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Categoria: GOSPEL

  • STF e crime organizado na mesma frase

    STF e crime organizado na mesma frase

    STF e crime organizado na mesma frase
    Foto oficial dos ministros do STF, com a composição atual completa Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

    Os ministros do STF reagiram com truculência após seus nomes constarem no relatório da CPI do Crime Organizado, com pedido de indiciamento. Toffoli ameaçou cassar os mandatos dos membros da CPI e torná-los inelegíveis. Gilmar Mendes foi além e protocolou pedido para que Gonet, da PGR, investigue Alessandro Vieira por abuso de autoridade.

    O curioso é que Gonet, responsável pela eventual investigação, também foi acusado pela CPI de prevaricação e compadrio com as irregularidades atribuídas aos ministros. Ou seja, quem investigará Vieira é justamente quem foi por ele acusado de não cumprir seu dever funcional ao deixar de apurar condutas de membros da Corte.

    Toda essa cena rocambolesca é, ao que parece, uma tentativa de os ministros lançarem uma cortina de fumaça sobre as acusações. O advogado Roy Cohn dizia que, na política, o ideal é sempre atacar, nunca admitir erro e sempre reivindicar vitória. Ao que tudo indica, os ministros parecem ter seguido esse manual.

    Mas não foi, propriamente, o conteúdo do relatório, com seus pedidos de indiciamento, o que verdadeiramente os incomodou. Ali, convenhamos, não há novidade relevante e o STF, há muito, deixou de se importar com o que pensa o Senado. O incômodo foi outro, mais profundo e menos confessável: o registro histórico.

    Pela primeira vez de forma explícita, “STF” e “crime organizado” passaram a coexistir na mesma frase. Não como insinuação de bastidores, não como retórica de redes sociais, mas como afirmação institucional destinada a permanecer na história da República.

    Ninguém esquece a Seleção Brasileira que perdeu de 7 a 1 para a Alemanha. Tampouco esquecerá a formação de uma Corte cujo nome foi associado ao crime organizado. Algo assim tende a permanecer na memória coletiva. E memória, em política, é poder. E, nesse terreno, o Supremo é mais vulnerável. Porque, ao contrário dos demais Poderes, sua legitimidade não deriva do voto, mas da confiança.

    Quando “STF” e “crime organizado” passam a dividir uma mesma frase em um documento oficial e na imprensa, o dano está na capacidade de gerar dúvida permanente. E a dúvida, além de manchar biografias de ministros, ao menos as que ainda podem ser manchadas, abre espaço para novas suspeitas, ampliando o desgaste e destruindo a legitimidade daqueles que já não demonstram possuir mais nenhuma condição moral para permanecer na Corte.

  • Debate sobre aborto volta ao centro das discussões no STF

    Debate sobre aborto volta ao centro das discussões no STF

    Debate sobre aborto volta ao centro das discussões no STF

    No último dia 31 de março, portanto há poucos dias, o partido de esquerda PSOL, em mais uma iniciativa que, segundo essa visão, contraria costumes cristãos pró-vida, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que não acolha um parecer da Procuradoria-Geral da República favorável à proibição da assistolia fetal como forma de interromper a gestação entre cinco e nove meses no país.

    Ainda no mês de março, o partido sugeriu à Corte que restabeleça a Resolução nº 2.378/2024 do Conselho Federal de Medicina, que impedia médicos de realizarem o feticídio após 22 semanas de gestação em casos de estupro. A norma, no entanto, está suspensa desde maio de 2024 por determinação do próprio ministro Alexandre de Moraes.

    Nesse cenário, o tema da defesa da vida desde a concepção volta a exigir atenção. Há o entendimento de que discussões como essa envolvem não apenas aspectos legais, mas também impactos profundos na vida de mulheres que enfrentam situações delicadas. Segundo essa perspectiva, experiências pós-aborto podem trazer consequências emocionais e psicológicas duradouras, especialmente para jovens.

    Diante disso, reforça-se a importância do acompanhamento atento desses debates e da valorização de políticas e ações voltadas à proteção da vida.

    Finalizo reafirmando o compromisso com a defesa da vida e pedindo a Deus que derrame suas bênçãos sobre todos os bebês rejeitados e amparados pela fé.

  • “Operação abafa” e confiança institucional abalada

    “Operação abafa” e confiança institucional abalada

    “Operação abafa” e confiança institucional abalada
    Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

    A recente decisão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS de rejeitar, por 19 votos a 12, o relatório que pedia a investigação de inúmeras pessoas envolvidas na lesão a milhões de brasileiros vulneráveis — aposentados que foram assaltados por quadrilhas que atuam dentro e fora do governo — revela um cenário preocupante. Somada a isso houve, também, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não prorrogar a CPMI. Desse modo, evidentemente, não se admite sequer que se investigue o que aconteceu nesse assalto a essa massa de vulneráveis no Brasil.

    Tal cenário impede uma investigação profunda e rigorosa sobre o desvio de recursos de uma vasta e fragilizada parcela da sociedade: os aposentados. Embora tenha o Governo Federal os tenha ressarcido, fê-lo com o dinheiro dos contribuintes e não com a devolução dos valores pelos que assaltaram.

    A imprensa também tem mostrado o escândalo do Banco Master com um prejuízo colossal para os brasileiros, estimado em mais de R$ 50 bilhões, com impacto direto sobre pequenos depositantes e a estabilidade do sistema financeiro. Tanto esse caso quanto as irregularidades no INSS ocorrem sob a gestão do presidente Lula e exigem uma apuração rigorosa em busca da verdade.

    Fachada do Banco Master, no Itaim Bibi, em São Paulo Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Contudo, o que testemunhamos é um processo de “abafa” nos Três Poderes. No Executivo, o governo orienta sua base aliada a engavetar relatórios com os nomes daqueles que deveriam ser investigados. É o presidente Lula, portanto, querendo “abafar” o escândalo do INSS. No Legislativo, a presidência do Senado evita as prorrogações necessárias. No Judiciário, o Supremo também barra a continuidade das apurações.

    Enquanto a imprensa exerce seu papel investigativo fundamental para mostrar o que está acontecendo no país, os Três Poderes parecem caminhar na direção oposta, procurando fazer com que não se conheçam nem se investiguem os fatos.

    Essa paralisia deliberada das instâncias de controle não apenas perpetua a impunidade, mas também sufoca o princípio da publicidade, essencial em qualquer democracia saudável. Quando os mecanismos de pesos e contrapesos — o checks and balances — deixam de funcionar para proteger o interesse público e passam a servir como blindagem política, o Estado de Direito entra em uma zona cinzenta, onde a conveniência dos governantes se sobrepõe ao rigor da lei.

    O reflexo disso é a nítida perda de confiança da população nos Três Poderes, como indicam pesquisas recentes que mostram que 60% da população não confiam no STF ou apenas 16% depositam plena confiança na Corte (Estadão e Folha). O Legislativo e o Executivo enfrentam índices igualmente baixos. Ora, o povo brasileiro é inteligente e informado: ele percebe a falta de transparência e deseja saber o que se esconde por trás desses escândalos, percebendo que há esse processo de “abafa”.

    Ao decidirem-se pelos sigilos e pelo não prosseguimento das investigações, de modo que não sejam conhecidos os pormenores do que realmente aconteceu, as Instituições alimentam a percepção de que a corrupção é real e de que houve algum tipo de cooptação generalizada. A impressão que resta é a de que as autoridades preferem conviver com a suspeita a enfrentar as provas robustas que uma investigação traria. Para elas, a verdade parece ser mais arrasadora do que a má reputação.

    Vale ressaltar, ainda, que esse cenário é trágico também para a imagem internacional do país no que diz respeito à corrupção. Segundo a Transparência Internacional, o Brasil ocupa a 107ª posição em um ranking de 180 países, o que significa que 106 nações são consideradas menos corruptas que a nossa.

    Sempre defendi e continuo defendendo a idoneidade dos ministros da nossa Suprema Corte. Aqueles que acompanham meus artigos e redes sociais sabem que jamais fiz considerações negativas sobre a integridade de seus membros. Justamente por isso, acredito que a iniciativa de investigar a fundo todos esses casos, tanto do INSS quanto do Banco Master, deve partir de nossa Corte Excelsa. É fundamental que não restem suspeitas que venham a macular ou desfigurar a imagem do Supremo, como ocorre atualmente com os Poderes Executivo e Legislativo.

    Minha esperança é que surjam respostas claras para que o STF retome o prestígio de que desfrutava no passado. Enquanto persistir a percepção de que existe uma “operação abafa”, a opinião pública será negativa. A queda acentuada na credibilidade dos Três Poderes, atestada pelas pesquisas, prejudica a democracia brasileira e o projeto de construção de uma nação na qual as instituições trabalhem estritamente no interesse do povo, e não em benefício próprio.

    Para encerrar essa reflexão, reproduzo aos amigos uma citação que utilizei durante recente palestra no 1º Congresso da Academia Paulista de Letras Jurídicas (APLJ). A frase, atribuída ao poeta e dramaturgo francês Jean de Rotrou (1609-1650), é frequentemente lembrada para ilustrar o cinismo na busca pelo poder absoluto: “Todos os crimes são belos quando o trono é o preço”. A expressão sugere que, para alcançar ou manter-se no poder, qualquer ação, por mais imoral ou criminosa que seja, é justificada.

  • Julgamento no STF pode mudar as regras da gratuidade na Justiça do Trabalho

    Julgamento no STF pode mudar as regras da gratuidade na Justiça do Trabalho

    Julgamento no STF pode mudar as regras da gratuidade na Justiça do Trabalho
    Ministro Edson Fachin, presidente do STF Foto: Carlos Moura/SCO/STF

    O Supremo Tribunal Federal concluiu, na sessão virtual encerrada em 13 de abril, a votação da ADC 80, que discute os critérios para concessão da justiça gratuita na Justiça do Trabalho. O placar foi de 5 a 1, mas o julgamento ainda não está encerrado.

    O ministro Edson Fachin, relator do caso, pediu destaque. Com isso, a votação é zerada, e o processo será levado ao plenário físico.

    O resultado virtual, no entanto, já indica o que pode vir pela frente.

    O QUE O STF JÁ DECIDIU (E AINDA PODE MUDAR)

    A maioria formada pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli propôs uma reformulação completa das regras atuais. Os pontos centrais são:

    – O critério de 40% do teto do INSS, hoje em torno de R$ 3.262, foi considerado inconstitucional. No lugar, a maioria propõe um novo parâmetro: quem recebe até R$ 5 mil mensais teria presunção relativa de hipossuficiência, ou seja, não precisaria comprovar, de imediato, a impossibilidade de arcar com as custas. Acima desse valor, a comprovação passa a ser obrigatória.

    – O juiz, mesmo diante de quem ganha menos de R$ 5 mil, poderá negar o benefício caso identifique patrimônio ou renda familiar incompatíveis com a alegada condição. Nesse caso, o ônus da prova permanece com quem solicita a gratuidade.

    A maioria também propôs derrubar a Súmula 463, I, do TST, e estender essas regras a todos os ramos do Judiciário, não apenas à Justiça do Trabalho. Os efeitos valeriam somente para processos ajuizados após a publicação da decisão final.

    O PLACAR ERA 5 A 1; O JULGAMENTO FOI ZERADO. ENTENDA POR QUÊ
    Edson Fachin votou sozinho pela manutenção das regras atuais, defendendo que a autodeclaração de hipossuficiência é suficiente para garantir o benefício. Ao pedir destaque, ele retira o caso do ambiente virtual e o leva ao plenário presencial, onde o julgamento será reiniciado.

    O placar virtual não tem efeito vinculante. Portanto, o julgamento recomeça do zero.

    Ainda assim, cinco ministros já sinalizaram a mesma posição. A tendência está delineada, embora a decisão final ainda não tenha sido formalizada.

    O QUE MUDA NA PRÁTICA: QUEM PERDE E QUEM GANHA
    Hoje, qualquer trabalhador pode declarar hipossuficiência e obter a gratuidade quase automaticamente. Se o entendimento da maioria prevalecer, quem ganha acima de R$ 5 mil precisará apresentar documentos que comprovem a impossibilidade de arcar com as custas.

    Mesmo abaixo desse valor, a presunção passa a ser relativa, e não absoluta.

    Para as empresas, a possível mudança traz mais segurança jurídica para contestar pedidos de gratuidade que não correspondam à realidade financeira do trabalhador. Para trabalhadores em situação de vulnerabilidade, o novo patamar de R$ 5 mil pode representar um critério mais amplo do que o limite atual de R$ 3.262.

    A decisão final ainda não foi tomada, mas o sinal já foi dado.

  • Dia da Memória do Holocausto de 2026

    Dia da Memória do Holocausto de 2026

    Dia da Memória do Holocausto de 2026
    Museu Memorial do Holocausto Yad Vashem Foto: EFE/EPA/ABIR SULTAN

    Quando entrei na Sala das Crianças do Yad Vashem, havia uma escuridão. Não a escuridão do medo, mas a que nos convida ao recolhimento absoluto. Não há vitrines, nem objetos, nem fotografias expostas de forma comum. Há apenas velas – velas que um espelho infinito multiplica em milhares de minúsculas luzes tremeluzentes.

    O que me trespassou não foi apenas a dor. Foi a consciência de que, ao sair dali para a luz do sol, eu carregava o dever de não deixar que aqueles nomes se perdessem no esquecimento.

    Esta é a premissa que orienta o tema central do Dia da Memória do Holocausto de 2026, intitulado A Família Judaica durante o Holocausto. A reflexão proposta pelos organizadores transcende a habitual contagem de vítimas e convida a uma análise mais subtil: como é que o núcleo doméstico foi transformado em alvo prioritário de aniquilação e, paradoxalmente, em alicerce da sobrevivência?

    Estudos históricos demonstram que o regime de Hitler atacou deliberadamente as relações intergeracionais. Nos guetos superlotados, a fome e as condições degradantes esvaziaram de sentido os papéis tradicionais – pais que já não podiam proteger, avós que já não transmitiam heranças culturais. Nas rampas de seleção dos campos, a separação forçada de crianças e idosos representou uma forma de extermínio social que precedia a morte física. Conforme registrado na literatura especializada, a destruição dos laços familiares não foi um efeito colateral, mas uma finalidade em si mesma do genocídio.

    Contudo, a investigação sobre o período imediatamente posterior à guerra revela um fenômeno notável. Os sobreviventes que emergiram dos campos de concentração e dos esconderijos dedicaram uma energia descomunal à localização de parentes dispersos. Anúncios em jornais, redes de assistência judaica e centros de rastreamento instalados nos chamados campos de pessoas deslocadas (DP camps) tornaram-se instrumentos de uma verdadeira arqueologia afetiva.

  • Plurais: Pequenos detalhes, grandes tropeços

    Plurais: Pequenos detalhes, grandes tropeços

    Plurais: Pequenos detalhes, grandes tropeços
    O plural de degrau é degraus (Imagem ilustrativa) Foto: Freepik

    Dia desses fui ao médico e entrei no prédio onde fica o consultório pela garagem. Foi a primeira vez que passei por lá e, rapidamente, quis saber como poderia acessar o elevador. Pedi ajuda ao manobrista, e ele me respondeu: “É fácil! A senhora sobe aqueles degrais, abre a porta da esquerda e vai chegar ao elevador.”

    Claro que ouvi os “degrais” do moço e não o corrigi. Mas, na hora, pensei: “Isso vai virar coluna para o Pleno.News…”

    E aí, eu pergunto: você também se embanana com alguns plurais? Então, se isso já aconteceu, preste atenção, porque, no texto desta semana, a ideia é ajudá-lo nessa questão.

    Vamos começar com o plural das palavras terminadas em “u”. A regra é simples: basta acrescentar o “s”. Então: degrau – degraus; troféu – troféus; baú – baús; réu – réus.

    Muita gente boa acha que o plural de réu é réis. Não é. Réis é o nome de uma antiga moeda brasileira. Fique esperto, sim?

    Agora, as palavras terminadas em “l” pedem um pouco mais de atenção, porque aqui temos duas regras.

    Quando terminadas em -al, -el, -ol e -ul, substitui-se o “l” por “is”. Assim: varal – varais; papel – papéis; lençol – lençóis; azul – azuis.

    Mas vamos complicar um pouquinho? E o plural da palavra gol. Você sabe?

    Gol foge à regra, pois vem de “goal”, no inglês, e tem três plurais. Olha só: gols – a forma mais conhecida; goles – raramente utilizada; gois – segue a regra e também está registrada nos dicionários, mas quase ninguém usa.

    Mas note: a segunda regra para palavras terminadas em “l” diz respeito àquelas terminadas em “il”.

    Assim, quando forem oxítonas — ou seja, quando a sílaba tônica for a última —, trocamos o “il” por “is”. Então: canil – canis; fuzil – fuzis.

    E, quando forem paroxítonas — isto é, quando a sílaba tônica for a penúltima —, trocamos “il” por “eis”. Logo: réptil – répteis; fóssil – fósseis.

    E quando terminam em “r, “z” e “s” a regra também não é das mais difíceis: basta acrescentar “es”. Olha só: mulher – mulheres; raiz – raízes; português – portugueses.

    No entanto, há um pequeno detalhe: quando as palavras terminadas em “s” são paroxítonas — ou seja, quando a sílaba mais forte está na penúltima —, elas ficam exatamente iguais no plural. É o caso de lápis, atlas, pires, ônibus, vírus. Um alívio, convenhamos…

    Seguindo, chegamos às palavras terminadas em “m”. Aqui, também não há mistério: o “m” dá lugar ao “ns”. Portanto: garagem – garagens; jardim – jardins; bombom – bombons.

    Já as terminadas em “n” vivem uma espécie de “dupla personalidade”, pois admitem duas formas no plural. Pólen pode ser polens ou pólenes; hífen pode ser hifens ou hífenes; e abdômen, abdomens ou abdômenes. Sim, o português permite… e cada um escolhe a forma que soar melhor ao ouvido.

    E, para fechar o assunto de hoje, temos as terminadas em “x”. Aqui, a regra é quase preguiçosa: nada muda; apenas o artigo indica o plural. Então: o tórax, os tórax; o látex, os látex; o ônix, os ônix.

    Bom… por ora é só. Prometo voltar, em breve, com plurais um pouquinho mais complicados.

    Espero ter ajudado. Um abraço e até a próxima!

  • Entre alertas e fé: Os desafios espirituais do mundo atual

    Entre alertas e fé: Os desafios espirituais do mundo atual

    Entre alertas e fé: Os desafios espirituais do mundo atual

    Eu sempre afirmei que a grande ameaça ao mundo nos próximos 100 anos seria a proliferação do fundamentalismo islâmico radical, que não admite controvérsias, mas exige a submissão total de todas as crenças ao islamismo. Segundo essa visão, há a previsão de que toda a Europa e os Estados Unidos se convertam ao islamismo nas próximas décadas.

    Agora, no Japão, milhares de pessoas têm saído às ruas em protesto contra a construção de uma enorme mesquita ao lado do Santuário Xintoísta de Samukawa Shrine. Para muitos, não se trata de adesão, mas de invasão. Há relatos de que, com o tempo, grupos passam a exigir tributos da população nativa, inclusive com ameaças.

    Ao longo da história do mundo, sempre existiram dominações políticas, mas, em muitos casos, foi possível manter a liberdade religiosa. O que não teria ocorrido, segundo essa visão, em contextos de domínio islâmico mais radical, onde prevalece a ideia de intolerância aos que não compartilham da mesma fé.

    Graças a Deus, em nosso país, as tradições judaico-cristãs estão profundamente enraizadas, o que torna mais difícil qualquer tipo de influência externa nesse sentido. Ainda assim, é necessário orar e vigiar, pois o inimigo age de forma sorrateira.

    Finalizo pedindo a Deus que nunca deixe apagar a luz da fé do povo brasileiro e que derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre o nosso país.

  • Vinte anos depois: O preço de um projeto

    Vinte anos depois: O preço de um projeto

    Vinte anos depois: O preço de um projeto
    Janja, Lula e Gleisi Foto: Ricardo Stuckert

    Se houve uma obra consistente ao longo de duas décadas de Partido dos Trabalhadores, foi a de transformar a política em um mecanismo de autoperpetuação travestido de justiça social. Sob o verniz moral de redenção histórica, ergueu-se uma máquina em que o Estado deixou de ser instrumento da sociedade para se tornar patrimônio de um projeto de poder. Escândalos não foram desvios — foram método. E a retórica da virtude serviu, repetidas vezes, como escudo para práticas que, em qualquer outra circunstância, seriam chamadas pelo nome correto: abuso, aparelhamento e corrupção.

    A economia, por sua vez, foi tratada como território ideológico, não como realidade concreta. Intervenções desastrosas, irresponsabilidade fiscal e populismo travestido de política pública produziram crescimento artificial seguido de ressaca prolongada — sempre paga pelo cidadão comum. A promessa de prosperidade virou inflação, endividamento e perda de confiança. E ainda assim, diante dos resultados, insistiu-se na narrativa de que o problema jamais era o modelo, mas sempre “o outro”: o mercado, a imprensa, a oposição, qualquer um que ousasse apontar o óbvio.

    O mais inquietante, contudo, não foi apenas o que se fez, mas o que se normalizou. A erosão de padrões éticos, a relativização constante do certo e do errado, e a ideia de que fins supostamente nobres justificam qualquer meio. Vinte anos depois, o legado mais duradouro talvez não esteja nas obras ou nos números, mas na cultura política que ficou: uma em que o poder se protege, a responsabilidade se dilui e a verdade se negocia. E isso, mais do que qualquer crise econômica, é o que cobra o preço mais alto de uma nação.

  • Como Israel remodelou sua guerra com o Irã?

    Como Israel remodelou sua guerra com o Irã?

    Como Israel remodelou sua guerra com o Irã?

    No complexo tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, a definição de “vitória” raramente se encaixa em moldes binários. A recente campanha militar da coalizão EUA-Israel contra o Irã ilustra precisamente essa nuance estratégica. Não se tratou de um triunfo absoluto nos termos clássicos, mas de uma reconfiguração profunda do equilíbrio de poder regional.

    Israel não alcançou todos os seus objetivos de guerra contra o Irã, mas emergiu mais seguro, com seu inimigo mais feroz gravemente enfraquecido e o equilíbrio regional mudando a seu favor.

    É fundamental começar com honestidade analítica: Israel não eliminou todas as capacidades nucleares iranianas. Estima-se que cerca de 460 quilos de urânio enriquecido permaneçam enterrados sob instalações montanhosas fortificadas, fora do alcance mesmo dos mais avançados sistemas de penetração israelenses.

    Da mesma forma, o regime teocrático de Teerã continua no poder — um objetivo implícito, ainda que raramente declarado oficialmente, por parte de alguns estrategistas israelenses. Contudo, focar exclusivamente no que não foi alcançado é ignorar a transformação estratégica que efetivamente ocorreu.

    A campanha israelense conseguiu cortar drasticamente os “tentáculos” do polvo iraniano que cercavam Israel: o Hezbollah, no Líbano, foi desarmado em grande parte de seu arsenal de precisão e viu sua cadeia de comando decapitada; milícias pró-Irã na Síria e no Iraque sofreram golpes severos; e a própria estrutura de comando militar e de inteligência iraniana foi abalada por eliminação de figuras-chave.

    A métrica mais relevante para avaliar o sucesso estratégico não é a perfeição tática, mas a redução concreta de ameaças existenciais. Sob esse prisma, o resultado é inegável: Israel enfrenta hoje menos ameaças significativas do que antes da operação.

  • O Brasil que “eles” não querem que você veja

    O Brasil que “eles” não querem que você veja

    O Brasil que “eles” não querem que você veja
    Caminhada pela anistia em Brasília Foto: EFE/ Andre Borges

    Eu tenho dito, repetido e, se preciso for, continuarei dizendo: o Brasil vive uma inversão moral escancarada. Neste país, quem deveria ser investigado é blindado; e quem deveria ser protegido é transformado em inimigo do Estado.

    É dentro desse cenário que, no próximo dia 30 de abril, conforme anunciou o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, teremos a votação do veto à dosimetria. Traduzindo para quem não circula nos corredores de Brasília, trata-se de uma tentativa, ainda tímida e insuficiente, de corrigir penas absurdamente desproporcionais impostas a brasileiros que, desde os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, vêm pagando uma conta pesada demais.

    Sempre fui claro sobre a minha posição. Defendo anistia total, ampla e irrestrita. Não por cálculo político, mas por senso de justiça. No entanto, sei exatamente como o sistema opera. Admitir anistia seria reconhecer excessos e desmontar uma narrativa cuidadosamente construída e protegida por setores do governo Lula e por integrantes do Supremo Tribunal Federal. E isso, para eles, não é uma opção, é um risco que não estão dispostos a correr.

    Enquanto isso, o Brasil real segue sendo varrido para debaixo do tapete. Escândalos envolvendo o INSS, que atingem diretamente idosos e pensionistas, passam quase despercebidos. Denúncias que tangenciam figuras próximas ao poder, como Fábio Luís Lula da Silva e Frei Chico, respectivamente filho e irmão do presidente da República, mal encontram espaço. E o que dizer das suspeitas que orbitam o chamado “caso Banco Master”? Um enredo que, segundo relatos, envolve autoridades de diversos níveis, do Legislativo ao Judiciário, mas que, curiosamente, não desperta o mesmo ímpeto investigativo.

    É aí que a distorção fica evidente e revoltante. Enquanto os “intocáveis” são protegidos, o cidadão comum é esmagado. Condenações de 14, 16 anos. Tornozeleiras. Vidas interrompidas. Famílias destruídas. Não se trata apenas de justiça desigual; trata-se de um sistema que escolhe quem pode cair e quem jamais será alcançado.

    E, como se o roteiro já não fosse previsível o suficiente, surge a figura emblemática de Jorge Messias, o “Bessias” que simbolizou os bastidores mais controversos do poder no governo de Dilma Rousseff. Hoje, reaparece com Bíblia na mão, circulando pelo Senado, em busca de viabilidade para uma vaga no Supremo. A pergunta não é retórica, é necessária: estamos diante de um candidato a magistrado ou de mais um operador político sendo reposicionado no tabuleiro?

    O Brasil precisa ser passado a limpo, mas não com discursos seletivos nem com uma justiça moldada conforme o réu. O país precisa de coragem para enfrentar os verdadeiros esquemas, aqueles que têm nome, sobrenome, cargo e influência.

    Enquanto essa coragem não se impõe, resta fazer o mínimo e aliviar o sofrimento de quem está pagando sozinho por uma conta que não contraiu. A derrubada desse veto está longe de ser o ideal, muito longe, mas pode representar um respiro. Um alívio temporário. Um raro gesto de humanidade em meio a um sistema que, há muito tempo, deixou de tratar todos como iguais