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Categoria: GOSPEL

  • Isto, isso ou aquilo: Descomplicando os pronomes demonstrativos

    Isto, isso ou aquilo: Descomplicando os pronomes demonstrativos

     

    Isto, isso ou aquilo: Descomplicando os pronomes demonstrativos
    Escolhas (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Hoje quero compartilhar um poema fofo, daqueles que a gente lê achando que é só para criança… até perceber que não é. Acompanhe comigo:

    Ou isto ou aquilo – Cecília Meireles

    Ou se tem chuva e não se tem sol,
    ou se tem sol e não se tem chuva!
    Ou se calça a luva e não se põe o anel,
    ou se põe o anel e não se calça a luva!
    Quem sobe nos ares não fica no chão,
    quem fica no chão não sobe nos ares.
    É uma grande pena que não se possa
    estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
    Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
    ou compro o doce e gasto o dinheiro.
    Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
    e vivo escolhendo o dia inteiro!
    Não sei se brinco, não sei se estudo,
    se saio correndo ou fico tranquilo.
    Mas não consegui entender ainda
    qual é melhor: se é isto ou aquilo.

    A ideia de Cecília é falar sobre escolhas. E daria para a gente ficar aqui filosofando um tempão sobre isso… mas hoje quero puxar a conversa para outro lado: os pronomes. Mais especificamente os demonstrativos: isto, este, isso, essa, aquilo, aquele. Sim… eu sei. Só de ler, teve gente que já se arrepiou. Aposto. Mas vamos com calma; é simples.

    Via de regra, pronomes são palavras que acompanham ou substituem substantivos. E os demonstrativos são aqueles que usamos para apontar coisas: no espaço, no tempo ou até dentro do próprio texto.

    Então, quando Cecília diz “isto” e “aquilo”, ela não está só falando de escolhas. Ela também está sugerindo distância. De cara, já fica fácil notar que isto está perto de quem fala… e aquilo, distante. Notou?

    É exatamente assim que os pronomes demonstrativos funcionam no espaço. Usamos este quando algo está perto de quem fala; esse, quando está perto de quem ouve; e aquele, quando está longe dos dois.

    Pensando em escolhas, olhe só: ou escolho este chocolate delicioso aqui, na minha frente… ou elogio esse corpo que é seu… ou admiro aquele corpo lá longe, atravessando a rua.

    Percebe como a escolha muda conforme a distância? Nesse sentido, os pronomes demonstrativos funcionam quase como um GPS da fala.

    Mas há um detalhe que vive escapando: se você fala do lugar onde está, o correto é este. Por isso, nada de dizer: “Nesse país não tem um político honesto”. Se você está aqui, no Brasil, o correto é: “Neste país…” Combinado?

    Agora, olhe só: o poema também nos ajuda a entender o tempo. Repare: a criança está sempre decidindo agora: “Vivo escolhendo o dia inteiro”. Tudo acontece no presente, no momento da escolha.

    Por isso, usamos este para o tempo presente: “Este dia inteiro é feito de escolhas.”

    Mas, quando olhamos para trás, a perspectiva muda: “Esse dia foi difícil, pois tive que escolher o tempo todo.” Note que esse se refere a um passado recente.

    E, se for algo mais longe ainda: “Naquele tempo, quando eu era criança, escolher parecia mais simples.” Aqui, aquele aponta para um passado distante.

    Agora vem a parte que parece mais complicada; mas vai por mim, não é.

    Dentro do texto, os pronomes demonstrativos funcionam como setinhas invisíveis — e o poema mostra isso de forma sutil.

    Quando Cecília escreve “ou isto ou aquilo”, ela ainda não explicou exatamente o que é “isto” ou “aquilo”. Ela abre possibilidades. Assim, isto aponta para frente, para tudo o que ainda será apresentado: chuva ou sol, luva ou anel, brincar ou estudar…

    Depois que essas ideias aparecem, conseguimos retomar tudo: “Esse é o dilema do poema: escolher o tempo todo.”

    Ou seja: este / isto apontam para o que ainda será dito; esse / isso retomam o que já foi dito.

    No fim das contas, esses pronomes funcionam como dedos apontando para o agora, para o antes, para perto, para longe ou para algo que você ainda vai revelar.

    Porque, na vida, sempre escolhemos e sempre é assim: ou isto… ou aquilo.

    Espero ter ajudado. Um abraço e até a próxima!

  • Deus escreve a história no Seu tempo

    Deus escreve a história no Seu tempo

    Deus escreve a história no Seu tempo
    Apoiadores da República Islâmica do Irã Foto: EFE/Jaime León

    Deus, em Sua onipotência, às vezes complica, depois descomplica e, finalmente, explica. Nós, na nossa pequenez, não conseguimos entender os desígnios do Criador.

    Quinhentos anos antes de Cristo, o rei persa Ciro, o Grande, cumprindo uma profecia bíblica, libertou o povo hebreu do cativeiro babilônico. Essa profecia havia sido escrita cerca de 200 anos antes, em Isaías 44:28 e 45:1-13, quando Deus chama Ciro de “ungido”, prevendo que ele conquistaria a Babilônia, permitiria a reconstrução do templo em Jerusalém e libertaria o povo judeu do cativeiro.

    Como os desígnios de Deus são incompreensíveis, passaram-se cerca de 2.500 anos e, nos dias atuais, o povo persa, hoje representado pelos iranianos, está há 47 anos cativo de uma oligarquia religiosa radical, sem liberdade. Muitos, ao se manifestarem, são executados aos milhares, sem defesa.

    E agora, exatamente pelo povo que lhes deve gratidão, o povo judeu, surge uma esperança de libertação.

    O tempo de Deus é diferente do nosso. A liberdade está chegando, e a prova da presença do Eterno está no desenrolar da guerra, poupando a população civil de mais de 80 milhões de pessoas, com ataques cirúrgicos em instalações militares e nucleares.

    Finalizo agradecendo a Deus por permitir que um povo liberto há 2.500 anos retribua essa liberdade ao mesmo povo nos dias atuais.

    Que Ele derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre o povo iraniano.

  • Enquanto a reforma tributária avança, a incerteza cresce

    Enquanto a reforma tributária avança, a incerteza cresce

    Enquanto a reforma tributária avança, a incerteza cresce
    Reforma tributária Foto: Pixabay

    Ao fazer a abertura de mais uma reunião do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, que debateu o tema Soberania fiscal em xeque? Tensões e novos paradigmas tributários, fiz a reflexão que trago aos amigos leitores.

    Estamos vivendo um momento extremamente complicado no Brasil, em que os Poderes se confundem. Trata-se de um momento de máxima insegurança jurídica, em que escândalos vêm à tona e os Poderes envolvidos se autoprotegem, numa tentativa de ocultar tanto aquilo que se busca conhecer quanto aquilo que está errado.

    Tudo isso acompanhado de um novo sistema tributário que já teve sua implementação com a CBS e em 2029 terá com o IBS. Trata-se de uma tributação de consumo que amplia o número de artigos referentes ao tema constantes no Código Tributário Nacional. Na legislação aprovada, estamos com dez vezes mais artigos sobre a tributação do consumo do que aqueles que constam no CTN, além de três vezes mais artigos para a tributação do consumo do que todo o sistema tributário que conseguimos aprovar na Constituição de 1988.

    Essa inflação normativa não é apenas um detalhe estatístico; ela representa um aumento real no custo de conformidade para o contribuinte. Durante o longo período de transição, as empresas serão obrigadas a conviver com dois sistemas tributários distintos e paralelos, gerando uma sobrecarga administrativa sem precedentes. Em vez de eliminarmos a burocracia, corremos o risco de institucionalizar um ‘monstro de duas cabeças’ que exigirá investimentos massivos em tecnologia e assessoria jurídica apenas para que o setor produtivo consiga cumprir suas obrigações básicas.

    Os idealizadores da pretendida reforma afirmam que essa decuplicação de artigos sobre consumo e a triplicação de artigos constitucionais têm o objetivo de simplificar o sistema tributário. Confesso que minha inteligência é limitada demais para compreender uma simplificação tão complexa quanto a que vem sendo implementada.

    É fundamental, porém, que continuemos a fazer o que sempre fizemos no Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP desde sua fundação: debater, refletir e sugerir.

    Atualmente, contamos com um grupo de estudiosos integrado por renomados colegas, como os economistas Marcos Cintra e Paulo Rabello de Castro, além de Felipe Silva, diretor da Faculdade Brasileira de Tributação, que é a única instituição de ensino superior dedicada exclusivamente ao Direito Tributário no Brasil. Sob nossa coordenação, estamos elaborando um livro a respeito da reforma da tributação do consumo, no qual analisaremos as dificuldades que já se manifestam neste início de implementação.

    Essas análises, que estamos consolidando em nossa obra, não se limitam a meras críticas teóricas; configuram-se como alertas práticos sobre os gargalos que o texto atual ignora e que demandarão, inevitavelmente, uma correção de rumo legislativa. O rigor técnico de renomados especialistas serve aqui como subsídio fundamental para que as falhas de implementação sejam mitigadas antes que se tornem entraves permanentes ao desenvolvimento econômico.

    Em todas as nossas ações, devemos observar que, a partir de 2027, teremos um novo Legislativo capaz de promover mudanças significativas no cenário atual, haja vista a renovação de dois terços do Senado Federal. É evidente a percepção de que haverá uma maioria conservadora no Congresso, o que deve favorecer uma reflexão profunda sobre o modo adequado de simplificação do nosso sistema tributário.

    Quanto mais nos aprofundamos no estudo da Reforma Tributária — como ocorreu durante a elaboração do livro que lancei em parceria com o advogado e professor Daniel Moretti —, mais as incertezas se multiplicam. Ao dialogar com tributaristas de alto nível e docentes das principais universidades do País, percebo que as dúvidas são inúmeras.

    Essa atmosfera de hesitação não é apenas um debate entre acadêmicos; ela se traduz em um impacto severo sobre o investimento produtivo. A incerteza tributária atua como um freio invisível, gerando um ambiente de ‘esperar para ver’ que afasta o capital e adia projetos estratégicos. Sem regras do jogo claras e previsíveis a médio prazo, o investidor retrai-se, o que compromete o crescimento econômico imediato do País e a própria geração de empregos.

    Por essa razão, tenho encerrado minhas palestras sobre o novo sistema com uma postura de cautela: quando questionado sobre minha opinião, não respondo sim nem não; eu respondo talvez.

  • As nulidades no julgamento de Cristo

    As nulidades no julgamento de Cristo

    As nulidades no julgamento de Cristo
    Lavar as mãos (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Nesta Semana Santa, enquanto milhões de pessoas ao redor do mundo voltam os olhos para a Cruz, é fundamental refletirmos não apenas sobre o sacrifício teológico, mas sobre o processo que o antecedeu.

    O julgamento de Jesus de Nazaré é, sob qualquer ótica jurídica, o maior erro judiciário da história da humanidade. É o retrato de como o sistema, quando corrompido por interesses políticos e pressão popular, pode transformar o justo em réu e a lei em ferramenta de opressão.

    O simulacro de justiça
    Ao analisarmos os autos desse processo histórico, deparamo-nos com uma sucessão de nulidades absolutas que fariam qualquer tribunal moderno anular o feito.

    Primeiro, a violação do Princípio da Publicidade: o julgamento ocorreu na calada da noite, longe dos olhos do povo e da transparência necessária aos atos judiciários.

    Ademais, houve o completo desprezo pelo Direito à Ampla Defesa e ao Contraditório. Jesus foi privado de um defensor e confrontado com testemunhas cujos relatos eram nitidamente contraditórios e falsos.

    Mais grave ainda foi a violação do Princípio do Juiz Natural: Cristo foi jogado de um tribunal a outro, de Anás a Caifás, de Pilatos a Herodes, sem que se respeitasse a competência legal de cada autoridade.

    Por fim, a sentença de Pilatos não foi baseada em fatos ou provas, mas na conveniência. Ao lavar as mãos, o magistrado romano abdicou da sua imparcialidade para ceder à pressão da multidão.

    Em outras palavras, o direito cedeu ao ruído das ruas e a justiça ajoelhou-se perante o poder!

    As injustiças do nosso tempo
    A analogia com a contemporaneidade é inevitável. Ainda hoje, assistimos a autoridades que, por vezes, ignoram o devido processo legal em nome de projetos de poder ou para satisfazer o clamor momentâneo da opinião pública.

    Neste sentido, a instrumentalização do sistema jurídico para perseguir adversários ou silenciar vozes dissonantes é uma ferida aberta que nos lembra que, sem princípios éticos e respeito à lei, a toga pode tornar-se um instrumento de tirania.

    Quando o rito é atropelado e o réu é condenado antes mesmo de ser ouvido, a justiça deixa de ser um ideal civilizatório para tornar-se um espetáculo de força. O julgamento de Cristo nos alerta que a autoridade sem compromisso com a verdade é, por essência, injusta.

    O propósito que supera o erro
    Entretanto, para nós, cristãos, a reflexão não termina na indignação jurídica. Há uma dimensão que transcende a nulidade dos tribunais humanos. Jesus, sendo o Filho de Deus, o próprio autor da Vida, submeteu-se voluntariamente a esse processo viciado.

    Ele aceitou a ausência de defesa para ser o nosso Advogado (1 Jo 2:1). Ele suportou as testemunhas falsas para que pudéssemos conhecer a Verdade que liberta (Jo 8:32). Ele aceitou uma sentença injusta para que nós, culpados, pudéssemos receber a justiça de Deus.

    O propósito benevolente e amoroso de Cristo transformou o maior erro judiciário de todos os tempos no maior ato de salvação. Na cruz, a injustiça dos homens encontrou-se com a misericórdia de Deus.

    Que nesta Páscoa possamos lembrar que, embora as autoridades terrenas falhem, existe um Juiz Justo que, por amor, entregou-se para que tivéssemos vida em abundância!

  • Por um STF sem ministros

    Por um STF sem ministros

    Por um STF sem ministros
    Um STF sem ministros (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT

    Com a formalização de Jorge Messias para a vaga deixada por Barroso no STF, volta à cena uma pergunta que recebo constantemente: como evitar indicações políticas para a Corte? Que reforma constitucional permitiria que voltássemos a ter um verdadeiro tribunal de justiça no Brasil?

    Tenho uma boa resposta: a melhor reforma seria uma proposta de emenda constitucional que impedisse a entrada de novos ministros e estabelecesse que, a cada saída, a cadeira correspondente permanecesse vazia.

    Ninguém sentiu falta de Barroso. Ao menos no ambiente jurídico. Talvez sua ausência tenha impacto no setor de palestras ou nas rodas de samba, mas, no plano jurídico, ninguém deu a mínima.

    Por outro lado, a presença de Messias tende a ser um fardo, não tenho dúvida. Duvido que o leitor se lembre da ausência de Rosa Weber, mas a presença de seu substituto, Flávio Dino, essa se sente de modo penoso. E assim sucessivamente.

    Com a proposta em vigor, o STF passaria a reduzir seu número de ministros: de onze para dez, de dez para nove, até que o tribunal se esvaziasse por completo e se tornasse um STF baldio. Essa redução progressiva não geraria caos algum. Ao contrário, revelaria algo que já é perceptível, embora raramente admitido: a irrelevância jurídica de boa parte dos ministros. Quanto à sua relevância política, tampouco faria falta: políticos já temos em excesso nos demais Poderes.

    Haveria, no início, alguma estranheza. Mas ela seria rapidamente substituída por alívio. Um alívio real. Afinal, hoje o que produz efeitos, frequentemente deletérios, é a presença dos ministros. Uma presença que, ao longo dos anos, expandiu competências para além dos limites constitucionais, substituiu o legislador e asfixiou o jogo político. Uma presença que sufocou o direito, ridicularizou a Constituição, ignorou garantias fundamentais e produziu insegurança jurídica.

    O STF hoje funciona como um organismo saturado. O novato ou se adapta ao sistema, tornando-se mais um, ou vive em isolamento, o que não faz sentido em um órgão colegiado.

    O esvaziamento progressivo abriria espaço para a pergunta que hoje se evita: para que serve, afinal, a Corte? Não em termos abstratos, mas concretos. Qual é o seu papel?

    O STF já não opera como Corte de justiça. E, enquanto não soubermos exatamente para que serve, não adianta entulhar gabinetes com novos ministros.

    Até lá, deixem o STF vazio. Depois de esvaziado, façam ali um parque, um pet play, ou um bar, quem sabe um karaokê, e chamem o Barroso para a inauguração.

     

    * Texto originalmente publicado no Poder360.

  • No Canadá, citações bíblicas serão criminalizadas 

    No Canadá, citações bíblicas serão criminalizadas 

    No Canadá, citações bíblicas serão criminalizadas 
    Bandeira do Canadá (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay/Jude Joshua

    A partir de agora, em terras canadenses, você pode até ser preso se uma citação bíblica sua for interpretada como “discurso de ódio”. Essa é a polêmica que explodiu após um projeto de lei ganhar força, no Canadá. Uma proteção legal que garantia a defesa de falas baseadas em textos religiosos está sendo removida.

    O que antes servia como escudo para a liberdade de crença agora passa a ficar nas mãos da interpretação do sistema. Diversos especialistas afirmam que isso pode abrir caminho para criminalizar ensinamentos bíblicos tradicionais.

    Na prática, não é que a Bíblia tenha sido proibida diretamente. Mas, a partir desse cenário, tudo passa a depender de interpretação. Se alguém considerar sua fala ofensiva, você pode ser enquadrado.

    O mais impressionante é que isso já estava até previsto na própria Bíblia. Em 2 Timóteo 4:3, é dito que chegaria um tempo em que muitos não suportariam mais a sã doutrina. Prefeririam ouvir apenas aquilo que agradasse aos seus próprios desejos. Ou seja, a verdade não seria apenas rejeitada; ela passaria a ser combatida.

    E é exatamente esse o espírito do nosso tempo: a verdade passou a ser tratada como agressão, enquanto o erro é protegido como se fosse virtude. Qualquer mensagem que confronte o pecado, a desordem moral ou a rebelião contra Deus, rapidamente começa a ser vista como inaceitável.

    A censura da fé cristã prepara o caminho para um controle mais rígido no futuro. O que hoje é interpretado como ofensivo, amanhã pode ser proibido. O fim da liberdade de expressão não está distante — esse tempo já começou a se manifestar.

  • Licença-paternidade: O que muda para as empresas a partir de 2027?

    Licença-paternidade: O que muda para as empresas a partir de 2027?

    Licença-paternidade: O que muda para as empresas a partir de 2027?
    Papai e bebê (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Alina Matveycheva

    Na última terça-feira (31), foi sancionada a lei que amplia o período de afastamento do trabalho do pai, em sua licença-paternidade, após a chegada de um filho, dos atuais cinco dias para até 20 dias, com vigência a partir de janeiro de 2027.

    Para as empresas, a mudança traz novas obrigações diretas que precisam entrar no radar do RH agora.

    Até hoje, a licença-paternidade era de cinco dias corridos, custeada pela própria empresa, sem reembolso da Previdência Social e sem qualquer estabilidade no emprego após o retorno ao trabalho. O direito se aplicava apenas a trabalhadores com carteira assinada e a servidores públicos.

    Com a nova lei, esse cenário muda gradualmente:

    — A partir de janeiro de 2027: 10 dias de afastamento.
    — A partir de janeiro de 2028: 15 dias de afastamento.
    — A partir de janeiro de 2029: 20 dias de afastamento.

    O custo do afastamento passa a ser da Previdência Social. A empresa mantém o pagamento integral do salário durante a licença, mas será reembolsada pelo INSS, seguindo a mesma lógica já aplicada na licença-maternidade.

    Além do aumento no período e da mudança no custeio, a lei cria estabilidade no emprego. O pai não pode ser demitido sem justa causa durante a licença; nem nos 30 dias após o retorno. Demitir dentro desse período pode gerar reintegração ou indenização para a empresa.

    O direito também foi ampliado para além da CLT. Autônomos, empregados domésticos e MEIs passam a ter acesso ao benefício. Para empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, é possível acrescentar 15 dias adicionais, chegando a até 35 dias no total.

    A lei ainda prevê situações específicas que o RH precisa conhecer:

    — Falecimento da mãe: o pai tem direito a até 180 dias de afastamento.
    — Filho com deficiência ou doença rara: a licença é ampliada em um terço.
    — Casais homoafetivos: um dos integrantes pode usufruir da licença-maternidade e o outro da paternidade.

    A lei entra em vigor em janeiro de 2027, mas a adequação começa antes disso. Políticas internas, contratos e processos de RH precisam ser revisados para contemplar as novas regras de afastamento, pagamento e estabilidade.

    Empresas que não observarem o período de estabilidade estarão expostas a ações trabalhistas. E, como sempre, o passivo começa antes do processo.

  • A perigosa defesa da legalização das drogas por Gilmar Mendes

    A perigosa defesa da legalização das drogas por Gilmar Mendes

    A perigosa defesa da legalização das drogas por Gilmar Mendes
    Ministro Gilmar Mendes Foto: Antonio Augusto/STF

    Nosso país, de tradição judaico-cristã, mantém arraigada a ojeriza a qualquer tipo de droga. Nossos jovens, em sua maioria, ainda mantêm distância desses vícios malignos que destroem famílias e causam uma dependência nefasta, muitas vezes, permanente e irreversível.

    Eu, na qualidade de legislador, bato-me com todas as armas disponíveis em meu mandato para combater a descriminalização das drogas, sejam elas quais forem. Não existe droga leve. Todas são uma desgraça na vida do usuário e de suas famílias.

    Portanto, nós, formadores de opinião, temos o dever de incutir na sociedade os malefícios que advêm do consumo de drogas, verdadeiro flagelo da sociedade moderna.

    Agora, de verdade, me causa uma espécie de revolta ver um ministro da Suprema Corte de nosso país, como o ministro Gilmar Mendes, manifestar-se no sentido de legalizar drogas. Ele se esquece de que países que flexibilizaram suas leis, afrouxando a repressão, colheram consequências graves e, agora, tentam retroceder, retomando a criminalização para reparar o que ainda é possível.

    Finalizo pedindo a Deus que ilumine nossas autoridades, para que usem suas prerrogativas em favor da nação, no combate às drogas — e não na defesa de sua liberação — para que tenhamos sempre gerações saudáveis e ordeiras. E peço que Ele derrame suas mais escolhidas bênçãos sobre todos os jovens de nosso país.

  • A palavra do momento: Misoginia

    A palavra do momento: Misoginia

    A palavra do momento: Misoginia
    (Imagem ilustrativa) Foto: Unsplash/Soheb Zaidi

    Moro no Espírito Santo. E, se há um lugar lindo e especial, dos muitos por onde já passei neste país afora, é este estado. Aqui, há uma calmaria no ar, dessas que aquietam o coração. Sem falar nas belezas naturais e no charme das pequenas cidades, com seus traços de colonização italiana e alemã.

    Mas há um contraste que incomoda. Esse lugar que tanto gosto também ostenta números altos de feminicídio e de crimes contra a mulher. Na última semana, na madrugada do dia 23, a primeira comandante da Guarda Civil de Vitória, capital do estado, foi morta a tiros pelo ex-namorado, que tirou a própria vida em seguida.

    Foi de forma cruel que a policial Dayse Barbosa — referência no combate à violência contra a mulher — se tornou vítima do crime que tanto combatia.

    Coincidentemente, também na semana passada, o Senado aprovou o chamado PL da Misoginia, que define como crime “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”.

    E foi impossível não pensar: o que, na prática, essa lei poderia ter feito por Dayse?

    Confesso que fui tentar entender melhor o tal termo “misoginia”. Já havia ouvido falar, claro. Mas nunca tinha parado para olhar com mais atenção. E o que encontrei foi um verdadeiro balaio de gatos. A pauta é progressista e identitária, pois tem o objetivo de defender minorias.

    O objetivo desta humilde coluna é ajudar leitores com dificuldades com o nosso idioma. Assim, se eu fosse fazer um glossário sobre o tema, englobaria machismo, patriarcado, machosfera, redpill — ou seja, teorias de superioridade masculina. Femismo, que prega a superioridade da mulher; feminismo, que busca a igualdade entre os sexos; e misoginia, que seria a aversão a mulheres pelo fato de elas serem mulheres.

    Mas não para por aí. Surgem ainda termos importados, difíceis até de se pronunciar: mansplaining, manterruption, gaslighting, bropriating… Se a sua cabeça deu um nó, fique tranquilo. A minha também.

    Ainda assim, a pergunta continua ecoando: o que essa lei teria feito por Dayse?

    Para mim, a resposta mais honesta veio de uma amiga. Essa querida também faz parte das estatísticas. Viveu por anos um relacionamento abusivo, que só terminou quando o então marido a ameaçou de morte, descrevendo, inclusive, como faria.

    Ela, quando soube do caso da policial, disse algo que não me saiu da cabeça:

    — Se uma guarda que combatia esse tipo de crime teve esse fim… pobre de mim.

    E foi aí que entendi que talvez a pergunta não seja exatamente sobre o nome que damos às coisas. Sim, a lei define, enquadra, tipifica. Organiza o mundo no papel. Mas a vida não cabe só nisso.

    Como mulher, já fui vítima de misoginia. Me pergunto: e quantas de nós não fomos? Imagino que todas tenhamos sido. Então, na boa? Não é o papel mandando prender, punir ou amordaçar que vai mudar o comportamento do ser humano. Antes, é a educação. É o falar sobre. É o ensinar a não.

    Porque, no fim das contas, enquanto discutimos até onde alguém pode falar; o que é ou não é comportamento de ódio; há mulheres tentando simplesmente continuar vivas. E protegê-las deveria ser a maior urgência.

  • Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?

    Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?

    Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?
    Atendimento psicoterápico (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Mart Production

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, votou a favor de um projeto de lei que, na prática, abre caminho para a perseguição de psicólogos que se denominam cristãos? Essa é a pergunta que precisa ser feita com coragem; porque o que está em jogo não é apenas uma questão técnica, mas um princípio fundamental de liberdade.

    Há algo profundamente incoerente — e juridicamente questionável — no movimento que tenta impedir psicólogos de se identificarem como cristãos no exercício público de sua profissão. Não se trata de zelo ético. Trata-se, na prática, de um mecanismo de constrangimento ideológico que vem sendo aplicado de forma seletiva.

    É preciso nomear o que está acontecendo: psicólogos cristãos têm sido desproporcionalmente visados, investigados e pressionados simplesmente por assumirem sua identidade. E eu falo não apenas como observadora, mas como alguém diretamente atingida.

    Eu, Marisa Lobo, já respondi a inúmeros processos ao longo dos anos; não por má prática clínica comprovada, não por violação técnica objetiva, mas por me apresentar publicamente como psicóloga e cristã.

    Isso não é um detalhe. Isso é um padrão.

    A pergunta que precisa ser feita — e ainda não foi respondida de forma honesta — é: por que apenas o cristão?

    Existem, há décadas, espaços consolidados dentro da Psicologia que dialogam com espiritualidade: psicologia de base espírita, interfaces com tradições orientais como o budismo, contribuições da tradição judaica. Nenhuma dessas expressões sofre o mesmo nível de vigilância, suspeição ou tentativa de silenciamento institucional. Não há campanhas sistemáticas para impedir que esses profissionais se identifiquem. Não há uma patrulha ideológica constante.

    Mas quando o psicólogo diz: “Sou cristão”, imediatamente surge a tentativa de enquadramento, de censura, de associação indevida com práticas antiéticas.

    Isso revela um problema grave: não estamos diante de uma discussão ética neutra, mas de um viés ideológico que transforma a identidade cristã em suspeita automática. E isso é inaceitável.

    O Código de Ética do Psicólogo é claro ao vedar a imposição de crenças ao paciente. E isso deve ser rigorosamente respeitado — por todos, inclusive pelos cristãos.

    Mas há uma distorção deliberada sendo construída: estão confundindo expressão de identidade com imposição religiosa.

    Dizer “sou psicóloga e cristã” não é impor fé a ninguém. Palestrar em uma igreja sobre saúde mental não é crime. Dialogar com pessoas a partir de uma linguagem que elas compreendem culturalmente não é violação ética — é, muitas vezes, uma estratégia de acesso e cuidado. Aliás, aqui surge outra contradição prática que os críticos evitam enfrentar: e os pacientes cristãos?

    Milhões de brasileiros são evangélicos ou católicos e, por razões legítimas, sentem-se mais seguros sendo atendidos por profissionais que compreendam sua cosmovisão. Se o psicólogo é proibido de se identificar, cria-se uma barreira de acesso. Na prática, isso pode gerar exclusão de cuidado.

    Estamos, então, diante de um paradoxo: em nome de uma suposta proteção ética, restringe-se o acesso de uma população inteira a um atendimento psicologicamente mais aderente à sua realidade cultural e espiritual. Isso não é proteção. Isso é exclusão.

    Outro ponto que precisa ser enfrentado com clareza: nenhuma outra profissão impõe esse tipo de silenciamento identitário. Médicos, advogados, professores — todos podem declarar sua fé sem que isso seja automaticamente interpretado como infração. Por que, então, a Psicologia deveria exigir essa “assepsia ideológica” apenas quando se trata de cristãos?

    A resposta, ainda que desconfortável para alguns, aponta para a influência de uma militância que não é simplesmente laica — mas, em muitos casos, explicitamente contrária ao cristianismo. E essa militância tem conseguido pautar interpretações restritivas que extrapolam o texto ético e avançam sobre direitos fundamentais.

    É fundamental reafirmar: liberdade religiosa inclui o direito de expressão pública da fé. Identidade não é infração ética.

    Conduta antiética deve ser punida — independentemente da religião —, mas identidade não pode ser criminalizada.

    Transformar psicólogos cristãos em alvos recorrentes de processos e sanções por aquilo que são — e não por aquilo que fazem — é abrir um precedente perigoso para toda a categoria. Hoje são os cristãos. Amanhã, pode ser qualquer outra visão de mundo considerada “inconveniente”.

    A Psicologia, enquanto ciência humana, deveria ser a primeira a defender a pluralidade, a liberdade de consciência e o respeito à diversidade de crenças. Quando falha nisso, perde não apenas coerência institucional, mas legitimidade ética.

    Portanto, a defesa do psicólogo cristão não é uma defesa corporativa ou religiosa isolada. É uma defesa de princípios fundamentais: liberdade, isonomia e integridade profissional. E esses princípios não são negociáveis