Nesta segunda (18), foi a convocação da Seleção Brasileira, e com ela a polêmica se Neymar deveria ou não ser convocado. Claro que o questionamento de alguns à convocação do atacante santista se deveu à sua condição física. No entanto, muita gente o fez não por causa do futebol desenvolvido pelo jogador brasileiro, mas sim por questões ideológicas. Assim, nessa perspectiva, teve gente torcendo pela não convocação do jogador, visto que ele tem um viés político à direita.
É possível que ao ler este artigo alguém esteja a dizer: “Mas, pastor, o futebol sempre foi usado politicamente no Brasil, veja por exemplo como os militares usaram a Copa de 70 como propaganda do regime”.
Ora, eu sei disso; contudo, a diferença de ontem para hoje é a polarização digital extrema; visto que tudo que acontece neste tupiniquim país vira esquerda x direita.
Veja bem, eu acompanho os jogos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo desde 1978.
Lembro que a Copa de 1982, dirigida por Telê Santana, mobilizou a nação inteira. Naquela época, as ruas se vestiram de verde e amarelo, e o povo unido celebrava cada vitória da Seleção Canarinho.
Hoje, devido à polarização política, não é mais assim, mesmo porque o desejo de muitos é que o Brasil perca por causa da identidade política de alguns jogadores; o que reflete o clima de beligerância existente na nação.
Caro leitor, a Copa está chegando e, como brasileiros, penso que, juntos, independentemente da ideologia política deveríamos deixar de lado nossas percepções políticas e torcer para que mais uma vez o Brasil unido possa gritar, em alto e bom som: “Somos campeões mundiais!”
Moro em apartamento. Então, todos os dias me questiono: “Quem é o mesmo, mesmo?” Pois é, não sei se acontece com você, mas eu fico encasquetada com a plaquinha que há na porta dos elevadores. Já reparou? “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado no andar”.
Essa minha “encasquetação” não é de hoje. Desde a primeira vez que vi a bendita plaquinha, uma luz se acendeu e passei a questionar quem era o “mesmo”. Um moço bonito talvez?
Brincadeiras à parte, a famosa plaquinha do elevador nos dá um ótimo motivo para fazer algo que sempre incentivo: recorrer ao bom e velho dicionário. Sim, ele continua sendo um dos melhores amigos de quem gosta de português e quer escrever melhor.
Logo, se você procurar a palavra “mesmo”, descobrirá algo curioso: ela pode pertencer a diferentes classes gramaticais, dependendo do contexto. Ou seja, muda de função conforme a frase.
Em muitos casos, “mesmo” funciona como pronome demonstrativo, geralmente com sentido de reforço, equivalente a “próprio”. Veja: “Foi o CEO mesmo quem chamou a atenção do funcionário.” Aqui, “mesmo” significa o próprio CEO.
Em outros momentos, “mesmo” é um advérbio, reforçando uma ideia, com sentido de “realmente”, “de fato” ou “até”. Note: “Ele gostou mesmo da surpresa.”
Nesse caso, “mesmo” poderia ser substituído por “realmente”. Ou ainda: “Ela estava cansada, mas mesmo assim conseguiu terminar o trabalho.”
Também há situações em que “mesmo” aparece como substantivo, indicando algo equivalente ou semelhante. Olhe só: “Trocar café por água às seis da manhã é o mesmo que pedir para meu cérebro entrar em greve.” Dramático? Talvez. Mentiroso? Jamais.
E quem nunca usou a expressão “dar no mesmo”? Afinal, em certas situações, escolher uma coisa ou outra leva exatamente ao mesmo resultado. Por exemplo, “Sair às 7h10 ou às 7h15 acaba dando no mesmo, porque o trânsito já estará parado.”
Muita coisa para uma palavrinha só, não é?
Mas então surge a pergunta: se “mesmo” pode ser tudo isso, por que aquela frase do elevador soa tão estranha? Porque o que deveria haver ali é um pronome pessoal, um “ele”.
Segundo a gramática, “o mesmo” não deve ser usado como substituto de pronomes pessoais, como “ele/ela”, “eles/elas”. Então, o certo seria: “Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra…”
E por que a placa é escrita assim? Em 1977, a cidade de São Paulo criou uma lei exigindo esse aviso nas portas dos elevadores e o texto veio exatamente desse jeitinho. Claro, a informação é necessária e evita acidentes, embora escrita errada.
Mas, para completar… outros municípios souberam, gostaram da ideia e “criativamente” copiaram a frase do mesmo jeitinho. Hoje, a lei existe em diversos estados e cidades do país. E se, não for cumprida, gera multa ao “proprietário” do elevador…
Penso que esse é um dos casos em que um erro de português ganhou passe livre; assim, desfila todos os dias diante dos nossos olhos…
Então, preciso confessar algo além da gramática… Dia desses, conversando com uma amiga querida, chegamos a uma interpretação bem particular. Talvez, antes de entrar em certas relações, também valha a pena verificar se “o mesmo” se encontra parado no andar.
Em bom português: será que aquela pessoa está mesmo acessível? Será que está no mesmo andar das nossas expectativas? Porque, às vezes, insistimos em apertar o botão de um elevador que simplesmente não está ali, captou?
Espero ter ajudado, um abraço e até a próxima!
Em tempo: muito obrigada pelo carinho e generosidade com que vocês acolheram minhas palavras na semana passada. Agradeço de coração.
E, se você vir uma plaquinha com algo de errado escrito por aí, mande para mim. Vamos conversar sobre. Pode ser?
Fim da “taxa das blusinhas” na compras internacionais (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Marcial Comeron
O governo mal anunciou a revogação da “taxa das blusinhas”, divulgada como se fosse o “conserto” de um erro do Congresso Nacional, e dispararam as buscas na internet por:
— O que é a taxa das blusinhas?
— Quem criou a taxa das blusinhas?
— Quanto é 50 dólares?
— Lula tirou a taxa das blusinhas?
Sim, o povo quer entender melhor do que se trata essa bagunça.
Embora os aliados de Lula tenham tentado jogar a culpa no “Congresso bolsonarista”, a narrativa não colou. Boa parte dos brasileiros sabe que a digital na cena do crime é de Lula.
No passado, Lula dizia, a plenos pulmões, que a medida era necessária para defender a indústria nacional (embora o intuito fosse meramente arrecadatório) e agora quer fingir estar ao lado do povo de classe baixa e média baixa.
Pior: as contas públicas estão em pior estado do que antes e ele cedeu à tentação de pisar no acelerador do cheque especial nessa e em várias outras medidas econômicas eleitoreiras que estão sendo implementadas a um alto custo que será pago pelo povo.
A ironia é que reduzir impostos é uma medida economicamente correta que todo e qualquer governo deve buscar. “Até um relógio quebrado acerta a hora, duas vezes ao dia”, diz o ditado popular.
Porém, não se deve apenas buscar reduzir impostos, mas também reduzir — simultaneamente — os gastos, reformar o aparelho do Estado e tornar a economia mais produtiva. Coisa que Lula claramente não faz. Para ele, as eleições valem mais do que o dia de amanhã…
Lula faz lembrar o livro de Frederic Bastiat: O que se vê e o que não se vê. Pois, ele vê os benefícios de curto prazo, mas finge não enxergar as inevitáveis consequências de médio e longo prazo, mesmo sabendo que colocará o país em uma grave recessão. De novo. Como aquela da Dilma.
Jorge Messias, durante sabatina no Senado Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Tenho a impressão de que a rejeição da indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte, pelo Senado Federal, por 42 votos contrários a 34, ocorrida em 29 de abril, representou uma derrota do presidente Lula, e não do advogado-geral da União.
A meu ver, o ponto fraco de sua defesa ocorreu quando, ao ser questionado sobre os episódios de 8 de janeiro, Messias afirmou ter sido o autor da acusação, tratando aquela desordem como um golpe de Estado. Na verdade, tratou-se de uma baderna, pois, sem o uso de armas, não haveria como configurar um golpe. Certamente, tal posicionamento enfraqueceu a sua apresentação.
Por outro lado, sabe-se que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, juntamente com o Centrão, não desejava essa indicação e decidiu demonstrar sua força perante o presidente Lula. No Supremo Tribunal Federal, havia aqueles que eram favoráveis à indicação e aqueles que eram contrários.
A insistência do Executivo em pautas que ignoram a independência técnica das instituições tem gerado um desgaste desnecessário. Ao priorizar critérios de proximidade pessoal e ideológica em detrimento de uma articulação institucional sólida, o governo acaba por tensionar a relação com o Legislativo, evidenciando uma dificuldade crônica de diálogo que transcende a simples composição de maiorias parlamentares.
Isso me recorda que, pela primeira vez em 132 anos, vivemos uma rejeição semelhante. O fato remonta ao governo do segundo presidente da República, cujo mandato foi marcado por uma forte tendência ditatorial e sucessivas revoltas, chegando-se a defender, inclusive, a pena de morte.
Do ponto de vista jurídico, a maior derrota que um presidente da República pode sofrer é a rejeição da indicação de um ministro para o Supremo, o que, nos últimos 132 anos, nunca havia ocorrido.
Poucas semanas após a votação histórica no Senado, os reflexos imediatos desse episódio demonstram que o Palácio do Planalto ainda tenta digerir o recado. A rejeição de Jorge Messias abriu uma crise aguda na articulação política do governo Lula, evidenciando uma postura de recuo e perplexidade diante de um Congresso Nacional fortalecido.
Essa paralisia momentânea e a dificuldade de reação contaminam o debate sobre as pautas econômicas urgentes, provando que o erro estratégico na escolha do indicado trava a governabilidade no presente.
Isso também demonstra a fragilidade do governo Lula e comprova que a gestão vai muito mal sob diversos aspectos: na economia, nas contas públicas, nos juros e no aumento da carga tributária. Além disso, a constante aposta em projetos populistas pode dificultar severamente o cenário para o governo sucessor.
Creio que essa mensagem enviada ao presidente Lula deve levá-lo à reflexão. Vencer eleições por meio de manipulações ou com a defesa de projetos populistas — em um país com as riquezas e a potencialidade que o Brasil possui — impede um crescimento robusto, resultando em índices pífios como os vistos nas gestões do PT. Todo esse cenário culminou nesta monumental derrota.
Minha crítica não recai sobre o advogado-geral da União, o indicado, mas sim sobre o presidente Lula, por não ter sabido indicar alguém que fosse de consenso entre os Poderes e perante a sociedade brasileira, em vez de optar por seu advogado pessoal.
Há uma direita que adoeceu e virou matilha, e o tumor tem nome: caráter corrompido pelo hábito. Quem mente mil vezes não escolhe mais mentir, mente como respira, e arrancar dele a mentira é arrancar a identidade, motivo pelo qual defende com unhas e dentes não a tese, mas a tara.
Crava uma versão em março, esquece em maio quando ela vira contra o aliado; avalia a empresa em fortuna na segunda e em trocados na sexta conforme convém; apresenta três explicações para o mesmo evento numa única semana e nenhuma precisa ser verdadeira, todas precisam apenas ser úteis.
O logos foi substituído pelo clique, e clique não exige coerência, exige escândalo de 15 em 15 minutos.
Some-se a regressão da matilha: o homem maduro delibera e responde pelos próprios atos, o membro da matilha late junto, morde junto, troca de alvo na milésima de segundo em que o líder aponta o próximo pescoço, regressão ao estágio anterior à pólis, antes do logos, antes do que faz do bípede animal racional. Por isso não toleram régua única, porque régua exige imparcialidade e imparcialidade é impossível dentro do regime mental da alcateia.
E há a parte que ninguém quer encarar: não é militância, é negócio. Grito é commodity, escândalo é produto de prateleira, exílio é estratégia de localização tributária, paga-se aluguel em dólar com indignação produzida em real.
Quando a doença é industrial, sermão não cura, vergonha não cura, porque vergonha pressupõe alma íntegra e a alma da matilha já se fragmentou em compartimentos estanques; cada um servindo a um interesse, todos respondendo ao mesmo dono, o bolso. É câncer porque devora o tecido sadio em volta, contamina o eleitor honesto e queima a credibilidade do conservadorismo decente.
Só responde a duas terapias: ou se extirpa por concorrência limpa, ou metastatiza e mata o organismo inteiro. A régua única é o bisturi, e quem não tem coragem de empunhá-la será cúmplice da necrose, e o desfecho da necrose é matemático, não retórico: a matilha entrega a eleição de bandeja ao próprio algoz e ainda cobra Pix do eleitor honesto para financiar a derrota do ciclo seguinte.
Meteorologistas brasileiros estão em alerta diante da possível formação de um Super El Niño que pode atingir o nosso país já no próximo mês. Alguns especialistas já falam que ele pode se tornar um dos mais fortes desde 1870, trazendo um cenário climático extremamente perigoso em diversas regiões do país.
No Sul do Brasil, o temor é de tempestades violentas, enchentes históricas e destruição em massa. No Norte e Nordeste, o risco é de secas severas, calor sufocante e até crises no abastecimento de água. Já o Sudeste pode enfrentar ondas de calor absurdas acompanhadas de temporais, raios, ventos fortes e apagões energéticos.
Estudiosos afirmam que o planeta está entrando em uma fase de instabilidade climática nunca vista pelas gerações atuais.
E os impactos não devem parar apenas no clima. Aumento no preço dos alimentos, prejuízos na agricultura, pressão sobre a energia elétrica e até possíveis crises econômicas começam a preocupar governos e especialistas. Quanto mais o clima sai do controle, mais o sistema global se torna vulnerável. O mundo inteiro parece caminhar para uma sequência de crises simultâneas que podem ser consideradas até mesmo sinais de fim dos tempos.
Estamos diante de um El Niño inevitável e que pode ser o mais forte em quase 150 anos. Se isso acontecer, ele se consolidará como o mais destrutivo em quase um século e meio e é justamente isso que está fazendo crescer o alerta para toda a população se preparar para algo maior.
Israelenses se reúnem para a “Marcha da Bandeira”, em comemoração ao Dia de Jerusalém Foto: EFE/EPA/ATEF SAFADI
Por volta do ano 1000 a.C., um jovem e arrojado rei chamado Davi unificou as 12 tribos em um único reino de Israel, mudando para sempre o curso da história. Davi conquistou Jerusalém e a proclamou capital da nação, estabelecendo-a como o centro político e espiritual do povo judeu.
Como pastor que se tornou rei, Davi foi um dos mais importantes líderes de Israel (aproximadamente 1006–966 a.C.), conhecido por consolidar as tribos e transformar Jerusalém na capital eterna.
O amor de Davi por Jerusalém transcendeu sua época e ecoa através dos Salmos.
No Salmo 122, Davi expressa a profunda conexão espiritual com a cidade santa: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor. Os nossos pés estão às tuas portas, ó Jerusalém! Jerusalém, que és edificada como uma cidade que é compacta”.
E no Salmo 137, declara o juramento inquebrantável: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao paladar, se de ti não me lembrar, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria”.
Avançando quase três milênios, chegamos a junho de 1967. Durante a Guerra dos Seis Dias, Israel enfrentou uma coalizão de nações árabes.
Na manhã de 7 de junho, tropas israelenses entraram na Cidade Velha através do Portão dos Leões, reunificando a cidade após quase 19 anos de divisão. Às 10h15, o rádio israelense confirmou a notícia histórica: “O Monte do Templo está em nossas mãos.”
David Ben-Gurion, o primeiro-ministro fundador do Estado, proclamou com convicção profética: “Para o Estado de Israel, sempre houve e sempre haverá uma única capital — Jerusalém, a Eterna.”
Esta declaração resume 3 mil anos de história, fé e destino entrelaçados entre um povo e sua cidade sagrada.
Jerusalém tornou-se, então, uma cidade reunificada que garantiu liberdade de culto e acesso a locais sagrados para todos – judeus, cristãos e muçulmanos.
O capelão-chefe das Forças de Defesa de Israel tocou o shofar no Muro Ocidental, selando simbolicamente o retorno de Jerusalém Oriental ao controle judaico.
Teologicamente, Jerusalém representa muito mais que uma capital política. Para o judaísmo, é o local do Monte Moriá, onde Abraão demonstrou fé suprema, onde Davi estabeleceu o centro de adoração, e onde Salomão ergueu o Primeiro Templo. Para o cristianismo, é o palco da crucificação, morte e ressurreição de Jesus.
Yom Yerushalayim (Dia de Jerusalém) é celebrado anualmente para marcar essa reunificação, recordando o fim de quase dois milênios de exílio e o retorno à Cidade Velha e aos seus lugares mais santos.
Hoje, 59 anos depois, Jerusalém permanece como símbolo de fé, resistência e esperança para milhões ao redor do mundo. E essa conexão entre o passado e o presente não é apenas histórica ou política; é profundamente pessoal e espiritual. Como pude testemunhar em minha própria jornada:
Diante do Muro, no cume do Monte Moriá, confrontei-me com a História. Transpus, então, a mera instrumentalidade religiosa do lugar. Ali, tecido pelo espetáculo do desprezo ainda presente, ouço palavras proféticas em cada pedra: testemunhas do Verbo de Deus, que sobre elas habitou e que O reconheceram — e ainda hoje convergem aos sonetos celestiais, afirmando Seu breve retorno!
Fé, democracia e os limites da atuação religiosa no processo eleitoral (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT
A democracia brasileira encontra seu alicerce na convivência harmoniosa entre diferentes visões de mundo, sustentada pelo princípio do pluralismo político. Este fundamento, garantido pela Constituição de 1988, assegura que a voz religiosa não seja apenas tolerada no âmbito privado, mas reconhecida como parte legítima e necessária do debate público.
No entanto, observamos com preocupação o ressurgimento de movimentos que, sob o pretexto de fiscalização, tentam ressuscitar teses jurídicas já sepultadas para constranger a atuação de cristãos, pastores e líderes religiosos no processo eleitoral.
Neste sentido, o contexto atual revela a atuação de grupos como a associação Movimento Brasil Laico (que poderia muito bem se chamar Movimento Brasil Laicista). Essa organização vem promovendo campanhas de patrulhamento e denúncias sistemáticas contra pastores, igrejas e pré-candidatos cristãos.
O grande erro destas iniciativas reside na confusão conceitual entre laicismo e laicidade. Enquanto o laicismo atua como uma ideologia que busca banir a religião da esfera pública, tratando o Estado como uma entidade antirreligiosa, a laicidade brasileira é, por natureza, colaborativa.
Nosso ordenamento jurídico estabelece uma neutralidade benevolente, onde o Estado não possui religião oficial, mas reconhece o valor social das instituições religiosas e protege o direito do cidadão de influenciar as leis com base em suas convicções morais.
Assim, negar ao cristão o direito de participar ativamente da política com base em seus valores seria, na prática, criar uma cidadania de segunda classe, o que fere mortalmente o princípio da igualdade.
É fundamental destacar que a tese do “abuso de poder religioso” como uma categoria autônoma de ilícito eleitoral foi expressamente rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no julgamento do REsp nº 8285/GO.
A Corte compreendeu que a criação de tal figura por via jurisprudencial violaria o princípio da legalidade estrita, uma vez que não há previsão na Lei das Inelegibilidades para esse tipo de conduta.
Assim, a justiça eleitoral reafirmou que a liberdade de expressão religiosa é protegida e que eventuais excessos devem ser punidos através das categorias já existentes, como o abuso de poder econômico, político ou dos meios de comunicação.
Logo, tentar criar uma punição específica para o ambiente religioso é uma tentativa autoritária de expurgar os cristãos da vida pública, utilizando o aparelho judicial para silenciar uma parcela significativa da população.
Afinal, o Direito Eleitoral já possui salvaguardas robustas para garantir a isonomia do pleito, sem a necessidade de inventar novas formas de repressão à fé. Neste sentido, a legislação brasileira é clara ao estabelecer limites para as organizações religiosas, que são classificadas como pessoas jurídicas de direito privado e devem obediência às normas de ordem pública.
Sendo assim, são proibidas as condutas de distribuição de material eleitoral dentro dos templos e a vedação absoluta a doação de recursos por pessoas jurídicas (como as igrejas), o que torna a tese do abuso religioso uma invenção sem amparo legal.
Ademais, no contexto eclesiástico, a liberdade de culto permite que líderes religiosos orientem sobre temas políticos e critérios de votação, promovendo a conscientização por meio de eventos educativos, desde que não haja pedido explícito de votos ou propaganda partidária no púlpito.
E mais: como qualquer cidadão brasileiro, tais líderes preservam o direito de declarar apoio pessoal e voto fora do exercício das funções litúrgicas.
Os candidatos, por sua vez, podem frequentar missas, cultos e celebrações, recebendo orações e menções de presença em eventos religiosos. No entanto, não devem utilizar o altar para pedido de votos.
Essas regras são suficientes para prevenir desvirtuamentos. A insistência na tese do abuso de poder religioso, portanto, não busca a justiça, mas sim a imposição de um laicismo antirreligioso que ignora que o cristão é, simultaneamente, cidadão do Reino de Deus e da Polis terrena.
Ora, cumpre ressaltar que é amplamente aceito e até incentivado que o debate político ocorra em ambientes como sindicatos, associações, escolas e universidades, sem que se cogite a criação de figuras jurídicas como o “abuso de poder sindical” ou “acadêmico” para silenciar tais vozes.
Diante dessa realidade, torna-se injustificável e discriminatório o esforço de isolar apenas a Igreja, pretendendo excluí-la de um diálogo tão vital para a construção da sociedade.
Se a política permeia todas as esferas da convivência humana, não há fundamento democrático que sustente a tentativa de banir o pensamento cristão da praça pública, enquanto outras instituições gozam de plena liberdade para influenciar os rumos da nação.
Portanto, a política, quando exercida com integridade, é uma ferramenta legítima de serviço ao bem comum, e o uso de mordaças ideológicas para impedir esse serviço é um atentado contra o próprio Estado Democrático de Direito!
Ao longo da minha vida pública, aprendi que, nos momentos de crise, é preciso agir com serenidade, coragem e compromisso com a verdade. Quando um fato explode na imprensa, muitos correm para acusar, outros preferem se omitir, e poucos se dispõem a defender aquilo que realmente importa: justiça, equilíbrio e transparência.
Foi o que ocorreu após a divulgação do áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que é envolvido em denúncias relacionadas ao Banco Master.
Antes de qualquer precipitação, é preciso afirmar de forma objetiva: ninguém pode ser condenado por manchete, vazamento seletivo ou exploração política. O Brasil já assistiu, inúmeras vezes, a julgamentos antecipados promovidos por interesses eleitorais e ideológicos.
Conheço Flávio Bolsonaro. Sei de sua trajetória, de sua lealdade à família, de sua postura pública e da responsabilidade com que sempre conduziu sua vida política. Flávio não surgiu do nada. Hoje é senador da República, mas também foi lançado como pré-candidato à Presidência por Jair Bolsonaro, homem honrado, perseguido por amar este país e por enfrentar um sistema que, há décadas, saqueia o Brasil.
Vejo muitos tentando aproveitar esse episódio para semear divisão no campo da direita conservadora. Quando percebem que a direita está forte, organizada e competitiva, tentam fragmentá-la.
Se o conteúdo tratado no áudio dizia respeito a patrocínio privado para um projeto audiovisual, isso precisa ser analisado dentro da legalidade, sem histeria e sem oportunismo. Relações privadas lícitas não podem ser automaticamente criminalizadas apenas porque envolvem nomes conhecidos ou adversários políticos da esquerda.
Agora, uma coisa precisa ser dita: o caso Banco Master ultrapassa, e muito, qualquer áudio isolado, que nada indica ilegalidade. Trata-se de um fato amplo, que exige apuração séria e profunda. E a direita tem lutado para instalar uma investigação sobre esse banco e o impedimento sempre veio da… esquerda, não de Flávio.
O Brasil precisa saber tudo o que ocorreu em torno dessa instituição financeira: seus vínculos, operações, relações políticas, influência econômica e possíveis conexões com agentes públicos, além da questão do INSS. Por isso, defendo a imediata instalação de uma CPMI do Banco Master.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito deve convocar todos os envolvidos, quebrar sigilos necessários dentro da lei, ouvir autoridades, examinar contratos e esclarecer à sociedade brasileira quem se beneficiou, quem se omitiu e quem eventualmente praticou irregularidades.
O que não aceito é ver setores da esquerda, que silenciaram diante de escândalos bilionários, agora quererem posar de paladinos da moralidade em cima de Flávio Bolsonaro. Muitos dos que hoje apontam o dedo conviveram com mensalão, petrolão, empreiteiras amigas e aparelhamento institucional. Afinal, até que se prove o contrário, Flávio não praticou qualquer crime.
Também não aceito ver parte da própria direita agir por impulso, movida por ansiedade eleitoral, atacando seus próprios aliados sem conhecer os fatos. Divergência é legítima. Autofagia política é burrice. Nosso verdadeiro adversário continua sendo o projeto de poder da esquerda que afundou o Brasil na corrupção, na censura e no atraso.
Em suma, o Brasil não precisa de linchamento midiático contra Flávio Bolsonaro. O Brasil precisa de coragem. E, neste momento, essa coragem só poderá ser manifestada através da CPMI do Banco Master.
Flávio Bolsonaro Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
A divulgação dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro expôs mais uma vez um fenômeno cada vez mais evidente no Brasil: quando o assunto envolve nomes ligados à direita, especialmente ao bolsonarismo, fatos comuns passam rapidamente a ser tratados como escândalos nacionais.
O que existe até agora? Um parlamentar cobrando um financiamento privado prometido para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não há prova de uso de dinheiro público, favorecimento estatal, contratos direcionados ou qualquer contrapartida ilegal.
Mesmo assim, parte da mídia já construiu manchetes insinuando corrupção antes mesmo da existência de um fato concreto que sustente essa acusação.
E aqui surge uma pergunta inevitável: será que o tratamento seria o mesmo se o filme fosse sobre uma liderança de esquerda?
A história recente mostra que não.
Durante anos, produtores culturais, artistas, cineastas e projetos ideologicamente alinhados à esquerda receberam financiamentos milionários via patrocínios empresariais, bancos, estatais e leis de incentivo. Em muitos casos, isso foi tratado pela imprensa como “fomento cultural”, “investimento artístico” ou “apoio institucional”.
Mas quando o projeto envolve Bolsonaro, o discurso muda imediatamente. O que antes era chamado de “captação de recursos” passa a ser descrito como “negociação suspeita”. O que era “apoio empresarial” vira “escândalo”.
A diferença não está no ato. Está no alvo político.
O apresentador Ratinho também já foi atingido por narrativas semelhantes apenas por realizar testemunhais comerciais para empresas posteriormente investigadas. Fazer publicidade nunca foi sinônimo de participação em crimes. Caso contrário, metade do mercado publicitário brasileiro estaria sob suspeita permanente.
No caso de Flávio Bolsonaro, até agora não apareceu nenhuma evidência de:
– tráfico de influência;
– desvio de recursos públicos;
– favorecimento governamental;
– venda de facilidades;
– corrupção.
Existe apenas a tentativa de transformar proximidade em culpa e financiamento privado em crime presumido.
Isso cria um ambiente perigoso para a democracia. Porque quando a régua muda conforme a posição ideológica do investigado, o jornalismo deixa de buscar fatos e passa a operar como instrumento de disputa política.
A pergunta correta continua sendo simples: houve ilegalidade concreta ou apenas um financiamento privado para um projeto audiovisual?
Sem prova de corrupção, sobra apenas mais um episódio de desgaste seletivo contra figuras da direita brasileira.