Geralmente, costuma-se dizer: “deixa pra lá”. Já passou, e pronto. E a pessoa que deu causa à ignomínia se disfarça e se confunde entre o normal.
Refiro-me ao jornalista de uma afiliada da Globo no interior de São Paulo, que se referiu à Bíblia Sagrada de forma desairosa, com palavras de baixo calão, e acabou viralizando na internet.
Sou legislador e sei do peso de palavras mal colocadas e das sanções a elas correlatas. Quando um religioso se refere ao uso de entidades do mal para rituais malignos, assistimos a autoridades agindo com rigor desmedido e interpretações elásticas para pressionar quem somente tem a intenção de fomentar o bem.
Geralmente, o mesmo não se vê com quem, de forma jocosa, vai contra as tradições do nosso povo ordeiro, cristão e conservador.
Não nos calaremos diante do mal feito em relação aos nossos símbolos sagrados. Cumpriremos nosso dever de denunciar.
Finalizo pedindo a Deus forças e sabedoria para enfrentar as forças do mal. Que Ele derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre todo o povo brasileiro.
O Estado Democrático de Direito assegura a todos a liberdade de consciência e de crença. Isso inclui, por óbvio, o direito de não professar fé alguma, de ser ateu, agnóstico e até mesmo de tecer críticas ácidas às instituições religiosas.
Ninguém é obrigado a seguir a fé cristã ou a considerar a Bíblia como a Palavra de Deus. No entanto, o que separa a crítica legítima da criminalidade é o vilipêndio hostil, ou seja, o ato de ser intolerante, ultrajar, escarnecer e agredir, gratuitamente, o sentimento religioso alheio!
Recentemente, fomos confrontados com um episódio de intolerância visceral protagonizado pelo jornalista José Carlos Magdalena. Em pleno exercício de sua profissão, durante o programa Bastidores, na rádio EP FM Araraquara (afiliada da Globo na região), ele utilizou o microfone para destilar um desprezo rasteiro contra o livro sagrado do Cristianismo.
Ao dizer frases como “A Bíblia é o cacete!”, chamá-la de “livrinho idiota” e compará-la a fezes, o comunicador não estava meramente exercendo seu direito de crítica, mas estava cometendo, em tese, um crime previsto no Artigo 208 do Código Penal.
Neste sentido, existe um abismo entre dizer “não concordo com os preceitos bíblicos” e afirmar que “a religião é demoníaca e deveria ser banida da sociedade”. A primeira frase é uma opinião protegida e legítima.A segunda, por sua vez, é um discurso de ódio que busca a extirpação social de um grupo.
Ademais, cabe destacar que o ataque desferido pelo jornalista não é um fato isolado, mas a reiteração de um padrão que já havíamos exposto aqui no Pleno.News. Trata-se da mesma linha de intolerância observada na conduta de Eduardo Bueno, o ‘Peninha’, que sustentou a criminosa e antidemocrática tese de que evangélicos deveriam ser impedidos de votar (leia aqui).
É impossível não notar a seletividade desse tipo de ataque. Se tais impropérios tivessem sido proferidos contra símbolos de outras religiões ou contra pautas identitárias caras à patrulha woke, o cancelamento seria imediato, a demissão seria sumária e a responsabilização criminal seria exigida em coro pela grande mídia. Por que contra os cristãos o ódio é tolerado como se fosse “liberdade de expressão”?
Para além da esfera da fé, atacar a Bíblia com tamanha ignorância revela uma profunda carência de formação intelectual. Ora, a Bíblia não é apenas um livro religioso, é uma das fontes primordiais do Direito Ocidental e o alicerce da nossa civilização. Os conceitos de dignidade da pessoa humana, justiça social e igualdade perante a lei bebem diretamente da fonte das Escrituras.
Até mesmo mentes declaradamente ateias reconhecem essa magnitude. O historiador Leandro Karnal, em uma reflexão cirúrgica sobre o tema, certa feira pontuou:
“Bíblia: Livro formador do pensamento ocidental. Sem ela quase nada faz muito sentido, da Capela Sistina ao Caim de Saramago. Não é religioso? Aprenda que o seu gosto é irrelevante na formação do mundo ocidental. Tem ojeriza a textos religiosos? Você será pó e a Bíblia continuará a ter muita influência no mundo mil anos depois que seu sobrenome tiver virado fumaça nas brumas do tempo. Formação não é preferir coca zero com gelo ou só limão. Formação é processo de diálogo denso e árduo com as bases do mundo.”
Juridicamente, como bem destacou a Frente Parlamentar Evangélica em nota de repúdio (leia aqui), e conforme as previsões da Lei Estadual de Liberdade Religiosa de São Paulo (Lei Nº 17.346/2021), de autoria da Deputada Estadual Damaris Moura, a proteção ao sentimento religioso não é um privilégio de casta, mas uma salvaguarda da paz pública. De modo que o vilipêndio pode atrair sanções que vão de multas administrativas vultosas à reclusão (Art. 208, CP).
Portanto, não podemos permitir que o silêncio seja o cúmplice da intolerância. O respeito ao sagrado é o que garante que possamos viver em uma sociedade plural. Se hoje permitimos que a Bíblia seja tratada como “lixo” em rede nacional, amanhã não haverá direito algum que esteja seguro contra a fúria dos intolerantes. A democracia exige o direito de divergir, mas a civilidade exige o dever de respeitar!
Em meio a um cenário crescente de tensões entre liberdade religiosa e regulamentação profissional no Brasil, o senador Magno Malta (PL-ES) protagoniza um movimento político de grande relevância ao instituir a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos.
A iniciativa surge como resposta a uma realidade que já não pode mais ser ignorada: psicólogos têm sido alvo de notificações, processos ético-disciplinares e constrangimentos institucionais não por falhas técnicas, mas por expressarem publicamente sua fé, especialmente no ambiente das redes sociais. O próprio texto que fundamenta a criação da Frente reconhece a existência de “registros concretos” desse tipo de situação.
Com forte embasamento constitucional, a proposta liderada por Magno Malta reafirma princípios fundamentais garantidos pela Constituição Federal, como a liberdade de consciência e de crença, além da dignidade da pessoa humana. O documento também chama atenção para o risco de normas administrativas ultrapassarem seus limites legais ao restringir indevidamente direitos fundamentais no exercício da profissão.
Mais do que uma iniciativa simbólica, a Frente Parlamentar nasce com objetivos claros e estratégicos: acompanhar e fiscalizar a atuação de conselhos profissionais, combater medidas normativas desproporcionais, promover o debate sobre os limites do poder regulamentar dessas entidades e assegurar que o exercício da Psicologia esteja em harmonia com os direitos fundamentais.
Nesse contexto, um movimento de grande significado reforça ainda mais a seriedade e o alcance da proposta. O senador Magno Malta me convidou para atuar como assessora da Frente Parlamentar.
FRENTE PARLAMENTAR
Reconhecida nacionalmente por minha atuação na defesa da liberdade religiosa e dos direitos dos psicólogos cristãos, passo a integrar essa iniciativa em um papel estratégico, contribuindo com minha experiência técnica, conhecimento da área e vivência direta das tensões enfrentadas por profissionais da psicologia no Brasil.
Recebo esse convite não apenas como um reconhecimento da minha trajetória, mas também como um indicativo claro de que a Frente Parlamentar busca dialogar com quem conhece, na prática, os desafios enfrentados pela categoria.
A proposta também destaca um ponto central desse debate: a religiosidade não pode ser tratada como elemento dissociado da identidade humana. Segundo o próprio documento, exigir que o profissional abandone ou oculte sua fé configura uma “fragmentação artificial da personalidade”, incompatível com os direitos fundamentais.
Ao liderar essa iniciativa, Magno Malta reposiciona o debate no campo institucional, retirando-o do ambiente de silenciamento e trazendo-o para o centro das discussões democráticas. Trata-se de uma ação que não busca relativizar a ética profissional, mas impedir que ela seja utilizada como instrumento de restrição indevida de direitos.
O Brasil é um Estado laico, mas não antirreligioso. E é justamente essa distinção que a Frente Parlamentar pretende reafirmar: a de que a liberdade religiosa não é concessão, mas garantia constitucional.
A criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos, sob a liderança do senador Magno Malta e com a minha participação, marca um novo momento no país: um momento em que a liberdade de crença volta a ocupar o espaço que lhe é devido, o de direito fundamental, inviolável e inegociável.
A recente tentativa de um cessar-fogo no oriente médio durou apenas algumas horas, e com isso acabou reacendendo uma das regiões mais sensíveis do planeta. O que parecia um alívio virou mais um grave alerta. Caso um acordo de paz não seja efetivado, entenda a seguir, como o cenário pode caminhar rapidamente para consequências em cadeia.
O primeiro impacto é direto: o petróleo dispara e arrasta toda a economia junto. Combustível caro eleva transporte, produção e pressiona todos os preços. Em questão de meses, o mundo pode sentir o peso dessa guerra no bolso. Se as zonas de produção de energia colapsam, todo o mundo também começa a ruir.
Na sequência, vem a crise alimentar, silenciosa e devastadora. Com energia cara, fertilizantes e logística entram em colapso, encarecendo a produção de alimentos. O risco de escassez cresce e as prateleiras vazias deixam de ser teoria. Um cenário que ecoa diretamente os alertas bíblicos sobre tempos de falta.
Com o caos econômico instalado, o conflito tende a escalar para uma guerra regional ampliada. Israel intensifica ações, os Estados Unidos entram mais pesados e aliados do Irã reagem. O Oriente Médio volta a ser o epicentro de uma possível terceira guerra mundial.
Por fim, em meio ao medo global, abre-se espaço para soluções centralizadas e controle mais rígido, assim como também a ameaça de ataques cibernéticos contra bancos e sistemas financeiros. Em suma, uma crise global criará o ambiente perfeito para a imposição de novas regras e situações de dependência, tendo como efeito uma fatídica perda da nossa liberdade.
Foto oficial dos ministros do STF, com a composição atual completa Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF
Em um Estado democrático de Direito, é necessário punir ilegalidades. Há duas formas: o Estado ter boas leis e autoridades que cumpram seu dever com independência; e a imprensa ser livre e vigilante.
As instituições e autoridades são o carro. A imprensa e a opinião pública, a gasolina. Sem gasolina, o carro não anda. Sem carro, a gasolina não serve para nada.
No caso Master, que se tornou o epicentro de uma crise inédita — protagonizada pelo Supremo Tribunal Federal —, a gasolina existe, e em abundância. Não apenas a imprensa independente, mas também setores relevantes da grande imprensa passaram a atuar de forma crítica e investigativa. Há informação, há pressão, há exposição.
Mas não há carro. O STF expandiu sua influência de tal forma nos últimos anos que acabou submetendo as presidências da Câmara, do Senado e a Procuradoria-Geral da República. Todos como vassalos da Corte, omitindo-se das funções de fiscalizar a lei, de investigar ministros e de fazer valer o interesse público.
Temos a gasolina, mas não temos o carro. E é essa sensação de total impotência diante dos absurdos sem punição, revelados cotidianamente sobre ministros do STF, que desanima a sociedade e que, ao mesmo tempo, encoraja a Corte a se perceber blindada, ainda que nua, como disse recentemente um velho político petista, expert em escândalos.
Na encruzilhada em que nos encontramos, não há como “virar a página” e seguir em frente como se nada houvesse. Não há como saber-se traído continuamente e fingir que o casamento é saudável. A mais alta Corte judicial do país tem membros acusados — ainda que não formalmente — de corrupção. Democracias não sobrevivem à normalização de algo dessa natureza.
Se a gasolina continuar sendo produzida sem um carro que lhe dê vazão, sem canais institucionais que atendam a seus anseios, duas consequências possíveis passam a se desenhar e ambas são terríveis.
A primeira é o bloqueio da própria gasolina: a censura à imprensa e a formalização de uma ditadura da toga. Algo que, embora já se manifeste informalmente na prática, ainda não foi institucionalizado.
A segunda é a convulsão social. A energia acumulada da opinião pública, sem válvulas institucionais de escape, tende a se manifestar de forma explosiva.Algo assim ocorreu, de forma relativamente pacífica, em 2013, no Brasil, e, de forma trágica, na história recente do Nepal.
A blindagem contínua do STF deve servir, portanto, como alerta. É necessária uma saída institucional que permita investigar, julgar e, se for o caso, punir ministros envolvidos no caso Master. É imprescindível fazer o carro funcionar. Do contrário, o que nos espera é um completo caos.
Deus toma conta de tudo. Uma guerra odiosa, que poderia se arrastar por muito tempo, a dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, foi interrompida por uma trégua.
Não importa o motivo da trégua ou quem deu início a ela. O importante é que as hostilidades cessaram. Por orgulho, o Irã diz ao seu público interno que saiu vitorioso, mas o mundo sabe a realidade: ninguém vence a maior força militar do mundo, os Estados Unidos, que não reduziram seu inimigo a cinzas em respeito ao povo ordeiro do Irã, que também é vítima do regime dos aiatolás, responsáveis por massacrar seu próprio povo a qualquer indício de manifestação.
Reduzir uma nação a cinzas, lançando-a à Idade da Pedra, seria terrível para os cidadãos de bem. Portanto, esse cessar-fogo foi providencial e dará tempo para uma recomposição. Com a abertura do Estreito de Ormuz, a navegação se normalizará e a vida continuará, o que fará bem para todos.
Mais uma vez, as forças do bem, em uma coalizão judaico-cristã com o apoio de islamitas moderados, que também foram atacados, conseguiram proporcionar uma paz tão necessária a um mundo conturbado, distanciado dos ensinamentos de Cristo: “Amai-vos uns aos outros”, algo tão presente no coração das pessoas de bem.
Finalizo agradecendo a Deus por Sua promessa em João 14:27: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. Que Deus derrame as mais escolhidas bênçãos celestiais sobre todo o Oriente Médio.
No último dia 6 de abril, foi publicada a Lei nº 15.377/2026, que altera a CLT para determinar que empresas disponibilizem informações sobre campanhas oficiais de vacinação, HPV e cânceres de mama, colo do útero e próstata a seus empregados.
Bastaram algumas horas para os comentários na internet esquentarem. No Instagram, um seguidor do Pleno.News reagiu assim: “Mais um encargo para o empresário. Preocupar com a caderneta de vacinação de um monte de marmanjo.”
Outras dúvidas apareceram na sequência: “Detectar câncer? Que exame é esse?” “Não quero patrão mandando no meu corpo.”
Postagem do Pleno.News sobre o assunto
Na prática, o que esses comentários revelam é algo que vejo com frequência no meu trabalho como advogada empresarial: a desinformação sobre direito do trabalho no Brasil é grande, e ela prejudica tanto o trabalhador quanto o empresário.
Por isso, minha intenção neste artigo é esclarecer o que a Lei nº 15.377/2026 realmente diz, o que muda na prática e o que é, simplesmente, fake news.
Empresas terão que fiscalizar a caderneta de vacinação dos colaboradores?
Não. Essa afirmação é fake news.
A lei não cria nenhuma obrigação de controle, cobrança ou fiscalização sobre o histórico vacinal de ninguém. O que ela determina é que a empresa disponibilize informações sobre campanhas oficiais de vacinação. Informar é diferente de fiscalizar. A empresa comunica. O trabalhador decide.
Aliás, empresas já fazem isso rotineiramente com dezenas de outros temas: campanhas de saúde mental, prevenção de acidentes, programas de qualidade de vida. A lei apenas inclui mais um tema nesse rol de comunicação interna que o RH já conhece bem.
Que exame de câncer é esse? O que é o HPV e o que tem a ver com o Papanicolau?
O HPV é uma infecção sexualmente transmissível comum que, em determinados casos, pode evoluir para cânceres. O Papanicolau, o popular “preventivo”, é o exame que rastreia alterações celulares causadas pelo HPV antes que se tornem um problema grave. Para os homens, os exames de rastreamento de câncer de próstata incluem o PSA e o toque retal.
São exames simples, acessíveis pelo SUS e que salvam vidas quando feitos regularmente. O problema é que muita gente adia por não conseguir faltar ao trabalho sem prejuízo financeiro. É exatamente nesse ponto que a nova lei atua.
Quem deve se vacinar contra o HPV?
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo SUS, mas com critérios definidos pelo Ministério da Saúde: meninas e meninos de 9 a 14 anos, pessoas imunossuprimidas ou vítimas de violência sexual até 45 anos.
A maioria dos trabalhadores adultos não se enquadra nesses critérios. Para essa parcela, o que a lei promove na prática é o acesso à informação sobre os exames preventivos, o principal instrumento de detecção precoce disponível para quem já passou da faixa etária da vacinação.
O que muda para as empresas na prática com a Lei nº 15.377/2026?
As empresas passarão a incluir nos seus canais internos de comunicação informações sobre vacinação, HPV e os cânceres previstos na lei, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.
A mudança mais concreta está no art. 473 da CLT: o trabalhador agora pode faltar para realizar exames preventivos sem desconto no salário. Essa ausência passa a ser falta justificada por lei. Para o RH, isso significa atualizar políticas internas e garantir que nenhum desconto indevido seja aplicado.
Dito isso, vale, enfim, ressaltar que a Lei nº 15.377/2026 não invade a vida privada de ninguém. Ela remove um obstáculo: o medo de perder o dia de trabalho na hora de cuidar da saúde. Diagnóstico precoce salva vidas, e uma falta justificada pode ser a diferença entre um tratamento simples e um quadro avançado.
Bandeira nacional do Irã está enrolada em uma estátua em Teerã Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
No dia 7 de abril, sob mediação do Paquistão, EUA e Irã firmaram um cessar-fogo de duas semanas, com negociações previstas para 10 de abril em Islamabad. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, atuou como principal articulador, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, coordenou-se por telefone. Os chanceleres do Egito e da Turquia também participaram, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, convenceu a Guarda Revolucionária a aceitar os termos.
O Irã apresentou um conjunto abrangente de exigências: garantia de fim permanente da guerra com compromisso de que EUA e Israel não promoveriam novos ataques; revogação total de todas as sanções primárias e secundárias; extinção de resoluções condenatórias do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA; pagamento de reparações ao Irã; retirada das forças americanas da região; e cessação das operações israelenses contra o Hezbollah no Líbano e demais aliados do chamado “Eixo de Resistência”. Ademais, Teerã propôs a cobrança de uma taxa sobre navios que transitassem pelo Estreito de Ormuz, cuja receita seria dividida com Omã e destinada à reconstrução pós-conflito.
O acordo será consagrado por resolução do Conselho de Segurança da ONU. Não está claro se os EUA aceitaram as exigências iranianas. O plano de dez pontos é preliminar, enquanto a contraproposta americana de quinze pontos – equivalente a uma capitulação iraniana – também estará sobre a mesa.
Como ficou a coalizão no cessar-fogo? Perdeu a guerra?
A coalizão EUA-Israel teve sucesso em destruir a capacidade militar convencional de ponta e a estrutura de comando do Irã, além de infligir danos econômicos potencialmente irreversíveis. No entanto, falhou em desmantelar a estrutura de poder do regime, que permanece resistente e ainda possui ferramentas perigosas para retaliar e negociar, mantendo suas principais ferramentas de barganha.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria ficado descontente com o acordo da Casa Branca e prometeu continuar a campanha militar israelense para ocupar todo o sul do Líbano e criar uma zona tampão. Líderes da oposição e outras lideranças israelenses criticaram duramente o cessar-fogo com o Irã, chamando-o de uma falha de liderança política e estratégica e alertando sobre consequências de longo prazo para a segurança de Israel. Em sentido oposto, os Estados do Golfo acolheram o cessar-fogo, exigindo o fim das hostilidades, apesar de ataques iranianos persistentes.
O contexto permanece volátil: horas após o anúncio de Trump, o Irã lançou mísseis contra Israel, e o Bahrein ativou sirenes de ataque aéreo. Alertas continuaram em Israel, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade do acordo.
Em suma, não se pode afirmar que a coalizão EUA-Israel tenha perdido a guerra, tampouco que tenha vencido; o que se observa é a transição para uma fase de guerra híbrida, na qual negociações frágeis coexistem com ataques pontuais e disputas por legitimidade internacional.
Foi há 40 anos. Eu nunca tinha visto um culto da Assembleia de Deus. Na minha juvenil prepotência, guardava todo tipo de preconceito contra os assembleianos. Via aquele povo como gente inculta, sem teologia, legalista.
Para piorar minha pobre condição, eu era aluno da Universidade de São Paulo, estudava hebraico, falava inglês e aprendia alemão. Já me sentia “teólogo”.
Como Deus poderia lidar com uma criatura de cabeça dura?
Por caminhos que só a graça divina prepara, acabei indo parar em um culto assembleiano. Era tudo estranho. Gente simples, vestida de modo peculiar. Ternos, saias e coques marcavam o cenário modesto da pequena igreja de bairro.
Mas a serenidade daquela gente sofrida me chamou a atenção. As orações calorosas em conjunto foram uma surpresa à parte. Palavras, testemunhos e versículos completavam a experiência inusitada que, aos poucos, amansava a arrogância oculta do meu coração pecador.
Foi então que o dirigente convocou a todos: “Vamos cantar o hino 126 da Harpa.”
Entre aleluias e glórias, o povo entoou:
“Bem-aventurado o que confia No Senhor, como fez Abraão Ele creu, ainda que não via E, assim, a fé não foi em vão”
Ver aquela gente humilde adorando me quebrou. O calor daquele momento espiritual me aqueceu, enquanto eu corava por minha arrogância ali humilhada. Descobri que eu não sabia de nada e que, com bondade, o Pai me ensinava.
Mas, ao ouvir outra estrofe do hino, a cura completa irrompeu, com lágrimas que banharam o rosto do menino insolente:
“Quem quiser de Deus ter a coroa Passará por mais tribulação Às alturas santas ninguém voa Sem as asas da humilhação”
Nunca me esqueci do hino libertador. E, às vezes, o menino mau volta. Nessas horas, eu canto: “Às alturas santas ninguém voa sem as asas da humilhação.”
Existe uma fome quase automática por transformar qualquer frase em crime moral, como se o mundo só pudesse ser compreendido através de rótulos extremos. Neymar diz algo corriqueiro, absolutamente banal dentro do universo do futebol, e imediatamente surge a acusação: misoginia.
Mas não há misoginia nenhuma. Não há desprezo estrutural, não há intenção de inferiorizar mulheres, não há sequer material sério para sustentar essa leitura. Há apenas uma linguagem comum sendo sequestrada por uma interpretação inflada.
Esse tipo de reação revela mais sobre quem acusa do que sobre quem fala. Porque é preciso certa distorção, quase uma vontade de ver problema onde ele não existe, para transformar uma expressão trivial em um ato de opressão.
Quando tudo vira misoginia, nada mais é misoginia de fato. O termo perde sentido, vira instrumento de histeria coletiva, usado não para proteger, mas para punir, expor e reafirmar uma superioridade moral de ocasião.
E, no meio disso tudo, Neymar continua sendo o personagem ideal para esse tipo de espetáculo. Não pelo que fez agora, porque não fez nada de errado, mas porque já foi escolhido como alvo recorrente.
Só que existe uma realidade que não cabe nessa narrativa: o atleta de excelência e o homem à frente do Instituto Neymar, que há anos transforma a vida de milhares de crianças. Mas isso exige honestidade para reconhecer, e honestidade, hoje, parece ser muito menos atraente do que o prazer de condenar.