezbollah usa cristãos como escudos humanos

    Hezbollah usa cristãos como escudos humanos
    Fumaça do ataque ocorrido em Tiro, Líbano Foto: Kawnat Haju / AFP

    O conflito no sul do Líbano voltou a expor uma realidade brutal e recorrente: o uso de civis inocentes, especificamente da comunidade cristã, como escudos humanos pelo Hezbollah. Em 2 de junho de 2026, o porta-voz árabe das Forças de Defesa de Israel (IDF), tenente-coronel Ella Waweya, revelou publicamente que terroristas da organização estão entrincheirados no bairro cristão de Tiro (Tyre).

    A manobra não é apenas uma estratégia militar; é uma aposta cínica na hesitação de Israel em atacar áreas de significado religioso.

    A estratégia do grupo terrorista segue um padrão calculado e perverso. Primeiramente, seus militantes fogem de outras áreas sob ordens de evacuação das IDF. Em seguida, escondem-se deliberadamente em bairros cristãos, operando sob a premissa de que Israel evitará bombardear igrejas e comunidades cristãs.

    O cenário é montado para uma vitória de narrativa: se Israel ataca, o Hezbollah rapidamente denuncia “crimes de guerra” na imprensa internacional; se Israel não ataca, o grupo terrorista opera livremente, lançando foguetes e colocando a população local em perigo.

    Esta situação é um eco sombrio de 2006 e 1996.

    Em agosto de 2006, o Hezbollah disparou foguetes de vilarejos cristãos como Ain Ebel, Rmeish e Alma Alshaab. Em Rmeish, militantes chegaram a atirar em cristãos que tentavam fugir, ferindo dois. Na época, o coronel Charbel Barka denunciou que o grupo “repetiu o que fez em 1996”, usando os cristãos como escudos.

    Em suma, o tenente-coronel Waweya alertou diretamente os elementos do Hezbollah em Tiro:

    – Esta não é a primeira vez que expomos a atividade do Hezbollah dentro de áreas cristãs, com base na sua crença de que estas áreas lhe proporcionam um refúgio mais seguro. Vocês não estão seguros lá. Se continuares a ficar e a operar a partir desta área, as IDF vão emitir instruções para evacuar o bairro cristão e tomar as medidas necessárias contra ti.

    Como nos lembra Provérbios 24:11,12: “Resgate aqueles que estão sendo levados para a morte… Se dizes: ‘Mas nós nada sabíamos disto’, não percebe aquele que pesa o coração?”.

    É urgente que o mundo reconheça essa tática covarde e ore pelos cristãos do Líbano, que pagam o preço mais alto pelas ambições de um grupo terrorista.

  • A incompetência que custa bilhões ao Brasil

    A incompetência que custa bilhões ao Brasil

    A incompetência que custa bilhões ao Brasil
    Containers parados no porto (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Samuel Wölfl

    O governo brasileiro consegue mais uma vez a incrível façanha de se superar na incompetência. A União Europeia acaba de suspender a compra de carne bovina, aves, mel e outros produtos de origem animal do Brasil.

    A pergunta que nos vem de chofre é: por quê?

    Simples. Por causa da incompetência e da mania de se sentir mais importante do que realmente é. Em um mercado competitivo, quem fornece não impõe regras; antes, cumpre exigências.

    Nota: o Brasil foi o único país a sair da lista de exportadores para a UE por não apresentar as informações exigidas pelo bloco, entre os 21 países fornecedores. Por isso, a União Europeia removeu o Brasil da lista dos que cumprem regras contra o uso de antimicrobianos na pecuária.

    Todas as exigências foram antecipadamente comunicadas às autoridades sanitárias brasileiras, mas sem o devido retorno.

    Finalizo lembrando que o prejuízo do país, por esse deslize, é de vários bilhões de dólares, causando transtornos para uma economia combalida, com reflexos em toda a população, principalmente a mais vulnerável.

    Peço que Deus proteja nosso povo dos maus governantes e derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre todo o povo brasileiro.

  • Vacina contra herpes-zóster pode ajudar no Alzheimer?

    Vacina contra herpes-zóster pode ajudar no Alzheimer?

    Vacina contra herpes-zóster pode ajudar no Alzheimer?
    Vacina (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Nataliya Vaitkevich

    Cada vez mais pacientes vêm me procurando com uma solicitação bastante inusitada: saber se podem tomar a vacina contra herpes-zóster, conhecida comercialmente como Shingrix®.

    Quando eu pergunto o motivo dessa súbita – e inédita – vontade de se vacinar, a resposta costuma ser a mesma: muitos leram reportagens ou assistiram a vídeos comentando estudos recentes que observaram uma possível associação entre a vacinação contra herpes-zóster e um menor risco de desenvolvimento de demência, incluindo a doença de Alzheimer.

    A pesquisa mais comentada analisou milhões de registros de saúde e observou que indivíduos vacinados contra herpes-zóster apresentaram aproximadamente 20% menos diagnósticos de demência ao longo de sete anos de acompanhamento quando comparados aos não vacinados.

    Mas aqui cabe uma observação importante: correlação não significa causalidade. Em outras palavras, o fato de duas coisas acontecerem juntas não significa necessariamente que uma seja a causa da outra. Pessoas que se vacinam costumam, por exemplo, ter maior acesso aos serviços de saúde, realizar mais exames preventivos e adotar hábitos mais saudáveis. Tudo isso pode influenciar os resultados observados pelos pesquisadores.

    Também, vale a pena destacar que essa não é a primeira vez que pesquisadores observam uma associação entre vacinação e um menor risco de demência. Estudos anteriores já haviam encontrado resultados semelhantes com vacinas como a da gripe e a pneumocócica.

    Isso levou alguns cientistas a levantar a hipótese de que a proteção cerebral observada possa não estar relacionada apenas à prevenção de uma doença específica, mas também aos efeitos mais amplos da vacinação sobre o sistema imunológico e a inflamação ao longo da vida.

    Ainda é importante lembrar que, a vacina contra o herpes-zóster já é recomendada principalmente para pessoas com 50 anos ou mais e para determinados grupos populacionais com maior risco de complicações relacionadas ao herpes-zóster.

    Isso significa que, mesmo que futuramente se descubra que não existe efeito protetor contra a demência, a vacinação continua trazendo benefícios importantes dentro das indicações já reconhecidas. E, caso estudos futuros confirmem uma proteção adicional para o cérebro, esse seria um benefício extra – um “plus a mais”, por assim dizer.

    Por fim, enquanto aguardamos os resultados dos estudos, eu, que estou próximo a completar 58 primaveras, já me vacinei – e você?

  • Minha indignação com o perdão judicial a Monique Medeiros 

    Minha indignação com o perdão judicial a Monique Medeiros 

    Minha indignação com o perdão judicial a Monique Medeiros 
    Monique Medeiros Foto: Brunno Dantas – TJRJ

    Confesso que recebi com profunda indignação a notícia do perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, brutalmente assassinado em um dos crimes que mais chocaram o Brasil.

    Enquanto o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi condenado a uma pena severa, bem merecida, a decisão que absolve judicialmente a mãe da criança levanta questionamentos legítimos sobre a mensagem que estamos transmitindo à sociedade.

    Vivemos em um país onde milhares de crianças são vítimas de abuso, violência e negligência. Todos os dias profissionais da saúde, psicólogos, assistentes sociais, conselheiros tutelares e defensores da infância lutam para conscientizar a população sobre a responsabilidade dos adultos em proteger aqueles que não podem se defender sozinhos.

    O pequeno Henry Borel não morreu de forma repentina ou imprevisível. O processo apontou um histórico de agressões e sinais de violência. Por isso, é impossível não refletir sobre o dever de proteção que recai sobre pais e responsáveis.

    A Justiça deve ser técnica, imparcial e comprometida com os fatos. Quando decisões judiciais passam a ser justificadas por argumentos que parecem mais próximos de militância ideológica do que da necessária proteção integral da criança, a sociedade tem o direito de questionar. O debate público não pode ser interditado quando se trata da defesa da infância.

    O sofrimento de uma mãe que perde um filho é inegável. Porém, a dor não pode automaticamente apagar a discussão sobre responsabilidades. Se queremos uma sociedade que realmente proteja crianças, precisamos afirmar com clareza que o dever de cuidado é um dos pilares mais importantes da maternidade e da paternidade.

    A sensação que fica para muitos brasileiros é a de que Henry foi novamente esquecido. E isso é particularmente doloroso para todos aqueles que dedicam suas vidas à proteção da infância.

    Nenhuma ideologia, nenhuma narrativa e nenhuma interpretação subjetiva pode estar acima do princípio fundamental de que toda criança tem direito à proteção integral. Que a memória de Henry continue nos lembrando daquilo que jamais podemos relativizar: a defesa das crianças deve estar acima de qualquer interesse político, ideológico ou circunstancial.

  • O Brasil corre perigo: A ruptura silenciosa da diplomacia brasileira

    O Brasil corre perigo: A ruptura silenciosa da diplomacia brasileira

    O Brasil corre perigo: A ruptura silenciosa da diplomacia brasileira
    Palácio do Itamaraty, em Brasília, sede do Ministério das Relações Exteriores Foto: Werner Zotz

    O Brasil sempre cultivou uma diplomacia respeitada. Desde o Império, o país construiu uma política externa marcada por prudência, negociação e equilíbrio. Foi assim com José Bonifácio na busca pelo reconhecimento internacional após a independência. Foi assim com o Barão do Rio Branco, que resolveu praticamente todas as disputas territoriais brasileiras sem guerras. E foi assim ao longo de dois séculos de Itamaraty profissional: autonomia, multilateralismo e distância de conflitos ideológicos. Essa tradição está hoje sob risco.

    Para entender o tamanho da mudança, é preciso voltar a 1979. Naquele ano ocorreu a Revolução Islâmica no Irã. O regime do xá Reza Pahlavi, aliado dos Estados Unidos, caiu após uma revolta popular que uniu grupos religiosos e setores da esquerda revolucionária. O líder religioso Ruhollah Khomeini assumiu o poder e transformou o país numa teocracia xiita governada por aiatolás.

    A partir daí, o Irã passou a definir sua política externa com base em um eixo central: hostilidade declarada ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos e a Israel.

    Curiosamente, desde o início, essa revolução contou com apoio de setores da esquerda mundial. Comunistas do Partido Tudeh e guerrilhas marxistas ajudaram a mobilizar as ruas contra o xá, acreditando que o novo regime seria um aliado na luta contra o “imperialismo americano”.

    Depois de consolidar o poder, Khomeini eliminou esses mesmos aliados e reprimiu violentamente a esquerda iraniana. Mesmo assim, a retórica antiocidental do regime manteve uma curiosa sinergia com parte da esquerda internacional.

    Essa aproximação se consolidou ao longo das décadas seguintes. Para muitos movimentos progressistas no Ocidente, o Irã passou a ser visto como um ator “anti-hegemônico”, capaz de desafiar a influência americana no Oriente Médio.

    O fato de o regime ser teocrático, reprimir mulheres, perseguir minorias e executar opositores foi frequentemente relativizado em nome de uma narrativa maior: a luta contra o imperialismo ocidental.

    Essa lógica também explica a relação crescente entre governos de esquerda latino-americanos e Teerã. Países como Venezuela, Bolívia e Nicarágua firmaram acordos econômicos e políticos com o regime iraniano. O padrão é semelhante: sanções internacionais isolam o Irã, que busca parceiros dispostos a ignorar essas restrições. Em troca, esses governos recebem comércio, cooperação e apoio diplomático.

    No Brasil, essa aproximação tem raízes antigas dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Documentos do período do regime militar indicam que, nos anos 1980, autoridades brasileiras investigaram contatos de dirigentes petistas com representantes do regime iraniano recém-instalado. Relatórios do SNI apontavam a existência de um núcleo dentro do partido interessado em apoio financeiro e estratégias de mobilização inspiradas na revolução islâmica.

    Quando Lula chegou ao poder, essa relação ganhou dimensão oficial. Em 2009, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad visitou o Brasil, numa viagem cercada de polêmicas internacionais. No ano seguinte, Lula foi a Teerã para intermediar, ao lado da Turquia, um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

    O chamado “Acordo de Teerã” previa a transferência de urânio iraniano para território turco em troca de combustível nuclear para uso médico. A iniciativa foi rejeitada pelos Estados Unidos e por potências europeias, que consideraram o acordo insuficiente para conter o avanço nuclear do regime.

    A aproximação não terminou ali. Em 2023, já no terceiro mandato, o governo brasileiro autorizou a atracação de dois navios de guerra iranianos no Porto do Rio de Janeiro, mesmo após pressão diplomática dos Estados Unidos para cancelar a visita. O gesto foi interpretado por analistas internacionais como sinal de alinhamento político com Teerã em meio a tensões globais.

    O passo mais simbólico, porém, ocorreu no âmbito dos Brics. Sob impulso direto do governo Lula, o Irã foi convidado a integrar o bloco durante a Cúpula de Joanesburgo em 2023, com entrada efetiva em 2024. A decisão ampliou o grupo para dez membros e aproximou ainda mais o bloco de regimes claramente hostis ao Ocidente, como Rússia e China.

    Analistas apontam que a inclusão foi motivada mais por afinidade ideológica do que por critérios econômicos ou estratégicos.

    A nova orientação ficou ainda mais clara em 2025, quando o Brasil presidiu o encontro do Brics no Rio de Janeiro.

    Na ocasião, a declaração final do bloco condenou ataques ao Irã sem mencionar explicitamente os responsáveis. O próprio Lula afirmou que “ninguém vai pedir para o Irã mudar de posição sobre Gaza”, relativizando o fato de que o regime iraniano defende abertamente a destruição de Israel.

    Isso sem falar na situação mais recente e ostensiva. Após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro de 2026, o governo Lula condenou a operação e falou em violação da soberania iraniana, defendendo solução diplomática para a crise. A posição foi agradecida publicamente pelo embaixador do Irã no Brasil.

    Para Estados Unidos e Israel, qualquer alinhamento com Teerã é visto como risco geopolítico direto. O Irã é considerado um dos principais patrocinadores de grupos armados no Oriente Médio, como Hezbollah e Hamas, além de manter um programa nuclear que há anos preocupa as potências ocidentais. Não por acaso, Washington mantém sanções severas contra o regime e pressiona aliados a evitar cooperação estratégica com Teerã.

    É nesse contexto que a mudança da diplomacia brasileira se torna preocupante. Ao abandonar a tradição de neutralidade pragmática do Itamaraty e assumir uma postura ideologicamente alinhada ao eixo antiocidental, o Brasil corre o risco de comprometer sua credibilidade internacional.

    Mais grave ainda: pode acabar associado a regimes autoritários que violam sistematicamente direitos humanos.

    Durante dois séculos, a política externa brasileira foi reconhecida pela capacidade de dialogar com todos sem se submeter a nenhum. Esse equilíbrio permitiu ao país mediar conflitos, ampliar comércio e manter prestígio global. Transformar essa tradição em instrumento de militância ideológica não fortalece o Brasil. Apenas o coloca no lado errado da história.

    Ainda há tempo para corrigir a rota. O país precisa recuperar a diplomacia profissional que sempre o distinguiu: baseada em interesses nacionais, não em afinidades ideológicas. O Brasil é grande demais para se tornar satélite de qualquer bloco geopolítico. E sua tradição diplomática é valiosa demais para ser desperdiçada em aventuras ideológicas.

    Zizi Martins é advogada pública, comentarista política, estudante de jornalismo, com mestrado em direito, doutorado em educação e pós-doutorado em política, comportamento e mídia. Zizi é fellow do Instituto Amplifica.
  • A corrupção não tem partido. Tem CPF

    A corrupção não tem partido. Tem CPF

    A corrupção não tem partido. Tem CPF
    A corrupção compra tudo (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    A corrupção brasileira tem um talento raro: ela muda de discurso como quem troca de roupa, mas nunca muda de hábito. Veste vermelho, azul, verde, amarelo, fala em povo, mercado, justiça social ou liberdade econômica. No fim, continua sendo a mesma velha compulsão por transformar o que é público em patrimônio privado.

    Corrupção não é uma ideologia. É uma deformação de caráter.

    Existe uma ingenuidade quase infantil em acreditar que a desonestidade escolhe lado. Ser de esquerda ou de direita é uma visão de mundo. Ser corrupto é uma escolha moral.

    Há gente íntegra e gente desonesta em todos os campos políticos. A diferença é que os honestos defendem ideias; os corruptos defendem interesses. E interesses costumam ser muito mais flexíveis do que convicções.

    Daniel Vorcaro entrou nessa história como um lembrete inconveniente dessa verdade. Dinheiro não pergunta em quem você vota antes de abrir portas.

    Quando alguém passa a impressão de estar comprando influência em Brasília, não está revelando uma falha da esquerda ou da direita. Está revelando algo muito mais antigo e muito mais brasileiro: a crença de que algumas pessoas acham que tudo tem preço. Inclusive aquilo que jamais deveria estar à venda.

  • 7 de Junho: Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

    7 de Junho: Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

    7 de Junho: Dia Nacional da Liberdade de Imprensa
    Liberdade de imprensa (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Caio Mantovani

    Hoje celebramos o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, data que remete ao manifesto divulgado em 7 de junho de 1977, quando milhares de jornalistas se posicionaram contra a censura e em defesa do direito de informar.

    A data é um convite à reflexão sobre um dos pilares da democracia: a livre circulação de ideias, opiniões e informações.

    A imprensa precisa ser livre. Livre para investigar, denunciar, elogiar, criticar, questionar e informar. Não cabe ao governo, a tribunais, a partidos políticos, a grupos econômicos, a big techs ou a qualquer outra instituição decidir previamente o que pode ou não ser dito, publicado ou debatido.

    Nenhuma autoridade possui o monopólio da verdade. Nenhum governo, empresa ou instituição pode se colocar na posição de árbitro definitivo do que é verdadeiro ou falso para toda a sociedade. Em uma democracia, a verdade é buscada por meio do debate livre, da confrontação de argumentos, da apresentação de fatos e da capacidade crítica dos cidadãos.

    É direito de cada pessoa ter acesso às informações disponíveis, analisar, comparar versões, verificar evidências e formar suas próprias conclusões. Uma sociedade madura não depende de tutores para pensar por ela.

    Isso não significa que a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão sejam absolutas. Como qualquer direito, elas convivem com responsabilidades. Calúnia, difamação, injúria, fraude, danos e outros abusos podem e devem ser apurados e punidos na forma da lei.

    Mas há uma diferença fundamental entre responsabilização posterior e censura prévia. A Constituição brasileira admite a primeira e rejeita a segunda.

    O remédio para uma informação ruim não é menos liberdade. É mais liberdade, mais debate, mais transparência e mais acesso à informação.

    Neste 7 de junho, vale reafirmar um princípio simples: uma imprensa livre e uma sociedade livre caminham juntas. Quando se enfraquece uma, inevitavelmente se enfraquece a outra.

    Viva a liberdade de imprensa.! Viva a liberdade de expressão!